O escritor dormiu aqui
Parece que, apesar da crise, os hotéis de Paris não se queixam muito. Mas, como 2013 está a ser um ano não tão bom como os anteriores, houve quem se lembrasse de explorar a ideia dos hotéis literários para atrair novos hóspedes. Assim, o hotel Le Marcel (assim chamado por causa de Proust) anuncia que o espírito do escritor está por todo o lado nas cores e no mobiliário e tem quartos com nomes de algumas personagens da Recherche, entre as quais Swann, Guermantes, Saint-Loup (e, claro, a Madeleine que, molhada no chá, desencadeia as recordações). Nas redondezas, também o hotel Les Plumes presta tributo à literatura com citações de vários autores gravadas no vidro das cabinas do duche; e, no mesmo bairro, outro hotel convida hóspedes para um determinado quarto, afirmando que foi nele que Oscar Wilde passou a última noite. O conceito parece resultar, porque a procura aumentou e já há quem queira dormir especificamente no quarto Kafka ou Shakespeare do Pavillon des Lettres, o primeiro dos estabelecimentos hoteleiros parisienses a apresentar-se como literário. Mesmo assim, a maior parte dos turistas está mais interessada numa boa relação qualidade-preço e muitos dos mais jovens nem sequer ouviram falar de Proust quando escolhem o Le Marcel. De qualquer maneira, ficam a saber.
é uma boa aposta, embora Paris possa ser explorada no campo das artes e letras em praticamente todos os lugares.
ResponderEliminarentão em Montmartre e Montparnasse, devem ter morado pintores e escritores, ser quase porta sim porta sim.
Cara Maria do Rosário
ResponderEliminarAdmiro a constância, a tenacidade e a forma como, ao longo de cada ano, vem colocando diariamente, nos dias úteis de cada semana (salvo o período legítimo e justo de férias), estas peças literárias, algumas curiosas, outras interessantes, a maioria sobre a cultura dos e para os livros, todas elas dignas de registo perpétuo.
Nem pergunto se me é permitido sugerir, porque vou fazê-lo, já:
Está a chegar ao fim 2013. Por que não publicar as quase duas centenas e meia de posts num livro, necessária e quase obrigatoriamente a adquirir pelos comentadores deste blog, mediante inscrição? Um livro por ano, uma fidelização de leitores cibernautas, comentadores e afins.
Se isto é maluquice minha, por ter acordado com os pés de fora, chamem-me nomes, sendo criativos nisso. Se a ideia é exequível e a Rosário assim o entender, está aqui um leitor, desde já registado, para a compra, à partida, de dois exemplares.
Se este desafio colide com a reserva da Maria do Rosário ou se for mal interpretado na sua boa intenção, peço desculpa. No entanto, reafirmo o desejo exposto.
Fernando, agradeço muito a sua ideia, mas não prevejo para já publicar estes textos. Daqui por uns anos, se continuar com o blogue, talvez escolha os melhores e menos datados e então pense nisso. Logo se vê.
EliminarGrande abraço para si.
Olha que excelente ideia. O Hotel Eça com o quarto Padre Amaro, a suite dos Maias, a Spa O Mandarim e a sala de restaurante à la carte A Relíquia.
ResponderEliminarA propósito de Proust:será que "Em busca do tempo perdido" (tenho-o em 7 volumes da Colecção Dois Mundos, da Europa América) é um livro assim tão difícil? é que noto que também há pessoas que fazem gala em dizer que é uma grande seca, mas que não se atrevem a tal sobre alguns escritores (menores) tão ou mais chatos do que Proust...é algo que me faz confusão.
ResponderEliminarEstou tentado a pegar-lhes...
Não li "Em busca do tempo perdido":) mas gosto de livros em vários volumes. E tem um título que faz correr muita gente. Terei de saber por mim se é ou não aborrecido. Já me apresentei a vários volumes em algumas Feiras do Livro, nos livros de segunda mão. Mas ou porque a série estava incompleta, ou porque estavam todos mas não havia modo de satisfazer o cachet, fica para a próxima. E se não fique continuo viva na mesma. Mas sem saber o que se diz em tamanha narrativa.
EliminarÉ habitual fazer umas passeadas por blogs que acho interessantes e que têm sempre umas coisas diferentes do universo da literatura. Como o seu, que admiro. Neste momento, gostaria de interceder junto de si a possibilidade de conseguir um convite de acesso à Ana de Amsterdam, um dos tais blogs em que passava já há bastantes anos e que, agora, como não conheço a senhora de lado nenhum, vejo-me impedido de usufruir de alguns momentos de leitura serena. AJUDE-ME, se puder. Obrigado.
ResponderEliminarHum...
ResponderEliminarE não anda tudo à procura do tempo perdido?
Bottox, plásticas, ginásios, hormonas...
Acho que nem o Proust sabia quanto...
Tempo perdido para mim, é o dos livros que não vou conseguir ler, nem que as editoras se pintem de amarelo!
E claro, daquilo que não vou conseguir fazer das coisas que gostaria... mas isso tudo bem, pois como dizia o outro em "Hell of a raid":
"Tenho coisas onde ir e sítios para fazer!".
Nada mais bem-dito!
Saudações de Benguela!