Não estamos sós

No início do próximo ano vou publicar excepcionalmente na Teorema dois livros traduzidos, entre os quais o de um autor da Coreia do Sul que dizem ser o melhor da sua geração (nasceu em 1968). Chama-se Kim Young-ha (os nomes dos coreanos escrevem-se com o apelido no princípio) e darei oportunamente conta da sua novela original e algo kafkiana chamada Tenho o Direito de Me Destruir. Mas foi por causa dela que li algumas coisas sobre o mercado coreano na Internet e me apercebi de que, enfim, não estamos sós nas nossas amarguras. A crise no meio editorial é tão grande por aqueles lados que 94% dos editores não lançaram um único livro em 2012. As pessoas, sem um tostão no bolso, deixaram de ler jornais, de ir ao cinema e de comprar livros (onde é que eu já vi isto?) – excepto quando o preço é suficientemente competitivo e, quanto a isto, parece que uma cadeia de livrarias em segunda mão, a Aladino (com dezasseis lojas, incluindo uma em Los Angeles e uma forte presença online) faz um inesperado sucesso em tempos difíceis e «rouba» todas as hipóteses de negócio às editoras, fazendo um desconto médio de 50% aos seus clientes. A Coreia do Sul não tem lei do preço fixo, pelo que é ainda mais difícil combater a política de preços da Aladino, que os editores coreanos consideram míope e precipitada e em nada contribuir para que os leitores do país contactem com novas obras e autores contemporâneos. Parece que, apesar de tudo o que tem acontecido em Portugal no mercado dos livros, ainda há quem esteja pior do que nós.

Comentários

  1. Claudia da Silva Tomazi18 de dezembro de 2013 às 01:50

    Negócios iene mais negócios .

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  2. Não me lembro de ter lido um livro de um autor da Coreia.
    Lembro-me muito bem de ter visto um filme fabuloso de um realizador chamado Kim Ki-Duk.
    É um filme muito belo, sobre as estações do ano e a vida em geral, e chama-se «Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera».
    Absolutamente a não perder.
    :-) Antonieta

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    1. Esse filme é uma verdadeira pérola, Antonieta. Uma beleza.

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  3. A Coreia do Sul tem uma das melhores cinematografias do mundo. Muitos excelentes filmes daquele pais já estrearam em Portugal. Mas desde há dois, três anos passa por uma séria crise. Suponho que também deve ter uma literatura no mínimo interessante. As literaturas asiáticas deviam ter maior divulgação em Portugal.

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  4. Quando um obrigado não está só é porque há razão. Não estamos sós, a crise escolhe e paciência. Continuar na Coreia ou aqui, que importa se não importa.
    Bem-haja.

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  5. Claudia da Silva Tomazi18 de dezembro de 2013 às 05:35

    Na década de noventa aqui no Brasil minha irmã funcionária (gerente) de loja de Moda (trapos) de coreano(s) a comercializar roupa o negócio prósperou e numa ocasião o patrão deixara o terno (esqueceu) e minha irmã ao guardá-lo encontrou um valioso diamante guardou e devolveu-o à honestidade.

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    1. «Negócios iene mais negócios», deixara Cláudia às 09:50, já a indiciar que, graças à competente gerência de sua irmã, o negócio dos trapos iria prosperar ao ponto de os ienes japoneses permitirem que um diamante ande assim, negligente, no bolso do terno que facilmente fica esquecido nas costas da cadeira de um patrão coreano.
      E agora, aqui está! Jcb, competente poeta, experimentou lapidar o diamante, poli-lo, revelar-lhe facetas que Cláudia, por honestidade, deixara apenas indiciadas.
      O rebrilho das inúmeras facetas obriga a que cerremos os olhos – mas é para isso mesmo, ora essa!, que se puxa pelo brilho de um diamante, de um poema, de um comentário experimental.
      Cláudia: não está só! Eu e jcb estamos consigo.

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    2. Há por aqui platonismo no ar, ou é impressão minha?
      Se querem que vos diga, gosto de ler os comentários enigmáticos da Cláudia. E, como enigma, desperta-me a curiosidade e a busca, pois há em mim uma apetência detectivesca (que nem sempre resulta), uma vez que participo, com o "fio de Ariadne", em tentativa e erro.
      Por isso, encontrei "uma" Cláudia da Silva Tomazi a escrever uma peça para este blogue brasileiro (Rio da Tijuca) e não me parece nada a "nossa" Tomazi. Será?

      Trata-se de uma história curiosa (curiosamente nem se designa como estória):
      http://tijucasartecultura.blogspot.pt/2013/10/literatura-tijucana-historia-do-joao-da.html

      ou ainda o comentário que produziu aqui:
      http://lerparacrer.wordpress.com/2010/07/12/apresentacao-do-projecto-biblioteca-de-livros-digitais/

      ou ainda o comentário, em inglês, que fez à Hello Kitty, aqui:
      https://plus.google.com/+CNNInternational/posts/aJ9zmZQFs8j#+CNNInternational/posts/aJ9zmZQFs8j

      Espero que a Cláudia não se importe com esta "dissecação", pois não é minha intenção fazer devassa. Apenas utilizei os instrumentos, disponibilizados publicamente na internet, não necessariamente sobre a mesma Cláudia que, no Brasil, e mais do que em Portugal, compartilha com outras pessoas do mesmo sexo nomes e apelidos coincidentes.

