Verdade ou consequência
Violante tinha, desde criança, um talento raro para a representação e, com a ajuda de um grande actor com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas actrizes portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a vêem brilhar e afirmar o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia ter acabado em tragédia. A Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança – e também uma obra arrojada sobre as tensões homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças – se é que existem – entre o teatro e a vida real, porque numa conversa entre dois actores de excepção, nunca se sabe o que é verdade, o que é consequência. Este é o mais recente romance de Ana Cristina Silva.
Não gosto muito de titulos que utilizam títulos famosos para chamar a atenção, no entanto talvez dê uma espreitadela na livraria, já que a Rosário recomenda.
ResponderEliminarA propósito, gostei muito de a ver ontem no programa da Teresa Sampaio a comentar os Contos Capitais.
Ontem não pude comentar, mas essa história que a Inês Pedrosa conta sobre a Agustina pode ser lida na página 233 do livro « 20 Mulheres para o Século XX» (da Dom Quixote, 2000), livro de Biografias que recomendo
vivamente.
:-)
Antonieta
Karenina leva acento? Por pouco ficava Ana...?
ResponderEliminarUm romance sobre o amor sem limites - já o anotei na minha agenda, para 2019...é que me parece deveras interessantissimo, mas a lista já é tão grande...
ResponderEliminarA minha tia-bisavó Augusta Cordeiro (natural da Várzea, Santarém), que foi na sua época uma artista de teatro renomada com digressões ao Brazil, Espanha, Paris e tudo, como cmpetia na época encaixa-se perfeitamente na resenha que a NEA faz deste romance!
ResponderEliminarDesta tia-bisavó herdei diversos álbuns de recordações com recortes e fotografias que mantenho na biblioteca, e, são um interessante testemunho da época e do meio, a par de uma sua fotografia imponente num vestido de gala com muitas plumas à belle epoque.
Mas entretanto, já depois da morte dos meus pais e por ocasião das partilhas de móveis e tralha em geral (eu sou dos que guardam tudo) descobri há uns anos, numa gaveta do antigo cofre forte do escritório do meu avô Abreu, um maço de cartas esquecidas, trocadas entre a tia Augusta e um conhecido advogado, nome sonante da sociedade e da barra da época. Verdadeiros mimos de floreado romântico!
Viveram uma paixão dessas clandestinas, que julgo encaixar perfeitamente neste tipo de romance, mas que eu saiba sem vinganças... aliás o tal conhecido advogado era amigo da família e apoiou o meu avô Abreu, que também era advogado e sobrinho da tia Augusta.
A realidade muitas vezes ultrapassa a ficcção!
Vou ler esse romance!
Ó Severino eu nunca empresto livros (regra nº1 de quem queira ter uma biblioteca) mas para ti abro uma excepção... vou apontar 2019, ok?
Eheheh!
Saudações Kaluandas!
Hummm...pelos vistos, guardar tudo é característica familiar. Ou não teriam essas cartas chegado até si:)
EliminarQuando se fala em género epistolar recordo sempre a má consciência de um colega que estava incumbido de publicar o espólio de um douto senhor e dizia meio indeciso,"nas cartas que escreveu à mulher repetia constante, nunca deixes que as publiquem, destrói o que é nosso se for preciso."
Mas foram publicadas.
anda Pacheco...
EliminarExtraordinária Beatriz:
EliminarSabe que me senti mal ao ler aquelas cartas?
Parece que estava a violar um segredo, a invadir a memória de pessoas mortas há 70 anos...
Jamais as publicaria... deixei-as ficar onde as encontrei, pois imaginei que o meu avô ali as sepultara porque era muito amigo e o sobrinho preferido da tia Augusta, falecida sem deixar descendência.
No entanto seriam, quem sabe, um bonito tema para um romance.
Guardar coisas é ter memórias... digo eu.
Só por graça, fui ao "guguel" e encontrei isto:
Eliminarhttp://mulheresilustres.blogspot.com/2013/05/augusta-cordeiro.html
:) pois é. Mas guardam-se memórias sem coisas apensas. Sem nada senão elas. A fosforecer-nos a vida. Não ficarão para depois. Salvo se as tentemos plasmar em papel, letras,palavras, frases...onde ardem sem combustão, mansamente. Para os outros.
EliminarAs cartas, não sendo comerciais, são íntimas. Quais quer que elas sejam. É ver a redoma que se criava quando escrevíamos cartas por alguém que não tinha aprendido a escrita; isolávamos, o escrevente a ser um com o remetente. E a pessoa a quem era dirigida como que presentificava de tão convocada. As crianças têm às vezes o dom da paciência, não há dúvida. Lembro-me desse élan entre mim e as avós. E não sei porque me recorda Mircea Eliade a afirmar que o sagrado inscreve um tempo diferente dentro do tempo profano.
Deve ser o que sentiu quando as leu. São sagradas. E todo o sagrado merece respeito.
Bom Dia
Donde há pouca luz sobrara sombra.
ResponderEliminarUm bom dia à todos e, até mais.
Ora viva! Seja bem-regressada, cara Cláudia!
Eliminar“Donde há pouca luz sobrara sombra” – estas suas primeiras palavras desde há tanto tempo, dão-me o pretexto para presentear-lhe as boas-vindas com estas outras, de António Ramos Rosa, que partiu ontem para a eternidade:
«Este homem que pensou
com uma pedra na mão
tranformá-la num pão
tranformá-la num beijo
Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra»
Escritor Joaquim Jordão ! A que devo a calorosa acolhida?!
EliminarOra, então?! Está bom de ver: celebro o seu regresso porque isto por aqui, devido à sua ausência, andava com pouca luz, sobravam as sombras. Com a sua luz de novo por cá, não nos faltará o colorido.
EliminarSeja, pois, bem-vinda! E continue entre nós.