Énorme coup de coeur!

Aqui há tempos referi neste blogue que um livreiro de Toulouse escrevera uma carta entusiástica ao editor francês de O Teu Rosto Será o Último (La main de Joseph Castorp, na versão francesa); e o título que escolhi hoje para o post é, nada mais nada menos, o do assunto do e-mail que trazia essa carta. A pedido dos extraordinários leitores, transcrevo então partes (e não traduzo porque são mais bonitas em francês) dessa mensagem: «C’est pour moi de meilleur livre de cette rentrée [...] Ce roman époustouflant est [...] d’ores et déjà un futur classique de la littérature mondiale, à ranger auprès des très grands! Je suis ébloui par la construction serrée et subtile, l’équilibre qui s’en dégage, et par la faculté d’imagination, de conteur de cet auteur (...) On rencontre si peu d’artistes écrivains, voilà une vraie découverte!» O entusiasmo, porém, não se limitou ao livreiro francês. A crítica também aplaudiu naquele país o romance... e de que maneira! O Le Monde, a propósito dele, falou de uma intriga borgesiana encenada por um Buñuel moderno; o Libération referiu que o escritor fazia com que o leitor perdesse o norte de uma forma que era mesmo só dele; o L’Humanité avançou que o livro era brilhante e confirmava a vitalidade da literatura lusófona, enquanto Le Point assegurava que João Ricardo Pedro era um desses autores que se quer imediatamente acompanhar. Por fim, o La République usava como título da recensão a afirmação de que nem toda a boa literatura traduzida em França é anglo-saxónica... O romance galardoado com o Prémio LeYa em 2011 já foi publicado também em Espanha e na Holanda e tem edições agendadas para 2014 em Itália, na Alemanha e na China. Espero que se apaixonem por ele em todo o lado.


 


P.S. Já eu tinha escrito este post quando o meu amigo Luís Castro Mendes me enviou a fotografia que está aí em baixo, tirada em Estrasburgo. Outro livreiro entusiasmado!


 


 


Comentários

  1. Li João Ricardo Pedro no final de 2013 e acho que ainda o releio neste primeiro semestre! Adorei a escrita. Fantástica. Não admira que franceses fiquem no estado que podemos ler no seu post.

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  2. É bem merecido. Um grande abraço para o João e para a editora.

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  3. (e não traduzo porque são mais bonitas em francês)

    MRP
    chama-se a isto ELITISMO

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  4. O blogue terá algum problema? é que não consigo visualizar os comentários, (e este é o meu 2º.)

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    1. Também eu, desde ontem, ando aqui às aranhas, isto umas vezes mostra os comentários, depois desaparecem, às vezes desaparecem só alguns... Entretanto, no computador do meu colega, aqui ao meu lado, no mesmo momento o comportamento é diferente... Será coisa da NSA, ou do Snowden?

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    2. Ora, então não sou a única com o problema. Agora, vi tudo, mas hoje, pelo meio-dia, não via nada. Ontem foi a mesma coisa.

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  5. É reconfortante saber que os escritores portugueses dão cartas e são reconhecidos também no estrangeiro. Por entre tanta desgraceira, sabe bem ler um assim, tão, tão na medida da necessidade.

    E quantas cartas existem de livreiros portugueses? Se mal pergunte...

    E parabéns ao autor. E a quem o descobriu e mostrou ao mundo. Ainda que o não tenha lido. Ainda:)

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  6. António Luiz Pacheco10 de janeiro de 2014 às 04:40

    Fico banzado!
    É o termo...

    Pessoalmente não gostei do livro...

    Lamento mas realmente não passo de uma traça literária pois tanta gente não pode estar enganada, e o errado sou eu, tenho de admitir!
    Preocupado... fico um bocadinho, porque me sinto afinal relegado para um estracto da ignorância e incultura onde não me imaginava. Enfim, à luz de tão contundentes como ilustres opiniões de livreiros, que são como tiros no meu ego.
    Mas que posso eu fazer?
    Continuar a ler aquilo de que gosto, isso é garantido... e a congratular-me com o sucesso alheio pois não sou invejoso!

    Saudações do bairro ribatejano

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  7. António Luiz Pacheco10 de janeiro de 2014 às 06:21

    Realmente "deve de haver" um problema... são 7 comentários e só aparecem 5!
    O que "sará" que se passa?

