O editor em extinção

Durante muitos anos, os países – sobretudo os que tinham vivido ditaduras e uma situação de analfabetismo prolongada – queixavam-se de que as pessoas liam pouco (ou, pelo menos, que poucas pessoas liam). Agora, é mais comum ouvir-se dizer que há muito mais gente a ler, mas que a maioria lê «mal», não necessariamente por não dominar a capacidade de leitura, mas por escolher maus livros, que em nada contribuem para o crescimento intelectual e a formação do indivíduo. Faço aqui um mea culpa em nome da classe e digo que os editores (sobretudo aqueles que não cumpriam ordens e podiam fazer de outro modo) tiveram aqui uma grande responsabilidade, pois, em lugar de publicarem obras que pudessem fazer dos leitores gente mais informada e culta, deram-lhes papa de entretenimento feita com ingredientes de segunda e assinada por gente analfabeta com carinhas larocas e conhecidas, aspirando, mais do que tudo, às receitas e ao lucro. Sinto que cada vez mais é assim – que isto se tornou um vício – e que todos os anos a literatura perde vendas para as chachadas ditas comerciais. O mesmo em todo o mundo, sublinhe-se, tendo eu sabido recentemente que o grande editor alemão Michael Krüger, no activo desde 1968, decidiu retirar-se e ir para casa, alegando que já não faz falta, pois as pessoas gostam sobretudo de livros maus. O editor é uma espécie ameaçada.

Comentários

  1. Concordo em parte consigo MRP, mas só em parte. Confesso que também leio os ditos livros comerciais (quem não o faz ou fez?) os mesmos que as editoras, sob a promessa de lucros fáceis, despejam no mercado e aliciam os leitores com estratégias de marketing que por exemplo não se vê em obras de literatura. E o facto de ler também esses livros, não me parece que faça de mim uma pessoa mais ou menos culta, mais ou menos informada.
    Essas caras larocas que hoje assinam muitos desses livros, não me parecem pessoas analfabetas, no entanto sei perfeitamente que a história é publicada por cunhas directas e portas travessas, a esses nem os classifico como escritores, são apenas uma virgula que se esquece ao passar a página...
    Não esquecendo o facto de o editor ter a mestria de seleccionar, ou não, boa literatura, recordamos também que a editora empresa se gere com lucros... Ora se aliciaram os leitores com coisas fáceis, de consumo rápido, como querem depois que a boa literatura vingue e esmague o dito comercial... Demasiado controverso o mundo editorial.

    Enquanto houverem bons escritores, serão sempre necessários bons editores...

    Um abraço,
    Carla Pais

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    1. Este "enquanto houverem só pode ser distracção!

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    2. Acredito que sim, assim como acredito que a Carla mais do que ninguém deve estar "irritada" com este "houverem", espero que não esmoreça por causa disso!

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    3. Acho que esta coisa dos erros é uma batalha perdida. Na verdade, se não se cometessem erros ainda se falava latim.
      Se me puser a analisar a sério, encontro-os em todos os blogues, tanto nos comentários como nos textos dos seus autores
      Em quase os textos da MRP neste blogue, por exemplo, me surgem dúvidas sobre o bom português e nunca vejo ninguém dizer nada. Por exemplo, no de hoje vem escrito: "deram-lhes papa de entretenimento feita com ingredientes de segunda e assinada por gente analfabeta com carinhas larocas e conhecidas, aspirando, mais do que tudo, às receitas e ao lucro. " Ora, a gente tem 'carinhas larocas' ou tem 'carinha laroca'? Não é dos mais gritantes, talvez seja uma questão de gosto, mas para mim é erro.

      O que eu quero dizer é que não vale a pena, em textos escritos muitas vezes sobre o joelho, chamar a atenção para os erros. Também este meu os terá.

      A minha crítica maior prende-se com os livros, nomeadamente os publicados pela Leya... Por exemplo, acabo de ler um livro de um novo autor, "Piano para Cavalos Altos", que tem, no meu entender, mais de uma centena de erros, ortográficos e de construção. Por exemplo, aparece pelo menos três vezes "caiem" em vez de "caem" (que feio!), o que prova que o autor não sabe escrever a palavra e que os revisores estavam pressionados pela pressa de se publicar o livro...

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    4. Começo confessando que não percebi a afirmação de que "se não se cometessem erros ainda se falava latim". Defeito meu, certamente.
      Termino confessando que, num blogue em que se fala sobre as horas que passamos a ler, não me parece descabido chamar a atenção para erros clamorosos, mesmo que, como neste caso, pense que eles resultam de distracções. Continuarei até que a nossa anfitriã me repreenda.

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    5. Caro Francisco Agarez, não queria criticar o seu comentário, longe de mim. Apenas aproveitei o seu comentário para desabafar sobre o que penso dos erros na blogosfera, que acontecem com toda a gente.

      Tenho a ideia 'de que' (ou "que" em vez de "de que", em português mais deturpado/actual/atual) a evolução das línguas e o aparecimento de novas se deve à deturpação das antigas. Se o latim não tivesse sido deturpado pelo linguajar do povo distante de Roma, as línguas romances não teriam surgido.

      Já agora, um erro que muito me irrita mas que, desconfio, já estará até dicionarizado, porque o povo assim quis: "desfolhar" com o sentido de "folhear". "Desfolhar" é tirar as folhas, não é mudar de folhas... E aparece aqui, tantas vezes, esse erro, cometido pelos comentadores...

      Outro exemplo... Os africanos têm uma tendência para formar palavras, na minha opinião muitas vezes desnecessárias e que demonstram desconhecimento da origem do português. Por exemplo, no outro dia li num livro de um novo escritor africano publicado pela Caminho a expressão "ele desadormeceu" no sentido de "ele acordou". Ora, para quem souber um pouco de latim, "desadormecer" nunca poderia ser "acordar". "Desadormecer" seria "deixar de adormecer", "desistir, por impedimento próprio ou alheio, de ir a caminho do sono".

