História de uma paixão

Quase todos (se não todos) os escritores são leitores desde muito jovens – e é a leitura que acaba por levá-los provavelmente à escrita. Mas nem todos serão bibliófilos como o britânico Julian Barnes, de quem li recentemente um delicioso opúsculo que parte de um artigo publicado no jornal The Guardian no ano passado e chamado My Life as a Bibliophile. Nele, o autor conta que beneficiou claramente de não ter televisão em casa nos primeiros dez anos de vida e de ter sido criado por pais (e avós) professores que tinham bibliotecas respeitáveis, embora confesse que estas não o excitavam por aí além e que foi o despertar do sexo que o levou a investigar com mais atenção as prateleiras (assim lendo o Satyricon, de Petrónio, aos onze anos, que era o livro mais escaldante que havia nas estantes). A partir de então, tornou-se um leitor feroz, um coleccionador de primeiras edições e um consumista de obras literárias – um bibliómano, como nos diz –, frequentando pequenas livrarias de bairro e alfarrabistas e gastando mais de metade dos seus rendimentos mensais em livros e colecções. Hoje, tantos milhares de livros depois, não gosta muito de e-books, confessa – acha que cada livro em papel tem um toque e um cheiro específicos e que os livros electrónicos cheiram todos ao mesmo (a nada). Conclui que ler é uma capacidade que quase todos têm, mas uma arte para poucos: sempre houve não-leitores, leitores preguiçosos e maus leitores – e continuará a haver. Espero é que os bons leitores como Barnes também se mantenham por muito tempo.

Comentários

  1. De Julian Barnes conheço o romance " O Sentido do Fim" que comprei a propósito de clube de leitura na Arquivo em Leiria.
    Concordo que ler é uma tarefa que todos os alfabetizados podem fazer, mas a arte de ler, só alguns a possuem, de facto. No entanto, acredito que o numero de leitores tem tendência a aumentar e que se tornarão, quero eu acreditar também, leitores mais exigentes no que toca à arte de saber ou não desfrutar de um bom livro.

    Os e-books, mesmo muito criticados por uns e aplaudidos por outros, apesar de não terem aquela sensação da textura, do toque e do cheiro, sobem em flecha como porta de escape a muitos autores para se iniciarem na edição - tem-se visto alguns casos de sucesso lá fora, que depois são rabiscados pelas grandes chancelas. É sinal que ainda se compram e lêem livros, mesmo que sejam em formato digital... Por isso, leitores parecem existir.

    Abraço.

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  2. Gostei muito d "O PAPAGAIO DE FLAUBERT" e do "ARTHUR & GEORGE", não tanto do "SENTIDO DO FIM". Sou um seguidor deste escritor;"ARTHUR & GEORGE" é um bom livro e realmente tive sempre a sensação (embora o desconhecesse) que Julian Barnes gostava de livros (e em papel).

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  3. Muito interessante a interpretação de Barnes , mas um tanto elitista.
    Algo que não encontrei em "O prazer da leitura", de Proust , que confesso não conseguir largar da cabeceira.
    Para Proust não há ignorância de livros porque isso é mesmo, para um homem de génio, uma marca de grosseria intelectual e quiçá redutor do todo.
    Para Proust toda a leitura e o saber conferem “as boas maneiras” do espírito.
    E a distinção de Barnes , entre leitores preguiçosos e maus leitores, faz-me pensar no modo como abordo cada livro, tantas vezes de aparente forma preguiçosa, com uma atenção tão desprendida como se as palavras ficassem a vogar no espaço, distraído; outras, sorvendo devagar cada palavra e cada sinalética como se estivesse a decorar um lugar onde queira voltar… E já nem muitas vezes me preocupando em decorar o próprio título, já que os livros deixaram de ser caravelas, naus ou brigues… Interessa-me mais o mar onde elas vogam.
    Ler torna-se, assim, um exercício de condução até uma estrada interrompida, onde mudo de condutor sentando-me agora ao volante, abrindo novos-atalhos, novas-veredas, novos-caminhos, sempre sem os olhos em qualquer auto-estrada que me dê o título de leitor não desprendido ou de cidadão respeitado da polis.
    No respeito, até da leitura, perde-se tanto “as boas maneiras do espírito” e o paradoxo é que continuamos a precisar da preguiça do bom selvagem.
    Sem ela é tudo tão sem gosto como, aquilo que me confessava há pouco uma revisora-amiga, o sabor de um copo-de-água.

