Apanhados

Uma das coisas que aprendi pouco depois de ter chegado ao mundo da edição é que muita gente ligada aos livros tem vergonha de dizer que não leu determinadas obras, como se fosse um crime indesculpável, preferindo mentir a assumir a «ignorância». Contaram-me um dia destes uma história deliciosa a respeito destes bluffs, que é mesmo digna de um programa de «Apanhados». Augusto Monterroso, o renomado escritor guatemalteco que ganhou, entre outros, o Prémio Príncipe das Astúrias e o Prémio Juan Rulfo, escreveu aquele que se diz ser o mais curto conto da história da literatura, «El dinosaurio», composto apenas de uma frase: «Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba allí.» O conto foi muito falado e estudado em universidades por todo o mundo, e importa dizê-lo para explicar que Monterroso ficou também conhecido em certos círculos como o autor daquele conto mínimo. Ora, uma vez, tendo o escritor participado de um encontro literário, aproximou-se dele uma senhora dizendo que gostava muito do que ele escrevia. Ao perguntar-lhe o que lera ela da sua obra, estranhou Monterroso que a senhora lhe respondesse imediatamente, e sem hesitações, «El dinosaurio». O guatemalteco não se deixou, porém, abalar e resolveu insistir: «E o que achou?» Aí, ao que parece, a senhora terá respondido: «Sabe? Ainda vou a meio.» Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo…

Comentários

  1. podiam ter dito à senhora que Monterroso era um minimalista. :)

    a culpa é da "fotografia", da "pose" social.

    e é verdade, a mentira tem a perna curta, embora algumas mais bem contadas nos deixem na dúvida ou façam que queiramos acreditar.

    a mentira também tem a sua "arte" :)

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    1. E há quem saiba praticar essa "arte" (quase) na perfeição. São aqueles que não se importam nada de serem apanhados. Olham-nos com desdém e partem para a próxima mentira. Como dizem os brasileiros: verdadeiros "caras de pau".

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    2. não estava a pensar nesses, Cristina.

      pensava mais nos fabuladores de salão, que tão bem "escrevem" oralmente. :)

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    3. Claudia da Silva Tomazi11 de novembro de 2013 às 04:26

      Bem nota-se os brasileiros (pluralidade ou pluralizado) estão nessa rota assimilado o contemporâneo e neo clássico. Assim diria voto ! Meu voto a paciência.

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  2. Só um reparo: aquele q se diz ser o mais curto conto da história da literatura é de Hemingway: «For sale: baby shoes, never worn.» (seis palavras, 25 letras - contra sete palavras, 43 letras de Monterroso)

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    1. Obrigada, Rui. Por acaso, fiquei a pensar que li sobre um ainda mais pequeno, mas de autor desconhecido: «Nasceu morto.»

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  3. Claudia da Silva Tomazi11 de novembro de 2013 às 02:34

    Tem mais de dois (pares de meses) recebi de Alicante uma correspondência e digo vós - lugar encantador.

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  4. Engraçado, com tanta história que a minha vida já tem, participadas ou de mera presença, não tenho nenhuma sobre pseudo-conhecimento de livros.

    A vida da mentira pode ter perna curta. Ou não. Depende das mentiras, do momento, da situação, do mentidor e do seu(s) interlocutor(es).

    Há mentiras necessárias. Imprescindíveis. E verdades que devem calar-se. Há meias verdades que asfixiam e meias mentiras que distendem. E há também todo o inverso. E o mais. Quase nada é bom ou mau em si mesmo.

    A mentira tem um historial complexo

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    1. Bem, é certo que há mentiras necessárias. E mentiras inofensivas. A da "leitora" de Monterroso parece-me inofensiva. No meu comentário acima referia-me mais a mentiras graves, cínicas, das que causam danos, que prejudicam terceiros.

      E não será o escritor um mentiroso? Lembrei-me agora de Manuel Jorge Marmelo, com a sua Mentira Mil Vezes Repetida.

      Já dizia Camões que o poeta é um fingidor...

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    2. Cristina, então não era o Pessoa?
      ;-)
      Antonieta

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    3. O que Cristina queria dizer era que o Pessoa estava a referir-se a Camões.
      A esta dor que Camões deveras sente:


      Tanto de meu estado me acho incerto

      Tanto de meu estado me acho incerto,
      Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
      Sem causa, juntamente choro e rio;
      O mundo todo abarco e nada aperto.

      É tudo quanto sinto um desconcerto;
      Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
      Agora espero, agora desconfio,
      Agora desvario, agora acerto.

      Estando em terra, chego ao Céu voando;
      Nu~a hora acho mil anos, e é de jeito
      Que em mil anos não posso achar u~a hora.