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    3. Sobre o post.
      Quando andava a estudar no liceu Alves Martins, em Viseu (frequentado então pelo então Manuel Maria Carrilho), servi de intérprete a dois biólogos coreanos que prestavam apoio às empresas de aves (aviários) para a zona do Caramulo (salvo erro).
      Eram duas pessoas extraordinárias, simpáticas e expressavam-se num inglês mais correcto do que o meu (o que nem era difícil, na altura); traziam máquinas fotográficas "cinco estrelas" e deram-me fotografias tiradas em conjunto, com a máquina de tripé em automático.
      Confesso que nunca li qualquer livro traduzido do coreano (em português, francês, castelhano ou inglês), mas possuo na estante um livro coreano onde, como diria Aquilino,"não ferro o dente".
      Esta Rosário tem o condão de nos trazer coisas inesperadas e esta do Kim Young-ha vai fazer com que, pela primeira vez, tenha acesso à literatura coreana.

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    4. Também eu, na busca que há tempos fiz, tive o mesmo problema: várias Cláudias da Silva Tomazi.
      Ocorreu-me que, atento o peculiar processo da formação da nação brasileira, será bem provável encontrar várias Cláudias com os mesmos apelidos luso-italianos.
      Mas também me ocorreu que, perante tanta e tão diversa produção poético/literária que encontrei assinada pelo mesmo nome, talvez estejamos perante um raro fenómeno de “hétero-autores pessoanos”, isto é: um(a) autor(a) que, em vez de adoptar heterónimos, cultiva “hétero-estilos ortónimos”, quer dizer, sempre sob o seu verdadeiro nome (ou pseudónimo).
      Se me faço entender…

      Entretanto, nesse labirinto hétero-ortonómico (?...), encontrei alguns poemas que, aposto, são da autoria da nossa Extraordinária ortónima.
      Por exemplo, no blogue “Instantes”, este:

      Ah, como é linda
      então a sinta
      é a arte branca
      a da esperança

      Ah, como é colorida
      e destemida
      a arte-íris

      veja, como renova
      inventa e amplia
      toda arte, cria!

      [Cláudia da Silva Tomazi, In INSTANTE, 1 de Março de 2012]

      Querida Cláudia: não está só! Eu, jcb e Fernando estamos consigo.

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  7. A quebra de compra de livros na Coreia do Sul pode ter uma razão infelizmente mais funda do que as dificuldades económicas dos seus cidadãos. É que não sei se a expressão "as pessoas, sem um tostão no bolso" se pode aplicar à Coreia do Sul.
    O país cresceu 2.1% em 2012 e o 7º exportador mundial, com um rating estável de AA pelas agências de notação. A Coreia do Sul é um dos países mais tecnológicos do mundo.
    Não será que os cidadãos dessa sociedade avançada já trocaram os livros por "gadgets" e essa é a razão da falência das editoras ?
    Pode ser o admirável mundo novo a chegar !

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    1. Artur,

      Inclino-me a comungar da sua opinião, a muitos níveis, tomara a nós a "crise" que a Coreia do Sul tem.

      No entanto lembro-me perfeitamente de ler o artigo que a Maria do Rosário refere (já não tenho a certeza onde, provavelmente no blogtailors). Retive isso mesmo: 90 e tal por cento das editoras não publicou um único livro! Na altura pensei para os meus botões que a maioria delas seriam micro-editoras, sem acesso aos canais de distribuição.

      Sendo um ignorante do mundo dos livros em Portugal, acredito que a sua realidade seja mais comparável com a Grega e Espanhola onde me parece que os livros se vendem cada vez menos e as edições são cada vez mais pequenas, mesmo escritores consagrados têm tiragens que quase envergonham.

      (Ouvi ou li, já não sei, que o último romance publicado por António Lobo Antunes terá vendido por volta de 500 unidades. Será isto possível? Espero bem que não, independentemente dos juízos de valor sobre os seus romances mais recentes, nem me meto por aí)

      Rui Miguel Almeida

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    2. Caro Rui Miguel,
      Obrigado por comungar connosco as suas reflexões sobre os abalos atuais no mundo editorial, sobretudo em países em crise económica. É de facto difícil perceber as mudanças que estão a ocorrer. Aquilo que mais me impressiona não é apenas o saber que escritores como o António Lobo Antunes vendem pouco mas sobretudo olhar para as listas de "best sellers" nacionais e constatar que, havendo livros que vendem bem, o seu denominador comum não é a criatividade literária mas os seus autores serem figuras televisivas. Parece-me que o consumo cultural se está tornar unidimensional e essa dimensão única é direta ou indiretamente condicionada pela televisão. A criatividade literária está a caminho de ser apreciada apenas por uma minoria cada vez mais escassa de cidadãos.

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    3. Artur,

      Apesar de tudo e contra tudo, sou um optimista. Quero acreditar que terei motivos para não concordar consigo e que, sendo as novas gerações mais instruídas e com mais acesso à informação, tenderemos a ter mais leitores a ler bons livros. Confesso-lhe no entanto, que está difícil... :)

      Um abraço para si,

      Rui Miguel Almeida

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    4. António Lobo Antunes? vendeu 500 livros? mas qual é a admiração, meu amigo? mas os (actuais) romances do homem têem ponta por onde se lhe pegue (exceptuando os três primeiros)...e queria ele ser Prémio Nobel...

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    5. Lista de best-sellers...só lixo, sempre só lixo, a começar pelo orelhas (o 575), Nicholas Sparks , "A Padeira d'Alcobaça " escrito pela prima da Margarida Rebelo Pinto, etc. etc. tudo lixaria...o Orelhas (o 575) no Carnaval prepara-se para lançar mais lixo, desta vez parece que será uma trilogia, sobre o homem mais pobre do mundo...a fábrica (setenta operários) está a laborar em pleno, já com o horário do futuro: sol a sol

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