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    1. António Luiz Pacheco10 de janeiro de 2014 às 06:22

      Olha... depois de "publicar comentário" já aparecem todos - e mais estes dois!

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    2. Ora aí está! Foi o Pacheco que desbloqueou a coisa!
      Ganda Pacheco!
      Um abraço.

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  8. O que me salta mais à vista é o título na versão francesa. Como não li ainda na totalidade (apenas trechos numa conhecida "catedral" do consumo, que se abalançou recentemente aos trens de cozinha) o livro do João Ricardo Pedro, não sei qual dos dois suporta melhor o conteúdo do livro do João. Mas que La main de Joseph Castorp » é um título chamativo...
    Fico satisfeito do João R. Pedro estar a fazer caminho fora de portas; de facto temos este carma de sermos melhor tratados fora de portas. Como uma andorinha não faz a primavera, ficarei à espera do seu segundo livro para ter a certeza de que não se perdeu um bom engenheiro. Penso mesmo entretanto que é o que todos os autores portugueses devem fazer: emigrar, senão literal, pelo menos literariamente. Ajudará com certeza ao rácio de cobertura da balança de transacções correntes. O que será que os franceses pensariam de «L’ OBSESSION DE VALENTINE? Je me suis réveillé trempée en sueur. A côté de moi...»

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    1. António Luiz Pacheco10 de janeiro de 2014 às 08:17

      Ó Pedrô... já comentei a l'obséssion no "Que ando a ler"... (vá ver!) e posso acrescentar que a minha mulher também, e gostou, achando interessantes tanto o tema como os conceitos e as suas reflexões, só ficou um bocado confusa na parte final pois já não sabia quem era quem.
      Portanto, hélas...

      Eheheh! Um abraço

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    2. Só agora li, António Luiz. Obrigado e um abraço.

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  9. A propósito da fotografia, acho muita graça ao hábito dos livreiros em França de apôrem estas notas, escritas à mão e geralmente numa caligrafia escolar, nos livros em destaque.

    A capa da edição francesa é muito bonita. Seria bom as editoras portuguesas saissem um pouco da moda que faz com que todas as capas destes novos autores se pareçam umas com as outras.

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  10. É engraçado como todo o conceito de capa varia tanto...

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  11. Castorp é o da Montanha Mágica?

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    1. Já li o livro (TEU ROSTO SERÁ O ÚLTIMO), e gostei, apesar de ter um FIM assim como que a modos...de repente.

      Não é o da Montanha Mágica porque o do Thomas Mann é o Hans Castorp.

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    2. Sim, mas não será um primo, mesmo que até nem tuberculoso? Imagine que eu punha uma baleia num romance e lhe chamava lobby dick?

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  12. Muitos parabéns ao João Ricardo Pedro e à sua editora. Li o livro na altura que saiu e gostei muito. Essas críticas positivas são bem merecidas.

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  13. Li o livro quando saiu e gostei imenso. Se bem me lembro, aconselhei-o no facebook. Concordo que é um autor que dá logo vontade de seguir.

    Tem de tudo, mas apreciei o fantástico bom humor de algumas passagens. Recordo o de uma viagem atribulada de jipe, em que o condutor, perante a dificuldade em controlar a viatura vai interpelando alguns santos de sua devoção, um deles bem pouco ortodoxo e que aqui me escuso de reproduzir... :)

    Será que a Maria do Rosário nos pode desvendar se podemos contar com o 2º romance para este ano?

    Bom fim-de-semana a todos,

    Rui Miguel Almeida

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  14. Respostas
    1. O que me parece que Cláudia nos quer dizer às nossas 22:18 – 17:18 lá no Brasil, hora do chá – é que, tendo este romance sido galardoado com o Prémio LeYa em 2011… (… um golinho de chá…) e estando já traduzido em várias línguas e editado em diversos países, a “casa” (… mais um golinho, à procura das palavras adequadas …) tem o dever / tarefa de o implantar melhor neste mercado dos nossos países da língua portuguesa.
      Eu, por exemplo (e, entre dois golinhos, vejo nos comentários que não estou só) devo ser um caso-tipo deste mercado – não comprei, não li, não posso, não dá… tenho tantos para reler (que é para mim importante) e se calhar outros tantos também para ler…
      De maneira que (e, pelo que vejo entre golinhos, não estou só) vou murmurando ao chá umas justificações criativas, como: «Deve ser um livro muito virado para a anatomia, porque na versão portuguesa é “Rosto” e na francesa é “Mão”…».
      Mais um golinho, para terminar o chá: «E as capas?!». «Belle question! A capa francesa é, de facto… A “casa” tem o dever (tarefa) de olhar melhor para esta questão, se quer mobilizar os leitores da língua portuguesa...»
      Vá lá, para acabar o bule: «Isto de nos vir falar do livro em língua francesa…». «Ora, ora! Não me parece nada elitista… Pois se o livro, em língua francesa, está a ter sucesso… E tem uma capa melhor…». «Vamos a ver o que dirão os italianos, os alemães, os chineses…» (…último golinho…) «Ui!! Estou para ver a capa dos chineses!...». «Peut-être un énorme coup de coeur!». «Voilà!. C’est l’anatomie: le visage, la main, le coeur…»
      (…)
      Em linhas gerais, é mais ou menos este o “dever (tarefa) da casa”.
      N’est-ce pas, Cláudia?

