Erros de palmatória
Leio algures uma lista dos erros mais frequentes em língua portuguesa falada e escrita. Percebo rapidamente tratar-se de uma coisa produzida no Brasil e, como tal, nem tudo bate certo com o que acontece aqui na terrinha (para usar uma palavra que os brasileiros empregam quando se referem a Portugal). No entanto, há erros que são os mesmos cá e lá e descubro com alegria que o rol de asneiras não omite a expressão «Há x anos atrás» (havia de ser à frente?) que ouço amiúde aos apresentadores de televisão e a muita outra gente mais informada que, ainda assim, não lhe consegue fugir. Outra que apreciei ver, porque me está sempre a aparecer nos originais que me chegam de potenciais escritores, é «prefiro ir do que ficar» em lugar de «prefiro ir a ficar», sendo que este «preferir» também aparece vulgarmente na redundante expressão «antes prefiro» quando o prefixo «-pre» já significa antes. «Uma grama» é outra que me leva aos arames na prosa que leio, se, evidentemente, se referir a medida de peso, e não a relva brasileira. Mas há mais, como a sistemática confusão entre «onde» e «aonde», a insistência em usar a terceira pessoa do plural do verbo «haver» em frases como «começa(m) a haver sinais de…» (do piorio) ou desconhecer a diferença entre «ter a haver» e «ter a ver» (na verdade, «ter que ver» é a melhor opção neste último caso). Enfim, escreve-se e fala-se bastante mal português e, mesmo não fazendo parte da lista que referi no início, gostaria de acrescentar que se tornou moda dizer «De todo» em vez «De modo nenhum» (mas é um erro escusado, já que «de todo» quer dizer «totalmente») e empregar erradamente o verbo «chamar» com a preposição «de» («chamou-o de parvo» em lugar de «chamou-lhe parvo»), sendo que este último está seguramente entre os que mais vezes apanho em autores que querem publicar o que escrevem..
Entre bater a apanhar dê preferência a paz!
ResponderEliminarToda a gente precisa de uma revisão dos seus textos, é impossível não cometer erros. Entre escritores, muitos dos erros acontecem por simples distração ou porque o autor está muito atento à sua ideia e não consegue ler letra a letra.
ResponderEliminarMuitas vezes também encontro erros nos post's da MRP e este seu post de hoje fez-me lembrar um que vi há tempos e que vem aqui apontado. Fui à procura. No post de 21 de novembro de 2013 ("Figuras Públicas") escreve: "afinal, a senhora tinha feito parte de uma comunidade de leitores da Livraria Almedina, em Gaia, AONDE eu estivera para trocar impressões sobre os meus poemas…".
Já agora, um erro muito comum, pelo menos na zona onde eu vivo: "Tenho um amigo meu". Para quê o 'meu'?
Eliminar«Quem vai à guerra dá e leva», sabemos. O que conta é a boa intenção.
Caríssimo, quando vir erros e gralhas neste blogue, por favor diga logo no dia, escusamos de os perpetuar para os leitores que vão aparecendo. Obrigada!
EliminarBom dia extraordinária Maria do Rosário Pedreira, esta de dizer obrigada em vez de obrigado também tem que se lhe diga...é que já ouvi muito boa gente expressar convictamente que tanto o homem como a mulher devem usar OBRIGADO.
EliminarNo entanto, creio que como fórmula de agradecimento, um homem dirá obrigado, uma mulher dirá obrigada.
Contudo, é erro dizer um homem a uma mulher "OBRIGADA" ou uma mulher dizer a um homem "OBRIGADO", fazendo a concordância com a pessoa a quem se agradece, o que com frequência já ouvi, mesmo a pessoas cultas.
Obrigado eu, mas não quero chatear. Só achei piada a MRP apontar um erro que também já cometeu e que me ficou na memória porque creio ter percebido na altura a origem desse erro: Em vez de 'estivera' a MRP terá começado por escrever 'fora' (do verbo ir), e ao fazer a substituição esqueceu-se de passar 'aonde' para 'onde'.
EliminarAcontece-me várias vezes por dia cometer erros que sei que são erros. Por exemplo, quando estou mais cansado tendo a cometer erros como "há dias atrás". E embora escreva sempre "tem que ver" às vezes sai-me, em discurso oral, um "tem a ver" (que é galicismo). Quando o faço não consigo evitar um sorriso.
