O que ando a ler

Um autor russo é um autor russo é um autor russo. Abri o mais recente romance de Vassili Grossman publicado em Portugal – Tudo Passa – e, de repente, estava lá Tólstoi, Dostoiévski, Turgueniev e muitos outros, porque os russos têm uma espécie de denominador comum que os irmana literariamente, não importa quantos anos separem efectivamente as suas obras. Tudo Passa é um livro absolutamente terrível sobre um homem – Ivan Grigórievitch, muito provavelmente um alter-ego do autor – que passa trinta anos num Gulag da Sibéria, donde sai após a morte de Estaline para descobrir que, afinal, nada se alterou. Vemo-lo chegar de comboio do campo de trabalhos forçados, onde acreditou que a noiva teria morrido por ter subitamente deixado de lhe escrever, e apreender junto de um primo que, afinal, ela se casou com outro homem. Mas a esta revelação dura e inesperada vão somar-se dúzias de outras não menos chocantes, que se prendem sobretudo com a facilidade com que todos se tornaram informadores, denunciantes, egoístas, medrosos e escravos no período mais negro da história da União Soviética, prejudicando pais, filhos e cônjuges para salvarem a pele, numa cegueira absolutamente cruel. Afastando-se dos que pensava seus amigos, Ivan instalar-se-á na casa de uma mulher – Anna Sergueévna – e apaixonar-se-á estranhamente por essa ex-activista do terror durante a Grande Fome da Ucrânia, cujas memórias – a parte deste livro que mais me impressionou – são a confissão de um extermínio planeado pelo Estado Soviético que ceifou a vida a milhões de camponeses. Com muitos pontos de contacto com a obra de Herta Müller que referi ontem no meu post, este romance estava ainda a ser trabalhado por Grossman quando este morreu, em 1964, num hospital de Moscovo, convencido de que, pela crueza do que contava, nunca viria a ser publicado. Um grande livro para se valorizar a liberdade.


 


 


Comentários

  1. Claudia da Silva Tomazi1 de novembro de 2013 às 03:27

    Por gentileza a quantas línguas fora traduzido o livro que and a ler?!

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    1. Não sei, Cláudia. Mas creio que existirá em português, francês e inglês, pelo menos.

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  2. Luiz Alfredo Garcia-Roza, Uma janela em Copacabana (Companhia das Letras)

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  3. estou a começar a ler, "Onde Andará Dulce Veiga?", de Caio Fernando Abreu.

    e ainda não comento.

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    1. Claudia da Silva Tomazi1 de novembro de 2013 às 04:20

      Maitê Proença fez uma belíssima interpretação de Dulce Veiga.

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    2. Quem é a Dulce Veiga ? Apenas personagem de ficção ?

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    3. Claudia da Silva Tomazi1 de novembro de 2013 às 08:35

      O senhor Artur Águas gostaria de saber de Dulce Veiga ou quem seria Dulce Veiga... Interessante que o livro de Caio Fernando Abreu têm este título: Onde Andará Dulce Veiga?

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    4. Cara Cláudia, de facto o título quer levar-nos para dentro do livro para irmos em busca da Dulce Veiga. A minha pergunta foi uma mistura de curiosidade e preguiça. Curiosidade porque pensei que Dulce Veiga pudesse ser alguém muito conhecido no Brasil, mas não em Portugal. Preguiça porque poderia ter ido ver a sinopse do romance, o que já fiz agora, que me revelaria que se trata de uma personagem de ficção que, tendo desaparecido, é procurada pelo narrador da história.

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    5. Claudia da Silva Tomazi1 de novembro de 2013 às 09:11

      Caro Artur Águas já que estamos conversados bom fim de semana a si.

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    6. olá, Cláudia.

      só soube da existência do filme, ao ler a contracapa do livro.

      esta escolha aconteceu por ter lido algo positivo sobre o livro (se calhar até foi aqui, onde há sempre boas pistas de leitura).

      e lá irei em busca do paradeiro da Dulce Veiga. :)

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  4. A reler "Se Isto é um homem" de Primo Levi...

    Este livro não me choca, mas é um aviso enorme ao mundo.

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  5. Ando a ler "Para onde vão os guarda chuvas" de Afonso Cruz e a saboreá-lo devagarinho. Vou na página 120 e já me arrisco a considerá-lo um grande livro.

