Vértice

A revista Vértice, fundada em Coimbra no ano de 1942, tornou-se um instrumento de luta política e resistência à ditadura e, simultaneamente, uma espécie de porta-voz do movimento neo-realista. O seu papel como laboratório de ideias progressistas foi tão importante ao longo dos anos que mereceu um livro a propósito (A Revista Vértice e o Neo-Realismo Português, de Viviane Ramond, muito elogiado por Eduardo Lourenço). Mas tudo tem o seu tempo e a Vértice adormeceu há muito... Porém, excepcionalmente, voltou há uns dias com um número inteiramente dedicado ao Ciclo Nacional de Conferências «José Saramago: o escritor e o cidadão», com o apoio da Câmara Municipal da Moita e da Câmara Municipal do Barreiro. Este Ciclo de Conferências fez, de resto, parte de um projecto intitulado Oficina Saramago, que envolveu escolas, associações, colectividades e entidades privadas em várias acções que decorreram entre Novembro de 2011 e Novembro de 2012, e para o qual foram convidadas personalidades nacionais e estrangeiras conhecedoras da obra do nosso Nobel da Literatura. Uma boa razão para termos a Vértice de volta, mesmo que por pouco tempo.

Comentários

  1. Nem mais a propósito esse Vértice com este Vórtice dos tempos, que inevitavelmente será de recomeço.
    A leitura de um escritor não se completa, ou esgota, na leitura de uma ou duas das suas obras.
    De todas podemos gostar de forma diferente, mas todas nos dão uma percepção da capacidade de criação e visão do mundo dos seus autores.
    Saramago é sem dúvida um dos maiores escritores portugueses de sempre.
    Podemos não gostar dele pela percepção que temos de si como pessoa, ou da sua tomada de posição na cidadania, concordante ou não com o nosso posicionamento e o nosso lugar na matriz de valores actual.
    Como pessoa não gosto das histórias ficcionadas (ou não) de algumas das suas posições na época do grande saneamento; mas já passou demasiada água pelas pontes para perceber que reserva não significa necessariamente antipatia e o seu antónimo é uma característica que privilegio. Afinal, ser-se agradável com o nosso semelhante é uma condição de inteligência… e não custa nada!
    Como romântico gosto do seu olhar com o aparente grande amor da sua vida.
    Como escritor que é o que verdadeiramente interessa, gosto da sua inteligência posta ao serviço da sua obra, do seu rigor e trabalho de formiguinha que bem se percebe nos seus romances, bem como da sua cultura e da experiência de vida que denota.
    A leitura calma e ponderada da sua obra permite-nos perceber como constrói e tece as suas tramas. Uma construção cuidada, recheada de conteúdo, recheada de reflexão, recheada de um olhar minucioso, como se rodando cada palavra e cada frase com olhar de artífice olhando-a cuidadosamente com esse olhar de artesão de vários ângulos.
    Tendo lido apenas uma dezena das suas obras, nunca tinha lido o seu «Evangelho segundo Jesus Cristo». Não é fácil, de facto, no nosso limitado tempo de vida ler toda a obra de cada um dos autores, mesmo dos nossos preferidos. Mas este «Evangelho...», a par com o «Memorial...» e o «Cerco de Lisboa», é para mim (que isto gostos, embora potencialmente comuns, são em primeiro lugar apenas só nossos...), uma das suas grandes obras.
    E bastava este excerto:
    «José, Maria e o burro tinham vindo a atravessar o deserto, pois o deserto não é aquilo que vulgarmente se pensa, deserto é tudo quanto esteja ausente dos homens...» (J.S., O Evangelho segundo...; pág. 79).

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  2. Excelente novidade. E como hoje até tenho de ir à FNAC das Amoreiras, vou já perguntar por essa obra da Viviane Ramond. Boa semana! :-)

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    1. Não se entusiasme. Aquilo - a Fnac Amoreiras - não é mais do que uma papelaria vistosa. Nem sei se lá encontrará algum Saramago.

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    2. A sério? Nunca lá estive...Será a primeira vez. Mas não perco a viagem. A Bertrand continua por lá. ;-)

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    3. Regresso para lhe dizer que tem toda a razão...Uma tristeza. Quase tudo por encomenda. Que fazer?

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    4. Realmente. Será bom talvez para comprar dispositivos eletrónicos. A solução nas Amoreiras é ir à Bulhosa (os funcionários vão, segundo ouvi dizer, para o quinto mês sem receber), ou Bertrand.

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  3. Claudia da Silva Tomazi16 de dezembro de 2013 às 03:12

    Gostei da chamada da Revista Vértice de Coimbra a ser visionaria.

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    1. Cláudia, já tinhas ouvido falar em/sobre Coimbra?

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    2. Claudia da Silva Tomazi16 de dezembro de 2013 às 06:13

      Coimbra fora excelência em formados de Direito.

      Digo internacionalmente.

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    3. fora e dentro, Cláudia; ah pois é... não sabias? então já aprendeste qualquer coisinha (como se diz em bem português, coisinha, assim assim, vai-se andando,mais ó menos, etc etc....)

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    4. Claudia da Silva Tomazi16 de dezembro de 2013 às 11:14

      Mais-que-perfeito. Bem a saber-te!

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    5. No Brasil eles conhecem a aura, ou quanto mais não seja o nome. A simpática (?) Presidente (ou como ela diz Presidenta) tem escondido o Coimbra (da Silva) por trás do eslavo Roussef. Já agora, é a minha terra.

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  4. e se bem andamos precisados de "resistências"...

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