      Enfim, sei que sou uma chata. Vejo erros em Saramago, em Lobo Antunes, em quase todos. Mas eles e o povo é que decidem como vai ser o português de amanhã. Porque, muitas vezes, desconhecem o bom português. Para mim, de tudo o que vou lendo, os autores portugueses que escrevem actualmente com mais correcção são Mário de Carvalho, Gonçalo M. Tavares e Luís Caminha.

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    6. De facto.
      Bem sei, bem sei, que um verbo impessoal como o verbo haver, no seu sentido de existir, se conjuga apenas na terceira pessoa do singular...

      Oh, não se aborreçam com a minha ignorância, há certamente coisas mais interessantes para discutir, no entanto, agradeço o reparo caro Francisco.

      Um abraço,

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    7. Ana Branco?
      Joana Bento?
      Nuno Serrano?
      Bruna?

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    8. a obsessão com o caiem/caem cheira-me a coisa do próprio Caminha. Será que o autor se clonou?

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    9. Na parte que me toca, tomara eu escrever como o Luís Caminha, apesar de acreditar que escrevo melhor que muito escritor publicado. Por essa ordem de ideias, diria que o extraordinário "olá" e o extraordinário "adeus" eram clones do autor que escreveu "caiem" em vez de "caem". Ora, não me parece que isso seja possível: os escritores já devem perder tempo que chegue com os seus livros e as suas crises, não se demoram na espuma dos dias como nós aqui.
      Mas se o "olá" e o "adeus" são, mais do que nomes, saudações, eu dir-lhe-ei, caro anónimo, que "olá" diz-me quem quer e "adeus" apenas quem eu quero.

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    10. Continua assim, nesse teu teatrinho ridículo, que vais longe. Sabes que neste extraordinário mundo virtual as coisas sobrevivem às nossas intenções e por muito que mudes um nome a peçonha está lá e denuncia-te: as mesmas críticas cobardes aos outros, a mesma atenção aos mesmos erros, os mesmos auto-elogios patéticos. Deve ser triste viver assim, a chafurdar na própria mediocridade, Joana Bento-Nuno Serrano-Bruna-Ana Branco-Luís Caminha. Nega como quiseres. No fundo ficas com a certeza de que alguém sabe as figuras que fazes. Olá e adeus.

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    11. Estás muito enganado, meia gamela. Decora bem: Ana Branco. Se um dia nos encontrarmos e voltares a chamar-me o nome de outra pessoa levas um pontapé no sítio onde os devias ter.
      Entretanto, adeus que não estou para pisar mais em trampa.

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    12. Não fazia ideia que um escritor praticamente desconhecido e, para quem não saiba, falecido na semana passada, podia ser a causa de um duelo tão estranho num blog tão maravilhoso como este.

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    13. Quem é que faleceu na semana passada, João Santos?

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    14. Não sabia da morte do Caminha. Já agora de quê? Sei que não importa muito mas acho que era relativamente jovem. Li o Pinguim na Garagem há uns anos e achei-o muito bom e muito original. Um amigo meu que também o leu disse na altura que um livro tão vindo de dentro só podia ter sido escrito por uma alma atormentada.
      Já quanto a esta celeuma do caiem/caem não me admira que tenham aparecido muitos críticos. Na minha modesta opinião, e a julgar pelo que a Ana diz, é mesmo um erro muito feio. E ainda mais quando aparece várias vezes e numa obra literária da editora portuguesa mais importante.

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    15. a palhaçada continua8 de outubro de 2013 às 06:47

      Comentário do nuno serrano (curiosamente grande fã do Caminha; é curioso os fãs do Caminha terem a mesma opinião sobre um determinado romance apontando os mesmos erros) "A partir da desculpa de um mundo dividido por zonas consoante o estatuo das pessoas, Sandro William foca-se na descrição do abjecto. Esse é o motivo do livro; quanto ao enredo, nunca levanta voo, nunca me prendeu. Numa tentativa de colagem ao mundo aforístico de Gonçalo M. Tavares, o texto é demasiado cortado, cinematográfico, didascálico, descritivo. Apresenta, também, uma certa tendência, comum no teatro, para que os diálogos sejam desconversas. As personagens raramente emocionam.

      A escrita é cuidada mas a revisão poderia ter sido melhor. Vários erros ortográficos: "caiem" substitui sempre "caem", uma ou outra vez surgem discordâncias de género. Alguns erros de construção, nomeadamente aquele que se tornou moda: os verbos precisar e necessitar sem regência do 'de'. Erros factuais: duas vezes refere a erecção como o inchar do músculo do pénis, algo que, aliás, já acontecia nas primeiras páginas de O Caderno do Algoz; revela desconhecer a teoria cromossómica ao dizer que os homens são y e as mulheres são x. Expressões irritantes: 'ter que' onde deveria estar 'ter de'; 'climatéricas' em vez de 'climáticas'"

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    16. agora, o próprio Caminha

      http://ocasosluiscaminha.blogspot.pt/2013/05/desabafo.html

      Já percebemos que o senhor Caminha ficou com azia quando não atribuíram o prémio Leya ao seu livro genial, mas podia poupar-nos a estas exibições de imbecilidade ressabiada.

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    17. Como os anónimos fãs do Caminha vêm dizer que ele morreu somos forçados a acreditar na reencarnação e logo com carradas de nomes. tristeza.