    Afonso Cruz é dos meus escritores portugueses favoritos.

    Bom fim-de-semana a todos,

    Rui Miguel Almeida

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    1. Li a primeira metade do "Jesus Cristo Bebia Cerveja" do Afonso Cruz e achei o enredo tão desproporcionadamente irreal que me deixou um cheiro a mofo de estar a ler uma variação serôdia de realismo mágico, made in Alentejo. Agora, depois da entusiástica recomendação do Rui Miguel Almeida, terei que dar outra oportunidade ao Afonso Cruz, ou seja, no mínimo ler a página 99 do "Para onde vão os guarda chuvas" e depois ver se algo mudou na minha fruição da escrita do autor.

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    2. Ando a ler o mesmo e, apesar de muito esforço para me conter, já ultrapassei as 400 páginas. O livro é tão bom que apetece adiar o fim.
      Gosto muito de uma certa inocência que parece habitar os livros do Afonso Cruz.

      Boas leituras!

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    3. Olá Artur,

      Normalmente às 6ªs feiras estou a trabalhar no Porto, pertinho da Avenida da Boavista. Se der para si, um dia tinha muito gosto em o convidar para almoçar. Ainda acabamos a trocar uns livros.

      Um forte abraço,

      Rui Miguel Almeida

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    4. Caro Rui Miguel, Eu à sexta tenho uma hora de almoço apertada que não me deixa mais do que meia hora. De qualquer modo, terei todo o gosto eu conhece-lo pessoalmente e para isso poderíamos combinar um encontro rápido num café na área da Boavista próxima sexta-feira. Deixo-lhe aqui o meu email (arturaguas@gmail.com) para mais específicamente podermos combinar café e hora. Abraço

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  6. Estou a ler "A Lã e a Neve" de Ferreira de Castro. No âmbito do contexto português, esta história do pastor Horácio, que queria ascender a operário na fábrica de tecelagem da Covilhã, também apresenta uma visão da dura realidade social do Estado Novo.

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    1. Bela decisão ! Há anos que eu ando com vontade de ler esse livro do Ferreira de Castro e estranhamente tenho deixado outros livros passar-lhe à frente.

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    2. "A LÃ E A NEVE" grande livro! não me lembro se o BIGORNA é uma figura da "Lã e a Neve" se dos "ESTEIROS"?

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    3. Que grande livro, bem como A selva. É uma pena este escritor andar tão esquecido. Um homem de grande sensibilidade e humanismo.

      Boas leituras

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    4. É o primeiro livro que estou a ler do autor e estou a cheia de vontade de continuar a ler as suas obras. Ainda não pesquisei sobre o assunto, mas é curioso o facto do livro ter sido escrito em pleno Estado Novo e, mesmo assim, não ter sido rejeitado pela censura.

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    5. Muito obrigada pela sugestão. "A Selva" será o meu próximo.

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  7. (...) para o caso de uma seca lá na sala de espera, ao acaso peguei no “Auto dos Danados”. Com a pressa nem o folheei a ver se o ia reler ou ler pela primeira vez, e abalei para o hospital.
    Fui de imediato encaminhado para a otorrino, ou lá como é que se chama aquela secção escondida nos confins dos labirínticos corredores.
    Era reduzido o movimento à hora do almoço.

    «Tem de esperar um bocadinho, o senhor doutor foi almoçar»
    Sentei-me a folhear o livro. Lembro-me agora que tinha começado a lê-lo, não sei quando, e que terei interrompido, não sei porquê, talvez por me terem irritado – ou terão seduzido?, ou apenas intrigado? – algumas imagens, aliás sublinhadas a lápis nas primeiras quinze ou vinte páginas. É Nuno que ali relata: “Abri a gaveta (…) e lá estavam as meias e meias com os meus mil artelhos de centopeia dentro”, e mais adiante “os automóveis pastavam as próprias sombras com os dentes das grelhas”. Depois Nuno tirou o carro “de uma extensa fila de focinhos sonâmbulos de capots” e dirigiu-se ao seu actual consultório de dentista.

