Ó tempo, volta para trás

Clara Ferreira Alves (CFA) não é, seguramente, uma personalidade consensual. O seu tom assertivo, ao que sei, irrita muita gente – e vê-la no Eixo do Mal contribui decerto para que algumas pessoas não a estimem muito Não estou lá muito convencida de apreciar a sua presença na televisão, mas leio sempre os seus textos com muito interesse na Revista do Expresso aos sábados e, mesmo que não concorde em permanência com as suas ideias, acho-a uma mulher inequivocamente culta e inteligente que, ainda por cima, escreve francamente bem (o que já é raro nos jornalistas). Recentemente, CFA dedicou uma crónica à morte da cultura literária (no dia 7 de Setembro, para quem não leu) e, dessa feita, bem queria ter discordado dela – mas poucas vezes na vida li coisa tão certa, tão clara e que me alarmasse tanto. A sua afirmação de que a revolução tecnológica destruiu o mundo como o conhecíamos pode parecer exagerada, mas o artigo é límpido como água, e a primeira consequência deste progresso tecnológico é o fim da consagração da literatura e do pensamento como arte, como criação. Agora, troca-se a biblioteca pelo shopping, e os media, a televisão mais do que todos, festejam todos os dias a ignorância e ainda batem palminhas. O tempo não volta para trás, isso é uma certeza inabalável. Mas então que faço eu agora, não me dizem, à procura do talento literário que cada vez menos gente deseja ou compreende? Por favor, leiam o artigo e digam-me se não tenho razão para ter medo do que aí vem.

Comentários

  1. Não li o artigo. Gosto de CFA em todas as modalidades: escrita, oral e outras que venham a existir. O que não significa anuência a todas as suas posições. Mas tem uma cultura invulgar, escreve muito bem e defende convictamente as suas escolhas - apresentando muitas vezes provas irrefutáveis ou quase irrefutáveis que as comprovam. E isso é mérito. O meu exercício é, tanta vez, perguntar-me, "deixa ver como é que ela defende isto". E, por norma, fico agradada, ainda que nem sempre convencida.

    Admiro o seu papel no Eixo do Mal. Por ser a única mulher, porque, não sendo a mais mediática, tem razão em muito do que diz. E denota um genuíno que me conquista. Pronto.

    O tempo não volta para trás. Mas não acredito que a civilização morra. E só se continua pela qualidade. Ou Nietzshe se enganou e afinal não é o super homem que chega, mas um infra.

    Os entreténs de hoje são substancialmente diferentes, mas sempre as massas foram "levadas" e levedadas em lumes brandos que não primavam pela qualidade, não aspiravam à reflexão - antes pelo contrário -, não cultivavam a palavra escrita em vagares e paciência constantes, nessa aproximação sempre tentada e nunca conseguida à realidade.

    Ou estarei enganada.

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  2. Cara Maria do Rosário,

    Não li o texto, nem me parece que vá perder tempo a ver se o encontro na internet. Mas respondo-lhe já, sem qualquer hesitação, à sua questão: NÃO, não tem razão para ter medo do que aí vem. Muito menos para desanimar.

    Esta semana estou de férias. A primeira coisa que fiz hoje de manhã, depois de deixar os meus "monstrinhos" no infantário, foi dar os parabéns via facebook a uma autora de cujo trabalho gosto muito. Aquelas páginas foram uma leitura tão gratificante que senti uma enorme vontade de lho dizer.

    Tenho 38 anos, já não sou nenhum jovem. No meu círculo de amigos, sinto a falta de ter alguém com quem falar de livros. Não é exactamente assim: tenho 2 ou 3 pessoas, todas elas mais velhas que eu, com quem falo de livros regularmente e até fazemos trocas entre nós.

    Suspeito que no tempo em que o Eça e o Camilo publicavam, o país era essencialmente analfabeto. Tenho até uma curiosidade que talvez me saiba satisfazer: nesses tempos, quantos exemplares teria uma edição de um novo romance do Eça ou do Camilo?

