O que ando a ler

Reparo que o irlandês Colm Tóibin está de novo entre os finalistas do Booker Prize em 2013 (a anunciar no dia 15) com um livro já publicado em Portugal (O Testamento de Maria, que ainda não li). Gosto, em geral, do que vem da Irlanda, sobretudo livros e filmes, e deste autor leio agora um outro romance que também chegou à final do Booker há vários anos chamado O Navio-Farol de Blackwater. Nele encontramos belas personagens – desde logo, Helen, a protagonista, que se tornou adulta precocemente com tudo o que envolveu a morte do pai, sobretudo o silêncio da mãe (outra personagem de respeito), até porque sentiu que deveria proteger o irmão mais novo que, quando a narrativa se inicia, muitos anos mais tarde, está internado com SIDA num hospital e lhe pede que informe a família. Muito interessante este regresso ao passado, às memórias na casa da avó nesses meses em que o pai agonizava longe deles e a mãe parecia ignorar que tinha dois filhos pequenos a necessitarem da sua presença. Muito interessante também o que se prolonga desse desconforto no presente, quando mãe e filha, que aparentemente se detestam, têm de conviver e conversar sobre a homossexualidade e a doença de Declan, o rapazinho mimado que quer agora acabar os dias na casa do farol, mesmo que a avó não pareça pelos ajustes. Com uma prosa limpa e descrições muito competentes de lugares e estados de alma, O Navio-Farol de Blackwater é um romance sobre as complexas relações familiares e os lutos que todos temos de fazer frequentemente em vida.

Comentários

  1. Bom dia!

    A ler "A desumanização" de Valter Hugo Mãe. Após 70 páginas, acho que ainda não tenho opinião formada. Tem coisas muito bonitas, como aquela da menina que deita flores. Mas até ver é um livro essencialmente triste, onde impera o desespero e a impotência em relação a tanta coisa de que é feita a vida.

    Está a acontecer-me uma coisa estranha: costumo ler muito devagar, especialmente quando gosto muito do que leio. Acontece que o meu próximo livro será "O herói discreto" de Vargas Llosa. Parece-me que o meu subconsciente me está a querer apressar, impaciente por mergulhar de cabeça no "Varguitas". O Valter merece toda a minha dedicação, prometo dar luta à vozinha que me sussurra "anda lá com isso, vira a página..."

    Prevejo horas extraordinárias nos próximos dias!

    Uma boa chuva a todos,

    Rui Miguel Almeida

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    1. Li o longo fragmento em pré-publicação do "Desumanização" que apareceu no último JL. Senti-me triste, eu que adorei a "Máquina de Fazer Espanhóis", porque o texto transcrito da "Desumanização" era fragmentário, de frases curtas e secas, fazendo no final pouco sentido narrativo.

      Pensei cá para mim: mais um que vai a caminho da "essência da literatura", a via da perfeição que foi escolhida pelo António Lobo Antunes que não leio há mais de dez anos (desde o "Esplendor de Portugal"), mas de quem continuo a reler "A Explicação dos Pássaros" , " A Ordem Natural das Coisas" ou, naturalmente as "Crónicas".

      Será que o Valter Hugo Mãe se quer transferir para as elevadas literárias montanhas de ar rarefeito onde já mora o António Lobo Antunes ?

      Depois, na página ao lado do JL, vinha a crítica do Miguel Real a avisar de que se tratava de um livro de estilo mais árido do que os anteriores e que regressava a temática abjecta como a presente no "Remorso Baltasar Serapião", romance que não consegui ler pela repulsa que a temática me causou (reconhecendo, apesar de tudo, a qualidade estilística daquilo que fui capaz de ler).

      Que mundo tão escuro e doentio esconde o Valter Hugo Mãe debaixo de um ar tão doce, redondo e algo infantil com que surge em público ?!

      Perante a dificuldade do Rui Miguel em prosseguir a leitura da "Desumanização" e da tentação que sente de a interromper e pegar no último Vargas Llosa, deduzo, para meu benefício próprio, que não comparei o último livro do Mãe, antes lhe vou dar uma segunda oportunidade lendo na FNAC umas 5 páginas depois da clássica 99.

