Estranhezas

Um fim-de-semana destes, o caderno «Actual» do Expresso dedicava várias páginas aos escritores portugueses que, segundo determinados críticos e jornalistas que ali escrevem regularmente, estavam subvalorizados e sobrevalorizados. Não discuto a ideia, tão boa ou má como outra qualquer mas perfeitamente legítima num país livre, embora eu não creia que os leitores deixem de ler os apontados como sobrevalorizados se já gostarem deles nem comecem a ler os subvalorizados só por alguém dizer que lhes deviam prestar mais atenção (sobretudo se não encontrarem os seus livros à venda, o que tenho a certeza acontece no caso de Alexandre Andrade). O que é, de algum modo, um pouco estranho é que se considere sobrevalorizado e com «livros intragáveis» (assim mesmo) um autor a quem o próprio Expresso dedicou três páginas inteirinhas numa edição anterior (Valter Hugo Mãe); e que se considere sobrevalorizado Fernando Pessoa (pois foi), que é justamente o patrono do prémio que o jornal Expresso atribui todos os anos a alguém que considera excepcional numa qualquer área de conhecimento. E, quanto ao facto de um dos críticos dizer que a revista Ler faz lobby, não pude deixar de notar que nela escrevem dois dos outros críticos chamados a dar opinião umas linhas acima. Estranhezas à parte, não sei se devemos subvalorizar ou sobrevalorizar o dito artigo. Mas lá que deu polémica, deu.

Comentários

  1. Sem dúvida um artigo polémico, o que é óptimo, pois da discussão nasce a luz!

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  2. Não é preciso ler esse trabalho publicado no Expresso para ficar a saber que as opiniões sobre literatura correm o risco de parecerem ou serem estranhas. A literatura é estranha e tudo o que gira à sua volta: escritores, leitores, jornalistas, críticos e editores.

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  3. Esta situação pode ter vários nomes: gosto próprio, parvoíce ou inveja. Além disso, como dizia a outra, falem bem ou mal de mim, é preciso é que falem!
    Não nos queixamos que a literatura, os autores, a escrita em geral, não têm direito de antena? Pois aqui teve, com polémica ou sem ela, mas teve.

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  4. Cara Maria do Rosário,

    Se eu tivesse um blogue e o seu poder de síntese, era isto mesmo que eu gostaria de ter escrito.
    Chapeau!
    :-)
    Antonieta

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    1. Olá Antonieta,

      A minha memória é péssima, mas julgo que pelo menos a si prometi um link da conversa sobre o mal, que teve lugar há umas semanas em Aveiro.

      Cá vai: http://www.ciceco.ua.pt/index.php?menu=325&language=eng&tabela=geral

      Cuidado, que entram nela 2 escritores que são sobrevalorizados para muita gente, mas de quem gosto muito. :)

      Uma boa semana,

      Rui Miguel Almeida

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  5. O que hoje é verdade amanhã será mentira. O que hoje é certo descobrimos depois que era errado. O que hoje é subvalorizado, amanhã poderá ser sobrevalorizado e vice versa, afinal é destes contrastes que vive o homem. E talvez a polémica tivesse sido estudada o suficiente para que resultasse, dar páginas de atenção a alguém para que depois se dediquem as mesmas páginas aos críticos desse alguém é atear a polémica e deixa-la
    arder: assim também se vendem jornais, não?

    Quanto mais leio sobre estes "fenómenos literários" mais me convenço da hipocrisia em que se vive.

    Independentemente do que se diz deste ou daquele escritor, é certo que não há no presente nenhum deles que não passe por esta enxurrada de polémicas, de uma forma ou doutra... Estar muita em voga pode ser um rastilho de pólvora que explode e, por assim ser, serve os interesses dos mais variados meios. Há sempre alguém a ganhar com o sucesso alheio...

    Enfim, resta-me reduzir ao meu pequeno cubículo pois isso parece-me uma guerra de Grandes da qual eu não pretendo ser soldado.

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  6. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2013 às 02:45

    Repetirei até à exaustão que não passo de uma traça literária atraída pela luz Extraordinária que este blog irradia.