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    18. Ó Sandro,

      Não acredito que o Caminha se tivesse metido a criticar o teu livro, mas a ser verdade o que dizes, que o homem escreve sob outros nomes, quem és tu para criticar? Não estás a fazer o mesmo com os teus "olás", "adeuses", etc?
      Além disso, factos são factos e acho que devias era agradecer críticas tão certeiras no lugar dos lava-pés que aparecem nos jornais. Uma coisa é certa: nunca mais vais escrever "caiem" e nunca mais vais confundir o músculo do pénis com o seu tecido cavernoso.
      Estes críticos que tu dizes serem todos o Caminha ensinaram-te. Tens de agradecer-lhes em lugar de bombardar um escritor que provavelmente apenas tem em comum com eles o gosto pelo bom português.

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    19. Será que sou o Sandro? idiota.

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  2. Vem mesmo a propósito este seu texto. Está para breve a edição dum livro, pela Booktailors, da jornalista (?) Sara Figueiredo Costa: "Carlos da Veiga Ferreira - Os editores não se abatem". Outro manhoso do meio editorial. Diria mesmo que alguns editores são mesmo para abater.

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  3. Há leituras e leituras mas, a bem da verdade, nunca se leu tanto como hoje: num dos países da UE com mais telefones por pessoa (ou seremos o que tem mesmo mais??) passamos a vida a ler mensagens - cujo conteúdo antes era verbalizado - a ler e-mails, a ler a blogosfera , a ler publicidade, a ler...
    Não se apagam os e-mails sem lhes termos dado uma olhadela, o que implica leitura... Somos bombardeados com publicidade - semanalmente recebo informação sobre alumínio (!?) tendo já pedido para ser retirada da lista, coisa que ainda não aconteceu.
    Os canais de televisão (quantos são? Alguém os consegue contar?) passam múltipla informação para ser lida em concomitância: a que respeita às imagens, com legendas, com rodapés em movimento, frequentemente, rodapés duplos!, enquanto no canto superior direito informam sobre a emissão que vem a seguir! Há mais para ler do que animais na selva!
    Claro que percebo que a dimensão aqui referida é outra, porém, gostava de deixar aqui este apontamento para lembrar que as leituras hoje em dia envolvem-nos de todas as formas e feitios, e ainda que não pensemos nelas como 'leitura', mas são.
    Para concluir, a maioria lê mal porque a maioria lê o que lhe dão e as editoras gostam de público, mas gostam mais de dinheiro...

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  4. O que eu sinto é a falta de livros que fiquem algures entre os considerados maus e os muito bons. Apesar da oferta de livros publicados ser enorme, sempre que procuro alguma coisa para ler, tenho 90% de probabilidade de encontrar lixo e 10% de encontrar um daqueles livros muito aclamados pelos críticos mas que me aborrecem de morte.

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    1. Comentário interessante, cara Jaquina. Penso que parte do problema também reside nisso.

      Na Alemanha, e apesar do exemplo do editor dado pela Maria do Rosário, há mais variedade de literatura de entretenimento, aqui denominada de "Belletristik", ou seja, um tipo de literatura que fica entre os "maus livros" das "carinhas larocas" e os altamente literários. São livros que, se não contribuem para o "crescimento intelectual", o fazem, de uma ou de outra forma, para a "formação do individuo".

      Por outro lado, e apesar de reconhecer que se publicam "n" livros que não interessam a ninguém, penso que é necessário enfrentar os bois pelos cornos, ou seja, este é o mundo em que vivemos, é nele que devemos encontrar soluções.

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    2. Muito bem dito, Jaquina. Ler o Camarneiro, só se for para adormecer. Não o considero um bom escritor. Um autor de qualidade tem de saber passar a sua mensagem. Não pode ser ininteligível. Mas também considero surrealista que um concurso de ficção tenha um juri maioritariamente composto por poetas. E desafio quem quer que seja a dizer-me que sou inculta ou que escrevo mal.

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    3. E o defeito da mensagem não passar será do emissor ou do receptor?
      Um pouco de humildade caro receptor!
      Tem todo o direito de não gostar do Camarneiro, agora dizer que ele não tem qualidade...
      Ah e o júri também não presta...
      E então adormeceu a ler o livro...
      Sabe que mais?
      Cá para mim o seu mal é sono!!!

      Brainless

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    4. Caro: até pode ser. Mas assino sempre as minhas mensagens. E só excepcionalmente respondo a anónimos. Considero-os sempre um pouco cobardes.

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    5. E eu não disse que o júri não prestava. Disse que não me parece adequado que um prémio a ser atribuído a uma obra de ficção escrita em prosa seja atribuído por um júri maioritariamente composto por poetas.
      Até porque quem escreve, em simultâneo, prosa e poesia sabe o quanto são diversas a técnica e as características intrínsecas e diferenciadoras do génio, num e noutro tipo de arte.
      E não mudo de opinião a este respeito.
      E se lhe reconheço alguma razão quanto à subjectividade da minha apreciação (como em relação a todas) digo-lhe já que não sinto nesta, como em outras ocasiões, qualquer necessidade de ser humilde.
      Quando quiser identificar-se, prosseguiremos esta discussão com muito gosto.

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    6. Júri maioritariamente composto por poetas?
      Olhe que não, olhe que não...
      Um dos dois poetas que lá estão (Alegre e Júdice) até tem uma vasta obra em prosa.
      Grato pelo convite, mas não estou interessado em discutir com uma pessoa «tão cheia de si».
      E afinal que interessa o meu nome?
      Não sou ninguém conhecido, sou apenas um leitor deste blog, apenas uma traça, como diria o nosso Extraordinário Pacheco.

      Fique bem!

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    7. Igualmente! Mas continuo a discordar.