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    1. Li "O Sentido do Fim", de Julian Barnes, e gostei muito, foi mesmo um dos livros que mais gostei, nos últimos tempos. Mas concordo com o Pedro Sande, quando ele fala de elitismo, e confesso que esta coisa dos «não-leitores, leitores preguiçosos e maus leitores», da parte dele, me desiludiu um pouco.
      Claro que há muita gente, talvez a maior parte, a comprar livros, digamos, fracos, ignorando boa literatura. Mas a fronteira entre o entendido de literatura, que sabe aconselhar, e o elitismo arrogante, é muito ténue.

      - «não-leitores, leitores preguiçosos e maus leitores»
      - não-pessoas, pessoas preguiçosas e más pessoas?

      Não é com vinagre que se apanham moscas. E o convencimento de que podemos julgar os nossos semelhantes, normalmente, não nos leva longe...

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  4. Foi o facto de ter ganho o Man Booker Prize 2011 que adquiri e li "O Sentido do Fim". Não me arrependi, porque é uma obra bem escrita e um tema bem trabalhado, onde perpassa realmente o grande tirocínio bibliófilo de Julien Barnes.

    Embora o Severino não aprecie particularmente esta obra deste autor - elevando, no seu apreciador conceito, outras duas - quando li este post da Rosãrio, sem ainda ter lido os dois comentários iniciais, pensei no Severino.
    Sem o conhecer pessoalmente, julgo o Severino um autêntico bibliómano, se ele me permite esta consideração, uma vez que aprecio a forma desafrontada como comenta, num evidente grande
    conhecimento que tem demonstrado, graças e através de uma constante leitura.
    Também não gosto de e-books - e a editora para a qual fiz o meu último livro (2012), lá tem um meu, pouco adquirido por essa forma -, uma vez que um livro (em papel) e na minha mão, conta com tudo: a textura, o peso, o cheiro (como a Rosário evidencia acima), a capa, a lombada, o miolo, a fonte da letra, sem que o passar do tempo e os ácaros o depreciem nas minhas estantes.

    Finalmente, a trilogia da Maria do Rosário - sempre houve não-leitores, leitores preguiçosos e maus leitores - é pertinente e corresponde à esfera de quem recebe graciosamente ou de quem compra os livros. Os leitores preguiçosos e os maus leitores, com o tempo e a mudança de atitude, podem vir a ser bons leitores e, consequentemente, bons escritores.

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    1. Ó Fernando não serei propriamente um autêntico bibliómano com toda a carga de conhecimento que a palavra poderá encerrar, sou, sinceramente, um desconhecedor de tudo mas que quer conhecer tudo, um fanático por livros, que se pudesse trocaria o sono pela leitura (talvez os únicos momentos em que não esteja a ler). Para onde quer que vá levo um livro (sim para onde quer que vá); ainda ontem comprei num alfarrabista de vão de escada, um livro do melhor escritor uruguaio (dos que conheço, obviamente) -"OBRIGADO PELO LUME" ; a propósito deste escritor - já leram "A TRÉGUA" ?- não percam.
      Quase todos os dias compro um livro (para mal do meu pequeno orçamento-deixo de comer para comprar livros, não estou a "mangar",estou mesmo a falar a sério, os livros já quase me valeram o casamento, ciúmes...), hoje já comprei, num alfarrabista por onde passei (por € 1,00), "BRUGES, A MORTA" de Georges Rodenbach, um pequenino livro, com mais de 40 anos, da colecção Antologia dos Amigos do Livro, da Editorial Inquérito, um pequenino livro, mas um livro à séria, com ilustrações,com cheiro e tudo...

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  5. Gosto muito do Julian Barnes.
    Para além de «O Sentido do Fim» e «O Papagaio de Flaubert», destacaria o «Nada a Temer», uma dissertação sobre a morte, que fala de religião, filosofia, literatura, memórias de família, tudo tratado com muita seriedade mas também com muita ironia.
    Começa assim: «Não acredito em Deus, mas sinto a Sua Falta.»
    Depois são quase 300 páginas de puro prazer.
    :-)
    Antonieta

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  6. Justamente por estes dias ando em obras em casa: na antiga biblioteca do meu Pai, que eu reconverti para mim. Tirei tudo lá de dentro até não ficar nem um papel. Mudei o chão. Fui buscar móveis antigos que estavam abandonados na garagem à espera de um dia qualquer. E aqui ando entretida entre milhares de livros e muitos que descubro e outros de que me havia esquecido e aqueles que ainda esperam ser lidos e os que têm centenas de anos e nem sei como lhes tocar e cheiram a passado e têm caligrafias dos antigos donos que me fazem parar e tentar ver-lhes a vida. E, claro, de permeio a inevitável: onde é que eu estava com a cabeça quando comprei isto?!
    No geral, os livros nunca são demais...