      Se me pergunta alguém porque assim ando,
      Respondo que não sei; porém suspeito
      Que só porque vos vi, minha Senhora.

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    4. Cristina

      Julgo que um escritor não mente ao livro. Quer dizer, há uma verdade do livro/obra que ele respeita. Tem que a respeitar. Ou destrói o livro e as pessoas como a Rosário não o reconhecem como escritor. O que é dizer, auto-destrói-se.
      O seu maior desvelo julgo que seja preservar e mostrar esse cerne, uma espécie de mistério que não sei se constrói se desvenda, se os dois. De certa forma, todos os livros são a honestidade de contas sobre a mesa. Para consulta e avaliação livres. Aquilo que o Estado Português não faz. Por exemplo.

      A mentira cínica, que pretende deliberadamente causar mal, ferir, é execrável. Até as verdades com a mesma pretensão o são também. Por vezes, é compaixão não as mostrar.

      Fernando Pessoa teve esse verso feliz que nos descreve a todos em alguns momentos. Não só aos poetas:). Somos mestres na arte do disfarce.

      Mas se ler as interpretações da disciplina de português sobre o poema são tão complexas acerca do sujeito poético, dos sentidos que o envolvem e da racionalização subjacente à escrita do mesmo, que é milagre os estudantes gostarem de Pessoa. Será o milagre Pessoano :)

      Bom Dia

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    5. Oh! não vejo assim uma relação tão chegada entre os dois poetas, mas os versos que aqui colocou de Camões são bem bonitos. Dados os sintomas, há-de ser amor ou qualquer coisa que se lhe pareça. Semelhante, quero dizer. Que ele outra loucura de mente não consta que tivesse:))

      Obrigada pelo poema

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    6. Pois...
      Confundi com o "fogo que arde sem se ver" e a "ferida que dói e não se sente" (também uma maneira de fingir).

      Apanhada!

      Mas não menti de propósito...

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    7. Claro que o escritor respeita o livro, não lhe mente. Mas cria um fingimento. Mesmo uma biografia, mesmo uma auto-biografia, é um fingimento.

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    8. a escrita é simbólica:) logo aí o primeiro fingimento.

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    9. E tudo o que escrevemos é filtrado, completado e interpretado pelo nosso cérebro.

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    10. Como diria Kant, sendo o filtro igual em todos é uma subjetividade racional que nos aproxima uns dos outros e torna possível a compreensão. Ele concordaria consigo: não vemos as coisas mas impressões que temos delas com o equipamento que possuímos para sabê-las e assim as modificamos.

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  5. A Cláudia é sempre uma inspiração!
    Inspirei-me e escrevi o conto (nem vos conto!) mais pequeno até hoje publicado:

    NADEI!

    (1 palavra - 5 letras e muita água)

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    1. este é que é o conto mais curto de sempre:

      Li. (uma palavra, duas letras, um ponto final)

      "Li", é a história de um homem, contada na primeira pessoa, que acabou de ler. mas o que leu ele? e será realmente um homem? pode muito bem ser uma mulher. não se sabe. pode ter lido de tudo um pouco. um clássico? a revista caras? nunca se saberá. ou então pode não ter lido nada. pode ser um grande mentiroso. "Li", que é também o título da obra, é uma história seca e realista, sem emoções superficiais, sem plot twists", mas ao mesmo tempo pungente e reveladora de uma época em que a verdade e a mentira são indistinguíveis. terá ele(ela?) lido tudo? ou estará ainda a meio? "Li" é acima de tudo uma obra afirmativa que levanta muitas interrogações sobre a sociedade actual.

      ela(ele?) Leu. e você, está à espera de quê?

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    2. Batota. Então e o ponto de exclamação? Não conta para o tamanho do conto?
      (Curioso: “ponto de exclamação?”...)
      (... aliás, agora é que estou a reparar: se me desculpam a imodéstia, “Ponto de exclamação?” é um belo mini-conto, promissor, carregado de potencialidades.)

      Mas por falar em tamanho: e não seria de procurar também o maior conto da história da literatura?

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    3. .
      (Traduzo: Ponto Final).

      Última viagem do dia. Sai o último passageiro que se despede do motorista do autocarro com um sorriso cansado e com um "témanhã", que amanhã recomeçaremos. Só espero não venha "el dinosaurio" para nos estragar a viagem ...

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    4. Cláudia? mas é inspiração para alguém? ou é analfabeta ou pensa que os portugueses ainda vivem no séc. IXX e deixa lá gozar com eles...