    E, como José Régio, eu traça, não sei para onde vou, não sei por por onde vou, mas sei que não vou por aí!
    Desculpem-me os Extraordinários críticos e os que não sejam extraordinários mas jamais seguirei as suas todavia prezadas e até doutas opiniões, que normalmente leio para fazer um exercício de discordância a reforçar argumentos meus.

    Os meus gostos e preferências são pessoais, e, se gosto de os partilhar e falar deles, são formados com base em mim mesmo
    Sei perfeitamente aquilo de que gosto ou de que não gosto, como sei porquê!
    Jamais lerei um livro porque é de um autor de que gosto, e sim porque gosto ou me interessa aquilo que ele escreveu, naquele livro!

    Daí que esse artigo que referem, para um homem comum, mediano como a mim, vale apenas como um artigo para ler, pensar um pouco e reforçar o que penso das críticas, dos livros e dos autores:
    - É uma curiosidade!

    Agora, se tiver a consequência de gerar uma boa, elevada e interessante discussão, bem... então deixem-me sentar na primeira fila!
    Estou à espera!

    Saudações kaluandas!

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  7. depois de um dos críticos fazer "publicidade negativa" a estas meras crónicas de opinião (José Mario Silva), pensava que a coisa era grave, mas até as achei suaves.

    houve sim destaque para destilar alguns ódios de estimação (Peixoto e Mãe), que são estranhos, especialmente o último, pois até foi capa do Atual (além das ditas páginas).

    de uma forma geral a critica literária em Portugal funciona por amiguismo ". é a nossa realidade...

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    1. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2013 às 03:29

      O "amiguismo" que campeia um pouco por toda a parte... atrevo-me a acrescentar!

      Parece-me que é um defeito nosso, latino ou ibérico (?) o de "gostarmos" daquilo que os que são do nosso círculo (cultural, desportivo, político) produzem. Estarei errado?

      Sei de quem nunca tendo lido práticamente mais nada ou ninguém, defenda e aplauda Saramago como o maior escritor de todos, só porque é do PC...
      Já fui vituperado por gostar de Aquilino, o ataque sendo baseado na sua veia carbonária! E eu ralado com isso! Não lhe tira nem um pingo de génio e nem da alma com que escreveu.

      Isto ainda se atura, em gente comum... que nem traças são, pois repito que a traça é atraída pela luz, independentemente da sua filosofia ou política... Mas acho que não se admite e é de uma profunda desonestidade no caso dos críticos e do pessoal das letras-mesmo!
      Deitar abaixo porque não é do meu clube... E depois queixem-se do estado do país!

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    2. Ó Pacheco pois eu sei de quem nunca tendo lido nada do Saramago e diga cobras e lagartas do escritor (e do homem), mas não sei, sinceramente, se é só porque é do PC... vidé o Lara

      *Lara -ao tempo ministro da Cultura que vetou o "Evangelho Segundo Jesus Cristo" para um prémio literário europeu.

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    3. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2013 às 06:19

      Calma Severino... dei o exemplo do Saramago pois me parece exemplar, passe o pleonasmo, eheheh!

      Vou-te contar uma, só a ti, que és fã dele:

      - Numa daquelas "feiras do livro do Continente", estava um sujeitinho, de ar irritante e boina, já de idade, com tipo de reformado da função pública e ar pesporrento (talvez um antigo chefe de repartição pequenino e emproado). Duas flausinas novas passam pelos livros a conversar, diz uma delas de passagem: "Olha Saramago! Nunca li", e a outra a despachar: "Nem eu!", e seguem na conversa animadamente.
      O sujeitinho, em bicos de pés e com ar de censura atira-lhes: " Não ler Saramago é uma falta de cultura!". E logo a flausina mais despachada: "E meter-se nas conversas dos outros é falta de educação!".
      E tungas! Acrescento eu... ahahah!

      Um abraço!

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    4. Ora aí estava uma oportunidade para encetar o diálogo com a Flausina (uma palavra démodé que me fez recuar à minha infância).

      Anda Pacheco (gostaste do démodé?)

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    5. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2013 às 10:18

      Eu sabia que ias gostar da "flausina"... eheheh!
      Gostei do "démodé" pois... Salut les copains!!!
      Ahahah!