    «O senhor doutor deve estar aí a chegar»
    Regressei ao livro, ansioso por mais sublinhados. A ver se relembrava a razão porque sublinhei que o antigo consultório de Nuno tinha “ovelhas a pastarem nos intervalos das gengivas dos doentes”, e na sala de espera do novo “os clientes desfolham malmequeres de revistas”, como eu agora com este livro, enquanto, lá dentro, Nuno “dança na alcatifa, pulando caixas de pensos, evitando as gargalhadas das próteses”.

    «Faz favor. O senhor doutor já chegou»
    Afinal não era nada de preocupante. (...) nem me deu tempo a apreciar se neste consultório também andam ovelhas a pastar nos intervalos, se andassem talvez o doberman pudesse aqui ficar a tomar conta delas, mas o doutor nem sequer quis ouvir até ao fim o relato em primeira mão do resgate do cão perdido na auto-estrada.
    Terminada a consulta, “tirei o carro de uma extensa fila de focinhos sonâmbulos de capots” e, com o Lobo Antunes no banco do passageiro, regressámos a casa.

    (...) Levei uma cadeira, um cinzeiro e o Lobo Antunes para o telheiro, onde o Mário, antes de se deitar, me puxou a mão a pedir carícias, me lambuzou, me olhou com gratidão.
    Avancei para as páginas que não têm sublinhados, naquela parte em que Nuno, armado em Edward G. Robinson, se mete num táxi e vai ter com Mafalda lá para os lados do Lumiar, e depois, nu, é surpreendido pela mulher a dias, arma-se outra vez em mau da fita e assalta um táxi que o leva ao Beato, a casa dos pais, a mãe a jogar ás cartas com um amante arranjado pelo pai, depois vai de jipe para o Alentejo…

    (...) tentava folhear o livro, à procura de umas frases que queria sublinhar. Mas o Mário não me deixava, punha as patas nos meus joelhos, insistia em agradecer, pedia mais festinhas para consolidar a nossa recente ligação.
    Consegui por instantes manter o livro aberto, e li-lhe em voz alta: “casas abandonadas à beira-rio, uma parede e um pedaço de tecto comido pelo vento das águas”. Ele sossegou, sentou-se sobre as patas traseiras, olhava-me nos olhos, e eu, olhando-o também nos olhos, insisti: “o vento das águas”.
    Durante uns momentos ficámos a olhar-nos, ele como que a meditar no que acabara de ouvir. Depois levantou-se, deu meia-volta e foi deitar-se no tapete, o queixo sobre as patas dianteiras, ficou ali a olhar para um ponto indeterminado.
    E eu, pousado o livro e acendido um cigarro, fumei vagarosamente a olhar para ele tentando calcular-lhe o efeito destas palavras: “o vento das águas”…

    (...)

    Estávamos muito cansados, foi um dia cheio de andanças e emoções.
    O Mário regressou ao tapete e adormeceu.
    Vamos mas é deitar.

    Já nem consigo pegar no livro.

    Adormeci, como o Mário, a pensar no vento das águas…

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    1. Excelente o seu conto ! Obrigado !
      A leitura dos excertos que transcreve do "Auto dos Danados", e o ter adormecido no final do seu conto, fez-me pensar que se o Lobo Antunes os ler agora, com a sua escrita seca e ultradepurada, deve ficar quase com vergonha de ter usado tantos adjetivos, advérbios, metáforas e imagens poetizantes nos seus primeiros dez livros.

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    2. Olá, amigo Artur.

      Antes de mais: não se chegue muito a mim, que estou com uma gripe daquelas à moda antiga, e não quero contaminá-lo.
      Ainda por cima, tive ontem uma recaída, e, vai daí, a minha mulher (para a saúde e para a doença) multiplicou-me a medicação.
      Consequência: fizeram sentir-se os efeitos secundários de um dos remédios – e agora, além da gripe, estou com outras complicações. A idade não perdoa.
      Mas não há-de ser nada. Vou recuperar.

      O que me vale é que (para o bem e para o mal) não me faltam os mimos.
      Dela, naturalmente, mas também da bicharada doméstica – na qual agora se conta também o Mário, de seu nome completo Mário Pavlov, o doberman que andava perdido e resgatámos na auto-estrada.

      Graças aos mimos, não há-de ser nada. Vou recuperar.

      Era aqui que eu queria chegar: o meu texto, que você classifica de “conto”, é de facto um relatório. Não é ficção. Tudo o que ali está relatado aconteceu de facto – e aconteceu mais, mas eu apenas coloquei aqui extractos, porque o texto é muito longo.