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  7. Li, de Julian Barnes , "O Papagaio de Flaubert ", um dos mais deliciosos livros que conheci. Considero-o um felicíssimo cruzamento de bibliofilia, conhecimento de literatura e talento.
    "Do Outro Lado do Canal" desiludiu-me e não voltei ao autor mas, face a este poste e aos comentários, vou rever a minha posição.
    Saudações aos Extraordinários, onde a bibliomania tem seguramente alguma expressão.

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  8. [Fora do contexto]
    Assisti na sexta à noite a algo que nunca vira no nosso país: 1000 pessoas encheram a Casa da Música para ouvir um escritor português dialogar sobre o seu mais recente livro.
    Valter Hugo Mãe e "A Desumanização".
    O mérito também será da Porto Editora que organizou o evento. Será que finalmente temos uma editora verdadeiramente interessada em investir dinheiro na promoção de escritores nacionais ?

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    1. Então o Artur sempre foi?
      E que tal?
      :-)
      Antonieta

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    2. Inesquecível !

      O Valter Hugo Mãe é uma pessoa muito especial: parece ser uma genuína criança grande, emocionalmente imatura, mas super-inteligente, com a inteligência de um adulto cultíssimo. E isso é estranhamente fascinante para quem o ouve. Na Casa da Música, as suas palavras iniciais foram logo um fulminante apelo às emoções maternais das senhoras que dominavam a audiência, um apelo que soou como sendo absolutamente sincero e, por isso, enormemente sedutor.

      Apresentava-se ali, em corpo de homem, uma criança sensível e vulnerável que pedia para ser amada pelos presentes. Raramente, e estou a lembrar-me de espetáculos inolvidáveis a que tenho assistido ao longo da vida, vi emoções correrem tão abundantemente entre o público e o homem do palco, que não era nem ator nem cantor.

      Imagine-se um homem que logo de entrada se confessa muito nervoso porque teme que não vão gostar dele, que diz de seguida que tem sempre a necessidade de fazer “xixi” (sic) mesmo antes do início das apresentações dos seus livros, que afirma ser o grande objetivo da sua vida tratar da sua mãe e, finalmente, que, ao contrário das mulheres, os homens só são necessários porque são dotados de força (“são precisos para segurar as traves de madeira que se usam para sustentar o teto de uma casa enquanto esta é construída, mas que são dispensáveis logo que o teto está acabado”). Tudo isto de rompante e nos primeiros dez minutos da sua primeira intervenção, feito ao longo da noite em diálogo com o jornalista Sérgio de Almeida.

      Haverá mulher que resista a acolher no seu colo uma criança grande tão carente de afeto e, ao mesmo tempo, tão sensível e elogiosa da condição feminina? O público não reagiu tão exuberantemente como na célebre sessão do VHM em Paraty (acessível no YouTube) só porque nós, portugueses, somos mais contidos do que os brasileiros.

      Uma “diseuse” leu um fragmento de “A Desumanização” escolhido pelo VHM em que a protagonista (e narradora, uma adolescente islandesa chamada Haldora) fantasia sobre o interior do seu corpo organizado em casinhas onde imagina encontrarem-se os seus filhos à espera de um homem que os vá tornar viáveis. Foi bonito ver o VHM falar sobre o que ele sabe da Haldora, de como a perda da irmã gémea lhe retirara o afeto da mãe, de como se relaciona com o pai e com o mundo. Há aparentemente um componente místico no livro, que apareceu no fragmento que foi lido, que é representado pela “boca de Deus”, expressão que repetitivamente irá aparecer no livro. Segundo foi dito, “A boca de Deus” esteve para ser o título do livro (seria um título que o editor teria preferido). O próprio VHM não explicou porque optou por “A Desumanização” porque ele próprio considerou a palavra desagradável (“é uma palavra que tem ossos”).