Caro Severino,
EliminarTem toda a razão. Quando se agradece está subentendido o verbo: (Estou-lhe) obrigado/a ou (Fico-lhe) obrigado/a. Se uma pessoa estiver a falar por várias que se sentem agradecidas pode dizer 'Obrigados' ou 'obrigadas' (como se ouve às vezes em estabelecimentos e muito bem).
Por esta ordem de ideias o conhecido 'obrigadão' não pode ser dito por uma mulher, como há dias ouvi. Mas talvez seja melhor ela dizer apenas 'muito obrigada :).
O "donde" nasce a poética.
EliminarFicar “obrigado/a” tem uma conotação de servilismo.
EliminarMais bonito é agradecer com um fraternal “bem-haja” a atenção ou a ajuda que o/a outro/a lhe prestou.
Bem-haja o Prof José Hermano Saraiva, que foi ele que me / nos ensinou isto num programa que tinha na TV.
A expressão (estou-lhe) "obrigado/obrigada" tem origem na frase latina "tibi grato/grata sum". A concordância faz-se com a pessoa que a profere porque é ele ou ela que fica obrigado/a. Os "obrigados/obrigadas" apenas estarão correctos se estivermos a falar em nome da primeira pessoa do plural, em nome do grupo, com bem referido.
EliminarPLFF
EliminarCaro PLFF
Nesse caso o chocante obrigadão " dito por uma senhora até poderia ser substituído por obrigadona ", um bocadinho inestético, não acha?
De qualquer modo, muito grata, grata sum , mesmo muitíssimo sum pelo seu esclarecimento.
Cada vez é mais difícil escrever português, sinto a língua armadilhada neste tempo de des-acordo .
Hoje apeteceu-me brincar consigo para ver se não vejo ( se isto não é uma cacofonia anda lá muito perto) o telejornal. :)
mjc
O fatídico ''22 horas da noite'' soa pouco redundante sob a lua fadista....
EliminarAi, Camões, ressurge e termina de ensinar essa gente!
'Tenho um amigo meu/uma amiga minha' é das asneiras que mais ouço e da boca de pessoas que teriam a obrigação de falar melhor, tendo em conta o curriculum académico.
EliminarÀS VEZES, pode dar-se um 'curto-circuito', a pessoa começar com 'um amigo meu' e, a "meio do caminho", querer dizer 'tenho um amigo'. Explicação forçada, mas ...
Erramos e acertamos, gostamos mais de acertar e perdemos no desejo de ganhar. Assim vai o mundo, entretido a errar e a acertar.
ResponderEliminarUm post sobre gramática também se integra no ofício de editor.
ResponderEliminarAgora é moda a juventude dizer ou escrever "tá", "tou", "tás" em vez de "está", "estou", "estás".
Contudo, a literatura aproveita os vícios de linguagem para que personagens (e, por vezes, narradores) com baixo nível de escolaridade tenham verosimilhança. E muito bem, na minha opinião.
António Breda Carvalho
Concordo com o António Breda de Carvalho no aspecto da verosimilhança da linguagem... que comparo ao modo de fazer teatro versus a novela. Basta aliás pensar como a sua transposição, na fase inicial da novela portuguesa, fazia desta um bicho estranho, sincopado, arrítmico. A própria interpenetração das normas linguísticas traz uma enorme riqueza à linguagem escrita. Ainda hoje não entendo porque não devemos acumular as duas normas numa só... o que terá consequências óbvias de um afastamento cada vez maior das duas.
Eliminar| … e na oralidade o recurso acentuado ao “meter” [não tanto como erro] mas como disjuntor de híper informalidade | verbo-cápsula-de-abertura-fácil |
ResponderEliminarDicção - escarro .
EliminarONDE e AONDE são dois casos sintomáticos :
ResponderEliminarAONDE - exprime movimento/direcção (aonde foste ontem)ONDE-indica lugar estático (onde estiveste ontem)
DESCRIMINAR-tirar o crime
DISCRIMINAR-separar (discriminação racial)
Oh que pena - (interjeição)
Ó João (chamamento)
Também vejo muitas vezes erradamente escrito PME's , PALOP's
atenção que as siglas não têm plural PME e PALOP aplica-se tanto no singular como no plural
Quantas vezes não vejo erradamente escrita a palavra RUBRÍCA , é com acento tónico na penúltima sílaba e não rúbrica (como já li algumas vezes)
Quando vejo -todos os dias- erros de fazer corar um preto, nos rodapés das diversas televisões, fico piurço....
