Um livro e uma cabana

A Madalena, que está sempre atenta a tudo e mais alguma coisa (e ainda bem que tenho uma pessoa assim a trabalhar comigo, que eu, com a idade, já só dou conta de metade), falou-me de um projecto bem interessante associado ao programa da Trienal de Arquitectura de Lisboa. Todos sabem que eu não sou uma fã incondicional de instalações, mas esta tem tudo a ver com este blogue, e já vão ver porquê. Um, dois e muitos, de Marta Wengorovius, é uma cabana de madeira muito bonita que está no Jardim Botânico (à Rua da Escola Politécnica), perfeitamente integrada na paisagem. E para que serve? Pois bem, para ler! A cabana tem apenas uma estante e lugar (bem amplo) para um leitor se sentar ou deitar – e pode ser reservada por algumas horas, ou até um dia inteiro, até ao dia 15 de Dezembro, por quem queira ir ler lá para dentro, olhando a magnífica paisagem do Jardim Botânico pela porta. Os interessados poderão, por exemplo, levar o livro que andam a ler ou escolher um dos da Biblioteca Um, dois e muitos – porque Marta Wengorovius pediu a 20 pessoas que seleccionassem títulos, reunindo um acervo de 60 volumes na estante da cabana. Esta é também uma biblioteca itinerante, porque a cabina (enfim, a instalação), cuja estrutura foi desenhada por Francisco Aires Mateus, já esteve noutros lados e pode andar por aí. Um lugar lindo para ler. Ora dêem uma espreitadela.


 


http://www.dezeen.com/2013/09/21/reading-cabin-by-marta-wengorovius/


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Comentários

  1. Um bom exemplo para o Costa replicar pelas ruas da capital. Alimentando espírito e corpo de toda a classe média que brevemente engrossará os sem abrigo deste país.

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  2. Ó Passos, ó Relvas,somos ou não um país de empreendedores,e como eles gostam da palavra, não sei é se eles gostam de livros...

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  3. Fui ver e achei-a demasiado zen, isto é, falta-lhe uma boa poltrona e, talvez, um pequeno frigorífico.

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    1. A poltrona ainda compreendo, caro Paulo. Agora, um frigorífico? Acha mesmo necessário?

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    2. Sim, Cristina, um daqueles pequenos, de quarto de hotel: um livro, uma cabana e uma bebida.

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    3. E é imprescindível que a bebida esteja fresca (agora, que as temperaturas já desceram)? Ou que seja bebida alcoólica?

      Bem, cada um como cada qual e eu respeito os gostos, foi só uma pergunta ;)

      O que eu mais gosto de beber, a ler um livro, é um chá de ervas, sem açúcar. Claro, tem de se ferver a água. Mas posso levar o chá numa garrafa térmica, para a cabana ;)

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  4. Lembra-me uma sauna, uma casa de banho.
    Penso que se a usasse não me concentraria por me estar sempre a lembrar que alguém entraria por ali dentro, aflito.
    Ao contrário de uma biblioteca pública - também usada por muita gente - falta ali uma circulação de ar que me constrange, há uma partilha exagerada de invisíveis fluídos, que me afastam.

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  5. A arquitectura dos espaços para ler tem muito que se lhe diga.
    A História da Arquitectura mostra-nos que as bibliotecas começaram por ser concebidas na perspectiva de, digamos, endeusar o livro.
    Mais recentemente, muitas endeusam a própria Arquitectura.
    O que vale é que, pelo meio, vão aparecendo experiências criativas, desprendidas, como esta de Aires Mateus – amor e uma cabana.
    Ou esta outra (que podem ver através do link que transcrevo), cuja singeleza e despojamento valorizam a Natureza envolvente, que penetra na biblioteca e tranquiliza os leitores.

    http://www.dezeen.com/2011/10/24/liyuan-library-by-li-xiaodong/

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    1. Quer você dizer: amor (pelos livros) e uma cabana.
      Palpita-me que foi essa a ideia do Arq. Mateus.

      Mas, já agora, veja a outra que indiquei, e diga-me alguma coisa.

