Sex symbol infantil
Agora, que o Natal se está a aproximar, somos brindados a toda a hora com a publicidade do Continente, que escolheu como uma das suas bandeiras para atrair meninos aos brinquedos uma fêmea de hipopótamo rosada e gorducha que dá pelo nome de Popota. Não sei quem criou o boneco e o vestiu e despiu de mil maneiras diferentes desde que apareceu, nem quem inventa as coreografias dos complicados bailados em que ela sobressai à frente de um pelotão de dançarinos. Na verdade, não me interessei o suficiente para o descobrir e deixo isso para quem seja mais curioso do que eu. Interessava-me, mesmo assim, que me explicassem por que raio uma figura que se destina a convidar os mais pequeninos a escolherem os seus presentes naquela grande superfície, e não noutra, tem contornos de mulher fatal, lânguida e sexy, usando decotes generosos, rachas nos vestidos até à anca ou mini-saias do tamanho de cintos e toda uma parafernália de adereços que ficariam melhor numa personagem de BD para adultos. A concorrente mais directa da Popota, que também não é grande coisa como desenho e tem um nome que não lembra ao careca (Leopoldina), tem a vantagem de não ser obesa (o que, pedagogicamente, é mais interessante) e fala do «mundo encantado dos brinquedos». Com cara de pássaro, é possível que voe, o que é outra vantagem, e tem qualquer coisa de tia simpática, capaz de contar histórias ao deitar. Mas não sei se as crianças gostam mais dela, se da bucha que se bamboleia no palco e usa cai-cai. Com tanta roupa dourada e prateada à venda nas lojas de criança, talvez seja eu que estou a ficar bota-de-elástico.
As criancinhas estão a ficar obesas. A Popota diz-lhes que é bonito ser obeso. Que bom! As histórias do ursinho Puff e dos seus amigos serão demasiado exigentes para as criancinhas e para os pais de hoje? Se a mim me faz impressão este mau gosto de Popotas e Leopoldinas, não me admira que uma escritora, que também teve sucesso na literatura infanto-juvenil, se sinta uma bota-de-elástico. É que a partir das histórias do ursinho Puff se chega na adolescência à poesia e à ficção. E a partir das Popotas e Leopoldinas onde se chega ? Ao gosto pelos reality shows?
ResponderEliminarAhahah!
ResponderEliminarPara ambos: EAN e Artur.
Sabem que as minhas cadelas pígui e lola, conhecidas na família como "as barbudas", duas drathaar, sendo a lola filha da pígui e do olé, porque muito glutonas e graças aos bons tratos da Ermelinda e da pouca actividade que vêm tendo, excepto comerem-me os diospiros junto com os melros e a minha mulher, estão gordíssimas! Por isso eu digo que são, em vez de cadelas duas popotas!
Os meus companheiros já me dizem: Trás lá a tua popota...
Quanto aos personagens das histórias infantis e salvo os da Rua Sésamo (geniais!) o melhor, mais inteligente e pedagógico que conheci foi o urso Petzi, que junto com um pinguim e uma morsa vivia numa ilha Tropical (tipo sobrinhos do capitão) e faziam barcos, construíam casas, etc.
É um caso raro!
Saudações kaluandas!
No Brasil o termo "parada" nem teria significado comum.
ResponderEliminarmuito pertinente.
ResponderEliminarcá por casa (tenho uma filhota com nove anos), nunca entraram Popotas e Leopoldinas, penso que pelo tal gosto duvidoso...
apesar de normalmente as bonecas estarem associadas a boas causas. mas até isso poderia dar uma bela discussão, já que só uma parte das verbas vai "para os pobrezinhos"...
A Popota faz-me lembrar a Miss Piggy da Rua Sésamo, mas esta com muito mais piada e mais sex-appeal. Não é, quanto a mim, a imagem mais interessante para atrair a apetência das crianças, pela desproporção das formas e outras transformações do hipopótamo naquela plástica.
ResponderEliminarDepois, a marca que promove a campanha, tem destas ideias: "Com a Popota rainha da Pop o teu Natal é sempre top”.
Espere, Maria do Rosário, para ver os livros com a "figura" à venda (se é que não estão já) e a passarem, como pãezinhos quentes, pelas caixas registadoras. Depois, não muito depois, admirem-se que vão decaindo, em gosto e quantidade, os hábitos de leitura!...
Acrescento:
EliminarJá há uns livrinhos com a coisa, pelo menos com "receitas" culinárias(!).
Há, sobretudo, uma imagem da dita Popota que me desperta a atenção, pelo arremedo da Marilyn Monroe em "O Pecado Mora ao Lado", com as saias a esvoaçar (naquela felicíssima imagem da realização de Billy Wilder). No entanto, não se comparam as bem torneadas pernas e coxas da actriz com as pernocas da hipopótamo.
Cruzes, credo!
Disseminar (botas-de-elástico) a de: neoprene.
ResponderEliminarDisseminar a de, diz a e se calhar tem razão: não adianta andarmos permanentemente a arreliar-nos com estas coisas. Hoje com polpotas , ontem com telemóveis.
ResponderEliminarA história da Leopoldina é engraçada. Nasci em 86 e cresci com a Leopoldina que tinha umas asas grandes, usava óculos de aviador e que tinha um ar cómico, meio pateta-desmazelado. Sabíamos todos a música da Leopoldina (composta originalmente para os spots da Leopoldina, ao contrários dos actuais da Popota que são adaptações de hits americanos) e enfim, o nome era ridículo mas adequava-se à comicidade da mascote.
ResponderEliminarNos últimos anos, o Continente aplicou um extreme makeover à Leopoldina: tirou-lhe as asas, deu-lhe uma silhueta ultra-feminina, pôs-lhe uns implantes de silicone e vestiu-a com uns decotes e umas calças justas.
Receberam tantas críticas nas redes sociais que actualmente, ao visitar o site do Continente, vemos a Leopoldina associada à acção social do Continente (Missão Sorriso), com um ar sóbrio, embora continue sem asas, sem decote (até com um lenço à volta do pescoço) e um sorriso complacente.
A Popota passou a ser o lado sensual do Continente e a Leopoldina manteve-se a "madrinha" das crianças e do mundo encantado dos brinquedos. Mas o ar apatetado que dava graça à Leopoldina nunca voltou... Afinal, ela agora é uma senhora!
Ainda no outro dia discutia com as amigas sobre a Popota vs Leopoldina. Também cresci com a Leopoldina e concordo plenamente com o que diz a Ana Lorena.
EliminarAcho isso tudo completamente ridículo. Eu desprezo essas coisas. Nem tenho opiniões sobre isso.
ResponderEliminarAcho engraçada a Popota, demonstra que num futuro de obesos a sensualidade estará assegurada. Terminam as gordinhas tristonhas, a Popota é um exemplo a seguir de uma rechonchuda «fatal, lânguida e sexy». Que futuro bonito onde todos, muito sensuais, saberemos dançar. Alegria colorida e música, sem preconceitos todos podemos ser felizes.
ResponderEliminarA Leopoldina tem aquele ar de não pertencer a lado nenhum, meia palerma; temos muita afinidade, nós duas. Gosto dela.
ResponderEliminarDa Popota, a primeira vez que lhe li o nome foi num blogue e confesso que fiquei sem saber o que era. Mas como o youtube tem tudo, alguém lá a pôs a dançar, aproveitei e apresentei-me. Achei-a só engraçada. Na altura fez-me rir, enterneceu-me.
Pode que com as crianças suceda o mesmo. Quem sabe.