    De igual modo, não me parece que o espelho do país fosse muito diferente quando a Agustina publicou A Sibila.

    Trabalha para uma minoria, não se iluda. Mas roubando o slogan de uma rádio aqui há uns anos: para uma imensa minoria.

    Daqui a muitos anos, quando já cá não andarmos há muito tempo, alguns dos seus "meninos" vão ainda ser lidos ou, na pior das hipóteses, bem referenciados.

    Hoje em dia escreve-se muito bem em Portugal, acredito que concordará. Traga os melhores até nós. Se o patrão chatear muito a pedir sucessos de vendas, diga-lhe sempre que sim, que é já a seguir! A seguir pare para beber um cházinho, relaxe e continue a fazer o que sabe fazer tão bem.

    Com toda a minha estima,

    Rui Miguel Almeida

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    1. Caro Rui Miguel,

      Eu não diria melhor, concordo em absoluto.
      Boas férias e boas leituras!
      :-)
      Antonieta

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    2. Também concordo. Não acredito em previsões alarmistas. Como a Areia às Ondas diz, em baixo, as mudanças causam sempre receios.

      "Tempo volta para trás", para quando? Para a altura em que reinava o analfabetismo? Para a altura em que 80% da população nem sequer sabia o que eram livros? (Não foi há muito tempo).

      A literatura de qualidade sempre foi uma coisa de minorias. O problema, hoje em dia, é que há mais concorrência. Cabe, às editoras, adaptarem-se.

      Não sou nada de saudosismos. Há quem fale que, hoje em dia, vivemos uma inversão de valores. Ora, isso pressupõe que já houve uma altura em que os valores estavam "no seu lugar", ou seja, a sociedade era mais justa, mais igualitária, mais solidária...

      A sério? Quando?

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    3. Obrigado, Antonieta!

      Este tempo convida mesmo a boas leituras, reservei de propósito 2 romances para esta semana.

      Rui Miguel Almeida

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    4. Muito bem observado Extraordinária Cristina... os valores mudam... como dizia a canção?
      Mudam-se os tempos mudam-se as vontades...

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    5. Uma pequena correção, caro Pacheco (decidi adotar o tratamento do Severino):
      "mudam-se os tempos mudam-se as vontades" - é verdade. Já quanto aos valores, eu seria mais cuidadosa. Não quis necessariamente dizer que os valores mudam, ou devem mudar, eu respeito os valores que estão na base da nossa sociedade. Só quis dizer que, por exemplo, no tempo dos nossos pais e avós (para não ir mais longe), os valores não eram mais respeitados, apesar de termos tendência a acreditar nisso. Só na aparência é que isso acontecia. A sociedade era profundamente elitista e só a alguns cidadãos (uma minoria) se aplicavam esses valores. Havia cidadãos de primeira e de segunda (e, às vezes, de terceira).

      Isso sempre aconteceu, ao longo da História. Na Constituição americana, está escrito que todos os homens são livres, iguais e com direito à felicidade. Mas o seu maior impulsionador/criador, Thomas Jefferson, que foi também Presidente, mantinha escravos negros. E não lhe passava pela cabeça aplicar-lhes os princípios da Constituição que ele próprio criou.

      Nunca houve tanta igualdade de oportunidades como há hoje. Isso banaliza a cultura, ou impulsiona criações como os "reality shows"? Pode ser. Mas não acredito que a verdadeira arte vá acabar. A criação humana é inesgotável. E, se agora, as pessoas preferem passear em shoppings, em detrimento dos jardins, os jardins hão de regressar, não tenho a menor dúvida!