      Ora bem: ao mimar com um “excelente” uns meros parágrafos extraídos do meu simples relatório, você está a contribuir decisivamente para a minha recuperação.

      De modo que cumpre-me aqui, meu caro Artur, publicamente manifestar a minha gratidão pelos efeitos secundários da sua opinião – e, bem assim, naturalmente, pelos efeitos dos “adjetivos, advérbios, metáforas e imagens poetizantes” do António Lobo Antunes.

      Cumprimentos a ambos.

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    3. Ó Jordão falaste nesse fenomenal actor de cinema - EDWARD G. ROBINSON - vejam qualquer filme deste fabuloso actor que vale bem a pena! Não sei se é ele que contracena num filme absolutamente fantástico com a Marlene Dietrich em que ele se apaixona por ela e por isso mesmo mostra-nos a maior humilhação que homem pode sofrer por amor; não me lembro do nome do filme mas é simplesmente abismal.

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    4. Caro amigo Joaquim Jordão, em primeiro lugar apresento-lhe os meus votos para que a maleita já vá longe e a sua recuperação esteja em pleno. Em segundo lugar gostaria de lhe dizer que o seu "relatório" está tão bem escrito e tem um tão eficaz ritmo narrativo que o torna em literatura, mesmo que o seu autor não o tenha escrito com pretensões literárias. Já me habituei à qualidade dos seus textos neste blog. É que não leio todos os comentários que aqui aparecem, mas os seus não os perco.
      Abraço.

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  8. Não ando a ler nada, nadinha, raça de nada, como dizia a minha mãe, quando queria asseverar a negação. Tenho ali o último do Afonso Cruz para um dia destes... Bom, mas gostei foi da referência à literatura russa: caramba, para mim, não há como os mestres russos a criar enredos e a formar personagens: a sério, de carne e osso, quer seja da época soviética, quer da de Putin e, especialmente, do tempo Czar ...

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  9. Meti-me há semanas na seca do "2066" e imagino que Bolaño não tenha tido tempo para trabalhar o texto. Este, como muitos dos que se vão tirando da arca do Fernando Pessoa, vale o que vale: dinheiro. Percebi mais uma vez que a literatura actual tem com a política o denominador comum da economia e do logro.

    E decidi ancorar-me num porto seguro: "Lolita", do grande Nabokov, na excelente trad. de 1985 de Fernanda Pinto Rodrigues.

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    1. O "2066" é para quem gosta e muito de metaliteratura que, neste caso, é uma mistura quase aleatória de um enredo fragmentário com ensaio, meditação pessoal, citações indiretas, memórias recuperadas, notícias de jornal e tudo isso oferecido ao molho e sem aviso sobre onde acaba um e começa o outro. Quem gosta do "Homem sem Qualidades" ou do "Berlim, Alexanderplatz", gostará do "2066", todos adorados pelos professores de literatura e pelos críticos literários de alto coturno. E, no entanto, o Bolaño escreve excelentes contos, para mim o melhor da sua obra.
      Nabokov, e a vertigem pedófila, claro !

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    2. Ai, Ana Branco, que alívio esta sua reflexão! Odiei o livro desde o início e ja pensava que o problema fosse meu.

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  10. Como venho do princípio do mundo estou lendo muito devagarinho, quase a soletrar, o "Livro do Desassossego, "A Pedra ainda espera dar Flor" e "Os Poemas" de Gastão Cruz. Não estou a conseguir uma ponte para o Gastão. Raul Brandão é um esteta, que olha o esconso e vê beleza, gosto da sua prosa-poesia. De Fernando Pessoa não se fala que é pecado.

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    1. Claudia da Silva Tomazi1 de novembro de 2013 às 10:27

      Com este gosto refinado, seria a senhora lisboeta?!

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  11. Rosário, sobre a mesma temática um belíssimo livro do escritor polaco Gustaw Herling-Grudzinski «Un mundo aparte», com prólogo de Jorge Semprún, da editora espanhola Libros del Asteroide. Infelizmente sem tradução portuguesa. Um abraço

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    1. Anotado no caderninho que levarei comigo na quarta-feira de novembro em que irei e regressarei de Madrid. Obrigado !