      Quanto ao último Vargas Llosa, esse comprá-lo-ei em breve e sem qualquer hesitação: é um autor que nunca me desconsolou !

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    2. Artur,

      Não me perceba mal, Vargas Llosa é o "meu" escritor. Fiquei algo desiludido com o anterior, "O sonho do Celta", mas se me perguntarem qual o meu escritor favorito, a resposta será sempre: "Desculpe, mas a sua pergunta não faz sentido, pela impossibilidade de lhe responder. Dito isto, a resposta é Vargas Llosa"

      Li todos os romances do Valter Hugo Mãe. O que mais gostei e o que considero o melhor é precisamente "O remorso de Baltasar Serapião". Apesar de concordar consigo que é um tema negro e difícil, do ponto de vista meramente literário, é uma obra-prima. Digo eu, que sou barbeiro.

      Estou a gostar deste último, mas o meu "problema" é que dou comigo a pensar que tem muitas frases não tem bem conseguidas. O mal talvez seja do próprio Valter, que colocou a fasquia muito alta. Agora, quase 100 páginas depois, não tenho ainda opinião formada, mas diria que já não vai a tempo de o poder considerar um dos seus melhores trabalhos.

      E pronto, não resisto: considero o Valter um escritor bem melhor que o João Tordo. Nem sei se fazem sentido estas comparações, atendendo aos estilos tão diferentes.

      Um abraço para si, um dia destes hei-de ir à biblioteca para descobrir o Mário Cláudio. Recomenda-me algum por onde começar?

      Rui Miguel Almeida

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    3. Caro Rui Miguel, muito obrigado pelos seus muito ilustrativos comentários sobre os livros do Valter Hugo Mãe de quem é obviamente grande admirador. Eu devo confessar que não me chega para que o livro me prenda que apresente um estilo literário sofisticado, como será o do Mãe no "Remorso de Baltasar Serapião", porque se o enredo não me agarra ou, sobretudo, me repele eu penso logo: "com tanto livro que me falta ler, porquê ler com sacrifício?" [e já apliquei este princípio a autores reconhecidamente geniais como Proust]. Não faz mal nenhum haver quem goste mais do Valter Hugo Mãe e quem prefira o João Tordo, sem qualquer necessária exclusão.

      Quanto ao Mário Cláudio é um daqueles autores de estilo e semântica sofisticados de que provavelmente irá gostar. O livro dele que mais me fascinou foi o "Peregrinação de Bernabé das Índias" que é uma narrativa de homem do povo, nascido nas profundezas da Beira, na ainda hoje belíssima vila de Ucanha, com a sua ponte de altaneira torre [visitei Ucanha por cauda deste livro], e que se faz marinheiro, no tempo das descobertas, narrando as suas aventuras com Vasco da Gama a caminho do oriente escritas num português que nós imaginemos ser o português erudito do século XVI. É um romance cheio de eventos, alguns um pouco pícaros, relatados por um criador que nos consegue dar o sabor do século da nossa expansão marítima com uma linguagem que soa à linguagem daquele tempo.

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    4. Obrigado pela dica, Artur.

      Vou espreitar na biblioteca daqui a umas semanas, tempo que prevejo que me durem o Valter (sim, admiro muito a sua escrita) e o Varguitas. Também me referenciaram muito positivamente um livro chamado "Camilo Broca".

      Não me hei-de esquecer de lhe deixar a minha opinião.

      Um abraço!

      Rui Miguel Almeida


      PS: tem razão, dou mais importância à maneira como "me contam" uma história que à própria história em si. E há estilos que prefiro a outros, como provavelmente acontece com todos os que amam os livros.

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    5. Caro Amigo,

      Por onde começar a ler Mário Cláudio ? Por onde quiser, desde que o seu objectivo seja conhecer uma das formas mais geniais de escrever em Português. A cultura, a erudição e eloquência, fundem-se na escrita de Mário Cláudio como algo que espanta, encanta e nos filia.
      Para 'provar' sugiro que 'deguste' AMADEO.

      Boas Leituras

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  2. Aqui atrasado (*), quando li a notícia de que foi atribuído o prémio europeu HVS a Claudio Magris, registei mentalmente a obrigação de vasculhar nas prateleiras à procura do livro “Danúbio”, que li há tempos atrás, em data que não posso precisar.