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    2. António Luiz Pacheco11 de janeiro de 2014 às 03:26

      Ahahah!
      Se me permite mon cher...

      Saudações e um golinho de chá! Sabe eu sendo embora uma traça literária incapaz de apreciar tão sublime obra, sou muito mais evoluído e sofisticado no chá que na leitura: Estou a beber o blend nº 14 do Harrod's - (English breakfast) à base de indiano, Ceilão, Darjeeling e Quénia. Com um farrapinho de leite evidentemente!
      E a ouvir o cd do excelente trabalho português do Norton's Project, que aliás recomendo!

      Bom fim de semana... vou depenar umas perdizes que estão a mortificar desde Quinta-Feira para o jantar de logo! Quem quiser apareça!

      Saudações do Bairro Ribatejano

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    3. Pois eu, meu caro, à hora adiantada em que escrevi aquilo a noite passada, estava a beberricar (disfarçadamente, pois estava a partilhar o chá de Cláudia) um modesto Highland Reserve / Blended Scotch Whisky, um “genérico” baratucho que compro semanalmente sem apoio do SNS, porque o médico de família – embora compreendendo e incentivando a minha necessidade deste e outros estímulos (chocolate negro, café, cigarros…) para manter activa a cabeça e a criatividade – não aceita escrevê-los na receita, que era por mor de eu ver se tinha uns descontos pela ADSE na farmácia…
      Mas pronto, eu aceito que o Estado reduza, na medida do razoável, as despesas com a minha saúde (da qual, em boa verdade, não vou tendo grandes razões de queixa) – desde que não descure a saúde das pessoas em geral (como parece que vai acontecendo…).
      De modo que, neste aspecto, vou-me conformando. E o facto é que estes “genéricos” – café e chocolate negro de marca branca (passe o paradoxo), cigarros enrolados em casa, etc – fazem o mesmo efeito por um custo semanal aceitável (por enquanto?...).

      Quanto à obra em apreço, se é sublime ou não, malheureusement, ce moment je ne sais pas, mas, a avaliar pelo que nos informa Maria do Rosário, será certamente.
      Graças aos estímulos acima referidos – e outros, de outra natureza, que, espero e desejo, venhamos a ter no país – chegará certamente a minha vez de ler e apreciar as novidades literárias e artísticas que, felizmente, apesar de tudo vão aparecendo. (Já que recomenda, vou procurar Norton's Project, apesar do nome elitista).

      Quanto à perdrix (em francês, mais elitista) que estará mais logo em apreço, só tenho um désir: – Que ce soit un énorme coup de coeur!

      Um grande abraço à portuguesa!

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    4. Ok. Já ouvi umas coisas dos The Norton's Project – “Stay for a while”, “Call me a liar”, e mais não sei quê.
      Um tanto convencional…

      Ó Pacheco: se quer ouvir música portuguesa como deve ser, procure Mariano Deidda, que canta versos de Fernando Pessoa em italiano (traduzidos por António Tabucchi).
      Vai ver a delícia que é (não desfazendo na perdiz, é claro…).

      Ande lá, que a gente precisa de evidenciar a universalidade de Pessoa e engrossar o movimento para o levar para o Panteão (*), em vez de lá colocar o Benfica (sim, porque o Eusébio não ganhou nada com a camisola de Portugal, ganhou apenas com a do Benfica).

      (*) Ainda que fique nos Jerónimos a belíssima obra de arte que ali o representa, da autoria de Mestre Lagoa Henriques.

      Bom apetite!

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