Eu só consigo rir-me. Apesar de também cometer erros (quem não os comete?) gosto especialmente de encontrá-los nos arrogantes. E, nessas ocasiões, de sublinhá-los. :-)
ResponderEliminarGosto disto! Critica-se e aprende-se. Em boa hora descobri este blog.
ResponderEliminarLeio todos os dias, mas muito raramente me manifesto. Não, não, não é pelo medo de cometer erros, que os cometo, mas tão só porque sou mais para o tímida.
ResponderEliminarEsta conversa para dizer que todos os dias que por cá passo, leio tudo, deste o post da MRP aos comentários e todos os dias aprendo alguma coisa!
Obrigada a todos por isso. :)
Cláudia
Para não falar dos "Andares vendem-se" ou "Explicações precisam-se" ou - ridicularizar - ou - despoletar - ou o adverbio de modo - absolutamente - sem mais nada e que só por si não quer dizer, absolutamente nada!
ResponderEliminarO emprego do - absolutamente - então é incrível! Resume-se a um meneio ou a um trejeito de cabeça que conduzirá ou afirmativamente ou negativamente. Também se diz muito - eu, pessoalmente...
Há outro erro diário que é o escrever - porque - quando se deveria escrever - por que e também o contrário. Este é banal, é de todos os dias.
Mas enfim, todos damos erros e graves. Todos sabemos o que é erro e o que não é erro. Pessoalmente, acho reles, baixo, ordinário, vil, pouco tolerante, mal educado e, sobretudo, revelando muito, muito mau carácter chamar a atenção em público de possíveis erros ditos ou escritos. E isso tenho a certeza absoluta que nenhum de nós, os que aqui estamos a escrever, faria!
Nem sequer é bíblico, nem sequer é cristão. Dão-se muitos erros, sim, e quem tem responsabilidades públicas deveria errar menos. Contudo, há que ter juízo e educação e perceber, tentar perceber, que no decorrer e rolar do universo, há coisas que não valem um caracol.
Aliás, há na literatura mundial, certas correntes que afirmam que o que é preciso é perceber-se! O resto é irrelevante: se tem erros, se não tem erros...
Há de tudo neste triste covil desta galáxia.
Cristina Carvalho
O absolutamente, sem mais nada, exprime concordância ou discordância... absoluta, dependendo do contexto da conversa. Faz lembrar aqueles angolanos que respondem apenas "ainda" em vez de "ainda não". Também pode ser um americanismo derivado do "absolutely" que debitam por tudo e por nada. No entanto, uma língua sempre muito certinha, sempre muito rigorosa, talvez fique parada.
EliminarEheheh!
EliminarBoa intervenção Extraordinária Cristina C.!
Eu cá, diria que os romanos é que sabiam:
tinham o erudito e o popular...
Assim devemos entender o português? Se calhar é o que faz dele uma língua viva...
Claro que tento não dar erros, mas não consigo...
Portanto faço de conta que os erros são assim como as pequenas imperfeições numa mulher, que não a desfeiam mas antes a tornam mais próxima ou mais acessível, dão-lhe até encanto ou carácter (como o buço da Frida)... um fácies como o da Nicole Kidman é o de uma boneca de porcelana, temos medo de lhe tocar pois podemos estragar, por isso... é bonito mas só para ver!
(Ai o que eu fui dizer... vou já levar com a Cristina Torrão! O machista impenitente... )
Bom, mas antes de levar o necessário e justo correctivo, deixem-me encerrar concluindo que gosto de textos ou diálogos com esses pequenos erros que os fazem vivos e quentes, humanizam! Enfim... dentro de certos limites, pois se me rio com o "chóriço" da tasca do sr. Adelino já não o tolero no Pingo Doce!
Tal como no teatro Shakespeareano não se admite declamar "tá", ao contrário de num filme ou série, entre gente comum.
Aliás é um erro muito comum nos diálogos que leio na maioria dos romances, porem as pessoas a falar de uma forma demasiado apurada para a sua condição e lhes retiram portanto uma boa parte de serem genuínos, pois o autor pretendendo exibir erudição desvirtua aquilo que quer reproduzir.
Saudações batateiras e ceboleiras de Emmeloord.
Tem toda a razão, Paulo Oliveira. Sou da sua opinião! Uma língua parada não é um organismo vivo ao serviço das pessoas. E a língua tem de estar ao serviço das pessoas e não as pessoas ao serviço da língua. Daí a necessidade, de vez em quando, de remexidas e alterações nos códigos.