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  12. A Novela de Xadrez, de Stefan Zweig, outro que valorizou a liberdade. Passa-se tudo em torno dumas partidas de xadrez entre passageiros do vapor que ligava Nova Iorque a Buenos Aires.

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    1. Conto absolutamente incrível esse do Zweig ! Escrito a poucas semanas de se suicidar no Brasil.
      Inesquecível ! Uma obra prima sobre os poderes da mente , a solidão, a loucura e como evitá-la, a prepotência, a arrogância e a matreirice. Com Freud a espreitar por cima do ombro do escritor.
      Ainda para mais com um inesperado final !

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    2. Claudia da Silva Tomazi1 de novembro de 2013 às 08:49

      Gostei de ler Zweig biografia romanceada e agradável, interessante inclusive vos citar Freud tenho o livro de análises clínicas, já o li.

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    3. Daqui a uns dias também falo desse. Ora que coincidência!

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  13. "LITERATURA E FANTASMA" do escritor espanhol Javier Marías que fala da timidez de Ishiguro, do insociável Ian McEwan, do fanatismo pela literatura de James Joyce, que chegou a pedir à sua mulher que saísse com outros homens porque andava a escrever um livro sobre a traição e precisava de sentir a situação....

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    1. Essa do Joyce pedir à Nora para sair com outros homens, custa-me a crer. O Marías talvez esteja aqui a fantasiar. O Joyce era um ciumento patológico e isso está bem documentado nas suas "Cartas a Nora" que estão editadas em português (e que ofenderão muitos pela linguagem despudorada e pelo desequilíbrio emocional que o escritor nelas manifesta).

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  14. "Índice Médio de Felicidade" do David Machado. Estou a meio do livro e a ser uma surpreendente e fascinante descoberta de um escritor de quem ainda não tinha lido nada. O título parece-me um pouco infeliz, embora a expressão apareça em "ritornello" ao longo do enredo, até porque a palavra felicidade parece ser o oposto do que se descreve no romance (pelo menos até à pg. 120). Pelo que li até agora, o título "Desgraça" do Cootzee podia também ser aplicado a este livro. Ou "Humilhados e Ofendidos" do Dostoyevsky, ou uma sua variante.
    É um impressionante retrato da queda livre em que cada um de nós pode caiar como resultado do desemprego de longa duração, sobretudo se se viver numa grande e impessoal cidade como Lisboa. Mas tem muito mais do que isso. Os meus agradecimentos aos companheiros Extraordinários, e à nossa anfitriã, pela recomendação que foram fazendo deste romance.

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    1. Lembro-me de lho ter recomendado, caro Artur. Ainda bem que está a gostar, pareceu-me que era a seu gosto.

      Um abraço,

      Rui Miguel Almeida

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    2. É verdade !E acertou ! Obrigado !

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  15. Acabei de ler há dias o «Amada Vida» da Alice Munro.
    Agora estou a ler o «El Amor de Mi Vida» da Rosa Montero, um livro que me foi recomendado pela Ana Vidal do Delito de Opinião.
    É um livro muitíssimo interessante que fala de livros e escritores.
    Também estou quase a acabar a Granta 2, que acho ainda melhor do que a primeira.
    Boas leituras e bom fds a todos!
    :-) Antonieta

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    1. Também trarei de Madrid esse da grande Montero !

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    2. E que tal a Alice Munro ?
      Só li um conto dela e gostei bastante (mas não me deslumbrou).

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    3. Eu gostei bastante da escrita dela. Como em todos os livros de contos, uns são melhores e outros são mais fracotes, mas o saldo é positivo.
      Os últimos quatro são autobiográficos, o que nos permite conhecer um pouco melhor a autora.
      O livro da Montero é fantástico, só o prólogo vale o preço.
      Boa viagem, Artur!
      :-) Antonieta

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    4. A Rosa Montero é uma grande escritora, ainda na semana passada comprei três livros dela (que ainda não li):-"PAIXÕES", "AMANTES E INIMIGOS" e "A FILHA DO CANIBAL".

      Aproveito para vos recomendar os dois livros que li anteriormente ao que ando a ler: "OURO"-Blaise Cendrars e "A FAMÍLIA DE PASCUAL DUARTE" do Camilo José Cela - excelentes!

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    5. Da Rosa Montero recomendo "INSTRUÇÕES PARA SALVAR O MUNDO"-excelente e também gostei imenso de "A HISTÓRIA DO REI TRANSPARENTE".

