A vida moderna
Não sei o que aconteceu ao mundo, nem quando foi exactamente que a mudança se operou, mas a verdade é que, sobretudo nas grandes urbes, as pessoas deixaram de ter tempo. Embora os ponteiros do relógio rodem ao mesmo ritmo em todo o lado e desde que há relógios, as pessoas queixam-se cada vez mais de que o tempo não lhes chega para tudo o que têm de fazer desde que acordam até que se metem na cama para dormir. E um estudo encomendado por um grupo editorial britânico – Egmont – referido num interessante artigo publicado no Guardian vem mostrar que esta vida moderna que vivemos a uma velocidade estonteante fez diminuir até níveis que me parecem drásticos o hábito de os pais lerem histórias aos filhos ao deitar (parece que só 2% das famílias resistem) e de os professores primários dedicarem tempo das suas aulas à leitura de livros com os alunos. A falta de bibliotecários nas escolas e a cada vez maior rigidez dos programas são duas das razões apontadas para este decréscimo, mas também o aparecimento dos touch screens de tablets e telemóveis, que as crianças usam de forma intuitiva sem qualquer ajuda e dificilmente trocam por um livro que não podem ainda ler sozinhas – a ponto de os especialistas acharem que dentro em breve as televisões vão ter de substituir os seus ecrãs estáticos por outros sensíveis ao toque. Os autores do estudo acham que os livros infantis digitais são uma boa oportunidade para as crianças, que assim poderão juntar o útil ao agradável, lendo histórias num tablet e podendo inclusivamente escolher entre várias (como fazem com os jogos). Mas não era suposto os pais pararem de se desculpar com a falta de tempo e lerem com elas um bocadinho todas as noites? A vida moderna trouxe-nos coisas óptimas, mas não há aparelho nenhum que substitua um momento de leitura em companhia de quem amamos.
A minha experiência indica que quem menos faz, menos tempo tem. Conheço pessoas que estão metidas em tanta coisa (de voluntariado a cuidar da família), que os seus dias parecem ter 36h. E estranhamente arranjam sempre um tempinho extra se alguém lhes pedir.
ResponderEliminarBem verdade ! Há um provérbio americano que diz: "se queres um problema resolvido depressa, pede ajuda a gente muito atarefada, não a gente com muito tempo disponível".
EliminarA leitura de uma história à noite é importante para relaxar o adulto e a criança. O tom de voz ajuda a adormecer e a história aumenta o imaginário. A minha filha gosta muito quando lhe leio.
ResponderEliminarO tempo é uma questão de organização. Perdemos tempo a ver mensagens em redes sociais, em programas de televisão que não acrescentam nada. Experimentem um serão sem ligar a TV, apenas na leitura de jornais, revistas e livros. Parece que limpamos a cabeça de problemas e melhora a concentração.
QUERER É PODER!
ResponderEliminarCuriosamente, quem mais se queixa de não ter tempo, designadamente para dispor de cinco minutos para a leitura de uma história aos filhos, está perfeitamente desocupado para se colocar em frente da televisão para ver uma ou mais telenovelas, alguns espaços de encontros,desencontros e choradinhos ou, ainda pior, os reality shows, que são a forma mais execrfável de voyeurismo.
ResponderEliminarQuem se sente com falta de tempo, geralmente também alega cansaço em demasia, mas isso deve-se ao facto de o tédio ser o pior dos cansaços.
Como disse alguém, tem muito tempo aquele que não o perde.
Excelente frase essa, Fernando: «O tédio, o pior dos cansaços»
EliminarComo tem razão, Maria do Rosário!
ResponderEliminarTenho dois filhos, agora com 17 e 14 anos, mas li-lhes muito quando eram pequenos – podia andar sempre a correr, mas ao deitar ou ao fim-de-semana, arranjava sempre um tempinho. No início era a qualquer hora do dia, aqueles livros cheios de imagens bonitas, que eles adoravam. Alguns, de que eles gostavam particularmente, tinham imagens a substituir algumas palavras, no meio de frases simples, e eles liam comigo, seguindo o meu dedo: eu lia as palavras escritas, eles decifravam as desenhadas. E ficavam maravilhados por ajudarem a contar a história sem saberem ler. Passei depois pelos inevitáveis livros da Sophia, e finalmente peguei em toda a minha colecção dos Sete e dos Cinco, cerca de 40 livros velhotes, que eu própria adorara ler a partir dos meus 9 anos e que lhes li todos de seguida, por capítulos, com eles já na cama, antes de dormirem, durante uma série de meses. Lembro-me de num verão terem passado vários sobrinhos pela casa dos meus pais no Algarve enquanto eu também lá estive, e a todos eu lia Os Cinco. Lembro-me também de um livro entre o infantil e o juvenil, muito divertido, que levei numa viagem à Eurodisney que fizemos com um grupo grande de amigos, os meus filhos tinham 5 e 7 anos, e no regresso de avião pus as crianças todas sentadas ao pé de mim, e vim a viagem toda a ler-lhes a história.