      Muito mais se falou, vimos fotos da Islândia, em particular da área rural e inóspita onde se passa o romance, e houve insistência na ideia de que o livro, mesmo escrito com linguagem poética, tem uma história para contar. Antes da entrada do VHM no palco tivemos meia hora de música: piano e uma muito bela canção islandesa cantada pela Ana Deus.

      E às 23.30, todos tinham um ar satisfeito ao sair da Casa da Música.

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    3. Excelente, Artur,e bem pictórica a sua descrição. Obrigado. Como sou um cultor de títulos, e sem ter lido sequer a obra do VHM , também penso que o Valter escolheu mal.
      Não por causa dos ossos da desumanização, até porque pela boca de Deus (não pela entidade que convoca), muitos ossos se quebraram, muitas covas se abriram, mas por uma certa sonoridade mística (no sentido do inexplicável).

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    4. Muito obrigada, Artur, por ter partilhado essa noite connosco.
      Também gostaria de lá ter estado...
      :-)
      Antonieta

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    5. Gostei de ler, Artur. Obrigado pela partilha.

      Dias antes ouvi o VHM falar sobre o mal para uma plateia repleta (mas bem mais pequena) e revi-me no que escreveu.

      Ando há uns dias para lhe dizer isto: na feira do livro que decorre no palácio de cristal, encontrei o "Peregrinação de Barnabé das índias" de Mário Cláudio a um preço muito simpático. Está na estante, a olhar para mim. Vou ver se lhe meto uma cunha para passar à frente dos outros, mas não prometo!

      Abraço para si,

      Rui Miguel Almeida

      PS: Antonieta, já acabou de se desumanizar? :)

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    6. Obrigado pelo seu comentário e pela sua sempre elegantíssima escrita. Para quando o seu próximo livro? Tenho há algum tempo encomendado o seu "A vida num sonho" mas ainda não me chegou às mãos.

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    7. Obrigado pelas sua palavras. Eu também sou viciado em livros em saldo e vão-se encontrando hoje em dia em alfarrabistas boas obras por uns poucos euros ou mesmo por um singular euro . É o resultado do desfazer avulso de bibliotecas pessoais de uma geração que tinha prazer em ler e em ter livros em casa.
      Oxalá o Barnabé lhe dê tantos momentos de prazer como o deu a mim !

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    8. Olá, Rui!
      Como já tinha dito, primeiro estranhei, depois entranhei, mas nunca desumanizei.
      Gostei de seguir a história da Halldora e da restante comunidade naquela terra tão inóspita, cruel mesmo, e também gostei que ela tivesse, no fim, partido à descoberta de outros mundos.
      Não gostei do que ela fez antes de partir, mas talvez estivesse apenas a salvar o seu amigo e a usar aquela velha máxima: Quem com fogo mata, com fogo morre!
      :-)
      Antonieta

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    9. Concluindo, embora haja por aí muita cabecinha (ou será cabeçorra?) bem pensante a denegrir a imagem e a escrita do Valter, ele ganhou mais uma leitora!
      E vou ter mesmo que comprar os livros, já que na Bib cá do burgo alguém requisitou os livros dele e nunca mais os devolveu.
      O português xico-esperto no seu melhor!

      Agora ando muito entretida a ler a Munro.

      E o Varguitas como vai, Rui?

      Antonieta

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    10. Calma aí, Antonieta! Nem parece de si, uma comentadora tão circunspecta, culta e sensata, atribuir o epíteto de cabeçorra, ainda que entre parêntesis e sob interrogação, a quem deprecia valter hugo mãe.
      Eu, por acaso ou nem por isso, não aprecio a obra do escritor - logo, deprecio, mas não me dou ao desplante de a denigrir, embora lesse e não gostasse. Talvez este último livro, se o ler, depois de requisitado num sítio onde o possa fazer, me leve a reconsidear esta opinião. É claro que, não apreciando, respeito os que gostam desta ficção, pois agem segundo as suas "cabecinhas". Também não me julgará a denegrir a imagem do autor e a sua escrita, porque os meus gostos pessoais, se bem que respeitáveis, também devem dar-se ao respeito.
      Não leve a mal estas considerações, mas não podia deixar passar em claro uma possível intolerância para os que são "contra". De resto, como lhe disse, aprecio os seus comentários, que são apanágio de quem ama a leitura. E isso, para mim, significa muito.

