Uma questão de felicidade
Na obra-prima de Eça, levantam-se vozes discordantes quando Carlos da Maia decide ser médico. Em resposta às objecções, alguém diz, porém, que não há melhor profissão do que aquela num país cuja população ocupa a maior parte do tempo a queixar-se e a estar doente. Sim, é verdade que somos, por natureza, um bocado chorinhas e queixosos, mesmo que frequentemente cheios de razão, mas no romance de que hoje falarei, Índice Médio de Felicidade, de David Machado, encontraremos um protagonista nos antípodas deste modelo. Daniel, assim se chama a inesquecível personagem, perdeu o emprego, está em vias de perder a casa e até a família, tem um dos melhores amigos preso e o outro a caminhar para a loucura, mas nada parece demovê-lo de um optimismo e de uma esperança que são uma lição para todos nós. Porque, sem futuro, o presente não faz sentido, Daniel vira tudo do avesso, se for preciso, para que não falte felicidade àqueles que ama. Num romance que é também sobre os tempos duros que vivemos, David Machado conta-nos uma história que é uma autêntica espiral de peripécias com um ritmo incrível e gente que gostaríamos de ter como amiga. Dramático, realista e às vezes hilariante, esta é uma obra acerca da esperança que resta a quem perde quase tudo, que nos ensina muita coisa sobre nós mesmos.
Acho que estou mesmo a precisar de ler um romance assim!
ResponderEliminarAntonieta
Um bom ano de trabalho e outras coisas não menos importantes - e boas - para a Rosário e frequentadores do Horas Extraordinárias.
ResponderEliminarSerá caso para dizer que a desgraça escolhe os melhores. Com tanta combatividade está o sujeito abarrotando em azares:)
A esperança, de fabrico próprio e caseiro, é o alento das gentes para continuar . E sem ela não há futuro. Ora, o futuro, como o amor, tem de haver. Ou despimos de vez a humanidade.
Obrigada pela abordagem ao livro.
Conhecem a história de Peng Shuilin- o chinês, chamado MEIO HOMEM que, em 1995 perdeu metade do seu corpo ao ser cortado à altura da cintura por um camião e sobreviveu, e sobrevive!
ResponderEliminarE nem é preciso ir à China: em Tavira, de férias, dei comigo na sua alameda central e à noite a olhar um homem português como o Peng Shuilin: estava a fazer e vender algodão de açucar e parecia ter um ar feliz ! Mistérios e maravilhas da humanidade !
EliminarEm Tavira é tudo especial.A própria Tavira tem magia!
EliminarMas convém não abusar senão a cambada (os Passos e sus muchachos ) ainda nos tiram a pele; entretanto, teem vindo a tirar-nos a pele...
ResponderEliminara pele e o sangue...
ResponderEliminarGostei tanto do Deixem falar as pedras que o emprestei e não me lembro a quem...
ResponderEliminarFiquei com vontade de ler este também!
Depois desta apresentação do livro pela Maria do Rosário, e após ter lido longa entrevista com o autor este fim de semana, só me resta comprar o livro.
ResponderEliminarEsse David há-de ser cá dos meus...
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