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  6. Perdoe-se-me voltar à vaca fria, mas isto é apenas empreendedorismo (de ervanária) que fica bem nos tempos de Relvas, Passos & Cª., mas pergunto:o que é que isto tem a ver com livros? ler é algo que contraria este tipo de empreendedorismo, este tipo de calculismo, apesar da concerteza boa vontade da da Marta; talvez o apelido (Wengorovius) a tivesse como que obrigado a fazer qualquer coisa que desse nas vistas...

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  7. É uma ideia original. Mas não imagino assim tanta gente a deslocar-se para uma cabana de um jardim, a fim de ler com hora marcada.

    Se a porta deixa ver o jardim, também por ela se mira o leitor; o que pode não lhe agradar.

    À semelhança do que outros bloguers já afirmaram, o interior da cabana parece-me ascético em demasia. Mas admito que a paisagem seja bela e quem marque hora se distraia por completo da leitura.

    Não gostei muito da porta aberta. Não haverá uma janela? Uma casinha num jardim e sem janelas não tem graça.
    BFS

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  8. António Luiz Pacheco18 de outubro de 2013 às 06:32

    Que Extraordinária panóplia de comentários, pelas diferentes formas de interpretar o tema e pelas óbvias diferenças entre cada um, que, me atreveria a dizer constituir aquilo que nos une neste espaço Extraordinário!

    Lembra-me "o amor e uma cabana" adaptado cá aos Extraordinários!

    Eu leio em quase toda a parte, na praia, no avião, e até se for caso disso numa sala de espera, mas não gosto de o fazer em sítios onde esteja exposto ou com movimento (só frequento praias daquelas muito reservadas, com uma densidade máxima de um casal por cada 500m2). Prefiro fazê-lo em casa, na cama ou num bom cadeirão, não gosto de ler a uma mesa e nunca gostei de ler em bibliotecas de escolas ou outras, e nem em cafés!
    Já a minha mulher vai para a biblioteca pública ler ou estudar, sente-se lá bem, segundo ela, e com bom tempo vai muitas vezes para esplanadas ou jardins... manias!

    Para mim o grande segredo está na combinação do local com aquilo que se lê! É como escolher o vinho:
    - Uma leitura que me prenda e eu queira ler de uma assentada, um bom romance ou um bom ensaio, só em casa, concentrado e desligado!
    Numa sala de espera ou avião, contos ou coisas ligeiras que sejam do género "de ir lendo"...
    Na praia, livros divertidos, de humor ou de viagens, em relatos.
    Numa cabana... terei de pensar nisso, mas não me palpita muito, porque não gosto de sair para ir ler.

    Saudações kaluandas e um Extraordinário fim-de-semana!

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    1. Em salas de espera (nomeadamente, de consultórios médicos), só leio revistas chamadas cor-de-rosa, do jet-set. Descontraem, mantêm-nos informados sobre coisas de que, às vezes, as pessoas falam e é sempre um estudo psicológico interessante, do tipo: quão longe vão certas pessoas para se sentirem desejadas, amadas e felizes?

      A fim de acalmar os meus amigos extraordinários, que é tudo gente que gosta de usar o cérebro, tenho a dizer que, felizmente (e para já), não preciso de ir muitas vezes ao médico ;)

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    2. Não tenho a certeza se dei um erro no "descontraem"...

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  9. E se a cabaninha fosse instalada nas árvores? Estaríamos desligados da terra, o ar mais rarefeito, o horizonte maior. Enfim, "O Plebeu Trepador".

