Saramago africano

O Prémio Literário José Saramago foi instituído pela Fundação Círculo de Leitores no ano em que o escritor venceu o Nobel da Literatura. Não sei se sabem, mas foi o Círculo de Leitores que, quando Saramago ainda dava os primeiros passos na escrita, lhe proporcionou as condições necessárias à execução de um projecto moroso e exigente que deu origem ao livro Viagem a Portugal (além de publicar em versão Clube do Livro todas ou quase todas as suas obras). Este prémio, que visa galardoar romances publicados em língua portuguesa de autores com idade não superior a 35 anos, já tinha contemplado portugueses (Paulo José Miranda, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, valter hugo mãe, João Tordo) e duas brasileiras (Adriana Lisboa e Andrea del Fuego), mas este ano foi muito justamente atribuído a Ondjaki, o primeiro africano da lista, com o romance Os Transparentes. Apesar de ter dois autores a concurso, fiquei muito contente com a decisão. Conheço Ondjaki há muitos anos e, além de admirar o seu talento, considero-o uma pessoa às direitas: bem formado, generoso, extremamente afável e, além disso, muito bem-disposto. Só tive pena de que, num jornal, alguém tivesse tido a ideia triste de o comparar a Cavaco Silva só porque, no seu discurso de recepção do prémio, não se referiu a Saramago, preferindo falar da sua Angola, a quem dedicou o galardão. Uma rasteira que, se o conhecessem melhor, não lhe pregariam.

Comentários

  1. foi de facto uma comparação de muito mau gosto.

    até porque não foi José Saramago que lhe deu o prémio e até poderia ser considerado uma redondância esta referência (ou até o chamado "puxa saco").

    de Ondjaki li "Os da Minha Rua" da sua autoria e gostei bastante.

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  2. É sempre bom constatar que acrescem à qualidade literária, boas características humanas. É que nem sempre essa coincidência é assim tão frequente. Encontrei-a, nas últimas semanas, em duas autoras de quem muito gosto (Dulce Maria Cardoso e Marlene Ferraz) e foi com grande comprazimento que delas retive a humildade e a simpatia.

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  3. Claudia da Silva Tomazi20 de novembro de 2013 às 04:00

    Bem o tema de hoje está a comemorar-se. Este mês (corrente mês de novembro) comemora-se aqui no Brasil o dia da consciência negra o afro-descendente.

    Com relação a menção e duas brasileiras vos recordo que Adriana Lisboa inclusive técnica de dicionarista em sendo tradutora a outra desconheço qualquer (copyright).

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  4. Não conheço Ondjaki senão de uma obra que li. Mas nenhuma pessoa de bem merece ser comparada com esse senhor.

    Também não ouvi o discurso. Mas, na minha aleivosa razão não vejo que por ser o prémio Saramago lhe tenham os autores de prestar vassalagem em decretada alínea. E entendo alguém que dedique o prémio à pátria, neste caso Angola, sem dúvida responsável por parte substancial do que escreve. Digo eu. Que só li um livro. Mas com atenção e vagar:))

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    Respostas
    1. Aleivosa? E como adjectivo? Estranho.

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    2. De facto, a palavra aparece dicionarizada como adjectivo. Não sabia. Apenas tinha presente a frase de Fernão Lopes " Oh, que mal fez! Pois matou a aleivosa..." As minhas desculpas.

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    3. Caro José Catarino, quando escrevo não penso se adjectivo ou substantivo; aparece-me na mona, uso. E pronto.

      Mas, se fez prova, existindo, pelo seguro de seguramente, fico redonda e descansada. Claudico.

      E como se desenvencilha com Mia Couto?:)


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    4. Fez-me confusão o uso de aleivosa, palavra arcaica. Fui verificar, estava errado, reconheci o erro e pedi desculpa. Devia ter verificado antes. Ou não comentar.
      Mia Couto : aprecio muito, especialmente os seus últimos romances. A criação neológica a que procede nem sempre me entusiasma.
      Mais uma vez, reconheço o meu duplo erro (ver exclusivamente em aleivosa uma mulher de conduta duvidosa e ter comentado) e reitero o pedido de desculpa.

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    5. Minha nossa! Tanto erro propositado e ao desquerer, sem uma desculpa, um aceno de I’m sorry. E o Catarino a desculpar-se de um nada a que encontrei piada; é que escrevo, digamos, de ouvido.

      Comentar um comentário começa por ser o bem de o ter lido; e prossegue benfazejo, neste mundo de pressas e “deixa andar que rápido esvanece”, por alguém se dar ao trabalho de teclar para outrem e lhe dar um minuto da sua atenção. Se bem que o tempo que damos aos outros seja daqueles que mais conta. Aqui, são as nossas mãos abertas.
      Por tudo isto e decerto mais alguns enfins em que me não alongo, excepção feita a comentários irrisórios ou ofensivos de gente que nos atira com estranheza de animal que não conhece o lugar, é bom haver quem nos comente:).

      Um Dia Bom para si

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    6. É exactamente o que eu penso: é bom ter quem nos leia, nos comente, discorde ou concorde, critique ou elogie. Por isso, e para me redimir da argolada, gostava de lhe oferecer os dois romances que publiquei em papel. Não precisa de os ler, se nada disser eu nada pergunto. Sou homem de palavra. Aceita? Em caso afirmativo, envie-me por favor uma morada postal por mail para jccatarino@hotmail.com

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  5. Ainda não li nada do Ondjaki, mas a minha mulher já comprara "Os Transparentes" aquando da atribuição do prémio Saramago e continua de momento a ler o romance, mas não a vejo muito entusiasmada. Quando ela o largar vou pegar no livro galardoado. Por enquanto entretenho-me com Murakami.
    Confesso que estava à espera que fosse o David Machado o vencedor !
    Ontem a Biblioteca Almeida Garrett aqui no Porto esteve a abarrotar para se comemorar o dia de aniversário do saudoso António Manuel Pina. Foi lançado na ocasião o muito interessante livro "O Senhor Pina" do Álvaro Magalhães, um amigo-escritor do Pina. É um livrinho comovedor feito para ser lido por crianças grandes e excelentemente ilustrado por Luís Darocha.

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