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    8. Concordo inteiramente com a Sandra Neves, principalmente no que diz respeito ao autor indicado e ao júri. A obra premiada corresponde a uma obra menor, no meu entender, e espanta-me que, entre tantas outras a concurso, não tivesse havido melhor.
      Espanto por espanto, cá vai outro.
      Num blog que se diz de extraordinários leitores, ressalta em alguns uma enorme, clamorosa e injustificável "falta de leitura", se atentarmos na forma como se exprimem e a respectiva ortografia maculada.
      Talvez Maria do Rosário tenha razão e estes leitores tenham andado - ou andem - a provar papa de entretenimento feita com ingredientes de segunda.

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    9. Olá, Sandra.
      Concordo completamente com o que diz e admiro a sua coragem. Só discordo quando diz que Manuel Alegre é um poeta... Um poeta menor não é um poeta.

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    10. Ó Sandra, mas ele assinou! Brainless. Não está tudo dito?

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    11. Bem, outro que não percebeu a ironia...

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  5. É o rei verde que comanda tudo.

    É o maldito dinheiro (ou melhor, o apelo ao dinheiro, ao lucro) que destrói tudo, as pessoas, os seres, os animais, o mundo, tudo se faz por dinheiro, e cada vez quero mais, mais, mais.

    Basta ouvir as carinhas larocas -por este pequeno exemplo, quando arranjam um novo trabalho ou mudam de posto de trabalho eles não arranjaram um novo emprego, arranjaram um novo desafio;afinal há gente que não quer emprego,muito menos trabalho quer apenas desafios!E lá vem a ambição, o dinheiro, mais dinheiro, esta maldita sociedade comandada por esses imbecis, Passos/Portas/Relvas e restante comandita...

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    1. Refere-se a alguma situação em particular, ASeverino?

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    2. Sabe? É que eu, quando falo, faço-o com todas as letras. E aprecio as pessoas que assim fazem.

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    3. Sandra

      Leste bem o meu comentário? não vês lá os imbecis? lê lá bem...claro que há mais, muitos mais da mesma estirpe e nenhuns à sombra, alguns (muitos) num poleiro bem alto.

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  6. Parece-me impossível desaparecer a função do editor culto em qualquer casa editorial em que a publicação de ficção seja importante. Sem a sua opinião como pode o gestor ter informação para saber em que livros apostar?

    Para além de identificar novos escritores de qualidade, o editor literário é para os americanos alguém tão crucial que é muito frequente lermos encarecidos agradecimentos ao seu editor por parte de escritores, os quais na dedicatória, prefácio ou posfácio dos seus livros incluem frases do género: “I could not have written this book without my dear editor”.

    Esse editor que acompanha a criação da obra, que oferece a par e passo sugestões e críticas, que pode mesmo exigir que o livro seja reescrito ou sofra cortes e acrescentos cruciais, não faz parte da tradição europeia, onde este tipo de intervenção é vista como uma intromissão excessiva na liberdade criativa do escritor.

    Julgo ter lido numa entrevista da Maria do Rosário Pedreira que o seu papel como editora de novos autores que depois atingiram proeminência (e. g., Valter Hugo Mãe, João Tordo, José Luís Peixoto, etc) não tem este tipo de intervencionismo do editor americano típico. Mas como é frequente ler agradecimentos efusivos à sua editora nos livros destes escritores, fica-se na dúvida de qual será o tipo de intervenção que tem uma editora no nosso país. Não pode ser só dar palmadinhas nas costas…

    Presumo que seja a triagem e a decisão de propor a publicação de originais a tarefa que mais tempo ocupa o dia à dia de um editor literário português, trabalho este bem mais fastidioso do que acompanhar e moldar a criação do próximo romance de um dos escritores consagrados que faça parte da carteira da empresa.

    Em língua inglesa, podemos encontrar na net (em “literary editor”) um sem número de ofertas de editores que se propõem dar parecer e corrigir textos que lhes sejam enviados, obviamente mediante pagamento dos seus serviços. Se pesquizarmos em português “editor literário” o que a net nos oferece é a publicação de textos, ou seja, a expressão é entendida mais como “publicador literário” e não se encontra facilmente em português quem se proponha, como em língua inglesa, dar um parecer sobre a qualidade de um texto e profissionalmente aperfeiçoá-lo. Com os mais de 200 milhões de falantes de português é estranho que não haja uma oferta franca de serviços desses na net. Bem sei que a Leya, e provavelmente outras editoras, se propõem oferecer esses serviços a quem pretenda fazer autopublicação dos seus textos literários. Mas não se encontram na net editores em “free lancing” de textos escritos em português.

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  7. De facto, o editor está a desaparecer. Lamentavelmente, o verdadeiro editor. Aquele editor que sabe aliar a competência literária a um bom relacionamento com os escritores, fazendo do pacto editorial uma demonstração de ética profissional. Infelizmente, hoje, a figura desse tipo de editor está a exinguir-se, dando lugar a máquinas editoriais que de humano só têm a má-formação e a má-educação que caracterizam muita gente de pseudocultura, mas que tem nas mãos o poder de publicar segundo os seus critérios. Essas máquinas editoriais tratam muito mal os escritores (nem todos, é óbvio, mas só por enquanto). Agem por conveniência e oportunismo. Olham para os escritores como se eles fossem produtores de maus e bons chouriços. Não têm qualquer pejo de atirar para o lixo um escritor cujos chouriços percam a cotação no mercado editorial, que é o número de vendas.
    Uma grande editora só é grande se tiver grandes editores porque, sem estes, os grandes escritores fogem a sete pés.

    Artemisa

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  8. O que eu adorei chegar hoje aqui...
    Obrigada.

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  9. é verdade.

    nunca como hoje se promoveu tanto o "lixo".

    mas a televisão bate tudo aos pontos.

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  10. E o que é um livro que contribui « para o crescimento intelectual e a formação do indivíduo»? A Leya editou, muito recentemente, um romance da autoria da Bárbara Norton de Matos...De arrepiar.