EliminarEu aprendi, há muitos anos (por que já sou cavernícola e ainda escrevi em papiros) com grandes mestres e, sobretudo, com o Prof. Lindley Cintra que era rigoroso mas liberal.
Agora, uma coisa são erros graves. Outra coisa, são liberdades linguísticas. E outra coisa, são as chamadas de atenção, cuidadosas, discretas que eu agradeço. Só assim se aprende.
Cristina Carvalho
Ora cá está um post engraçado e produtivo.
EliminarEmbora já conheça alguns dos casos enunciados (já cometi e, ainda cometo, muitas dessas asneiras) que tal a diferença entre ADESÃO E ADERÊNCIA?
Já li estas duas palavras mal utilizadas em muitos dos grandes jornalistas e cronistas da nossa praça.
Subscrevo na íntegra. Uma língua que não queira transpor a sua vivacidade para a linguagem escrita está ferida de morte, deixa de ser livre (democrática?), correndo até o risco absurdo de se tornar rotundamente tribalista, escamoteando circuitos simplistas de comunicação que emissores e receptores como sujeitos livres promovem. Sempre abusarei da língua. Gosto de olhá-la sob todos os ângulos até ao limite do perceptível. Porque a paixão da escrita tem tudo a ver com esta multiplicidade de combinação e recombinação da palavra, como se estivéssemos sistematicamente num mundo de descobertas. E se é verdade que ninguém escreve a todo o momento de forma irrepreensível, é “mais verdade” (não abuses!) que ninguém deve ficar paralisado pela ditadura do verbo, quando este não deixa usufruir a musicalidade e não promove a sensação de construção do belo. E uma reflexão linda de discussão seria o gosto, doce para uns, amargo para outros, da utilização de figuras de estilo.
EliminarOra adesão é o acto de aderir (juntar-se) e aderência é a qualidade ou capacidade de aderir (no sentido de pegar-se ou colar).
EliminarRio-me à brava quando leio na via verde, da autoestrada: "reservado a aderentes", quer dizer que é só para gajos pegajosos? Ahahah!
É como o "retire o título", ou seja torna todos iguais, sejam burros, doutores ou engenheiros, marqueses ou comendadores! Eheheh! A BRISA ao serviço da igualdade democrática e social!
Cristina, o meu comentário foi-me sugerido pelo seu "absolutamente", mas não contém nenhuma chamada de atenção, discreta ou não, muito menos consciente do que quer que seja. Aliás, concordo com o que disse.
EliminarJá agora, o pobre do verbo deparar!
ResponderEliminarDeparar, quando significa ‘encontrar alguém ou alguma coisa inesperadamente, defrontar’, não é reflexo e não permite construções como deparei-me com*. Quando significa ‘aparecer, apresentar-se’ e tem como sujeito o que aparece ou se apresenta, então sim, é conjugado pronominalmente. Quando cheguei à porta de casa, deparou-se-me um gato sentado na soleira.
Oh! Deixei de saber pedir uma grama de bicarbonato! o meu avô diria bicabornato, mas pronto.
ResponderEliminarPois fez bem a Rosário em colocar aqui os erros mais frequentes. Creio pertencer aos que escrevem e até </>x anos atrás</i> me poderá ser imputado. Se bem que, tem razão, preferir é pôr antes; e há anos, é sempre atrás. Porém, não sei se as pessoas têm todas essa maturidade na língua de notar prefixos e sufixos, conhecer os étimos latinos, e etc. Não entendo por que razão deixou o latim de existir, faria falta a quem gosta de escrever, mas também a quem apenas usa a língua no seu sentido mais vulgar.
Contudo, os erros que assinalou são sem escândalo - talvez porque tb possa cometê-los, é certo - ainda que compreenda que quem lê muitos projectos de romance se enfade um tanto com repetições do que não é português escorreito.
E onde ou como poderão as pessoas que assim erram, como eu ignorantes do erro, verificar tal lapso e corrigi-lo?
É que fiquei preocupada. Provavelmente dou muitos mais erros do que imagino! Aqui d'el rei que já não passo o fim de semana descansada. Imaginando um lápis vermelho a sublinhar-me as palavras e expressões incorrectas.
