Presentes (não) muito católicos

Quando chego todas as manhãs ao quiosque para comprar o jornal, além da bisbilhotice sobre os famosos que salta logo à vista em mil capas flamejantes, sobressai um sem-número de objectos que alegram os olhos: carteiras, copos, lenços, toalhas e até faqueiros distribuídos à peça, que quem quer vender revistas oferece como brindes em todas as estações do ano (no Verão, há até toalhas de praia e chapéus). Também alguns livros mais «senhoriqueiros» vêm agora celofanados com frascos de perfume e bolsinhas com estrelas brilhantes e natalícias numa espécie de dois-em-um que pretende convencer o cliente a levá-los e, assim, dar a alguém um presente mais valioso. Mas do que eu não estava mesmo à espera era de que um livro do Papa Francisco, Sobre o Céu e a Terra – no qual o simpático Jorge Bergoglio fala da família, da fé e do papel da Igreja –, aparecesse nos escaparates das livrarias como um produto de quiosque, trazendo colado à capa um saco com uma medalhinha e um santinho como oferta. Enfim, bem sei que os livros se vendem cada vez menos nesta época de crise, mas brindes neste caso não me parece lá muito católico...

Comentários

  1. A Rosário agora fez-me sorrir... é que uma medalha de um santinho tem tudo a ver com a religião católica.
    Já um facalhão de cozinha, daqueles enormes, numa tv guia ou similar, deixou-me há tempos perplexa e até preocupada.
    Vale tudo, não é verdade?
    :-)
    Antonieta

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  2. Quando (e se) um dia publicar um livro de ficção com sexo e sem "sombras" da grei ou da lei, mesmo que seja um simples romance do "coração" ou da cor do maior partido da oposição, já sei o que vou oferecer. Não vou lá pôr uma caixinha de seis unidades - que aquilo fica caro - mas uma unidade vai lá estar, podeis crer, em simbiose.

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    1. Caríssimo Extraordinário:

      Mais! Enfie o livro dentro do dito, "encamise-o", e terá assim o embrulho perfeito!
      Ahahah!

      Saudações kaluandas!

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    2. Caríssimo António-Luiz

      "Encamisando-o", evito o manuseamento impróprio na sala de café de uma qualquer grande superfície, antes do regresso à prateleira com migalhas de bolo, nódoas e vestígios de caspa.

      Remeti o prometido. Em vez de um, vão três, com pena de "As Crendices e Superstições..." não ter seguido com a versão maior, que se encontra esgotadíssima da 2ª edição, e que me recuso a reimprimir.

      Um abraço

      Santos Costa

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  3. Celofanados, diz bem Extraordinária MRP. Fanados mesmo.

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  4. Ora muito bem! Ouro sobre azul. Ideia genial. Para vender o meu «Obsessão» já sei o que vou começar a oferecer. Uma "ripa na rapaqueca ", o mais que tudo para qualquer português que se preze: uma bola insuflável!

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    1. Caro Pedro, se quer vender o seu livro (que ainda não me chegou) a melhor solução que tem é fazer com que você apareça na tv pela menos uma vez por semana, durante várias semanas. É esta a conclusão que se tira da leitura de listas dos "best-sellers" que se vendem no nosso país. Os livros não são para serem criados por escritores mas sim para serem assinados por televisivos (que alugam o trabalho negro de licenciados em jornalismo e em outras artes sem mercado neste nosso mundo em progressiva desumanização).

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    2. Infelizmente, caro Artur, vivemos um retrocesso civilizacional como não poderia imaginar assistir e viver. Relativamente ao livro, que poderá adquirir para já só na Amazon , gostaria muito de lhe puder oferecer um mas a crise catalogou-me também como dispensável, enviando-me para o limbo dos mortos-vivos do desajustamento. Talvez escrever como fantasma seja uma boa oportunidade que o obsessivo senhor dos passos trocados me tenha oferecido. Embora ir para a "guerra" contra estes orcs ignorantes, desumanos e psicopatas, que lançam as trevas sobre esta pobre e infeliz terra, mais mínima que média, seja também do meu agrado.

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    3. Caro Pedro, eu não o comprei o seu "Obsessão" à Amazon, antes o encomendei à minha cooperativa livreira que me disse que o arranjaria numa semana. Caso não venha entretanto, no final da presente semana perguntarei à cooperativa se existe alguma dificuldade. Todos ansiamos para que o nosso "ajustamento" termine rapidamente e sobretudo que a Europa ganhe juízo e volte a funcionar como uma união. Abraço.

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  5. O Papa também está no mercado !

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  6. Uma dádiva caiu sempre bem e é suposto os católicos serem fortes no assunto. Assim sendo, o livrinho inspirador do Papa está apenas a cumprir a sua obrigação franciscana.
    De facto, até nas letras, o Papa Francisco está a conduzir a igreja católica a trilhar os santos caminhos (de novo).

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    1. O Papa não é franciscano. É jesuíta e comporta-se como tal. O nome é enganoso. Devia chamar-se Papa Inácio.

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    2. Hum, Papa Inácio não soa tão bem. Pá Pinácio, prefiro mil vezes Papa Francisco. Até porque é bem católico, repare, come Francisco. E quem diz alto para o Francisco comer, pode sempre pensar: come Inácio. Foi bem escolhido (quanto a mim). O resto são minúcias mentais, prisões semânticas que a igreja actual ainda presta atenção.

      Saudações católicas

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    3. Realmente o nome papal é sobretudo uma questão de marketing, de soar bem ou não. É bom não esquecer que Francisco da Assis esteve a dois passos da fogueira papal. Para começar: porque não se veste este papa como Francisco? Já sei a resposta: a "dignidade do cargo" exige outras vestes que não as que lembrem as de Cristo, os tais pobres trapos que Francisco adoptou. Os sinais estão aí para quem os quer ver !

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  7. Mas então o CÍRCULO DE LEITORES não vende já há uma data de anos baldes de plástico, penicos, telemóveis, psychés etc. e às vezes até alguns livros...

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  8. Agora percebo porque, quando eu era pequenino, o Sr. Teixeira (um -velhote- amigo da família, que estava sempre a ler) me dizia: mas olha que naquele país até nem há dinheiro...

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  9. Claudia da Silva Tomazi10 de dezembro de 2013 às 14:07

    E...católicas.

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