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    5. Ó Severino!!
      Ó Severino!... Tenha lá paciência, homem!
      Então você não reparou que, ainda esta manhã (12:26) Cláudia fez a sua campanha eleitoral declarando que ”Meu voto (é) a paciência”?!
      Isso não o inspira?
      Pois eu voto com ela! E sei que há aqui mais eleitores extraordinários que votam na paciência.
      E, meu caro Severino, usando da autoridade que me confere o facto de ser português, permita-me que lhe recorde: de um alentejano que se preze, como você, espera-se que seja – como o Alentejo sempre foi e é com tudo o mais – paciente com a “extra-ordem”…
      Até porque todos nós, aqui, somos – como a Cláudia tão bem exemplifica – diferentes uns dos outros, extraordinários.
      E pacientes…

      Mas se o seu voto não é, definitivamente, a paciência, ao menos tenha calma, pá!

      E, já agora, que século é esse seu IXX? Essa trapalhada histórica é mero fruto da sua impaciência? Ou será que é para (usando palavra sua) gozar com os brasileiros do séc. XIX – época em que a maioria deles (tal como os portugueses) faziam (como ambos, ainda agora…) muitas horas extraordinárias mas não tínhamos, como temos agora no séc. XXI, livre acesso às extraordinárias horas da net?

      Acalme-se, pá! Não arranje problemas. Caso contrário, por este andar você ainda arranja que o Ministro Machete tenha de ir ao Brasil pedir desculpa à Presidente Dilma.
      Deixe o Machete e a Dilma em paz – e deixe a Cláudia por nossa conta, ok?

      Não leve a mal. Seja extraordinário.
      Um abraço!

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  6. Fazemos parte de uma sociedade na qual assumir a ignorância em determinado assunto é quase condenar-se, sozinho, à forca em praça publica. Ninguém desculpa ou entende ou aceita o facto de não termos lido um clássico, conhecer determinado escritor, determinado politico, etc... E ser leigo em determinado assunto, hoje, é aos olhos da sociedade ser leigo em tudo, por isso talvez a opção encontrada para alguns seja a mentira. No outro dia o Severino referia isso aqui num comentário ao dizer que ninguém tinha duvidas em relação a este ou aquele assunto e eu percebi-o logo, pois eu assumo-me como a mais ignorante, a mais leiga no que toca e um infinito leque de assuntos que não domino (perfeitamente normal a meu ver) e por isso já tantas vezes fui à forca que hoje a corda já não me asfixia, faz-me rir desses juízes de meio tigela que se acham os supra sumos dos assuntos, sendo alguns tão ou mais leigos do que eu... É a sociedade que temos.
    O problema não é sermos "ignorantes" em certas áreas, o problema é assumi-lo a quem condena sem misericórdia e faz disso uma vergonha nacional.

    Abraço desta vossa ignorante que se recusa a mentir só porque ficaria bonito para a fotografia.

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    1. Concordo. Diz o ditado que "o saber não ocupa lugar". Digo eu que às vezes falta o lugar, o espaço, para guardá-lo, quando a cachimónia é pequena. Eu aprendo devagarinho, vou armazenando aquilo que os meus parcos neurónios permitem. Neste blogue tenho aprendido muitas coisas, com a Senhora Rosário e seus comentadores. Porém, muitas vezes, como ali acima disseram, nado ...
      Melhor nadar do que afogar ...

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    2. Caros Anónimos, a minha cachimónia é que já está a entrar em parafuso com tanto anonimato...
      Será que não podiam arranjar um nick para os distinguir?
      Ou é sempre o mesmo?
      Talvez um «contista» e seus heterónimos?

      Ana Santos

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  7. E ninguém perguntou à senhora onde ficara? Possivelmente responderia: el dinosaurio ».

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  8. Maria Antónia Vasconcelos11 de novembro de 2013 às 05:41

    Olá, Rosário. É verdade, sim, já assisti a isso muitas vezes. Mas também, a tentação de mentir é muita, perante o ar incrédulo e arrogante de quem pergunta "Não leste tal e tal autor?!" ou "tal e tal romance". Mete medo, às vezes, como se fosse pecado, imperdoável e fossemos parar ao inferno por isso...

    beijinhos

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  9. Brutal verdade ... e neste aspecto sinto-me à vontade para falar, pois ainda que adore ler, ainda que leia em muitos momentos que tenho disponíveis, considero sinceramente que há centenas de obras e autores extraordinários que, por uma razão ou outra, nunca abordei. Um bom amigo perguntou-me há tempos se nunca tinha lido certo autor que, no caso dele, é um dos imprescindíveis. Disse-lhe que não e logo ele tratou de me oferecer duas obras desse autor ... Está, obviamente, na calha e em posição de ser chamado à liça, neste caso à leitura. Mas, cruze-me eu com esse amigo e me pergunte ele de novo ... terei de dizer-lhe ... está quase!