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  8. Nessa secção do “Atual” do “Expresso” também me pareceu haver um desmedido e feroz ataque ao Valter Hugo Mãe (VHM). Estranhamente (ou talvez não), duas das críticas literárias que consideraram o VHM sobrevalorizado (Clara Ferreira Alves, e outra cujo nome não recordo) citavam a exata mesma frase sobre o sexo dos homens e das mulheres que estará numa entrevista do escritor ao DN:

    «Afinal, o sexo do homem é muito mais honesto, visível e mais facilmente lavável, enquanto o das mulheres é mais sinistro».

    Ora esta frase [que até é bem inovadora no conteúdo e na forma: que belo achado é usar a palavra “sinistro” em vez do convencional “escondido”; quem me dera ter sido eu a inventá-la] foi dita no contexto de entrevista do VHM sobre o seu livro “Desumanização” e exemplifica a maneira de pensar de uma adolescente islandesa que é a personagem principal desse que é o último romance do VHM.

    Pergunto-me como é que duas mulheres cultas e inteligentes podem fazer esse erro tão elementar de pôr na boca do escritor algo que se refere sobretudo à maneira de pensar de uma sua personagem !!!

    O sucesso cria tanta inveja neste nosso pequeno país...

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    1. Que frase horrível!!!
      (só compreensível se for dita ironicamente)
      Acho bem que se refira que pertence a uma personagem de romance.

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    2. Cara Cristina, horrível ou não, eu acho a frase criativa !
      E será bem ajustada à maneira perturbada de pensar de uma adolescente que vive numa aldeia isolada e é rejeitada pela mãe e ignorada pelo pai.

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    3. Não digo que não, depende muito do contexto (e, neste caso, a moça nem estará a ser irónica).

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  9. Ainda sobre essa secção do Atual ”, fui a correr à biblioteca requisitar um qualquer livro da Teresa Veiga, considerada como subvalorizada por mais do que um dos críticos desse suplemento.
    Trouxe “O Último Amante” ansiosamente à espera de ser fascinado pela descoberta de uma grande escritora que eu desconhecia de todo. A Teresa Veiga escreve muito bem, é uma escritora culta, mas a sua imaginação narrativa não funciona comigo: o livro anda à volta da vida interior de uma jovem mulher solitária que escreve uma carta à Florbela Espanca e acaba por conviver com ela. Poderia ser interessante se não fosse uma novela enredada quase só em sentimentos e interioridades, em que a história não anda nem desanda.
    Poderei ser muito injusto, mas fiquei com a sensação que a Teresa Veiga tem o talento de uma grande escritora a quem falta a imaginação, ou a vontade de criar um grande enredo. Reconheço que o mais importante já a Teresa Veiga possui: um enorme talento literário, agora só falta criar ou “roubar” um bom script ” em que aplicar o seu excelente intrumentário .

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  10. Fiquei muito curioso em ler o artigo, só para ver, entre os nomes que li, se concordo ou não.

    Faz-me lembrar quando "pico" o meu grupo de amigos numa mesa de café, acerca de um qualquer tópico de futebol e depois me refastelo na cadeira a vê-los esgrimir todo o tipo de argumentos. É diversão garantida.

    Deixo uma sugestão, que se calhar é meio perigosa: num dia determinado, escolhia-se um autor e cada um dava a sua opinião. Era capaz de ser giro.