    Pois lá me decidi e encetei a morosa tarefa.
    E cá está de novo o livro, no qual revejo várias páginas com os cantinhos dobrados – sinal de que, quando o li, aqui atrasado, muita coisa me terá feito pensar que, para melhor proveito, haveria de o reler.

    Desfolho-o, pois, com vagar, e nas páginas que assinalei, e noutras que releio agora com diferente perspectiva, vejo claramente que Claudio Magris, tendo descido sistematicamente o rio, contactado com inúmeras pessoas, registado as diferentes sabedorias que sobrevivem nos diversos cafés que frequentou nas várias cidades à beira do Danúbio que visitou, ficou a conhecer melhor que ninguém a labiríntica complexidade da construção desta importante parte da Europa com a qual é suposto nós, os mais distantes, estarmos unidos.

    Relendo agora “Danúbio” com olhos que já não são os de aqui atrasado, dá-me a impressão que a história daquelas gentes, daquelas nações, daquelas actuais (ainda precárias?) convenções e fronteiras ao longo do rio, é muito mais complexa e problemática do que a nossa, aqui nesta península-ibérica-à-beira-de-dois-mares-plantada.

    Por ocasião da atribuição do prémio, Magris foi simpático ao referir-se a Portugal, à nossa história, etc. Nos jornais foi referido o seu conto “O Conde”, que escreveu no Porto, creio que inspirado no Duque da Ribeira, herói da cidade que tentava salvar, ou “pescava”, pessoas que se afogavam no Douro…

    O Douro, ok, pode ser traiçoeiro mas é bonito, paisagem protegida, bons vinhos, gente porreira, etc e tal…

    Mas – e aquelas nações, aqueles povos, aquelas complexas culturas do centro da Europa, adjacentes ao Danúbio, com as quais é imprescindível que nós, e os espanhóis, os italianos, os gregos, etc, nos entendamos?

    Se calhar era melhor que as instituições que deram o prémio a Claudio Magris o convidassem a vir cá passar uma temporada a descer pausadamente o Douro, e o Tejo, já agora, a ver se encontrava a chave para o nosso entendimento com o pessoal do Danúbio e dos outros importantes rios da Europa. O nosso entendimento com eles, e o deles connosco…

    Relendo-o agora, estou a ficar convencido que ele, com a sua erudição proveniente da experiência concreta lá com as pessoas e culturas do centro da Europa, era homem para chegar aqui e, navegados os nossos rios, completar a sua visão para, finalmente, nos ajudar a fundamentar e delinear com clareza o caminho do entendimento de todos os povos e todas as culturas de todos os rios – o Danúbio, o Douro e Tejo, o Reno, o Sena, o Mondego – todos, até o Tâmega, de onde lhe envio uma saudação de esperança.


    (*) Pequeno contributo etno-antropológico: no português tal e qual se fala aqui, entre o Douro e o Minho, isto significa "há tempos atrás", ou "em data que não posso precisar".

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    1. Confesso que achei uma seca a leitura daquilo que consegui ler do "Danúbio". Não me interessam os pormenores das várias possíveis e variadas fontes de onde o rio nascerá, nem das pequenas cidades associadas a essas fontes, nem das questiúnculas medíocres sobre qual destas terras merece ser a cidade do Danúbio.

      Estava à espera de um livro de erudito que me falasse da cultura da Mitteleuropa e dou comigo a ler uma soma de pequenos factos avulsos que não me retratam nem os povos, nem a maneira de pensar nem a cultura dessa gente que mal conheço. Livro abandonado ao fim se 50 páginas, com as últimas 20 de leitura auto-forçada.

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  3. A ler, sem grande entusiasmo, confesso, Todos os nomes, de Saramago.

    Boas leituras!

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  4. Tenho estado a reler Eça, ficando cada vez mais com a certeza que temos muito a aprender com (para mim, obviamente) o maior escritor português de todos os tempos.
    Entretanto percebi que ainda não li todos os livros de Eça: falta-me o conto «Um dia de chuva» que não consigo encontrar nem nas bibliotecas físicas, nem na grande virtual. Algum dos extraordinários faz ideia onde o posso encontrar?
    Ah, e um livro que aconselho...o "Filosofias" do José Luís Martins, uma colectânea das suas crónicas no jornal i.