A minha leitura interrompeu-se quando eles próprios começaram a ler, e simultaneamente quiseram “separar-se” (dantes dormiam no mesmo quarto, onde lhes lia à noite, e tinham um quarto de brincar, mas a uma certa altura, com o começo do estudo, quiseram ficar cada um no seu quarto). O meu filho mais velho começou a ler Uma Aventura perto dos 8 anos (ainda juntou uns 20 livros), e continua a ler, sobretudo livros que tenho em casa e lhe sugiro (este ano, no 12º ano, aceitou por sugestão da professora apresentar aos colegas o Ensaio sobre a Cegueira, que está neste momento a ler – de vez em quando lá lhe pergunto se não acha o livro muito violento…). O mais novo é mais vidrado em tecnologia, e lê muitíssimo menos, para grande pena minha (apesar de me dizer que lê muito na net, sobre carros, motas, informática e assuntos afins) – mas vou sempre insistindo, e ele ainda chega lá (o mais velho, fanático de futebol, também lê A Bola desde que me lembro, primeiro pedia ao avô para lhe guardar o jornal, agora compra-o ele ou lê na net).
Lembro-me com particular nostalgia como, depois de lhes ler mais um bocado de Os Cinco, e conversarmos sobre palavras que caíram em desuso, hábitos estranhos ou qualquer outro assunto que nascia da leitura daqueles livros velhotes e datados (ou de outros), eu apagava a luz e eles pediam que ficasse mais um bocadinho. Ao longo dos anos de leitura, acabei a inventar uma personagem estranha que tinha uma voz esquisita e dizia coisas que os faziam rir, ou punha os ursos de peluche a contar os seus dias enquanto eles estavam na escola e a perguntar pelos deles, ou simplesmente conversávamos sobre tudo e nada… enfim, eram momentos mágicos, no semi-escuro do quarto, até eles adormecerem ou o pai bater levemente na porta e pedir para eu os deixar dormir, que já era tarde… boas memórias, essas, vão-me ficar para sempre, e acredito não só que eles também as vão guardar com carinho, mas também que se habituaram a olhar para a leitura como uma coisa natural e apetecível. De vez em quando (é raro mas precioso) juntamo-nos todos a ler os seus respectivos livros, e é tão bom... o silêncio colectivo, o eventual riso breve, o comentário sobre o que está a ler que finalmente um de nós não resiste a fazer…
Parabéns pelo seu blog, que sigo sempre apesar de raramente comentar, e de que gosto muito!
Filipa
Que belo texto ! É extraordinário que hoje, com os filhos quase adultos, ainda encontre neles a disponibilidade para os três se juntarem a ler em conjunto, mesmo que seja, como é natural na adolescência, só de quando em vez. Mostra como se tornou fecunda a sua devoção à leitura e ao ato de contar e inventar histórias quando eles eram crianças. Um comentário relativamente ao "Ensaio sobre a Cegueira": a mim também me parece que é um livro, mesmo que estupendo, demasiado brutal para ser lido durante a adolescência ou a puberdade. É que pode sugerir que o mundo adulto é terrivelmente violento e cruel. Já agora uma sugestão de prenda de Natal para o seu filho que é fanático por futebol (também o sou um bocadinho): um livro de contos de um fanático absoluto pelo Real Madrid e que é um grande escritor, Javier Marías, livro que enche as medidas de quem gosta de boa literatura e adora a bola. "Selvagens e Sentimentais. Histórias de Futebol" (Dom Quixote). Obrigado pelo seu testemunho e sua partilha connosco; que sorte que têm os seus filhos em tê-la como Mãe !
