Poetas para todos
Para os extraordinários leitores deste blogue, que tantas vezes se queixam de que conhecem mal a poesia portuguesa, há agora uma forma de emendarem a mão. Na Faculdade de Letras de Lisboa, António Carlos Cortez, poeta e professor, vai dar um curso livre de poesia contemporânea – De Pessoa aos anos 60: Questões de Linguagem Poética – em horário pós-laboral (às terças, 18h30-20h00) entre 19 de Novembro e 6 de Maio. A entrada é livre e o preço bastante baixo, uma vez que, por estes seis meses de aprendizagem, os interessados pagam apenas 100 euros, o que equivale a 20 euros por mês, uma bagatela. Ao longo do curso serão lidos e estudados ritmos, construções, experiências vanguardistas e muito mais aspectos que «mapearam esses trinta anos de evolução poética em Portugal» (palavras do orientador). Entre os poetas, constam Pessoa (lá estão eles a sobrevalorizá-lo…), Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, Nemésio, Eugénio de Andrade, Sophia, Ramos Rosa e muitos outros menos conhecidos do público em geral, como, por exemplo, Armando Silva Carvalho. O programa completo no link abaixo. Para mais informações contacte o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias pelo e-mail clepul@gmail.com ou pelo telefone 217920044.
Desenvolver o estudo da Poesia é para poucos e pouco deste muito o significado a Língua Portuguesa a certeza que preza-se a boa escrita.
ResponderEliminarGraças a Deus que os mais jovens estão a perder aquela mania irritante de perguntar: «E dá certificado para currículo?»
ResponderEliminarAgora que vivemos na fase mais negra da lua, onde se destacam lobisomens, vampiros e outros bichos maus, no contraciclo da paixão pelas qualificações e da formação pelo conhecimento, que se salvem as coisas do espírito.
E será que ainda haverá desconto para estudantes e desempregados pós inferno da troika?
O curso parece-me muito interessante. Relativamente à ironia da MRP sobre a sobrevalorização do Pessoa, mantenho o que aqui disse algumas vezes: Fernando Pessoa é sobrevalorizado quando se vai à famosa arca sem fundo buscar os seus rascunhos, tudo aquilo que ele para lá despejou e que não chegou a trabalhar. É que Pessoa é dinheiro (assim como muitos autores menores da nossa praça).
ResponderEliminarDe certeza que no curso de poesia apresentado não se vão analisar as obras menores do Pessoa que se vêm publicando há já vários anos. Trata-se de um poeta enorme, um dos grandes do século XX, que tem sido continuamente sobrevalorizado e, por isso mesmo, desrespeitado.
Sobre-explorado, por vezes pouco escrupulosamente. E sobre-citado, o que não seria mau se quem o cita o tivesse lido e aos seus heterónimos. Embora a culpa não seja de Pessoa, mas da mediocridade que quer brilhar à sua custa.
EliminarSó Chuva Oblíqua ou Ode à Noite fariam a glória de qualquer poeta. E, concordo consigo, não é justo para Pessoa, como não o é para qualquer outro artista, escarafuncharem na famosa arca e publicarem tudo.
Excelente sugestão. Muito obrigada. :-)
ResponderEliminarRelativamente a Pessoa percebo a afirmação da Ana, mas tenho Pessoa como o nosso poeta maior. E sendo pouco de encómios com rabo escondido, dizer desde já que há muitos e bons poetas, valorizados merecidamente (aos meus olhos contemporâneos, que são só meus), como é exemplo a nossa anfitriã.
ResponderEliminarComo também há outros menos conhecidos. Desde já estou a lembrar-me de uma senhora cuja poesia desconhecia totalmente, a Amélia Vieira. Uma outra extraordinária poeta, que "merecia" mais divulgação. Mas nesta coisa dos merecimentos, sub e sobrevalorizações, já sabemos que o mundo não é perfeito e que a melhor valorização que um autor pode ter é escrever verdadeiramente por amor à escrita e não por assomos de vaidade.
«assomo»
EliminarÉ uma boa dica, obrigado.
ResponderEliminarSó um reparo: 20,00€ está longe de ser uma "bagatela" para uma percentagem muito elevada da nossa população. Para muitos, representa sensivelmente 10% do seu rendimento (ou mais). Parece-me importante não nos alhearmos desta realidade... mesmo que a realidade financeira de alguns possa estar muito longe.
Parece-me interessante. Muito obrigada. Tenho de ir fazer umas contas.
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