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  5. Estou a ler o novo livro de Joe Hill (o filhote de Stephen King), NOS4A2, qualquer coisinha como 700 páginas; adorei o anterior dele, Horns (em Portugal, Cornos) e este tem outro ritmo, mas vamos lá, com calma...

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  6. O Homem Que Sorria, Henning Mankell (Presença)

    Adoro o Colm Tóibín. O Navio-Farol foi dos primeiros que li dele, em tradução portuguesa. Além desse, e do Testamento de maria, tem traduzidos pelo menos mais três: O Mestre, História da Noite (este creio que esgotadíssimo) e Brooklyn.

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    1. Do Colm Tóibin, gostei muito de "O Mestre", uma biografia romanceado de Henry James, um dos meus escritores favoritos. É que para além de nos revelar, com toda a subtileza e sensibilidade, as ambiguidades pessoais e sexuais do Henry James (sem cair na tentação de defender que ela era gay, como Toibin ele próprio se confessa), o livro está escrito num estilo que nos faz lembrar o próprio estilo do Henry James, o que documenta a extraordinária mestria técnica do escritor irlandês. É quase como se o Henry James tivesse escrito a sua própria biografia na terceira pessoa. Metaliteratura no seu melhor !

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  7. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2013 às 04:18

    O que ando a ler…
    Pois muito pouco daquilo que desejaria e muitíssimo menos do que gostaria!
    Tenho lido títulos tão sugestivos como: “Alimentação e maneio dos frangos de carne”. “Conservação da batata”. “Manual de tratamento dos resíduos hospitalares”. “Sanidade na malacultura”. “Secagem e armazenagem do milho”. “Tratamento e extracção da urease na soja”. “Forragens: valor nutritivo”.
    Enfim, obras ricas em conteúdo e informação, com uma trama bem desenvolvida mas de desfecho previsível. Pobres de enredo, sem poesia e literáriamente desinteressantes… sem sexo, aventura, intriga, emoção ou mistério!
    O meu compadre trouxe-me de Portugal, de presente, “Madrugada Suja”, de MST, mas confesso que ainda não tive ânimo para me deitar a ele!
    Ando a ler um outro livro: Tem por título “A Empresa” ou “S.G. - Engeneerig Solutions” (é mesmo em inglês no cartão de visita ó Severino!). Tem cá um enredo que não lhes digo nada… há de tudo, desde vencidos a vencedores, tiranetes e patéticos, cómicos, malandros, bêbados, mulheres maltratadas e homens desprezados, divorciados com arranjinhos, fugitivos de um país em crise ou de si mesmos, de casamentos em derrocada, frustrados, meninos-da-mamã ou do paizinho, presumidas, convencidos, cromos, inúteis, gajos porreiros, invejosos, maldizentes, prepotentes, mãezinhas, flausinas, megalómanos, vamps, cavalheiros, toscos, pirosos, dândis, metrossexuais, coitadinhas, aventureiros, vigaristas, chorões, patuscos, mimados, infelizes, diletantes, bem-dispostos, optimistas e pessimistas, saudosos, hipocondríacos, racistas, xenófobos, amargos, casos psiquiátricos, indiferentes, calados, tagarelas, culturistas, e gente muito boa!
    Nas várias cores, nacionalidades, estratos, idades e até sexos…
    Tudo numa intrincada rede de relações humanas, corrupção, negócios escuros, desonestidades, sexo, dinheiro, poder, crime e castigo, alguma sensibilidade e uma boa pitada de humanidade, onde se encontram até bons sentimentos e generosidade!
    Ora bem, folheando e percorrendo diáriamente as páginas e as histórias que se desenvolvem em paralelo, terei leitura para me entreter por bastante tempo! E que melhor romance podia haver?
    Eheheh!

    Saudações kaluandas, de uma traça expatriada!