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  10. Então, amigos, amigo Jordão, recostem-se lá aí num sofá e digam-me lá o que acham desta coisa estranha que me aconteceu:
    Como decidi dedicar-me inteiramente a confeccionar livros, preparava-me para comprar uma daquelas casinhas da autoria daquela senhora com um nome aproximado a um violino Stradivarius : Marta Wengoroviu . Manias de um escrevinhador louco. Ainda estive a ver um T0 , mas decididamente teria de ser menos ambicioso. E, assim, nada melhor do que um T… e um quarto. Ainda me propuseram um T… e um terço, mas definitivamente já não se ajustava ao ajustamento. E sabemos bem como são estes lares que estão agora na moda.
    Logo, a casinha servia na perfeição.
    Como teria de vender os meus livrinhos, inteiros ou em folhetins, teria de mandar adaptar uma janelinha onde pudesse, tu cá, tu lá, barganhar pela portinhola tais preciosidades.
    Algo que me preocupava, no entanto, era onde colocar as minhas pastas.
    Como tenho todo o meu espólio dividido em três pastas, livros em fase inicial, livros em fase de acabamento e livros terminados, teria de prover para o começo mais espaço em cada um deles. Nos em fase inicial contei 29; na produção intermédia dos em fase de acabamento já só são nove. Nos totalmente finalizados proibidos de “de-puralina” contei apenas alguns em número par.
    As coisas pareciam assim bem encaminhadas, e prontas para fazer a escritura, quando saiu um novo decreto de preparação do novo ano. Umas figuras muito queridas e risonhas chamavam-lhe orçamento… do Estado.
    Encolhi os ombros, não percebia de que estado se falava ou se ainda havia algum estado, porque de estado só ainda tinha ouvido falar de estado de necessidade e de estado de banca e segundo ainda parecia… rota.
    Terminava o tal de orçamento, abruptamente, com a cláusula de salvaguarda. Não havia mais salvamento, nem possibilidade de guarda, quanto mais de salvação. Estava tramado! Já só me restava um T… e um sexto.
    Disseram-me entretanto que havia um sexto muito em conta que ficava na zona vermelha.
    Achei estranho. Zona vermelha só conhecia uma zona que dava pelo nome de luz. Mas, enfim!
    Como sempre gostei de usar vermelho, com excepção de quando ia passear para a campina com uma noiva que se chamava de Necessidade de Purificação, lá encontrei o edifício com um néon verde e vermelho, onde piscavam os seguintes dizeres: hostel.
    De que tipo é que ainda não vos sei dizer, mas conto que lá figurem muitos livros com instruções de uso, de todos aqueles brinquedos excitantes, Toys ou lá como se chamavam, que vi nas fotografias da amostra e que tão diligentemente os publicitavam:
    Excelente! E ainda há quem diga que precisa de uma cabana para se recostar a ler!

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    1. Gostei do seu texto! Muito.

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    2. António Luiz Pacheco18 de outubro de 2013 às 10:59

      Eheheh! Cuidado com as casinhas de luz vermelha!
      Ainda lhe entra porta dentro alguém que não vai exactamente à procura de leitura... eheheh!

      Um abraço!

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  11. Desculpem lá, mas eu, ao fim da tarde, estava aqui muito sossegadinho na minha cabana a ler, a ver a net, em fundo a ouvir a chuva lá fora e a Antena 2 – e de repente fico a saber que está hoje a ser comemorado o centenário do nascimento de Vinicius de Moraes.
    Na Casa de Fernando Pessoa estava a decorrer uma sessão de leitura de poemas de Vinicius…
    Ora, se eu tivesse sabido disso a tempo, teria arranjado um amigo lisboeta que fosse lá por minha conta ler o “Soneto da Intimidade”.
    E – perguntarão – porquê este soneto?
    Ora (alô Cláudia!): porque, tanto quanto vou sabendo, a composição de sonetos era uma das melhores agilidades de Vinicius. Ele dominava a forma, mas, a certa altura da vida, distanciou-se do típico conteúdo “arcadiano” associado ao conceito de “soneto” – as lamúrias e o choradinho típicos desse estilo (ainda há quem o cultive…)
    De modo que, para marcar distância, usou da ironia – que também dominava magistralmente – e compôs este (segundo os especialistas) seu deliciosamente derradeiro soneto.
    Sentai-vos na vossa cabana para, com amor, apreciar o

    Soneto da Intimidade

    Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
    Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
    Mastigando um capim, o peito nu de fora
    No pijama irreal de há três anos atrás.