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  11. Há por aí pessoas que se intitulam editores e que são tanto editores como eu sou astronauta. Basta fazer uma ronda pelo facebook e ver os tais livros e os tais analfabetos que escrevem os tais livros e as tais criaturas que "editam" e publicam os tais livros. Claro, não ficam para a história, mas moem a cabeça e obnubilam o olhar do mais incauto.
    Um negócio, mais ou menos, lucrativo! Agora, com a descoberta das "antologias", essas "editoras" publicam umas atrás das outras, fazem lançamentos e vendem a edição quase toda (pequenas edições, já se sabe) aos iluminados autores, às famílias, aos vizinhos, aos amigos, aos amigos dos amigos e pronto! Ficou paga a edição. O que resta deve ser distribuído pelos participantes, esses grandes escritores e poetas, que os colocam lá em casa a um cantinho da sala e os oferecem, mais tarde, pelo Natal.
    "Editores", actualmente, são mais que as mães!

    Agora, bons e ilustres profissionais, também os temos, hélas! Claro que sim! O que seria dos escritores assim chamados sem os seus editores? O que seria um bom editor sem um bom escritor? O que seria um bom escritor sem um bom editor?

    Cristina Carvalho

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    1. Não se preocupe, Cristina. Essas "Criaturas" de certeza que não moerão a cabeça nem obnubilarão uma escritora brilhante e genial como a Cristina. Porque isso seria impossível...certo?

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    2. Mas, queira desculpar Sandra Neves - não faço a menor ideia de quem seja - está a responder assim, porquê???

      Disse alguma coisa menos verdadeira?

      Cristina Carvalho

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    3. Pois eu, por força das circunstâncias, sei perfeitamente quem a Cristina é. (ocorreu-me agora aquele episódio da Maria José Nogueira Pinto - uma grande senhora!) E não. Não disse nenhuma inverdade. Apenas manifestou uma preocupação excessiva em pessoa do seu elevado nível e gabarito.
      Bom almoço, caríssimos!

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    4. Também não percebi!! O que se passa?!! Enfim há dias assim.

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  12. Agora mais a sério: percebo e compartilho das preocupações da nossa anfitriã. Apesar de a situação mencionada constituir defeito comum a todas as casas editoriais. Apenas não sejamos sectários na definição do que constitui boa ou má literatura. Quanto ao que, definitivamente, não o é...não acredito que faça assim tanta mossa.

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    1. O tema hoje apresentado é - O Editor em Extinção -

      Senhora Dona e Cara Sandra Neves, falei apenas de editores e não me referi a escritores.
      Queira reler, por favor!

      É preciso algum cuidado com certas afirmações. Estamos a conversar sobre editores e não a desconversar sobre escritores, não é?

      Foi agressiva, gratuitamente, sem necessidade, não foi?
      Mais calma e mais "zen" é o necessário.

      Um bom dia para todos!

      Cristina Carvalho

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  13. Agressiva...eu?
    Bem, eu sei que a língua portuguesa se presta a diversas interpretações, mas...

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  14. António Luiz Pacheco4 de outubro de 2013 às 06:36

    Interessante post e tema, interessantíssimas opiniões neste local Extraordinário!

    1º - Continuo a achar que não há nem boa nem má literatura… há literatura!
    A forma como ela nos afecta é que difere, e claro, tendemos a classificar como “mau” aquilo de que não gostamos, e, de “bom” o que nos agrada.
    Aí reside o busílis… e percebê-lo é meio caminho andado!
    Por aí não vamos a lado nenhum, e muito menos “cultivar” ou “educar”.
    De resto, a liberdade das ideias deve ser o nosso objectivo!
    Atrevo-me a dizer eu, traça literária!

    2º - A literatura é como tudo o mais no Universo: Diversa!
    Continuo a achar que na diversidade reside a maravilha da humanidade como da Natureza.
    Em prol dessa diversidade tem de haver de tudo, pois só assim há as coisas de que gosto, a par das que não gosto. Tenho de saber viver com isso!
    Por isso, tem de haver diversidade tanto de editores quanto de escritores. Para haver os livros de que gosto e leio e me dão prazer, e, os que leio e não me dão, ou aqueles que nem sequer leio!

    3º - Conclusão: Só porque há diversidade, há os editores que editam os livros e os escritores de quem gosto!

    Então porquê preocupar-me?
    Os editores desaparecerem? Hum... não creio, pois cada vez há mais diversidade!

    Preocupar-me porque há muita gente que gosta do que eu não gosto? Hum… pois, isso é sinal de que não sou capaz de respeitar os gostos dos outros e procuro impor os meus… logo, tenho receio de que me façam o mesmo… não será?

    Afinal, e deixem-me falar como a traça inculta, isto de ser Editor é como um supermercado.
    No supermercado eu compro o que quero! Pois é esse o segredo do sucesso do supermercado: A liberdade para comprar! É dos livros!
    O supermercado para vender o bom paté tem de vender mortadela também, pois ninguém lá vai só pelo paté que é caro e apreciado por uns poucos (um nicho). A maioria compra mortadela!
    Então para poder vender paté, e manter este nicho em toda a sua fileira, o supermercado tem de ter e vender mortadela, por muito que a deteste. É assim, uma coisa suporta a outra.

    Logo, o editor passa pelo mesmo!

    Isto é saber viver, viver numa sociedade livre!
    O que se pode criticar são os supermercados que só se ocupam da mortadela e ditam o fim do paté! Como é criticável o supermercado querer impor o paté, obrigando a quem não o possa comprar a comer pão seco!

    Saudações kaluandas

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    1. Extraordinário comentário! Muito, muito bem escrito!

