Dia do livreiro
Importando a ideia do país vizinho, alguns livreiros independentes juntaram-se e decidiram ter, a partir do ano passado, um dia para festejar a sua profissão e o papel fundamental que desempenham na cadeia que liga um autor a um leitor. Tomando a data do aniversário da morte de José Saramago (que é também a da morte de Fernando Assis Pacheco), escolheram então o 30 de Novembro para Dia da Livraria e do Livreiro e amanhã preparam em todo o País um sem-número de actividades que partem de uma parceria entre o Encontro-Livreiro e a Fundação José Saramago. O cliente será o convidado de honra (mais ainda do que nos restantes dias do ano) – e é de esperar que, em algumas livrarias portuguesas, seja recebido de forma especial e brindado com tertúlias, mesas-redondas e conversas em torno do livro e da leitura. Na Livraria Culsete, em Setúbal – que perdeu recentemente um dos seus fundadores, Manuel Medeiros – a festa celebra-se a partir das quatro da tarde e ali será entregue um diploma a um livreiro de excepção escolhido por subscrição pública. Mas as celebrações ocorrerão um pouco por todo o lado e, portanto, para quem gosta de livros como os leitores deste blogue, o melhor é aproveitar a efeméride e o dia de amanhã, até porque é preciso homenagear aqueles que não se limitam a vender livros e os amam acima de tudo. Mais informações aqui:
Cara Maria do Rosário,
ResponderEliminarObrigado pela divulgação desta iniciativa.
Se percebi bem o que escreveu, tenho de fazer uma chamada de atenção: Saramago faleceu a 18 de Junho e não em Novembro.
Cumprimentos,
Rui Miguel Almeida
Ok, li o texto no link que remeteu e já percebi: trocou o José pelo Fernando... está esclarecido!
EliminarBom fim-de-semana,
Rui Miguel Almeida
Curiosa a escolha da data ! O número 30 é daquelesw números "cabalísticos" para os livreiros. Não é equivalente à sua percentagem na venda dos livros?
ResponderEliminarO facto de cair num sábado não coarcta parcialmente, em metade, a parte do dia, no que respeita à "porta aberta"?
Acho bem a iniciativa, embora tardia. O livreiro independente está em vias de extinção, por infelicidade nossa e da cultura. O "polvo" exerceu a sua influência tentacular, centralista e despersonalizada, para expor e vender o trabalho de muitos: autores, tradutores, editores, impressores e distribuidores.
Esta é a minha perspectiva, triste, infelizmente comum a todos aqueles que, como eu, gostam de trocar impressões com quem "sabe" vender livros.
Tal como Pessoa, no seu "livro do desassossego", "em tudo sou um dilletante intenso e fruste".
Ainda bem que gosta de ambos géneros literários.
EliminarFernando Pessoa – «Sou o Espírito da treva / A Noite me traz e leva» – deixou-nos a 30 Novembro 1935.
ResponderEliminarMorava «à beira irreal da Vida».
Sessenta exactos anos depois – «agora que vai descer a noite na minha vida» – numa livraria, foi-se o Fernando Assis Pacheco.
Cá para mim, ele – «triste e já sem nenhum reparo / a fazer à metafísica / senão que é um défice / porventura do córtex cerebral» – escolheu bem a data e o local.
Hoje e amanhã juntar-me-ei a esses livreiros e de "Obsessão" debaixo do braço lá irei apregoar, calcorreando a cidade a pé como os antigos folhetinistas, o produto da minha ilusão. Sublime podermos recuar à beleza das coisas simples.
ResponderEliminarA simplicidade realidade.
EliminarHaveria dezerdis "oh falta-lhe educação" e vos digo - na semana anterior em uma feira literária em minha cidade (pequenina feira) ao pedir um livro de José Saramago o livreiro fora agradável em dizer que traria no seguinte dia e teria sido agradável em ter cumprido a palavra.
ResponderEliminarPermita-me a Rosário ressalvar: "que os amam acima de tudo". Mesmo que não seja verdade, pensá-lo já é tão bonito!
ResponderEliminarUm Dia Bom aos Livreiros e a todos os amantes dos livros. Mesmo aos que não "acima de tudo". Aos que lhes - aos livros - dedicam um amor entranhado que se não estranha. Porque é próprio. Pertence.
BFS
O Manuel Medeiros ou a Fátima ligavam, precisavam que lesse uns poemas no lançamento de um livro e eu ia.
ResponderEliminarAssim, ao sábado à tarde.
E aconchegada entre estantes coloridas, deixava-me encantar nos sons da guitarra portuguesa do Albano( quase em surdina) e depois ali estava eu, como se fosse um outro eu, embalada nos poemas que eles( ou eu) tínhamos escolhido para o momento.
Correu sempre bem mas algumas vezes roçou o momento mágico.
Aconteceu com Matilde Rosa Araújo, com Manuel Alegre, com Soromenho Marques, com João de Melo em Gente Feliz com Lágrimas( quase poema)
E ao fim da tarde sabia-me a mel o abraço dos presentes, o sorriso grato dos Medeiros e o carinho dos autores.
A Livraria acompanhou parte da minha vida.
Os primeiros livros dos filhos, ainda plastificados para ler na banheira, depois os manuais escolares, as coisas da política, as alegrias e os desencantos, os poetas, os romances, o espreitar de capas e títulos que não cheguei a comprar.
Em dia de nostalgia pós operatória(deu-me jeito inventar este nome) apeteceu-me ler alguns poemas seus, companheiros compreensivos de uma tristeza que me atingiu e que costuma anteceder dias de grande "produtividade"Espero eu.
Descobri que tem um blogue.
Acabadinha de chegar. limpei os pés à entrada, pedi licença baixinho. Encontrei o pretexto para o primeiro comentário: O livreiro da cidade.
A filha, duma beleza e simpatia únicas, eleva a sua voz de anjo na missa de Domingo e sorri, sorri sempre.
Pudera, foi criada entre paredes pintadas de música e palavras
Cumprimentos