O poeta e a rainha
No dia 1 deste mês, o poeta Nuno Júdice recebeu das mãos da monarca espanhola, em Madrid, o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. Este prémio, que visa galardoar uma obra de inegável interesse no contexto da Península Ibérica e é atribuído pelo Património Nacional de Espanha e pela Universidade de Salamanca, fora apenas entregue uma vez a um português – no caso, Sophia de Mello Breyner Andresen. O autor, que é também ficcionista, ensaísta e dramaturgo, viu já a sua obra merecer muitos outros prémios de relevo, por romances ou colectâneas de poemas, como os da APE e do PEN Clube e bem assim o Prémio D. Dinis ou o Fernando Namora. Mas um prémio desta craveira é excepcional, até porque permitirá certamente maior atenção à nossa poesia por parte dos nossos vizinhos. Nuno Júdice acaba de lançar um novo poemário, Navegação de Acaso, nas Publicações Dom Quixote. Espero que esta distinção, amplamente difundida nos meios de comunicação, leve alguns dos que não o conhecem a lê-lo e apreciá-lo.
Bem merecido prémio ao poeta um dos primeiros e amara-o docemente entre outros de carreira singular a poesia contemporânea requintada viera certa o porto seguro.
ResponderEliminarParabéns! Nuno.
Certamente de clareza Nuno Júdice.
EliminarNão conheço muito bem este poeta. E penso que devia, o que li dele agradou: foi livro requisitado em biblioteca, ao acaso, talvez pelo nome, "O complexo de sagitário". Depois, um ou outro poema colhido em blogues. E creio que até o seu lado mais humano merece um olhar mais atento. De uma entrevista me ficou a curiosidade. Creio que advogava o trabalho persistente, o obrigar-se a escrever diário e contínuo, como se a criatividade lhe venha da corda que dá ao relógio da escrita. Como que a dizer que os poemas, mesmo os mais inspirados - o que quer que a inspiração seja -, relevam do trabalho do pensamento; talvez por vezes aconteça aos poetas o que em ciência: os insights não nascem a todos e nem a todos os cientistas. Surgem sempre depois de muitas horas, meses, anos de labor sobre o mesmo, aparentemente, insucedidos. E um dia um insight. Ou o acontecer de um poema.
ResponderEliminarPode que vá reconhecer Nuno Júdice com esse novo livro. Ou qualquer outro. Que tantos me faltam para :).
Bem feito. Para os espanhóis verem e lerem que há bons poetas em Portugal. Também.
E como lembro, então, Sophya e seu estar de pássaro, a voar sobre a reverências do prémio. Tão bonita no seu etéreo! Uma garota de lábios pintadinhos.
Enfim… Fim.
Beatriz, não duvido que dar corda ao relógio da escrita é um caminho não só possível como desejável! Onde se pensa que há aridez, há campos a perder de vista à espera de serem irrigados!
EliminarO Pedro diz tudo de forma tão única que faz parecer fácil o trabalho da escrita:) Ora não é o mesmo ter alguma imaginação, escrever bem, correctamente, sem erros de sintaxe ou ortografia, e com pontuação adequada, - que qualquer entendido pode corrigir por nós - ou ter quid, que não sei de onde venha, se da forma, se do conteúdo, se de ambos, mas é do espírito. E distingue. Com o tal dito trabalho, difere. Julgo.
EliminarE não menosprezo o trabalho. Longe de mim. Mas ele sozinho é pura aridez e encontro de palavras entre si, não movem o leitor. Dizia Sophya que o melhor dos seus poemas era o que lhe surgia já feito, o resto do poema era o seu trabalho sobre; nunca da mesma qualidade, afirmava:) Mas também é verdade que, eu que não sei o que lhe aparecia e só conheço os poemas no inteiro de serem eles, não distingo:))
O poeta recebeu um prémio das mãos da rainha de Espanha em 2013, e a monarquia desse país foi aplaudida. Todavia, houve 1 erro.
ResponderEliminarReceberá, de mãos plebeias - as minhas - o Prémio "Grande Tradução" , aquele que me conseguir traduzir Cláudia Tomazi.
ResponderEliminarParticipantes, temos?
Cara(o) Extraordinária(o)
EliminarDesculpe-me, mas creio que não está a ver bem o papel – específico, precioso – de Cláudia neste espaço de diálogo.
As intervenções de Cláudia não são para traduzir – sequer para tentar decifrar.
Ir por esses caminhos seria, além de penoso, inútil – e, principalmente, fatal.
O caminho a que nos seduzem as intervenções de Cláudia é, pelo contrário, o da criatividade.
As suas intervenções são estímulos, são a matéria-prima que fecunda a nossa imaginação.
A ela, as palavras saem-lhe em catadupa (por vezes nem o próprio corrector ortográfico tem tempo de intervir).