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    1. Ó António Luiz isto infra é mesmo um livro “A Empresa” ou S.G . - Engeneering Solutions ou somos nós a consumirmos semanas, dias, horas minutos e segundos, bamboleando para aqui e para ali, vencidos uns dias, vencedores nos outros e tudo o mais que conseguimos ser e não ser hoje e amanhã:
      «tiranetes e patéticos, cómicos, malandros, bêbados, mulheres maltratadas e homens desprezados, divorciados com arranjinhos, fugitivos de um país em crise ou de si mesmos, de casamentos em derrocada, frustrados, meninos-da-mamã ou do paizinho, presumidas, convencidos, cromos, inúteis, gajos porreiros, invejosos, maldizentes, prepotentes, mãezinhas, flausinas , megalómanos, vamps , cavalheiros, toscos, pirosos, dândis, metrossexuais, coitadinhas, aventureiros, vigaristas, chorões, patuscos, mimados, infelizes, diletantes, bem-dispostos, optimistas e pessimistas, saudosos, hipocondríacos, racistas, xenófobos, amargos, casos psiquiátricos, indiferentes, calados, tagarelas, culturistas, e gente muito boa!
      Nas várias cores, nacionalidades, estratos, idades e até sexos…
      Tudo numa intrincada rede de relações humanas, corrupção, negócios escuros, desonestidades, sexo, dinheiro, poder, crime e castigo, alguma sensibilidade e uma boa pitada de humanidade, onde se encontram até bons sentimentos e generosidade!»
      Olhe, António Luiz , já fui entretanto despedir-me do Vistas e pedir-lhe que na próxima visita me traga lá do carrego (ou da carregueira ou lá como aquilo se chama!) um autógrafo de um livro de vida que relata todas estas intrincadas relações humanas.
      Até à Vista, Oeiras! Um abraço António Luiz e dê lá um abraço também ao Eduardo!

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    2. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2013 às 05:47

      O Zédu agradece e retribui...
      Ahahah!
      Passei tempos felizes em Oeiras... mantenha-se por aí, para equilibrar o lado da gente boa!
      Um abraço!

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    3. Ó Pacheco - que é feito do Courinha?

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    4. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2013 às 08:08

      Boa pergunta!
      Faz aqui falta a sua irreverência esclarecida e o humor inteligente!
      Já há-de ter acabado a vindima e a campanha das nozes... deverá andar a preparar-se para vendê-las!!!
      Mas acredito que ande por aí... a espreitar!

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    5. Por acaso vi o João Courinha na TV, um destes dias.
      Era uma reportagem sobre o Alqueva, as novidades e os sucessos que por lá estão em curso, etc.
      Eu estava talvez a passar pelas brasas, ou isso, que é assim quando estou a olhar para a televisão, de modo que acordei estremunhado quando ouvi “Courinha”, “investimentos”, “hectares” e coisas do género.
      O que captei – ou então voltei a adormecer e sonhei – foi que o jovem Courinha comprou ali não sei quantos hectares e, numa de empreendedorismo merecedora de reportagem, vá de plantar umas árvores que, empreendedoras também elas, são nogueiras que produzem amendoins.
      “??”, perguntava o repórter.
      “!!!”, o amendoim é uma variedade de noz com a casca menos rija, mais acessível ao consumidor, vai bem com uma cervejinha e, bem vistas as coisas, na culinária dos bolos faz o mesmo efeito.
      Se não era isto, era uma coisa do género.
      Certo é que ele é um empreendedor, caso contrário não iam entrevistá-lo ali, rodeado de hectares.
      E está a ter sucesso. Tanto assim que até deixou de fazer horas extraordinárias.
      Um abraço para ele!

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    6. Sim, a sério, pá: um abraço!

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    7. Era um prazer ler o Courinha, que pena não andar por cá...

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    8. Ele andar, anda…
      O que não anda é a ler.
      Não tem o prazer de ler, o Courinha, que pena…

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  8. Eu por aqui perco-me com Nuno Judice em Implosão, de resto a gostar. A seguir tenho José Rentes de Carvalho com mentiras e diamantes...
    Abraço.

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  9. Eu por aqui perco-me com Nuno Judice em Implosão, de resto a gostar. A seguir tenho José Rentes de Carvalho com mentiras e diamantes...
    Abraço.