Eliminar«parece que só 2% das famílias resistem»
ResponderEliminarResistem, de quantos? Gostava de saber a percentagem, antes de existirem touch screens, tablets e telemóveis. Será que a diferença era assim tão grande?
Não me interpretem mal, acho este post muito oportuno. Penso, porém, que nunca foi grande a quantidade de pais que leem histórias aos filhos ao deitar. Os «bons velhos tempos», muitas vezes, não passam de uma nostalgia inventada. Queremos acreditar que antigamente era melhor. Mas era mesmo?
Ai Rosário, como pode estar enganada! Em alguns casos , quero dizer. Venho directa da tradição oral, numa família onde livros não havia e nem os mais velhos sabiam ler. E todas as histórias eram bonitas, interessantes, não tenho como descrever o que sentíamos enquanto o meu avô ou a minha mãe contavam histórias. Creio que nunca ouvi uma história em exclusividade, havia sempre vários ouvintes, magia pura a desprender. Depois, também eu me tornei uma razoável contadora, com ouvintes interessados. Contei histórias a vida toda, vou contá-las sempre, porque tudo pode ser uma história. O resultado é uma impaciência familiar que só quer notícia enquanto faço história, que duvida e já detecta, esta parte é invenção, que prefere sempre outra pessoa no relato.
ResponderEliminarApesar da oralidade, e porque também achava bonita a imagem, ou sei lá porquê, em casa, insisti bastante nesse bocadinho de leitura partilhada. E gerou-se uma aversão terrível, agora não posso, deixa para amanhã, hoje não me apetece, etc E muito etc foi necessário correr até que entendesse. Eles não gostavam de ler comigo nem para mim e nem que eu lesse para eles. Não gostavam de ler. Ponto.
Então deixei ao futuro as minhas preocupações. Entreguei-lhas. Desinteressei. Anos. Até ter verificado que um dos meus filhos sabia imenso de muitas coisas. Mais que eu. Sem livros. onde aprendeste tanto? e ele, na net, pesquiso o que me interessa.
É melhor crescer com os livros e com adultos que os lêem. Mas as receitas não serão sempre as mesmas.
Os pais terem tempo para os filhos é assunto que dava posts sem destino. Mas a forma de usá-lo também diverge. A disponibilidade não é só o tempo livre para eles. É a atenção mesmo sem tempo livre; o interesse genuíno mesmo que hora de leitura não haja; uma atitude de regaço onde os filhos se deitam se lhes apetece e dormem descansados. Eterna no seu movimento de rede.
Por falar em modernices
EliminarQuando, pelos anos 50, o meu avô nos visitava, contava-nos histórias sempre muito divertidas, que não nos adormeciam – pelo contrário, era gargalhada até altas horas.
A propósito do comentário de Beatriz, ocorre-me esta – que ele, discreto opositor do regime de Salazar, contava com um grão de ironia:
1940. O Presidente Carmona e sua Mulher acompanham Salazar na visita à Exposição do Mundo Português.
O casal presidencial é entrevistado pela Emissora Nacional à saída do pavilhão das indústrias.
A Senhora declara-se muito entusiasmada com os progressos da indústria nacional.
E remata com este comentário: «Só há uma coisa que me fez espécie: como é que eles conseguem meter a bolinha no gargalo das garrafas de pirolito?»
Pois no comentário de Beatriz há também uma coisa que me faz espécie:
- Como é que ela consegue meter texto em itálico na caixa dos comentários aqui das Horas Extraordinárias?
Há quem defenda que o problema de hoje não é o não termos tempo para os outros, mas sim quando estamos com os outros nunca lhes darmos (ou recebermos) atenção absoluta [isto porque simultaneamente manipulamos o smartphone, o nosso olhar está à procura de algo, a nossa mente saltita...].
EliminarTalvez assim (vou espaçar, para que o código não seja assumido, depois é só retirar espaços): < i > texto pretendido < / i >
EliminarBoas leituras!
Ora vamos lá a ver:
EliminarTalvez assim, em itálico agora espacei, para que o código (?) não seja assumido depois retiro espaços Agora outra vez: assim, em itálico agora driblei por causa do tal código.
Agora vou escrever outra vez “código” em itálico, a ver se ele alinha nisto – espaço, e tal - e agora vou colocar na grande área da caixa dos comentários, a ver se (espaço) este itálico entra na baliza, como deve ser.