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    2. era bom que fosse assim, "Extraordinário" Pacheco.

      fez-me lembrar um professor de português que dizia que todas as mulheres eram bonitas.

      claro que não são. até porque isso seria um problema para os homens que gostam de mulheres feias e vice-versa. :)

      mas apesar de nem todos gostarmos do amarelo, há livros que só têm uma classificação e à excepção dos autores, pouca gente lhes descobre qualidade.

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    3. Reitero a afirmação do professor de português: todas as mulheres são bonitas. Torno-a até extensiva aos homens, todos os seres humanos são bonitos.

      Mas nem toda a beleza é evidente.

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    4. a "extraordinária" Beatriz lá terá as suas razões.

      estava a lembrar-me de Salazar e Hitler, muito bonitos por dentro e por fora.

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    5. Esqueci-me de dizer que em algumas pessoas a beleza é apenas inicial. Depois desfiguram. Tem razão, portanto. Mas todas as pessoas, só porque o são, têm uma beleza própria - a de ser pessoa. Depois...digo que podem alindar ou estragar. Mas, em algum cantinho delas, há-de haver algum lugar florido. Ninguém é absolutamente mau. Nem Hitler.
      Já disse que não me assiste o adjectivo. Beatriz. Não é porque se frequenta um blogue que passa a ser nosso o que o caracteriza. Qualidades e defeitos descontagiam.
      BFS

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  15. Num certo sentido, sim. O bom editor é uma espécie ameaçada. Mas, lado a lado com o que é entretenimento puro e vende muito, existem os bons autores. Ora, se não haja bons editores, que apostem também neles, como singram as obras literárias? Não podem.

    Portanto, senhores editores, nada de demissões. Ou fica só a poeira no ar.

    Mas entendo Michael Kruger; a velhice dá-nos um conhecimento de nós e dos outros que impede pactos com a mediocridade. Em algumas coisas somos - e bem - intolerantes. Ele quererá preservar uma imagem que é a sua e corresponde decerto a uma forma de estar na profissão.

    A camada mais jovem terá outra visão. Se compreenda a necessidade da literatura...tudo bem.
    BFS

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  16. Não creio que seja o editor quem esteja ameaçado. mas sim as editoras. Porque um escritor vai sempre precisar de quem reveja o seu texto, quem o ajude a melhorar, quem aponte outros caminhos. Só que hoje, com as inúmeras ferramentas de auto-publicação, que incluem distribuição para o mundo inteiro, já não precisa de uma editora, que (se não estiver perante uma cara laroca/conhecida/premiada) apenas o promove durante um mês ou dois, canibalizando o próprio espaço com os outros inúmeros títulos que tem para vender.
    O que aconteceu com a música no início dos anos 2000, em que as editoras viram os artistas a fugir a sete pés e a lançarem-se sozinhos (com a ajuda dos produtores e outros técnicos freelancers), está já a acontecer com a literatura: os escritores vão começar a preferir publicar as suas obras sem chancela, com a devida ajuda de editores e revisores freelancers.

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    1. António Luiz Pacheco4 de outubro de 2013 às 08:11

      Compreendo... ou julgo compreender.
      Mas, reflicto e constato:

      Quantas vezes comprei um livro por ser de esta ou daquela Casa Editora?
      Ou deixei de comprar?
      Hum... tirando os livros estrictamente do foro
      técnico, nunca! Pelo menos conscientemente...

      Tal pode acontecer aos profissionais da área da literatura, julgo eu. Mas a nós leitores comuns, as traças, que somos quem pesa no volume de vendas, creio que não!
      Se me disserem que há chancelas que têm mais vendas pela sua capacidade geral, aceito! Mas não me parece que isso seja por causa da notoriedade junto do público, ou que este compre Leya como compraria Lacoste...
      Estarei errado?

      A auto-publicação ser o futuro?
      Hum... e a distribuição? O merchandising? A publicidade? Não creio... isso ainda tem a ver com Editoras-Distribuidores-Livreiros e não me parece fácil de furar essa cartelização.
      Estarei certo?

      Sei o que é auto-publicação, os custos que tive e a trabalheira para vender eu mesmo 1.200 exemplares por venda directa!
      Deus me livre de outra empreitada destas, e sou homem de desafios!

      Ahahah! Desculpa lá esta ó Severino - aliás deixa-me dizer-te que concordo inteiramente com a descrição que fazes! O trabalho não é desafio, é uma missão!

      Saudações kaluandas.

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  17. Não me parece nada que o Editor esteja em extinção (na sua função de aconselhamento e apoio à “boa” escrita), embora não tenha tanta certeza relativamente à Casa Editora - que não se saiba adaptar aos novos tempos de massificação… e à edição de autor, impressão a pedido… - à libertação do escritor e à necessidade deste ser um agente da sua própria diferenciação face ao apelidado mercado (que não é mais do que um lugar onde transaccionamos (procuramos e oferecemos … “os nossos interesses”). Quem está atento já se apercebeu de várias realidades em mudança, fruto de tempos cada vez mais acelerados: cada vez há mais gente a ler; cada vez há mais plataformas de leitura; o mercado do livro é cada vez mais um mercado de nicho que segue a tendência da diversidade cultural. A cultura neste aspecto tem quase uma gradação aproximada à dos direitos humanos: os de primeira geração, os de liberdade (aqui podendo ser entendida como a liberdade de lermos o que entendermos sem ser sujeitos de censura; os de segunda, de igualdade; os de terceira, de fraternidade; e os de quarta, os tecnológicos, como é o direito à informação.
    Com a explosão deste último direito, à mão de um teclado, houve uma explosão de autores e de criação de nichos. Legítimos, sempre… E que, ao contrário do que muitos pensam, não significa maior ou menor qualidade, mas apenas a conjugação daquilo que a minha reflexão permitiu discernir entre a qualidade da escrita e o interesse das temáticas.
    Como sou um produto híbrido de ciências com letras, permitam-me que avance com uma matriz simplista 4x4 (obviamente redutora), que tente reflectir sobre as preferências e racionalidade do leitor (na sua opção de leitura e de compra de um livro!) … para tentarmos perceber o que se passa com a edição.
    Matriz
    Leitura/Leitores
    Interesse das temáticas
    Total Mediano Vago
    Qualidade
    da
    escrita Boa 100 80 60
    Mediana 80 60 40
    Fraca 60 40 20