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  10. Terminei "A arte de matar dragões" e veio-me parar à mão "As minhas aventuras na republica portuguesa" e ficou.

    No entanto já estou ansiosa por voltar à biblioteca...já que não pode ser à livraria..:)

    Tomo sempre nota dos livros que vai recomendado Maria do Rosário:)) Obrigada!

    Cláudia Moreira

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  11. Ainda ando de volta d' Os Maias, capítulo penúltimo, quando Carlos já sabe que Maria é sua irmã mas nem assim se cuida de, entremeado com tudo o que se tem escrito ultimamente sobre António Ramos Rosa nos jornais legíveis, e, desde ontem, com Bartlebys Reunidos, de Gil Soeiro, conjunto de 30 poemas que remetem para o escrivão renitente de Melville. É a minha atração pelo incompreensível: Soeiro declara no preâmbulo que tem como objetivo "interrogar poeticamente a pulsão negativa e a atracção pelo nada, tal como esta se desenha no labirinto da literatura do Não». Vamos lá ver!

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    1. Já agora, vale a pena ler como o Agualusa e o Zambujal resolveram o futuro desse incesto nas suas novelas curtas publicadas pelo Expresso em agosto passado. Ambos os escritores encontraram soluções bem criativas !

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  12. Do Colm Tóibín apenas li O Testamento de Maria e gostei, acho que até falei disso aqui no Horas.
    Agora ando o ler o «Here and Now-Letters 2008/2011», do Paul Auster & J.M. Coetzee e também "O Jogo do Reverso + Pequenos Equívocos sem Importância», do António Tabucchi, que a Dom Quixote teve a feliz ideia de juntar num só livro, é o chamado dois em um.
    Estou a gostar imenso de ambos e, como um é de cartas e o outro de contos, dá para ir alternando.
    Boas leituras!
    Antonieta

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  13. Não digo o que ando a ler para não ser acusado de andar a fazer campanha a favor de um determinado escritor...

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    1. Caro Artur Águas,

      Todos sabemos que está a ler As Três Vidas, do Tordo.
      E está a gostar? Foi o primeiro livro que li dele, há uns bons anos, e gostei muito.
      Para além de achar que estava muito bem escrito, com pontuação correcta, a história passava-se numa zona que me diz muito. E aquela casa coberta de hera existe mesmo (existia nos anos oitenta) perto do castelo de Santiago do Cacém. Vivi em Sines durante dez anos e esse livro também me fez recordar essa época feliz da minha vida.
      Tantas coisas podem contribuir para gostarmos de um livro, não é verdade?
      Antonieta

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    2. Cara Antonieta,
      Espetacular a Antonieta lembrar-se que estou a ler "As Três Vidas" !
      Muito obrigado por me oferecer a sua memória da leitura deste mesmo romance do Tordo. A minha vida profissional tem sido pesada nos últimos dez dias pelo que ainda não passei do início do romance.
      Que saudades do agosto em que pude ler de uma enfiada "O Ano Sabático" ! Já o "Anatomia dos Mártires" foi de leitura mais lenta por o ter iniciado só em setembro.
      Onde vou no livro ? O personagem principal já chegou à casa que fica perto de Santiago de Cacém, já teve a primeira entrevista com o sr. Millhouse Pascal, há na casa uma espécie de mordomo/jardineiro que se chama Artur como eu, e acaba de chegar o primeiro "cliente" da casa, um árabe rico e cheio de temores. E, pronto ! é onde estou. Já conheci os três netos do patrão, mas continua tudo muito misterioso no que respeita à função desta casa e dos seus "clientes" cuja chegada vai sendo meticulosamente contratualizada e agendada no maior dos segredos.
      E estou absolutamente de acordo consigo quando diz que o livro está muito bem escrito. É que tem uma fluência e simplicidade que parece fácil mas que não o será certamente.
      Quem nos dera a todos ter esta facilidade e elegância de expressão escrita do Tordo!
      Fica prometido que quando acabar de ler "As Três Coisas" partilharei consigo a minha impressão final do livro. Mas à velocidade que a carruagem vai, não será certamente em breve.
      Abraço.