(Isto parece-me mais complicado do que marcar um golo à Suécia…)
É exatamente como o Carriço explicou. E escrever o texto em itálico com uma marcação de HTML , encaixa perfeitamente numa pessoa (Beatriz) que escreve: “as receitas não serão sempre as mesmas”. Concordo plenamente. É isso mesmo. Muitas pessoas anda não compreenderam que as receitas não são sempre as mesmas e querem congelar as suas "verdades" no tempo.
EliminarNáá!! Saiu ao lado. Itálicos = nickles.
EliminarÓ Carriço, desculpa lá – não serves como treinador.
Talvez Beatriz – que ela, no seu comentário, marcou mais golos em itálico do que o Ronaldo à Suécia.
Vá lá, Beatriz: mostre lá como é que se dribla na grande área de Maria do Rosário e se marca.
Talvez de cabeça…
Dá-me a impressão que, neste estádio extraordinário, devemos preferencialmente marcar golos de cabeça, não?
Meu caro, desculpe lá. Antecipou-se ao meu anterior comentário – e eu fiquei fora-de-jogo.
EliminarEu bem tentei fazer como o Carriço explicou, mas – mea culpa – não resultou.
De facto, a questão é que – como acabamos de ver, e como diz Beatriz – “as receitas não são sempre as mesmas” (ficava bem em itálico…).
Exactamente por isso é que eu gostaria de a ter como minha treinadora.
Ou seja, por palavras suas (que ficariam melhor em itálico…) – não quero congelar as minhas verdades no tempo.
Aliás, não estabeleço verdades – justamente porque, além de não dominar o itálico (que dá logo outra categoria às “verdades”…), o tempo, afinal, não é apenas meu.
Agora, o que realente me chateia é verificar que é possível transcrever umas verdades em itálico na caixa dos comentários, e não atinar.
não quero congelar as minhas verdades no tempo
Eliminarmeu caro, não era dirigido a si. Apenas concordei com a Beatriz, se me é permitido, claro.
O itálico , pelos vistos, é só para alguns.
permita-me também defender o Carriço como bom treinador. Basta compreender o significado da frase: "retirar espaços". E, assim, o misterioso itálico fica disponível para todos.
EliminarAbraços.
Ora essa! Nem eu interpretei como dirigido a mim.
EliminarO caso é que também concordo com Beatriz que “as receitas não são sempre as mesmas” – e por isso mesmo é que “não quero congelar as minhas verdades no tempo”.
Agora, quanto ao itálico, na verdade é só para alguns – que não para mim.
Por exemplo: figura logo na primeira linha deste seu comentário…
Até vou copiar e colar aqui essa linha, a ver se continua em itálico.
Ora com licença…
não quero congelar as minhas verdades no tempo
Está a ver? Não consegui que a importante verdade “não quero congelar as minhas verdades no tempo” saísse congelada em itálico.
EliminarPois… O problema é que eu, quando “retiro espaços”, fico fora-de-jogo.
É que eu não sou de retirar espaços a ninguém.
Já me bastam os espaços que me retiram a mim.
O que eu mais desejo é que haja espaços para todos – como você consegue, não apenas em itálico, mas, ainda por cima, em bold!
Ok! Já vi que o seu treinador é o Carriço.
Um abraço para ambos.
Adorei toda esta conversa à volta do Itálico! É por isso que gosto de vir a este blogue, não só pela qualidade do que escreve Maria do Rosário Pedreira mas também pela qualidade destes extraordinários comentadores!!
EliminarObrigada.
Pela minha parte, agradeço a sua atenção.
EliminarDeu-me gosto participar nesta conversa.
Porém – e, já dizia o meu avô em itálico: “Não há como um bom porém” – desviámos a conversa para isto do itálico e, afinal, ninguém respondeu à questão pretextual (se assim posso dizer) que coloquei no início: “como é que eles, no tempo de Salazar, conseguiam meter a bolinha no gargalo das garrafas de pirolito?”
É que – diz-me a minha experiência de neto e avô – este é um bom tema de conversa para adormecer as crianças e os adultos.
Peço desculpa por não ter sido eu a esclarecer a dúvida:) ; só agora vim ler-vos. Mas pronto, também alguém me ensinou :); que o mesmo me fazia espécie.