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    1. Caro João Rebocho Pais (com letra grande, porque até já o Valter Hugo Mãe, não escreve apenas em minúsculas), li aqui há tempos, creio que na LER, o seguinte:
      -Uma pessoa na vida inteira não consegue ler mais do que quatro ou cinco mil livros. Uma pessoa que leia muito.
      Os que não leem muito chegam a quatrocentos livros-.

      Quem o disse foi alguém com "voto na matéria" - Pacheco Pereira.

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    2. Caro ASeverino ( e desta já submeti o comentário com maiúsculas, obrigado pelo reparo ), eu diria que talvez me situe por entre os 400 e os 4000. Isto, admitindo que terei ainda alguns anos pela frente, e que neles não perca esta paixão por abrir um livro e torná-lo parte de mim!

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  10. E ó caríssima extraordinária e bela Maria do Rosário Pedreira (desculpe-me a ousadia MRP) e desses parece-me haver por aqui alguns a deambular por este extraordinário blogue...

    É que, como já disse e aqui repeti muitas vezes, isto de se ser intelectualmente honesto é muito, muito difícil, e, devo confessar que aqui mesmo já me senti o único burro pois leio aqui coisas que (para mim) são absolutamente indecifráveis e nunca aqui vi ninguém escrever que não percebeu...lá está, se calhar o único ignorante deste extraordinário bloguei serei eu, quiçá...

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    1. Caro Severino

      Há por aqui coisas que eu também não percebo e, para não ser indelicado ou passar por asno, não pergunto nem questiono. Outras são tão superficiais e tão ocas, que nem me dou ao trabalho da "decifração".
      Uma das coisas que não me cabe no bestunto é considerar conto "El dinosaurio", mesmo que este fosse ecrito numa das paredes da gruta de Lascaux, Altamira ou nos recortes fragosos de Foz Côa.
      Se o Monterroso me tivesse feita essa pergunta, eu diria que já tinha lido o conto e que o achei extenso demais. Isto, se estivesse em dia sim, porque, em dia não, tinha-o mandado dar uma volta...
      Concordo inteiramente consigo - isto de se ser intelectualmente honesto, sem manias e não mostrar que se sabe o que não se sabe, é muito, muito difícil, principalmente para quem não tenha um pingo de vergonha.

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  11. Nada tenho contra a concisão mas, se escritor fosse, o que eu almejaria era escrever uma frase infinita.

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  12. Fico-me pelo conto mais curto. O conto mais curto é o vosso silêncio. Dele nascem histórias infinitas e carregadas de sentido. Poder-me-ão dizer: e onde a partilha? E eu rio. Já experimentaram partilhar silêncios? Experimentem: é linda a sensação.

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    1. Quantas vezes um gesto vale mais do que mil palavras ...

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  13. o mais estranho (embora ninguém estranhe, pelos vistos...), é uma simples frase ser considerada um conto. :)

    isto faz-me lembrar a "branca de neve" do João CésarMonteiro. :)

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    1. Luis

      Se ler um pouco mais acima, num comentário a outro comentário do Extraordinário Severino, verificará que mais "alguém" estranhou o tratamento de conto dado a uma coisa daquelas.
      Trata-se de uma frase que não "conta" nada; logo, para ser conto, ainda falta qualquer coisa.
      Bem, nesta coisa onde cada autor ou leitor, deste jaez do Monterroso, pretende passar por intelectual e kulto, acho que a imagem que o Luis invocou da "branca de neve", a par desta, diz tudo.
      Em paráfrase à última frase ou axioma da Rosário, direi: mais depressa se apanha um embusteiro que um aldrabão, referindo-me (naturalmente), ao guatemalteco e à pseudo leitora.

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  14. Perguntei na rua (área de Lisboa) se leram Lobo Antunes, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e Eduardo Lourenço e se gostam de Saramago e de Camilo Castelo Branco. Aposto que uma grande, grande maioria dirá: sim, li esses todos e gostei muito, mas de Saramago e do outro não gosto. Mentiram, não conhecem nenhum, mas mentem porque é assim, teriam vergonha de afirmar que não leram e acham bem não se gostar de Saramago e piroso ler Camilo, julgam que isso é acto de saber e de coragem.

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    1. Verdade absoluta, Luís,é isso mesmo!

      Um abraço e obrigado pelo valioso testemunho.

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  15. Ahahahah! Que maravilha...! :)

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