      Por falar nisso, não sei de onde vem essa apetência dos portugueses por shoppings. Pelo Norte da Europa, isso não se verifica. É só vir um raio de sol, que os jardins ficam a abarrotar ;)

      E eu vivo numa cidade de 40.000 habitantes, sem um único shopping. E gosto ;)

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    6. Concordo ainda Cara Cristina.
      Os valores não são nem mais nem menos respeitados, como bem diz, mas alteram-se... há coisas que hoje são "valores" que não o eram nos tempo dos nossos pais e vice-versa. Isso não faz de nós nem deles piores ou melhores, mas diferentes.
      É a essa mudança que me refiro e a que julgo aplicar-se o verso, e, é porque mudamos que a espécie humana ainda existe, acrescento...
      No fundo os portugueses têm alma de comerciantes (ninguém duvide...) e como tal adoram feiras e mercados! Talvez se encontre aí a explicação para o fenómeno hipermerqueiro e shopingcentrista... eu lembro-me da loucura da feira de Carcavelos! Quando era garoto, as feiras marcavam o tempo: Em Setembro a de Rio Maior, agora era a da Piedade, depois a dos Santos no Cartaxo, seguia-se a do S. Martinho... e por aí fora. Em cada uma era altura de se comprar alguma coisa própria da época... fomos para as cidades mas levámos connosco essa alma de tendeiros e feirantes... será?

      Saudações kaluandas!

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    7. Pode ser. Por alguma razão, a única personagem portuguesa das histórias do Tintim, o Sr. Oliveira da Figueira, é um comerciante. Um pouco "trafulha", mas de bom coração ;)

      Só é pena que esses mercados tradicionais sejam substituídos por shoppings. Os alemães são, surpreendentemente, muito tradicionais, nesse aspeto (e noutros, em Portugal, tem-se uma ideia um pouco errada deles). Os mercados ao ar livre continuam a acontecer, uma ou duas vezes por semana, em certos locais e praças, mesmo em cidades como Hamburgo. Mesmo debaixo de chuva, com temperaturas negativas, ou com neve, ninguém os para. Será esse um dos segredos do seu sucesso económico?

      E logo em Portugal, onde o tempo é tão próprio para eventos ao ar livre...

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  3. Podemos encontrar textos 'semelhantes' ao longo da história, sobre o que vai acabar, o que mudou, o que se perde. Só dois exemplos, Plínio e Júlio de Castilho. Ambos - com alguns anitos de intervalo - deploram os tempos modernos, a falta de respeito dos jovens, entre outros. Castilho fala na "carneirada passiva" do seu tempo, mas inspirado em Plínio!
    A mudança é sempre uma coisa dolorosa, de difícil sintonização, mas é o caminho para o amanhã, quer se queira ou não. Perdem-se coisas, ganham-se outras, mudar é isto.
    Que se continue a ler, sempre!

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  4. Gosto em particular do último parágrafo do artigo da Clara Ferreira Alves em que ela recorda um tempo, não muito longínquo, em que nos sentíamos incomodados se não tivéssemos lido o último grande livro ou visto o último grande filme, porque sabíamos que seriam assunto de conversa.

    Passo a transcrever:
    "As pessoas tinham vergonha de não terem lido livros que continham os códigos de pertença a uma comunidade, e a música e as artes plásticas (atual moeda corrente do investimento financeiro) seguiam o cânone literário. Paris, Londres, Barcelona, Berlim, Madrid, Roma e mesmo Lisboa eram capitais literárias. Subsistia um módico de vida literária, de cultura de café, de discussão e tertúlia e de debate poético e intelec­tual que cauterizava o desvario político. Os escritores não tinham pudor em usar o panfletarismo para se fazerem ouvir. Em França, o Presidente Mitterrand, escritor e leitor metódico e exigente, era o César desta república pós-modernista. A revolução tecnológica destruiu este mundo, com a ajuda do mercantilismo associado à construção burocrática euro­peia. Tudo tem um preço e é contabiliza­do, com administração de anestesia geral. E não há quem escreva sobre isto na Europa com a provável exceção do últi­mo grande romancista europeu, Michel Houellebecq. O último poeta europeu, o irlandês Seamus Heaney, acaba de mor­rer. Pouca gente deu por isso.»

