Xadrez
Não sou jogadora de xadrez – na verdade, não sou jogadora de nada e sempre irritei os meus adversários por não prestar atenção suficiente às cartas nem ter como objectivo ganhar a todo o custo. Isso, porém, não me impede de ler e adorar um livrinho de Stefan Zweig, ao que parece o último que escreveu antes de se suicidar, que se chama justamente Novela de Xadrez – e, sim, tem que ver com o jogo de tabuleiro mais célebre do mundo mas não requer que conheçamos as regras em profundidade. Num navio de recreio com destino à Argentina, segue nada mais nada menos do que o campeão do mundo desta modalidade que, ao contrário do que seria de esperar, é uma criatura bruta, malcriada e até bastante bronca em tudo (excepto no xadrez). A sua presença arrogante a bordo acaba por levar a que um grupo de passageiros educados se defronte com ele (narrador incluído) numa partida de xadrez, mas apenas para experimentar uma rápida derrota; porém, num jogo de desforra, uma estranha figura aproxima-se e dá palpites certeiros que conduzem a um empate. Ora, quem é este homem que consegue empatar com o campeão do mundo e, segundo diz, já não via um tabuleiro de xadrez há vinte e cinco anos? A revelação que ouviremos da sua própria boca é, de facto, a melhor coisa desta novela – e prende-se com o nazismo e a tentativa de não enlouquecer. Mais não se pode contar.
Stefan Zweig/Vitor Hugo/Balzac/Eça Queiroz/Saramago/Zola/Júlio Verne/Charles Dickens/Kafka/Dostoievsky/Tolstoi/Albert Camus e tantos, tantos outros são afinal ESCRITORES imortais e sobretudo intemporais!
ResponderEliminarStefan Zweig - fora imprudência a bbiografia de Kleist.
EliminarVitor Hugo - fez um infeliz tributo ao conterrâneo no livro Trabalhadores do Mar.
Honore de Balzac - há franceses que contestam a veracidade de romances e nem por isto, há repetição ou seja um formato repetitivo, que o vence da criatividade.
Eça de Queiroz - e singular, autêntico da raiz quando desta trata-se a finalização da época e costumes, extraí de personagens a sentença da estância de cada indivíduo.
Saramago - contestar um Nobel?, ocorram-lhe atrás.
Emite Zona - ótimo crítico o entusiasta da época.
Julio Verne - melhor cientista a escritor.
Charles Dickens - muito bom a sarrafinho.
Franz Kafka - incontestável.
Dostoievsky - depressivo.
Tolstoi - faz juiz a sarrafinhoLeão.
Albert Camus - diria que o vencia sem jogar xadrez.
Faltou a vossa lista o Dumas.
O Dumas e Doutras...
EliminarÓ Cláudia tenho muitas, mesmo muitas dificuldades em perceber o que escreves, do que escreveste só percebi sobre o Kafka e Dostoievsky, tudo o resto para mim é Chinês... desculpa-me a sinceridade.
Ó Cláudia, permite-me, por favor, uma pergunta indiscreta -és italiana? só assim poderei entender o teu prétuguês...
Brasileira. Diz-se brasileiro, brasileira nascido no Brasil.
EliminarE você ASeverino é português?!
Sou alentejano; do Alentejo mais profundo, do mais recôndito Alentejo, daquele onde as azinheiras fazem de chapéu de sol, daquele Alentejo onde abunda algo que agora escasseia em quase todo o lado - o tempo-!
EliminarTalvez daí a minha dificuldade em perceber o seu Português...sua Cláudia Tomazi (descendentes de italianos? ou de alentejanos?)...
Caro ASeverino
EliminarGraças a si ficamos a saber o quanto Emile Zola era distraído – deixou em casa os éles, vestiu uns émes e énes para, a convite de Cláudia, comparecer nas Horas Extraordinárias a cumprimentá-lo.
Quanto a Stefan Zweig, em meados do séc XX suicidou-se em conjunto com a mulher, no Brasil – tal como, nos finais do séc XIX, haviam feito Kleist e a mulher, na Alemanha.
Tanto Dickens (10 filhos) como Tolstoi (13) davam ao sarrafinho com o mesmo à-vontade com que escreviam.
Etc, etc.
Por aqui se vê que Cláudia é uma invulgar enciclopédia – invulgar porque requer mais paciência do que a pouca que, nos apressados tempos que correm, geralmente dedicamos a entender os outros.
Um abraço.
Cláudia nem só é Tomazi , também vai a Silva. Logo, tomazi !...
EliminarGosto sempre de a ler e neste caso gostei especialmente do sarrafinhoSeverino , ups !, queria dizer Leão. E reparem no que diz de Camus ...
Eu diria que Cláudia, não indo só a Tomazi, também não vai apenas a Silva – vai onde a desafiam, simplesmente.
EliminarVai, por exemplo, ao xadrez de Severino – onde falta a peça Dumas – e diz-lhe que, só por isso, Camus o venceria mesmo sem jogar.
Repare bem, Paulo, nesta jogada em que, entre as cinco letras de Dumas e Camus, a diferença que faz o xeque-mate é o C.
É isso –a falta do D – que permite que o C de Cláudia derrube o S de Severino.
E agora, ao Severino não resta mais do que cantar:
“À sombra d’uma azinhêra / que já nã sabe a idade / juro ter por companhêra / Cláudia –a tua capacidade”
Anda lá, Severino: se, como dizes, te sobra o tempo, entra no jogo com calma, em vez de andares para aí, sempre aflito, obcecado com as tuas listas.