Creio que isto acontece com a maioria dos poetas – os quais, porém, regra geral conservam consigo estes materiais, que depois vão burilando, arrumando, combinando, ajeitando… para depois nos servirem, prontinho, o produto final.
Cláudia, pelo contrário, não nos dá a papinha já feita.
Não – ela fornece-nos os materiais em bruto.
Cabe-nos – cada um de nós à sua maneira, como é desejável – apanhar estes materiais e com eles construir algo de… viável?... satisfatório?... credível?... estimulante?...
Repare, por exemplo, na intervenção de Cláudia às 15:01, uns meros quatro minutos em catadupa depois da sua: se optar, não por “traduzir” (o que seria uma “fracassada tentativa de invasão”), mas sim por trabalhar o que dali recebe – ou seja: se “tomar por prevenção o diálogo acomodado” – poderá muito bem imaginar que, no Brasil, as “invasões de vários países entre holandeses, ingleses, espanhóis e franceses” de nada terão servido senão para serem desperdiçados uns “quinhentos anos” durante os quais os invasores não conseguiram “traduzir”, isto é: não conseguiram impor as suas línguas à Língua Portuguesa – que foi a Língua com a qual, afinal, “certamente de clareza” Nuno Júdice pode ir a Madrid receber o Prémio de Poesia Ibero-Americana (sublinho “Ibero-Americana”).
Está a ver? Mais do que trabalho de tradutor, o que estes materiais de Cláudia imploram é o trabalho de escultor – aquele que tem a intuição de encontrar um lugar aceitável para cada uma das pedras soltas que lhe são fornecidas para construir algo de perdurável (no sentido de não carecido de “tradução”, se me faço entender).
Faço-me entender?
Por favor: não chateemos a Cláudia, que ela fornece-nos materiais para construirmos esculturas – não muros.
Nota: antes de publicar isto, vi o comentário de Nuno Firmino às 22:45. Como é que ele adivinhou que era no mesmo sentido que eu estava a escrever este meu?! Ele há coisas… – Lá está! Coisas que só mesmo a Cláudia…
O tal Nin , espada sana que foi travando a porta ao invasor e construindo o tal país incompreensível, incompreendido e só aparente e reconhecidamente ingovernável desde os Velati e os Pretorianos. Soberba a explicação para novecentos anos de história.
EliminarO meu país o Brasil apesar de pouca história diante dos quinhentos anos sofrera ao longo de anos invasões de vários países entre holandeses,ingleses,espanhóis e franceses e certamente a própria história diante dos factos e de fracassada tentativa de invasão tomara por prevenção o diálogo acomodado.
ResponderEliminarDeduzo que Cláudia Tomazi quer dar um conselho aos portugueses. Para continuarem a vencer os invasores (tal como o “Brasil” fez) é impreterível manter a prevenção pelo diálogo acomodado.
EliminarDe facto, é uma boa análise, Portugal tornou-se no mais antigo Estado-nação da Europa, por isso mesmo, pelo seu manso falatório com os estrangeiros. E esse pelos vistos foi o maior legado que os brasileiros encontraram nos portugueses: o segredo para vencer toda e qualquer invasão.
Bem visto, Cláudia. Assim sendo, Portugal continuará a ser o estado nação de sempre.
Que tal, Anónimo?
Caro
EliminarPor favor, veja o comentário ao mesmo Anónimo que, não faz dois minutos, publiquei.
Por mim - e por Cláudia, que a esta hora deve estar distraída, a tratar do jantar - agradeço a sua clarividência.
sim, é um dos nossos grandes poetas.
ResponderEliminarmas não sei se os prémios de poesia têm o mesmo efeito dos de ficção, por exemplo, na angariação de leitores...
Caríssimos J.Jordão e N. Firmino,
ResponderEliminarEntendi e agradeço vossas explanações.
"As intervenções de Cláudia não são para traduzir – sequer para tentar decifrar", disse Jordão. Então é assim como escrever em letra miudinha, para cegos? Creio eu, que nem sou deste mundo das letras, das escritas e das leituras, que quem escreve quer ser lido e entendido. Será errada esta minha assertiva?
Mas pronto, aqui estou eu com meu cinzel para tentar esculpir os comentários de Cláudia.
Pena que a pedra seja tão dura e o meu talento para escultura tão pouco ou nenhum.
Talvez um curso de lapidação de pedras preciosas e faça urgente.
Mas não, pedirei ajuda a Jean-François Champollion :):)
Saudações.
Estimada pessoa anónima
EliminarDe facto, assim é. Existem os que não se expressam por comuns linhas lógicas e que deixam o hemisfério esquerdo de qualquer um confuso. Será estilo? Não se sinta criticado, por favor, até porque o meu próprio hemisfério esquerdo subscreve o imo dos seus comentários mas não o azinhavre pouco alquímico…
Saudações de centro