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  14. Na sequência da visita à excelente exposição "A ÚLTIMA FRONTEIRA-LISBOA EM TEMPO DE GUERRA", que pode ser vista no Terreiro do Paço, até Dezembro, comecei ontem a ler, sobre o mesmo tema, uma crónica evocativa deste discreto recanto nos anos da Segunda Guerra Mundial quando LISBOA (na época chamada de Cidade da Luz) foi o centro da espionagem e da intriga internacionais - LISBOA-A GUERRA NAS SOMBRAS DA CIDADE DA LUZ, 1939-1945"; as primeiras 50 páginas são, normalmente um teste, foram as que li e gostei!

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  15. Ontem, à fala com um alfarrabista (onde gastei mais uns tostões) quando o confrontei com o facto de o pessoal actualmente não ler, responde-me ele: mas quem é que disse isso? pois actualmente lê-se muito mais e desde já lhe digo: pessoas acima dos 40 anos o marido revolve-me os livros e a mulher fica à espera toda "torcida"; pessoal com menos de 40 é o contrário, os homens cuidam dos filhos enquanto elas me revolvem os livros, as mulheres leem muito mais que os homens, o futuro é das mulheres, não tenham dúvidas (E, agora digo eu -as esperanças que eu deposito nas mulheres, sinceramente!!!)

    Só mais uma coisa,diz-me ele-quantos livros são obrigatórios no nosso ensino (um ou dois?), pois na Sérvia, por exemplo, já que o meu filho namora com uma Sérvia,são 48, desde Joyce, Kafka, Proust, todos os clássicos são lidos no ensino obrigatório!

    Fiquemo-nos com os Relvas, os Passos, os Seguros, os Cavacos e por aí fora...e tanto se falou em obscurantismo...

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    1. 48 livros completos no ensino obrigatório !!??
      Não será exagero, caro Severino ?
      Não será apenas uma seleta com fragmentos de 48 autores reunidos num mesmo livro ?
      Seguramente que não obrigarão os jovens na Sérvia a lerem os 7 volumes da Recherche... É que não é tarefa para multidões.
      É que seria quase miraculoso que uma população inteira de jovens seja capaz de cumprir tão extensa maratona cultural.

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    2. Caro Artur : "vendi-a" como a"comprei"; talvez algum Sérvio nos leia e confirme (ou não)...

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    3. Caro Severino, obrigado pelo esclarecimento.
      [temos que confirmar a questão junto da equipa do Benfica]
      Abraço,
      Artur Águas

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  16. estou a reler "Alexandra Alpha!, do Cardoso Pires.

    é um prazer voltar.

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  17. Quase trinta anos depois da primeira leitura, estou a reler "A Queda dum Anjo", do Camilo Castelo Branco. Sempre surpresa com este grande autor que escrevia constantemente com urgência e sob a pressão das dificuldades económicas e que, mesmo assim, consegue dizer-me muito mais do que todos os que escreveram nesse altura, Eça incluído. Aliás, nas minhas vibrações literárias Eça nem sequer vem em segundo lugar entre os autores do século XIX, avessa que sou à sua escrita urbana, galicista e burguesa.

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    1. Muito interessante o que a Ana pensa sobre Camilo e Eça, porque demonstrativo do quão difícil é perceber os gostos dos leitores.

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  18. Boa noite, cheguei aqui a pesquisar teu nome depois de ler trechos de sua poesia que pareceram m sorriso aos meus olhos. Guardei trechos inteiros e de tanto pesquisar-te cá estou. Um prazer encontrá-la e ainda mais estando a falar de livros, objeto comum a mim. Gosto bastante do prazer de ler e no momento, curiosamente, leio uma historia que acontece na Irlanda que aqui no Brasil chamou-se "os escritos secretos" de Sebastian Barry. É a primeira vez que leio algo dele e me senti satisfeita pela descoberta. Estou devorando as páginas numa ambição desmedida. Raro prazer.
    Vou tomar a liberdade de guardar esse link junto ao meu cantinho virtual para estreitar o caminho até ti. Bacio