    E que conclusões engraçadas podemos retirar (façam os extraordinários, o favor de retirar outras conclusões desta pobre matriz de leituras/leitores). Uma muito interessante, imediata, é a de que, na altura de compra de um livro, possivelmente um leitor preferirá um livro de qualidade mediana, mas com um interesse temático para si total, do que um livro de grande qualidade de escrita mas com um interesse vago temático para si.
    Da conjugação da qualidade da escrita com o interesse das temáticas percebemos que o livro, hoje, já não pode sofrer da ilusão e insuficiência da oferta, mas do filtro da procura.
    Ou seja, o escritor (e a editora que o edita) tem duas alternativas: ou escreve para si e para o seu umbigo (e tantos andam a escrever para o umbigo com fraco ou sem conteúdo temático – a tal vida que faz falta!) e dificilmente escreverá para mais alguém do que para si próprio, ou, procura dar ao leitor o que ele procura, “trazendo-o” não para dentro de um ecrã, mas para dentro de uma floresta de papel. É que no fundo o leitor já não quer neste tempo de interacção ser um elemento passivo, mas um actor da sua leitura.
    Será que faz sentido?

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    1. António Luiz Pacheco4 de outubro de 2013 às 08:37

      Excelente como sempre, caro e Extraordinário Comparsa!

      Abraço!

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  18. Claudia da Silva Tomazi4 de outubro de 2013 às 11:10

    Desconhecer o assunto seria facto triste e ponderar a respeito é desnecessário; então resta-me expressar o tema sobre um germano ?! Creio que são gente boa (escritores, leitores e editores) afinal a Alemanha é logo ali .

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    1. Ora isto é que é, afinal, importante: – cá temos a nossa Cláudia de volta!
      Atentos os nossos esforços, desconhecer este assunto seria facto triste.

      Você, querida Cláudia, faz parte da nossa identidade, é em nós realidade abarcante, pretérita e hodierna, a fazer de nós quem somos – como diz algures Sandra, e calha bem aqui.

      Mas hoje – vá lá! – juntou-se-nos gente nova. Creio, como você, que são gente boa (escritores, leitores e editores).

      Ponderar a respeito só é necessário porque nos falta ainda o regresso do Courinha.
      Expressar o tema sobre o tal germano não vem agora ao caso – afinal o Alqueva, como a Alemanha, é logo ali.

      Talvez que o Courinha ande por ali, incógnito, à espreita por entre as nogueiras.
      O Pacheco, logo pela manhã, bem tentou aliciá-lo com mortadela, depois subiu a parada para o paté…
      Mas quê?! Entretanto houve aquela coisa dos erros ortográficos – ui!, o que isso deu que falar!.
      E aquela coisa do júri que escolheu o Camarneiro – ui!, que horror!, havia por lá uns poetas a decidir sobre prosa…
      De modo que o Courinha, prudente, postou-se talvez à sombra – que o sol, entretanto, abriu forte por aqui, antes de girar para ocidente, para aí, para o Brasil.

      Quer dizer: se estou a fazer bem as contas, a sua mensagem chegou cá às nossas 19,10 h, umas onze e dez aí no Brasil, ia o nosso sol, esplendoroso, a caminho daí, e a Cláudia a tomar o pequeno-almoço, enquanto eu e o Courinha estávamos aqui, atónitos, a ver no que isto dava ao escurecer.

      Pode ser que, dado o adiantado da hora e outros adiantados, eu e ele estejamos algo desorientados, a fazer mal os cálculos, mas:

      - Talvez, Maria do Rosário, os editores não estejam, afinal, ainda em extinção.
      - Talvez os poetas consigam – e até cada vez melhor – apreciar prosa.
      - Talvez os erros de ortografia na net não sejam corrigidos porque os correctores ortográficos já se automatizaram a eles.
      - Talvez assim a ortografia se vá empobrecendo.
      - Talvez por isso o acordo ortográfico se vá, politicamente, automatizando.
      - Talvez mesmo assim os poetas possam, cordialmente, ir apreciando a prosa.
      - Talvez, porém, consigam ao menos preservar a poesia do automatismo e, de uma vez por todas, confiarem-na à cordialidade.

      Talvez assim, cordialmente, a Cláudia consiga convencer o Courinha a regressar à prosa entre nós – entre as nozes.

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    2. Muito obrigada, Joaquim Jordão.
      É uma honra ser assim citada por tão extraordinário leitor. :-)

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    3. Obrigada por mais este texto. Ainda bem que fez referência ao Courinha, que muita falta faz neste espaço.
      uma saudação ao chefe sapo.

