Mais vale tarde

Aqui há um ano escrevi um livro sobre Amália para os mais pequenos, os que nasceram depois da sua morte e não sabem nada da vida de uma das maiores artistas portuguesas, nem o que realmente fez para transformar o fado no que é hoje. Foi também no ano passado que reuni a minha poesia num só volume e prometi ir a Coimbra falar dela em vários sítios, mas não consegui cumprir por – como sempre – excesso de trabalho. Hoje, porém, tirei-me das minhas tamanquinhas e vou estar em Coimbra, que recentemente viu a sua universidade eleita Património Mundial pela UNESCO, para falar destes dois livros. Primeiro, com crianças, numa escola, ao princípio da tarde; e pelas 18.30h na Mercearia de Arte, com o Pedro Beja Alves, que ali faz um trabalho notável de promoção cultural e convida regularmente escritores e artistas para uma conversa informal à roda da respectiva obra. Se estiverem por lá, apareçam.

Comentários

  1. Há muito que ando com vontade de ir à Mercearia, em Coimbra, hoje, será impossível. Espero que tenha mais afluência do que teve a apresentação de "Viajar com Escritores" (desta vez Aquilino Ribeiro), Museu de Lamego. Éramos cinco na plateia e, na mesa, estavam quatro. Os transeuntes passeavam pelas ruas tristes, entrando e saindo de cafés mortos. Em casa, presumivelmente, olhariam para imagens do embrutecimento, através de televisores.

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    1. Hum...
      Caro Luis Peixeira, e quem eram as pessoas que iam falar de Mestre Aquilino?

      Era gente que sabia falar de um Aquilino apenas intelectual e chatíssimo, de rebuscado estilo e homem da cultura da época? Ou do revolucionário, do idealista, do caçador de perdizes, do boémio que tertuliava e conspirava em cafés de Lisboa ou Paris, que sabia diferenciar um fauno de um lobisomem, o cultor emérito da palavra popular como da erudita, o escritor de um dos vocabulários mais ricos, do intérprete do imaginário serrano, que cantou a rudeza sã da Beira Interior e das suas gentes, que deu voz a crendices e ditos, a hábitos e tipos das Terras do Demo que soube interpretar e descrever como ninguém, um dos maiores escritores de alma portuguesa?

      Ou eram uns chatos cultíssimos com uma conversa ininteligível cheia de termos herméticos
      e feita para si mesmos ou para outros como eles?

      No primeiro caso, é lamentável sim!
      Mas as pessoas se calhar temeram que se desse o segundo caso...
      E, no segundo caso, então perdoe-me, mas foi bem feito!

      Não me leve a mal, nem ofenda com o que digo, pois não o incluo no tal número dos "chatos cultos", como é óbvio!!!!
      E acredito que me compreenderá!

      Um abraço kaluanda!

      PS - Gostaria imenso de ir a uma conversa dessas sobre Aquilino! tenho verdadeiro fascínio por ele, como por Torga, Henrique Galvão, Pessoa, António Gedeão...

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    2. Caro António Luiz , acerca do Mestre falou Alberto Correia e fê-lo nos moldes que o António Luiz descreveu: saber, empatia, humildade, com simplicidade como o MESTRE bem apreciava e que o António Luiz muito bem caracterizou. O próximo será MIGUEL TORGA. vamos ver - ainda não sei quem, onde e quando...Abraço para Angola que aprecio como culturas, Geografia, História e Gentes...

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    3. Ora aí tem... que pena sim!!!!
      Aqui há tempos na RTP Int. ouvi alguém a falar de Aquilino, lendo até trechos... mas sou franco era de uma chatice tal, a voz, a postura... até a forma de falar do Mestre, como se nele apenas houvesse a fazer notar o anti-salazarismo de quando os lobos uivam... não falou em práticamente mais nada a não ser no livro e no filme - como se Brum do canto fosse um grande oposicionista ao regime...
      Mas enfim, cada qual vê como quer, e , eu até me irritei e mudei de canal!

      E Torga... como eu gostaria de poder assistir!

      Um grande abraço de 32º (acabo de vir da Samba) cá da terra do Luandino Vieira!

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    4. Luís de Sousa
      Sendo o Dr. Alberto Correia a pessoa que falou de Aquilino, só perdeu quem não foi lá, pois o Dr. Alberto Correia, distinto escritor, investigador, monografista e ex-director do Museu de Grão Vasco, é dos melhores comunicadores do interior do País. A par dele, para falar do autor de "O Malhadinhas", só mesmo o Dr. Henrique Monteiro, ex-director do Expresso, que com ele conviveu quando era garoto, pois o pai dele era muito amigo de Aquilino. E o Dr. Monteiro, para além de um bom jornalista, é um orador que prende a assistência.

      Para o extraordinário António-Luiz Pacheco: o Henrique Monteiro é de Vila Nova de Paiva (a antiga Barrelas), perto do Sátão; o Dr. Alberto Correia, é de Sernancelhe.

      Saudações

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  2. Claudia da Silva Tomazi12 de dezembro de 2013 às 02:17

    Certamente havíamos apreciar arte em todos os sítios de quando escrevia a cultura (página regional do Vale) nos os colunistas tratavamos empenhar a melhor notícia ao periódico e um dia aconteceu de uma senhora que ligou a a redação tecendo os mais belos elogios apesar de reconhecer e confessar que nem entendia algum de meus artigos.

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  3. Peço desculpa, há um termo bem mais "in" e muitíssimo mais evoluído para aquilo que eu disse:
    - Intelectual boring!

    Desculpa lá o anglicismo ó Severino... eheheh!

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  4. Faz falta outra poesia de Maria do Rosário Pedreira. Há tanto tempo, sim, existem as letras para fado, mas não é igual. O mesmo seria a poesia do passado, agora sem a triste melancolia da consolação. É que da estabilidade também nascem poemas, mas é preciso dizer não à contracepção.

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