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    11. Caro Fernando,

      Eu estava a referir-me a certos críticos literários de jornais que se dão ao luxo de se referir a determinados escritores como se eles fossem lixo.
      O termo cabeçorra não pretende ser pejorativo, apenas se refere a uma «cabeça enorme e sábia», cheia de preconceitos e sem qualquer abertura a novas formas de escrita.
      E eu até acreditava neles!
      Depois de ler a opinião de alguns extraordinários aqui no Horas, comprei o livro e gostei.
      Mas admito e respeito a opinião contrária, sempre!!!
      O Fernando não tinha outro nome antes das férias?
      Assim com um J e um M?

      Abraço,

      Antonieta

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    12. "Touché"!!

      Eu prometi que regressaria de férias com o meu verdadeiro nome, de origem grega. Foi no último post da Rosário, antes das "vacances". E fi-lo.
      Estava à espera que algum dos Extraordinários me reconhecesse pela escrita ou pelos tiques. E a Extraordinária Antonieta, na sua grande capacidade de interpretação e acuidade literária, juntou dois com dois (melhor, dois com um) e eis-me como Joca Martinho, sim.
      Agora, enfim, este é o meu verdadeiro nome, como disse. Jamais entraria aqui com dois pseudónimos ou o nome e um pseudónimo, ao mesmo tempo.
      Provavelmente, outra pista darei à Antonieta. Ambos longe da capital, talvez ambos bastante perto.

      Um grande abraço para a Antonieta, com consideração.
      E outro para a Maria do Rosário, que merece toda a nossa atenção, companheirismo e crítica, quando houver.
      No geral, um abraço para todos, absolutamente todos.

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  9. Claudia da Silva Tomazi14 de outubro de 2013 às 12:36

    Gosto do tema ' História de uma paixão' !




    Velai-me branda espuma
    o rastro madrigal valente
    dentre a decente bruma
    Oh' mar ! És voz e ventre


    Qual largo serei atol
    na lufa lei imensidão
    encontrar-te-ía no arrebol
    languida e ousada exortação


    O céu ?! De brioso lençol
    a impavida presença o tente
    amo-te vestido de sol :
    Saudade és breve corrente


    Pira de abismo infernal
    pendular a ondas e entre
    nas linhas do colosso abissal
    paz é água transparente.

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    1. Que poema tão sugestivo e musical !
      Obrigado.

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    2. Sim: como diz Artur, poema muito sugestivo.
      Receio que Cláudia me tome a mal a manipulação, mas ainda assim ousaria até submeter-lhe o modo como, do lado de cá do Atlântico, o recebi e interpretei – o que me sugestionou:


      «Mar é voz e ventre,

      imensidão.

      Saudade, breve corrente,

      paz, água transparente.

      O arrebol do crepúsculo,

      brioso lençol,

      é lânguida e ousada exortação.»


      (Aguardo a punição... Enquanto o pau vai e vem, desfruto o prazer que me deu alinhavar palavras tomadas de empréstimo, trazidas pelo mar)

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    3. Finalmente, a nossa Cláudia comparece na sua verdadeira dimensão.

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  10. Os meus parabéns a Julian Barnes. Tem uma visão muito realista do mundo. Não haverá assim tanta gente a ler com a sua velocidade e interesse, mas o senhor é um leitor excepcional. O campo dos bons leitores é outro. E vai ter sempre muita gente.

    Objectos que são impalpáveis não são verdadeiros objectos. É o que tenho contra os e-books, e-mails e outros seres digitais que conseguem a proeza de em simultâneo ser e não ser.

    Prefiro os livros aos e-books e as cartas aos e-mails. Nos e-books mando eu, recuso-os; nas cartas já não é assim; portanto tenho de aceitar os e-mails ( bem mais rápidos)

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  11. gosto do barnes desde sempre. pouca gente conhece a sua faceta de contista mas tem dois livros muito bons, "the lemon table" e "pulse", o primeiro sei que está editado. gostei de "o sentido do fim" e ainda mais do recente "levels of life", em que mistura balões e fotografia e relacionamentos. é também um livro sobre a perda (ele perdeu a mulher) e em torno de uma ideia muito curiosa: como é que por vezes se juntam duas coisas ou duas pessoas ou duas situações, inesperadas e imprevistas, e como isso transcende tudo e muda o mundo. foi o melhor livro que li este ano.

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    1. Sim, José Luís, eu li «A Mesa Limão» já há imenso tempo.
      Tenho ideia que eram contos sobre o envelhecimento e a morte, mas já não me lembro bem.
      O último que refere não conheço, mas vou ficar atenta.
      :-)
      Antonieta

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