Etc & tal
Quando era universitária e havia Feira do Livro, ia lá quase todos os dias cheirar os Livros do Dia e procurar pérolas esquecidas nos tabuleiros laterais dos pavilhões. Tinha tempo para procurar e comprei nessa altura muitos livros que hoje são raridades e, bem vistas as coisas, me custaram quase nada. Entre esses tesouros, muitos são de formato quadrado, com capa acastanhada, como a dos velhos cartuchos, e conteúdo exemplar. Foram publicados pela & etc, uma editora que celebra este ano o seu 40.o aniversário sob a direcção de Vitor Silva Tavares e se conseguiu manter independente neste novo paradigma que é o da edição industrial. A & etc lançou poetas e publicou textos fundamentais (lembro-me, por exemplo, de Fabulário, de Mário de Carvalho, e da estreia de Margarida Ferra com Curso Intensivo de Jardinagem, só para citar dois exemplos separados no tempo). As regras sempre foram particulares: os livros nunca são reeditados e os autores abdicam dos direitos, a tiragem é idêntica para qualquer título e não se oferecem exemplares à comunicação social. A qualidade impera. Para celebrar os 40 anos da & etc, uma outra editora, a Letra Livre, publica sob a coordenação de Paulo da Costa Domingos o livro & etc – uma editora no subterrâneo, especialmente importante para os que só conhecem a edição a partir do século XXI. Um hino à resistência.
Sabe o que mais?!Gosto intensamente de correspondência na certeza de quando muito importante segundo a longetude a atitude de quem conta o carinho a lembrança!
ResponderEliminarEsses da etc, porque andam como podem, fiéis às características pessoais da sua mobilidade e aparência, possuem a esplendor dos autênticos.
ResponderEliminarAssim, ao celebrarem 40 anos, não é a botox e a silicone que anseiam, mas a estimar a pintelheira.
Quem só conhece a edição a partir do século XXI pode não saber que a &etc. publicou Alberto Pimenta. E, se não souber, não sabe o que perde!
ResponderEliminarUltimamente, não tenho ido às livrarias que ainda não fecharam e expõem sempre do mesmo: vou ao alfarrabista...
ResponderEliminarPara além do seu papel único entre as editores portuguesas, pelo risco comercial dos livros que publicou e pela originalidade do seu design e impressão, a & etc é obra quase de um único homem, o absolutamente extraordinário Vitor Silva Tavares, que a Maria do Rosário Pedreira cita no texto acima.
ResponderEliminarMuito gostaria eu de ser amigo pessoal desse homem único, de quem fui conhecendo episódios vários contadas por um tio meu, literato que frequentava os cafés de Lisboa na altura em que diariamente aí se viam os intelectuais da cidade.
Mas par além disso, quem não pode ficar com uma imensa admiração pelo culto contador de histórias que é o Vitor Silva Tavares depois de ver os seus depoimentos sobre o Luíz Pacheco num belíssimo documentário sobre a vida do escritor que passou na RTP2 e que está disponível no You tube ? Não são de antologia as histórias que o Vitor Silva Tavares conta sobre a tradução feita pelo Pacheco do "Dicionário Filosófico" do Voltaire? Ou dos desacatos da ceia de Natal do mesmo Pacheco e família, altercações devidas, ainda por cima, à generosa oferenda de manjares feita pelos amigos do escritor que vivia com enormes dificuldades económicas?
O Vitor Silva Tavares é um enormíssimo português !
E acrescentar que o "Fabulário", de Mário de Carvalho é fabuloso. Um excerto:
ResponderEliminarhttp://novaziodaonda.wordpress.com/2012/11/13/o-concerto/
Desculpem vir aqui com este assunto, mas acreditam nessa descoberta dos poemas inéditos de Florbela Espanca?
ResponderEliminarApelo a quem tenha meios que investigue esse assunto a fundo!
E desculpem não revelar o meu nome...
Mas a que propósito vem, sob anonimato, a Florbela Espanca com poemas inéditos?
EliminarOu: por que vem, a propósito de poemas inéditos de Florbela, Espanca sob anonimato?!
Aliás – viria, a propósito de anonimato, a Florbela Espanca com poemas inéditos??!!
E por que não haveriam de permanecer, ainda que sob anonimato, inéditos alguns poemas de Florbela ou de outrem???!!!
Ou: por que hão-de, em nome da verdade & etc, permanecer inéditos poemas anónimos?
Mas entretanto, sendo assim, por que não haveriam de ser descobertos, & etc, alguns poemas inéditos??
Ou, sei lá!: por que não haveriam de ficar anónimos, & etc, um ou outro belíssimo poema inédito???
Mais ainda: por que carga de água não hão-de permanecer mais uns tempos no limbo, & etc, magníficos poemas ainda não formulados?!!
Ou, vá lá: por que diabo haverão de, sob anonimato, permanecer inéditos extraordinários poemas potenciais, etc & tal ???!!!
& etc. & etc…
Por outras palavras (“E desculpem não revelar o meu nome...”):
– “Apelo a quem tenha meios que investigue esse assunto a fundo.”
Talvez o Ministério Público, que isto deve ser segredo de justiça, etc & tal…
…
… tudo isto porque faço minhas as palavras de Cláudia Tomazi na inauguração dos comentários a este post: «Sabe o que mais?! Gosto intensamente de correspondência na certeza de quando muito importante segundo a longetude a atitude de quem conta o carinho a lembrança!»
o Vitor é um editor diferente e isso só podia dar livros diferentes.
ResponderEliminara & etc é uma daquelas teimosias que tem dado excelentes resultados.