Há que ter cuidado com o que consideramos erro. A nossa intuição, o que aprendemos, o que os nossos professores nos ensinaram, nem sempre é consistente com o que está dicionarizado, ou com o que os nossos clássicos escreveram. Lembremo-nos de que não temos uma gramática oficial, um vocabulário recente, nenhum thesaurus. O facto de eu preferir uma forma (e.g., ter de a ter que) não me dá o direito de considerar a outra errada.
ResponderEliminarDepois, importa distinguir os erros de ortografia, que os correctores ortográficos normalmente detectam e corrigem, das impropriedades lexicais e dos verdadeiros erros de sintaxe, estes, na minha opinião, mais graves porque obscurecem o sentido da frase. Por último, a nossa sensibilidade ao erro é, por vezes, semelhante à piada que achamos às anedotas: quando o interlocutor nos parece importante, fechamos os olhos; quando o detestamos, chegamos-lhe a roupa ao pêlo. Isto não é novo. Veja-se este exemplo de Os Maias:
"E o Alencar, que detestava o Craveiro, o homem da Ideia Nova, o paladino do Realismo, triunfara, cascalhara, denunciando logo nessa simples estrofe dois erros de gramática, um verso errado, e uma imagem roubada a Baudelaire!"
ADENDA: ao reler, encontrei neste comentário alguns erros graves (lembremos-nos, etc.) e tenho a certeza de os não ter escrito; só posso culpar o iPad, que me muda o que escrevo, por vezes sem me aperceber, seguro de que não escrevi aquilo.
Excelente recordação, José-Catarino. :-)
EliminarOs realistas andam sempre metidos em alhadas. Já desde o tempo do Eça, como se vê! :-)
ResponderEliminar"Há uns anos atrás", "Eu, pessoalmente..." são exemplos de erros em termos absolutos, ou em termos puros, assim como se a língua, o idioma, nada de confusões, estivesse metida numa redoma.
ResponderEliminarHá uns anos atrás o homem foi à Lua, não me parece que deva ser uma expressão carimbada com o estigma do erro, tão linda foi a viagem. Enfim... Dizer, "Aonde estive havia bebidas grátis", é mesmo feio, ate soa mal... E aqui, adonde estou, dou-me conta que vale a pena, absolutamente, ler a publicação e os comentários.
Muito prazer e obrigado (outra guerra desnecessária, deixemos as meninas dizerem (?) obrigada, eu, pessoalmente, prefiro assim)
O erro "da grama" tornou-se tão habitual, que é raríssimo ouvir alguém usar o género correto do substantivo em questão.
ResponderEliminarAprendi bué. Post bué de fixe. Muita fixes também os comentários. Ganda blogue este!
ResponderEliminarAgradeço.
(Fiquei na dúvida entre o obrigada e o obrigado. Olhem, tão a ver comé fácil? Quando a gente num sabe, a gente dá um jeitinho pra num fazer feio nem dar calinadas, seja adonde for)
Bué da fixe, diz-se bué da fixe, não volte a cometer esse erro absurdo e betinho de dizer bué DE fixe, caro anónimo(a).
EliminarE, para dar um ar mais coiso, diga Munta fixes os comments... Ora leia e diga se não acha mais lido...
com excepção dos estudos superior em LETRAS que outras áreas de formação proporcionam e exigem uma aprendizagem capaz de impedir a maioria dos erros ] realmente significativos [ aqui apontados? que depois de se massificarem, raramente regridem
ResponderEliminarForam apontados alguns erros que não me parecem graves. Contudo, há outros cometidos por quem tinha obrigação de não os cometer que me põem fora de mim. Falo, por exemplo, de "hadem" em vez de "hão-de " ou "ades de..." em vez de "hás-de ...".
ResponderEliminarOutro erro é o que é provocado pela confusão entre "há" e "à" (quando há dúvida é só tentar conjugar o há no passado, para saber se se trata do verbo haver ou não - enfim apenas um truque.)
Repito sou pouco tolerante neste tipo de erros com determinadas pessoas (políticos, professores, etc.), mas com quem pouco andou na escola sinto o contrário (entendo, respeito e até sinto uma espécie de ternura)
Comentar hoje é duro, dou por mim a pensar se não terei feito algum erro. Que stress!!!!
Isabel
O meu avô materno era um excelente analfabeto. Um dos melhores que eu conheci. E trocava sempre o "procura" pelo "pergunta".
ResponderEliminarÀs vezes dizia «précura-lhe se ele sabe» e noutras «vou à prégunta da tua avó.»
Eu era pequenito e já sabia que o meu avô era um troca-tintas. Um daqueles bem competentes.