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  19. Saudações a todos os intervenientes. Obrigada Maria do Rosário pelo seu blogue que nos possibilita um espaço de diálogo, informal, mas com elevado espirito de cooperação. Tenho o seu blogue nos meus favoritos.
    Sobre o que ando a ler...gostaria de dar o meu testemunho : O Contador de Retratos, António Santos, com prefácio de Guilherme d'Oliveira Martins ,Âncora Editora.
    "Escrevi sobre “Deixei-te o Sorriso em Casa” assim que descobri a obra do António Santos, há dois anos.
    Voltar a escrever sobre uma obra deste autor é um gosto. Mas é também uma responsabilidade enorme. Sobretudo quando o prefácio do seu novo livro, “O Contador de Retratos”, é da autoria de Guilherme d' Oliveira Martins, que tão bem expôs, sem exibir, o seu estilo e o conteúdo.
    A escrita de António Santos é daqueles estilos que dão vontade de anunciar ao mundo “não estou para ninguém”, instalar-me comodamente no sofá ou no puff a ler, acompanhada dum bom tinto e não parar senão no final.
    Sempre com um sabor residual no paladar, ávido por mais. Mais literatura assim.
    Que dizer deste novo livro?
    Gosto de tudo. Sobretudo, dos pormenores, que conferem realismo aos quadros que o autor descreve, como se levasse o leitor pela mão.
    Desconcertante, o primeiro conto. Sobre a imagem de um casal à mesa dum requintado restaurante parisiense. Cerzindo, em torno dum livro de João Ubaldo Ribeiro, uma teia de deambulações misteriosas, à qual uma mulher desalmada vem dar essência.
    Imaginei-me num terraço cheio de zingarelhos dados à costa, no segundo conto. O da fotografia de Dallas, em Novembro de 63.
    Tornou-se inevitável ir procurar no mapa-mundo a localidade onde o coronel se refugiara, numa casa de madeira com um terraço cheio de velas.
    Fabulosa descrição do ambiente, dos petiscos, num relato que nos fere, certeiro, no ponto das oportunidades perdidas.
    O terceiro retrato apresenta-nos um militar numa praia do Norte de Moçambique e os seus fantasmas.
    Os búfalos, as tendas, as mulheres atiçando o fogo. Mais do que um tipo de fogo…
    A promessa dum segredo envolta em fumo. Um ancião preparando uma infusão. Os macondes preparando-se para uma caçada.
    E tudo sempre ali. Onde tudo sempre fora.
    O quarto retrato é do elegante Palazzo Giustinian, adornado por duas amigas, observadas por uma máscara dourada. Um recanto com histórias para contar, numa festa de Carnaval. Um crescendo de sensualidade contagiante. E mais não revelo…
    Temos depois o do homem de charuto na boca, a entrar na Finca Vigia. Um arquivista, amante de mojitos e de puros, em quem tudo nos espanta.
    O sexto retrato tem a moldura em cristal já partida. E revela um carro que levava um inspector, que levava investigações, ternura e adiamentos. Culmina numa velocidade galopante rumo ao desfecho improvável.
    Um palacete sobressai, imune ao nevoeiro denso de Sintra, no sétimo conto. Redondo. Tanto quanto intrigante. Habitado por lendas e assombrações.
    O oitavo retrato, do major Américo, na praia de Barril, em Tavira, com a sua cana de pesca, uma alegoria a demonstrar-nos o trabalho dos anjos-da-guarda, por vezes tão atarefados que nós, mortais ignorantes, nem suspeitamos…
    D. Magnífica e o marido surgem-nos no nono retrato, em primeiro plano, junto à azenha. Ao fundo, a lupa, empunhada pelo sobrinho. Numa vila com dupla personalidade (Verão versus Inverno), tia e sobrinho dedicam-se à arqueologia com o intuito de decifrarem a causa de morte do tio.
    Um cenário cinematográfico. Aliás, constante ao longo de todo o livro.
    O décimo conto, em torno da imagem dum Carocha 1200 de 1967, apresenta-nos um comentador que não dá conta dos recados pessoais, um director-geral que dá despacho a assuntos afins e outras cenas que bem retratam os patetas do panorama nacional. Que os promove, cega e insistentemente, aos lugares de destaque de que esta sociedade balofa é feita.
    A prima Margarida, quando ainda namorava com um tipo do governo, é a protagonista do décimo primeiro conto. Retrato duma doutora enquanto pobre na al

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