    Desço o rio no vau dos pequenos canais
    Para ir beber na fonte a água fria e sonora
    E se encontro no mato o rubro de uma amora
    Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais

    Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
    Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
    E quando por acaso uma mijada ferve

    Seguida de um olhar não sem malícia e verve
    Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
    Mijamos em comum numa festa de espuma.

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    1. António Luiz Pacheco18 de outubro de 2013 às 15:37

      Hum... eu prefiro a Tereza da praia!
      Abraço!

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    2. Mas então, ó Pacheco, conte-nos cá: aí em Angola também celebram o Vinicius , ou o assunto está em segredo de justiça?
      Se for esse o caso, tenha cuidado, pá: ajeite-se com a Tereza e, ao menos na praia, discretamente, distribuam o seguinte anúncio:

      «PROCURA-SE
      um amigo

      Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

      Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

      Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

      Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
      Vinicius de Moraes »

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    3. Muito obrigada por este Vinicius que desconhecia. Todos nós sentimos que esse é o amigo que precisamos. Mesmo sem a beleza das palavras, sentimos igual.

      Mas a vida é bela sim. Não pela harmonia que também tem, mas por ser de viver.

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    4. Faço de Vinicius as suas palavras: “a vida é bela, sim (…) por ser de viver”.
      Por minhas humildes palavras: A vida é bela pelo que nos resta viver dela.
      Melhor do que eu, melhor do que nós, Vinicius disse isso mesmo, assim:

      «Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
      Essa intimidade perfeita com o silêncio
      Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
      -Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
      (…)
      Resta essa vontade de chorar diante da beleza
      Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
      Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
      Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
      (…)
      E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
      Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
      Resta essa faculdade incoercível de sonhar
      De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
      De aceitá-la tal como é, e essa visão
      Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
      E desnecessária presciência, e essa memória anterior
      De mundos inexistentes, e esse heroísmo
      Estático, e essa pequenina luz indecifrável
      A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
      (…)
      Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
      Esse eterno levantar-se depois de cada queda
      Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
      Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
      Infantil de ter pequenas coragens.»

      Vinicius de Moraes, “O Haver”, 1962

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    5. Oh! Vinicius é sempre ele. Obrigada de novo. Não sei como é que o meu comentário ficou anónimo:), a tecnologia, de quando em vez, surpreende-me. Ou eu surpreendo-a, há-de ser mais assim.

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  12. Venha o livro! Que a cabana é fria e o mundo podem ficar com ele que está estragado...

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  13. Só agora li o seu post de setembro "envelhecer" que me fez lembrar uma pequena história.Aí há uns 10 anos fui com uns amigos a Itália, e em Siena fomos visitar um pequeno museu que referia numa das paredes exteriores entre outras, obras de Picasso: compramos os bilhetes, entramos e logo na 1º sala havia umas dezenas de molduras vazias penduradas do tecto ; voltei à recepção e perguntei com ar jocoso se ainda nesse dia viriam colocar as telas; a menina não apreciou a pergunta e com ar sapiente respondeu que aquilo era uma instalação; a visita decorreu com a mira de ver as obras de Picasso: encontra-mo-las ao fim de 2 horas: 2 desenhos de cerca de 20 cms metidos numa vitrina; perguntamos se nos poderiam devolver o dinheiro por estarmos defraudados, responderam que não - nem na minha próxima 10ª vida lá voltarei...

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    1. E eu, se dez vidas tivesse, lá voltaria em cada uma

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    2. Beatriz,
      Mesmo só com esta vida única que tenho, voltarei a Itália sempre que possa (na próxima Primavera pretendo ir de novo a Roma, Florença e Veneza ); àquele museu de Siena é que nunca mais... ou irei??????

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    3. Pois...não me lembro de ter visitado um museu em Sienna. Mas Sienna é tão bonita que um regresso não pode cair mal.

      No meu caso é provável que não volte. Nem sei se preciso. Seria mais um gosto . Parecido ao ensimesmamento que me prende em cada vez que embasbaco no quadro do Almada que representa Pessoa. É sempre o mesmo encanto; e todas as vezes são primeira.

      E boa viagem para Itália:)

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