Hoje, quarenta e tal anos depois, recordo essas expressões com um sorriso. Tinham um som musical muito engraçado, como uma canção dos campos onde se movimentava.
No entanto, se Deus me desse a escolher, entre falar com ele ou com um Nobel galardoado, ah, escolheria logo o meu avô. E maravilhar-me-ia com ele.
E não, não foi porque me tornei mais tolerante ou mais paciente. Apenas porque adorava a sua autenticidade, as palavras que lhe serviam com uma luva.
Pois é, viver no campo tem destas coisas. Ninguém fala como vem nos livros.
Isso faz das gentes da minha aldeia uma cambada de analfabetos?...
Talvez. Mas ainda estou para encontrar o primeiro aldeão que se preocupe com isso.
A minha esposa tem uma Papelaria-Livraria na vila e o campeão de vendas sempre foi o Borda d'Água.
Se eu lesse uns parágrafos do Lobo Antunes às pessoas da minha aldeia, temo que nunca mais me falassem, por querer rebentar-lhes a cabeça com juízo...
Uma língua nunca conseguirá ter polícias das palavras. Se existissem, tinham de prender os inúmeros malfeitores da minha aldeia, esta cambada de malandros que anda "pr'á'qui" a assassinar gramáticas, vocabulários e demais leis.
Com licença, caro Rui: também eu conheço, principalmente no Alentejo e Trás-os.Montes, essa maneira de falar que hoje o enternece e me enternece a mim também (cá está: ME enternece a mim...). Lamento até que hoje em dia já haja pouca gente a falar assim, a dizer, no Alentejo "É cá sô Zéi...", por exemplo.
EliminarMas daí a escrever "Bacalhau á casa" na ementa de um café por onde passo todos os dias, vai um passo gigantesco. Estou até a preparar uma caneta para ir lá emendar, dado que a tal ementa está na rua, mesmo à mão de semear.
Cumprimentos, não sendo advogado da MRP, digo ainda assim que creio que a publicação não fala de polícias...
A propósito de ementas, uma anedota:
Eliminar"Num restaurante, o cliente:
- Traga-me uma dúzia de erros ortográficos, por favor!
- Isso, não temos!
- Ah não?! Aqui a ementa está cheia deles!"
Ahahah!
EliminarÓ senhor Bonifício, tem fogo de artifácio?
Ó homem, mas que raio de mudagem de linguança é essa????
Saudações do Bairro Ribatejano, again...
As ementas dos restaurantes deviam ser publicadas em livro...
EliminarEu referi-me a uma pastelaria/café/restaurante, sei lá, aqui de Aveiro-sur-Mer. Acontece que a pastelaria/etc tem as suas pretensões, é muito selecta (presume-se, claro!) e mais umas coisinhas assim. E põe, na rua, um pequeno placard com as especialidades da casa, muitas, diga-se. Mas todas assim: Bacalhau á... Arroz á...
Mas vou lá e emendo, mesmo que depois leve com um Astérix_peixe na cara...
Simão
Mas o que é que o cú tem a ver com as calças?
EliminarEste meu comentário era para o escrito do Rui Conceição Silva.
EliminarNós sabemos que nada, mas isso não impede que haja quem não saiba!
EliminarRealmente, não tem muito a ver.
EliminarPeço desculpa.
A depressão faz-me destas.
Um abraço
infelizmente ! a língua não tem descanso ! felizmente
ResponderEliminarInfelizmente em alguns casos acho que é uma causa perdida...
ResponderEliminarInfelizmente ,
EliminarEra uma vez uma língua
comprida comprometida
Fazia vazia de alimento
Elemento à vale vela
e cala
Sorria Sofia
vosso salto a fala.
Para irmos além destas queixas de todos nós, e para gosta mesmo de saber como é extraordinária a linguagem humana, e como, na realidade, está muito longe de estar em decadência, há um livro extraordinário de Steven Pinker: The Language Instinct. Por a língua e a linguage e os erros e correcções e sobrecorrecções e tudo o mais fazem parte da mais extraordinária "invenção" do ser humano (Pinker diria que sou parvo ao chamar-lhe invenção, mas enfim).
ResponderEliminarLeiam, com espírito aberto e curiosidade aguçada, e nunca mais verão a linguagem humana com os meus olhos.
Cumprimentos a todos!
Ciberdúvidas é uma boa ajuda mas há vasta bibliografia publicada.
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