      Aproveito para vos recomendar os últimos dois livros que li relativamente ao que ando a ler, o excelente "A FAMÍLIA DE PASCUAL DUARTE" de Camilo José Cela e "OURO" de Blaise Cendrars.

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    6. Claudia da Silva Tomazi1 de novembro de 2013 às 17:18

      Boa leitura e boa noite !

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    7. Igualmente Cláudia e bom fim de semana.

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  16. Estou a acabar "Ele está de volta", de Timur Vermes, o tal livro sobre o regresso de Hitler, que acorda, de repente, na Berlim da era Merkel, no ano 2011. Nem sei o que pensar deste livro, mas não é seguramente dos meus favoritos, apesar de ter partes interessantes.

    Diz a editora Lua de Papel que está traduzido em 35 línguas. 35?! É mesmo para acreditar? Eu não acredito!

    As editoras podem escrever aquilo que lhes apetece, na capa de um livro?

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    1. Olá Cristina!

      Chegou a ler no DO os «livros de cabeceira» da HSC?
      Deixei lá um recado para si, é sobre um poema dedicado a um cão...
      Um beijo para si, outro para a Lucy.
      :-) Antonieta

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    2. Olá Antonieta, ainda não fui hoje ao DO, mas vou já lá. Estou a viver um momento complicado, pois o meu computador avariou, de repente, na segunda-feira, sem hipóteses de reparação :(
      Pelo menos, salva-se o disco duro, onde tenho muitos escritos novos. Podem não convencer as editoras, mas são preciosos para mim. Suei frio, estes dias... O pior é que será difícil, senão impossível, arranjar, por aqui, um computador com teclado português. Vejo-me aflita para escrever um texto em condições, mesmo tratando-se de um simples comentário de blogue.

      Obrigada pela atenção. Um beijinho também para si :)

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  17. Não resisto a deixar aqui uma sugestão de leitura ao Artur Águas para o tal caderninho de compras em Madrid: «Medusa», de Ricardo Menéndez Salmón, colecção Biblioteca Breve da editora Seix Barral. E, se tiver tempo, dê um pulo à Librería Central de Callao que vale bem a pena.

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  18. Tudo passa, mas o que fica pode marcar tanto!
    Não tenho tido muito tempo para aqui vir, e quando venho tenho sempre vontade de comentar. No dia a seguir ao seu texto sobre as asneiras (era assim que eu lhe chamava, aos palavrões), apanhei o meu filho mais novo, de apenas 5 anos, a cantarolar repetidamente enquanto se vestia pela manhã «filho da p...», com um bom ritmo e afinado. Não sei de onde lhe veio aquilo mas fiquei estarrecida! Lá o convenci de que aquilo não se devia dizer, quanto mais cantar (ou pelo menos fiquei eu convencida de que consegui - vamos ver o que se segue).
    Sobre o texto acima, ocorreu-me logo o Ensaio sobre a cegueira, do Saramago. Penso que nenhum de nós sabe como reagiria face a uma situação em que está em causa a sobrevivência.

    Ando a ler a Granta e acho que nunca esquecerei o texto do Agualusa - quanta coragem!

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  19. A ler " O que importa a fúria do mar" da Ana Margarida de Carvalho. Estou mesmo na recta final para depois me lançar a sério nas "punhetas" de Roth. Dos três livros dele que tenho à espera não sei bem por onde vou começar, mas talvez pela " A mancha humana".
    Confesso que estou um bocadinho cansada dos romances portugueses, a certa altura perecem-me todos: o mesmo do mesmo. Todos muito bem escritos, palavras lindas e pouco feias, mas depois falta-me aquele impacto, aquele sufoco que muitos escritores estrangeiros nos oferecem... Também tenho ali o de Afonso Cruz "Jesus Cristo bebia cerveja", mas para que depois não o julgue indevidamente, vou-lhe dar tempo, ou melhor vou dar-me tempo a mim própria no que toca a escritores portugueses... Por vezes precisamos de respirar outras coisas, outros ares para que depois o repasto nos caia bem...

    Abraço,

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  20. Tem graça que ainda um destes dias dizia para alguém "tudo passa" e a pessoa ficou super ofendida comigo. mas até os livros "pensam" a mesma coisa! é porque é verdade.

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