    Uma boa semana a todos,

    Rui Miguel Almeida

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  11. Ora vamos lá reflectir sobre isto: ser escritor é quem escreve? É! Mas, então, assim seríamos todos escritores? Pois! Então baixemos as nossas próprias expectativas. Chamemos a nós próprios, escrevinhadores! Há mesmo um amigo que lhes encontrou um termo mais escorreito: traças... daquelas que roem a celulose e são continuamente atraídas pela luz sem dela quererem fazer parte. E porque não? Porque sabem que se dela fizerem parte é porque já não são traças... mas ex-traças! Iluminarão uma vez? Exacto! Uma única vez, como o fulminante que nasce e morre no mesmo momento. E qual o critério para passar de uma designação à outra? O tempo… amigo! O tempo! O tempo e o leitor o ditarão! Mas são ambos corajosos? Parece-me que sim. Mas diria, por respeito a todos os que escrevem, que um escritor é um escrevinhador completo, do mesmo modo como um escrevinhador é um escritor incompleto. A persistência, o modo e o tempo se encarregarão de lhes prover um libré catita e as dragonas tão ambicionadas. Tanto uns como outros poderão ir para uma espécie de museus a que se dá o nome de bibliotecas. Uns serão devorados pelas traças... que criarão outras traças. Outros ficarão rodeados de pó. E não serão mais traças, mas uns minúsculos organismos chamados fungos ou bolores e que se encarregarão de lhes dar o destino devido: o pó, que não é mais do que traças e melgas condensadas no tempo.

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    1. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2013 às 06:33

      Flap! Flap! Flap!
      (O ruído de uma traça a aplaudir, já que tem asas e não palmas das mãos!) Eheheh!
      Bem visto e melhor dito, como sempre!

      Agrada sobretudo a este pobre ego, que tenha tão bem percebido e assumido esse conceito de traça!

      Um... ehhh... abrasa? É que traça não tem braço!

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    2. Grande texto do PAS, como sempre: belo, faz pensar e devia ter publicação menos efémera do que num blog, mesmo num tão frequentado quanto este. Obrigado !

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    3. Um abraço para o Artur e para o António Luiz Obg . eu pela vossa gentileza.

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  12. Quando se vêm a armar em sapientes, a catalogar, a classificar...não é bom sinal. Para mim tem bolinha. Pornográfico, pois.

    O caso de VHM é contraditório; como bem nota a Rosário. Mas, Pessoa?! Aquelezinho do quadro do Almada? Que era tantos num só e subia e descia o passeio só para a Ofelinha sorrir? Passa de pornográfico. É crime. Deviam levar com a sua obra inteira na cabeça, caída de um quinto andar (já que pouco entrou, sobra o recurso ao lado físico da questão).
    Os intelectuais (?) portugueses não terão mais que fazer? Ora esta!

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  13. Embora goste de alguns dos autores visados creio que outros, sim, estão sobrevalorizados e vice versa. Não quero entrar em polémicas num espaço alheio, mas creio que da mesma forma que um crítico ou editor "define/acha/estabelece que um autor é bom, também o público ou um crítico ou um jornal tem o direito de achar o inverso. Não compreendo toda a polémica gerada nas redes sociais imediatamente a seguir à publicação da reportagem, a menos que se esteja a caminhar para uma ditadura de "gosto único"

    "Morra o Dantas , morra, PIM !

    E parece que o Dantas ainda não morreu...Mas o direito à incoerência é um direito que ainda falta consagrar na cartilha universal dos direitos humanos... :-)))

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    1. Ou por outra, o que pretendia dizer é que ´só o tempo nos diz se um autor é bom ou mau. Dos bons, ficam as frases , citações , memória, etc. dos outros...não reza a história. Tudo o resto é um mero exercício especulativo que o jornal está no direito de fazer e que demonstra grande abertura na liberdade de opiniões que permite aos seus colaboradores e jornalistas.

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  14. Pois para mim, que ainda não li o artigo, embora o tenha na mesa de cabeceira para ler, acho salutar que o Expresso permita que os seus colaboradores expressem livremente a sua opinião, mesmo que vá contra a opinião editorial do jornal, do suplemento Actual ou dos outros co-autores do artigo. Se eu escrevesse para o Expresso e considerasse Pessoa um escritor sobrevalorizado, gostava de poder dar a minha opinião sem estar a pensar que não o devia fazer só porque o jornal tem um prémio que homenageia o autor...

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    1. Concordo. Isto desta vez mais pareceu uma discussão de bola, talvez por ser à segunda-feira. Mais pelo tema, do que pelas intervenções, esclareça-se.

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  15. Para quem não é deste mundo (literário) achei bem interessante e nada m interessa saber dos acordos ou desacordos de quem quer que seja. Ouvi falar pela 1ª vez duma tal Teresa Veiga que não conhecia , nem conheço, e despertou-me curiosidade...que melhor se podia pretender? Tenho a certeza que terá havido outros/as como eu...