Compadre Severino
EliminarColoquê aí algures uma resposta a um comentário de PO (julgo que é o Paulo Olivêra) que também é para ti, companhêro.
Mas nã leves a mal, pá, que é na brincadêra.
Okê?
Um abraço!
Querida Cláudia
EliminarVeja, por favor, a minha resposta ao comentário de PO.
Será que eu captei bem o seu lance de xadrez no jogo que disputou com ASeverino?
E será que você, Cláudia, conhece a cantiga de José Afonso, “À Sombra de Uma Azinheira”?
É que, se não conhece, fica em inferioridade neste torneio com ASeverino.
E, justamente – se me desculpa a inconfidência – tudo o que eu não quero é que você fique em inferioridade.
Mas – se me desculpa a complacência – também gostaria que ASeverino empatasse o jogo consigo…
Isto é: “empatasse” no sentido de “empatia” – se me desculpa a … ai como é que se diz?... falta-me agora o termo…
Mas pronto: termos é coisa que não lhe falta, a si.
Curvo-me a cumprimentá-la.
A tanta sapiência só me resta encolher as orelhas;só que quando não percebo não faço de conta, digo mesmo que não percebo (é que ser-se intelectualmente honesto é muito, muito difícil -e nem sempre o consigo); hoje, por exemplo, a maioria das conversatas não as percebi- mas o burro sou eu!!!!
EliminarUm abraço para todos estes amigos extraordinários
Confirmo, PO sou eu quando estou com preguiça.
EliminarÉ aqui que descubro as relíquias das obras apresentadas pela anfitriã, é aqui que me apresento e assumo como perfeita e inteira ignorante, foi aqui que me apaixonei por Philip Roth, foi aqui que me viciei todas as manhãs, à procura de um novo titulo, um novo escritor. Foi aqui que descobri um Severino, (outros também o serão, mas refiro-me a ele pois foi ele que me induziu a paixão por Roth) perfeitamente irrepreensível no que toca à Literatura, uma anfitriã de confiança que aconselha o que de melhor se pode ler, é com base no que aqui se publica que faço a minha lista de livros a mandar vir de Portugal. Obrigada por isso e por mais este novo livro que me apresenta.
ResponderEliminarNão desmerecendo todos os outros comentadores deste blog nem os tantos outros escritores que fui lendo ao longo da vida, mas, de facto, e queiram fazer o favor de não levarem a mal esta minha expressão, pois por certo compreenderão o seu significado tal como eu pretendo que seja entendido: Tenho-me aproveitado muito do vosso conhecimento, ou melhor, (para que não tenha que vir depois esclarecer um coisa ou outra) tenho desfrutado muito do vosso imenso conhecimento.
Um abraço
Sua expressão senhora Carla País diria "fabulosa". Deveras o Severino isentou da lista seu escritor preferido.
EliminarObrigado Carla, pela parte que me toca.
EliminarJá agora e porque sei que quem lê gosta destas listas, aqui vão os 20 livros que mais gostei nos últimos tempos:
-O MEMORIAL DO COVENTO-José Saramago
-SIDARTHA-Herman Hesse
-O PROCESSO-F . Kafka
ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS- Corman McCarthy
-AMOR EM TEMPOS DE CÓLERA-G.G.Marquez-
O ELEITO - Thomas Mann
-INDIGNAÇÃO - Philip Roth
-DOMÍNIOS DA NOITE - William Gay
-SOMOS O ESQUECIMENTO QUE SEREMOS-Hector Abad Faciolince
-A TRÉGUA - Mário Benedetti
-O ESTRANGEIRO - Albert Camus
-O COMPRADOR DE ANIVERSÁRIOS - Daniel Garcia Ortega
-A FILHA DO COVEIRO - Joyce Carol Oates
-O TIGRE BRANCO Aravind Adiga
-CONTA CORRENTE-Vergílio Ferreira (oito volumes-5 de capa vermelha + 3 de capa verde escura)
-MATTEO PERDEU O EMPREGO-Gonçalo M. Tavares
-SANGUE SÁBIO-Flannery O'Connor<BR
-O RAPAZ DO PIJAMA ÀS RISCAS-John Boyne
-ESCRITOS SECRETOS-Sebastian Barry
-JESUSALEM-Mia Couto
-PASTORAL AMERICANA Philip Roth
São os 20/21 que vieram agora à cabeça
Obrigada pela sugestão, parece interessante. Pode que alguém mo queira dar no Natal. Uma prenda a pedido.
ResponderEliminarLi este conto há mais de trinta anos, e nunca me esqueci dele porque me causou uma impressão profunda. A certa altura, quis recordar quem era o autor e não consegui. Revistei todos os livros lá de casa que me pareceram possíveis de albergar o conto - nada. Há poucos meses, num texto também breve, encontrei referido este conto, que imediatamente reconheci, bem como o seu autor. Foi uma felicidade. Por isso este seu post levou-me a fazer aqui o meu primeiro comentário, embora visite esta "casa" ensolarada muitas vezes.
ResponderEliminarAgora falta-me comprar o livro, para que fique comigo, fisicamente, uma história que sempre cá este. Está visto que o li de empréstimo.
Eu herdei vários livros do Zweig , da Editora Civilização, anos 40 e 50, Vinte e Quatro Horas na Vida duma Mulher, O Medo, O Candelabro Sagrado, etc., mais uma série de biografias, todos com umas capas soberbas. As novelas que li relatam todas situações de grande tensão numa escrita muito elegante e contida. Também acontece nesta, lida muito recentemente: o xadrez jogo usado como escape único ao xadrez prisão.
ResponderEliminarInteressante.
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