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  19. O editor é uma espécie ameaçada, termina assim o "post", como se fosse um anátema ou uma predestinação.
    Pois bem, como em todas as espécies, há sempre a hipótese de uma evolução. Assim, nesta ordem da literatura e classe de editor, a possibilidade é permanecerem os melhores, os mais capazes, não necessariamente os que desempenham mais labor nos escaparates ou proponham maior lucro ao patrão, mas aqueles que estiverem livres de peitas e amizades, de nomes sonantes que não vendem e não devem vender - ou vendem fancaria de feira da ladra -, os que conseguirem ler mais do que 10 páginas do início de uma obra (como o faz a editora/autora do artigo), porque não é necessariamente no início ou no arranque de um livro que está "o livro".
    O editor está em extinção, porque as editoras estão a remodelar os seus padrões. Há editores que já não arriscam; ou, quando o fazem, pretendem que o autor compartilhe esse risco, em parceria.
    Não há autores que desiludem o leitor, porque eles escrevem e julgam que a sua obra é a melhor obra. Não há dolo ou, se o há, é eventual. Mas há editores que enganam os leitores, vendendo-lhes, mais ou menos bem encadernado, um produto menor, possivelmente com as tais dez primeiras páginas cheias de poesia ficcionada, inerte, incongruente e vazia, mas sonante na linguagem e nos aforismos.
    Tenho, nas minhas estantes, obras que comprovam aquilo que disse atrás: ocupam espaço e não as ofereço porque não quero que seja a oferta levada por insulto. Incineradora com elas. Quem me mandou ser trouxa? Para a próxima compra, é preferível ler a partir das dez primeiras páginas.

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  20. Tanta rigidez e selectividade por parte dos editores tinha que dar nisto... Mas atendendo a que a Bárbara Norton de Matos publicou na Leya , que a Margarida Rebelo Pinto começou na Oficina do Livro e atendendo ao facto de, nos últimos anos , autores como o Lobo Antunes terem vendido apenas 400 a 500 exemplares..Acho que a máquina editorial pode passar a dedicar-s à impressão dos guiões da Casa dos Segredos que a malta compra...ou faz "dóniló" da net.... É o fim dos tempos! :-))))

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    1. Do que me apercebi, o Bento é conhecedor desta matéria e, em duas frases, disse quase tudo. Não estranhe que eu tenha apreciado o seu texto, designadamente quando, através dele, fiquei a saber que o Lobo Antunes rendeu à editora uns "míseros" 400 ou 500 exemplares. Se recebeu à percentagem, nem para a luz do petróleo daria tal escrita.
      Sobre este mesmo assunto, quero acrescentar o seguinte, que gira na esfera pessoal deste escrevinhador de textos. E é isto:
      Publiquei um livro em auto-edição - livro que foi rejeitado pela Porto Editora, secção Porto - o qual vendeu, num único posto de venda, 2.000 exemplares! Apenas num mês escoou a primeira edição.
      Para não julgarem que era treta minha, nas edições posteriores alterei a capa. E continua a vender...
      Editoras? Quais? As que lêem as primeiras dez páginas de autores desconhecidos e as que publicam os conhecidos e amigos sem lerem sequer as tais dez páginas?
      Preciso tanto de editores como de um saco de pulgas. Estou inscrito na APEL, tenho o meu ISBN, encaixo o custo da edição e mais algum que, estou em crer, alguns consagrados e os seus "padrinhos" não almejam.

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  21. Bom dia, cara Maria do Rosário Pedreira.
    Leio com frequência o seu blog mas nunca tinha feito nenhum comentário. No entanto, o tema do seu post de hoje lembrou-me uma discussão feita há alguns dias entre amigos do facebook sobre o desaparecimento das livrarias de autores portugueses consagrados como, por exemplo, José Rodrigues Miguéis, Raúl Brandão, Aquilino Ribeiro. Porque motivo as editoras portuguesas não têm relançado estes autores desconhecidos da maioria dos jovens leitores, e não só? É preocupante verem-se as bancadas das livrarias cheias de livros sem qualidade e com uma ausência total destes nossos autores maiores.
    Desde já, agradeço sua eventual resposta
    Augusta Clara

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  22. Conhecia a Maria do Rosário Pedreira como autora cujas obras fui comprando com a necessidade de a conhecer melhor como autora.
    Não me compete falar da relação autor/editor que tanto está na moda.
    Confesso que, actualmente, compro mais livros em alfarrabista, que nas livrarias.
    Penso que todos perceberão porquê.
    Sou leitora atenta desta página e como em muitas outras raramente leio os comentários.
    O tema hoje levou-me a ler todas as respostas. Em algumas sorri, noutras intimamente discordei e, ainda noutras, pensei: “tanto se critica os maus autores! Com razão! Mas se eles são editados é porque as editoras o querem fazem e não são selectivas!”
    Desde os meus tempos de menina que sempre tive o gosto pela leitura. Comecei a ler muito cedo. Alguns dos clássicos cheguei a ler às escondidas dos meus pais por eles acharem que não tinha ainda idade para compreender o que lia. Mas eu lia na mesma.
    Desses tempos, recordo uma frase do meu Pai quando eu dizia que este ou aquele livro era mau: “Como podes avaliar o que é bom se não leres o mau? Está em ti seleccionares depois o que gostas mais e o que te parece melhor.”

    Ao longo da vida não esqueci o conselho do meu Pai.

    E nos dias de hoje está em mim separar o trigo do joio.

    Grata pela oportunidade de avaliar as vossas opiniões.

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  23. Apesar de podermos sempre pôr um livro de lado porque é mau, antes já tivemos de o comprar, de ser bombardeados com o marketing, de duvidar de nós, porque , afinal, ah, nós é que não devemos estar a ver bem, e tal, o valter hugo, e assim... pois! Farta deles! Valteres hugos e tudo! Abaixo a mediocridade que se impôs com a conivência de todos, os bem pensantes incluídos. Agora temos de gramar as suas figuras cartonadas gigantes, cabeçorras desnudas, sorrisos palermas, em tudo quanto é supermercado, capa de jornal de prestígio, revista barata de consumos bacocos... Nunca tanta gente leu, nunca tanta gente falou de livros, nunca tanta gente foi descartável! Pois. E depois? Queriam todos ser/ter Homeros? Isto passa, vão ver!

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