EliminarPuxa vida!...está brincando Joaquim? Eu? Me? Moi- même? Que sou um zero muito zero em tudo que seja informática? como julga que aprendi? Perguntei, alguém muito simpaticamente me disse e copiei das instruções do html - aliás podemos treinar in loco o que é bom, vemos logo se entendemos ou não a explicação.
EliminarTerá de fazer exacta e concretamente o que o Carriço lhe propôs, sem espaços entre a sinalética do itálico e o texto, tudo corrido. Ou seja, entre os marcadores que coloca no início e fim do texto que quer salientar e o próprio texto, não podem existir espaços.
se escreve
moi-même julgo que nada acontece :(
mas se
moi-même acerta na mouche :)
Não sei explicar melhor:))
Pode crer, comigo nada se treina, salvo, talvez, palermice de inocência palerma. cuja não é muito apreciada nestes tempos de esperteza.
Um Bom Dia a todos
PS: e se não sair como penso? ora bem. é porque ainda sei menos do que julgo:)
Bolas! pelos vistos não sei mesmo explicar. Sorry. Talvez baste a sinalética antes e depois do texto:) Tente. Está na sua vez:)
EliminarPronto. está provado, não percebo nada disto. Ok. Fiquem bem.
Falem com a Cláudia Tomazzzzi que ela ixpilica...
EliminarOra, Beatriz, não se incomode. Estou-lhe grato, explicou muito bem – a minha cabeça é que já não alcança estas modernices.
EliminarNão se preocupe, que nós cá nos vamos entendendo – mesmo sem itálicos nem bolds.
Mas lá que isto devia ser mais simples... lá isso...
Até já me ocorreu organizar uma manif de indignados à porta do blogue, e o pessoal a gritar em coro: “Itálico livre! Bold para todos! Que se lixe a troica!”
Cumprimentos.
Bora ir para a porta do blogue gritar. O pior é não haver a tal de porta:) só um Portas. Que, salve-nos Deus, não serve.
EliminarO bold e o itálico são gracinhas, mas o que conta para haver comunicação são as palavras e não a sua inclinação e/ou mais leves ou mais pesadas
O problema é, será que ainda amamos da mesma forma?
ResponderEliminarCom o tempo mudaram os hábitos de carinho, e agora os pais expressam-se longe dos livros.
Onde ficam os livros no meio desta hiper tecnologia?
Para a grande parte de pais e filhos, simplesmente, não ficam. E, nos moldes actuais, não há volta a dar. A concorrência é brutal. Até porque as crianças vivem muito de estímulos imediatos e um livro demora o seu tempo a conquistar a atenção. Enfim, fim.
A TV desgraçou a Civilização.
ResponderEliminarRoubou o tempo livre à maioria dos cidadãos. Um grande realizador de Hollywood, cujo nome não recordo, disse a meio do século XX: "o cinema é a literatura do século XX e do futuro".
Agora chego a ouvir jovem escritores a dizer na maléfica TV, que "a melhor escrita que atualmente se faz não é na literatura mas sim a dos diálogo de séries televisas americanas".
Estamos perdidos !
Não são todos os escritores a dizerem isso. Há espaço no mundo para muita verdade parcial. É no coração dos pais que a mudança tem de existir. Reaprender a gostar. Creio que será mais por aí. Ou reaprender o valor de todas as coisas. A facilidade afasta o amor entranhado, não lhe dá tempo.
ResponderEliminarNo entanto, verifico que essa mesma facilidade permite múltiplas experiências que não tem, nem pode ter quem ganha o que tem; o tempo de ganhar, de aprender a gostar do que se ganha, de não querer perdê-lo por passar a fazer parte.
Pergunto-me vezes inúmeras qual dessas pessoas será mais feliz, não no sentido de beatitude, mas no sentido de haver atitude mais positiva perante a vida, gostar mais dela em tudo que pode trazer.
E é que ainda não tenho resposta.
Pede a quem muito faz e nada a quem nada tem que fazer. Os horários de trabalho são excessivos e os pais que têm filhos nas creches e nas escolas estão tramados, mas a TV e os jogos, meus senhores: há demasiadas mariquices que nos embrutecem e nos roubam o nosso precioso tempo, nem que seja para não fazer nada "sabeis por que me levanto cedo? é para ter mais tempo para não fazer nada"
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