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    1. Idem. Não conhecia e fiquei curioso. Já Alexandre Andrade e o seu Benoni cá cantavam há muito: um escritor. Ainda bem que falaram nele.

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  16. Maria do Rosário,
    Não me parece estranho que um jornal permita a colaboradores seus criticarem ferozmente quem já tenha sido posto nos píncaros pelo mesmo jornal. É uma questão de liberdade de opinião individual; o monolitismo absoluto, em nome de uma suposta "coerência" não seria lá muito interessante.
    Quanto ao Alexandre Andrade, ainda se encontra com alguma facilidade o "Aqui Vem o Sol".

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  17. Sempre houve e sempre haverá sobrevalorizados e subvalorizados. Alguns passam o teste do tempo, outros passam de um a outro extremo. Na minha opinião:
    Almeida Garrett foi e é sobrevalorizado; Alexandre Herculano é subvalorizado;
    Júlio Dinis é subvalorizado;
    Eça de Queirós foi e é sobrevalorizado;
    Camilo Castelo Branco é subvalorizado;
    José Régio é subvalorizado;
    Fernando Namora foi sobrevalorizado e é subvalorizado;
    Fernando Pessoa foi subvalorizado e é sobrevalorizado, não porque não o ache um génio da nossa literatura mas porque também não é tão esmagador como se diz, até parece que no tempo dele não havia ninguém ao seu nível;
    Mário Sá-Carneiro, por exemplo, estava ao nível de Fernando Pessoa e é subvalorizado;
    e por aí adiante.

    Actualmente, acho que em Portugal a valorização depende muito de critérios exteriores à qualidade literária. Nem vale a pena entrar em polémicas, mas um desses critérios é precisamente o carneirismo que o Expresso optou por não adoptar no artigo em causa.

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  18. São opiniões meus senhores... opiniões, tão-somente.

    A critica pode e deve coexistir com a arte...

    Critique-se, pois. Achincalhe-se se necessário for, mas, fale-se... muito... imenso!... para que todos leiam e julguem de sua cabeça.

    Desculpem a hora tardia...
    Cumprimentos a todos

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  19. É notório que não são os críticos quem decide quem vai ser entrevistado ou sobre quem se fala no Actual, fora da secção específica onde estão as críticas. E não são poucas as vezes em que um escritor entrevistado leva uma ou duas estrelinhas na crítica ao livro que vem promover (porque é mais ou menos disso que se trata). Neste caso, pediu-se aos críticos que dessem a sua opinião, individual, e eles deram-na. A CFA, que não escreve para a Ler, aproveitou a deixa para bater a mesma. Vale o que vale.

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  20. Não foi aquela das sombras de gray (afinal é grey) que se tornou dos maiores "best-sellers" da história da literatura e todas as revisões e críticas literárias eram negativas em relação ao livro e abordavam o tema da sexualidade... Curiosidade, ou não, a semelhança ao artigo do expresso que duas mulheres criticam o VHM e ambas dizem coisas demasiado semelhantes tocando a sexualidade...

    Em relação à crítica da Clara Ferreira Alves à revista ler, tenho pena de aqui ninguém ter comentado, porque acaba por ser actualmente a única revista de difusão literária e não obstante a qualidade dos seus cronistas e críticos, é a cada número uma revista mais estreita, em que um leitor desconfiado pressente uma informação concentrada na promoção de uma linha literária (sem justificação clara de qualidade), pouco equitativa no destaque dado a cada uma das editoras portuguesas e pouco pluralista no seu todo... Porque sempre os mesmos cronistas? São os únicos pensadores? Não estarão os próprios cronistas já fartos do que escrever para a ler? Há crónicas que sao tão insípidas e de escrita tão forçada... Já fui da ler assinante, hoje aborreço-me ao fim de 5 minutos, não me consigo libertar da ideia que é uma revista desonesta com os horizontes da literatura.

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  21. ... como agora meio mundo troca o 'sobre' com o 'sob' e vice-versa vá lá saber-se de que falam eles. Já hoje ouvi a frase ''Portugal está sobre a influência de fortes rajadas de vento...''

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