    Estou totalmente de acordo com o que aqui ficou dito pela Beatriz e do Rui Miguel: será sempre apenas uma minoria da população, em algumas vertentes será mesmo uma minoria minúscula, que é leitor regular de literatura.

    Calculo que deva ser desesperante para uma editora testemunhar o empenhamento e a qualidade do trabalho de criação literária de, por exemplo, um João Tordo, e confrontá-lo com a indiferença de 99% da população portuguesa aos seus livros (não seria excelente que 100.000 portugueses lessem os livros do João Tordo?).

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    1. Caro Artur,

      Deixe que me meta consigo (no bom sentido, claro):

      Imagine que criava uma espécie de campeonato português de futebol, mas em vez de enfiar lá 20 equipas, compunha a coisa com os 20 escritores da nova geração que considero mais promissores (exercício diria que impossível de fazer, mas não deixa de ter o seu interesse).

      Está a visualizar a coisa?
      Olhe que no meu campeonato, João Tordo lutaria pela manutenção. Mas claro, isto é tudo uma questão de gostos. Não lhe quero aqui retirar valor literário, que tem.

      Um abraço para si,

      Rui Miguel Almeida

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    2. Caro Rui Miguel,
      Aí está onde divergimos: eu poria o João Tordo no meu pódio dos escritores portugueses vivos, acompanhando-o por dois Mários, o de Carvalho e o Cláudio.
      Mas os gostos literários são mesmo assim: saudavelmente diversos e pessoalíssimos.
      Um abraço,
      Artur Águas
      PS: claro que usar equipas de futebol da primeira divisão ou pódios para falar e graduar escritores (ou a criadores artísticos em geral), só se desculpa por ser um puro (e injusto) divertimento nosso...

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    3. CFA refere-se a um tempo passado e a um naipe social restrito, aquele a que pertence. Provavelmente. E que, queira ela ou não, é ou era uma elite cultural.

      A maioria dos portugueses nunca se sentiu mal por não ler os Maias ou desconhecer a poesia de Fernando Pessoa. E não sabe de certeza absoluta o que é "A Sibila". Mas o pior é não ler de todo. Ou ler apenas por fora.

      Não temos educação para a arte em geral. E nem para a música, apesar dos concertos esgotados. Somos aquele animal que possui as capacidades para, mas se nos não ensinam a usá-las, raramente as actualizamos. E, quem sabe, a maioria dos portugueses é ainda potência.

      João Tordo tem um imaginário delirante. Mas não é ainda um estiloso da palavra. Há-de crescer mais. Ou não.
      Tanto bom escritor pelo mundo, vamos divergir! Parece estar a fazer campanha pelo jovem :). Então que é isso?
      Mas vi uma entrevista - por acaso o garoto desceu na minha consideração à conta dela - onde afirmou ter vendido bastante mais depois do prémio que recebeu. Não guardei números, mas lembro-me que me pareceu um aumento substancial no número de exemplares vendidos.

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    4. Hum...
      Extraordinária Beatriz, posso dizer-lhe que concordo?

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    5. Cara Beatriz,
      Óbvio que a maioria dos portugueses não leu os Maias, como a maioria dos espanhóis não leu o Quixote. O problema é se até as chamadas elites, que incluem as camadas da população com educação universitária, deixam de gostar de literatura e preferem ver tv rasca.
      Uma das entorses da mente português, já diagnosticada nos Maias, é que ninguém tem direito a ser considerado genuíno nos seus gostos e afirmações literárias. Por exemplo: se eu expresso o meu entusiasmo pela recente descoberta (feita este Verão) dos romances do João Tordo é porque estarei condenavelmente "a fazer campanha" pelo escritor. Ora eu estou simplesmente fascinado, e só li dois livros dele ("Ano Sabático" e "Anatomia dos Mártires) e vou no terceiro ("Três Vidas"), por ler histórias tão interessantes. É que nunca tinha lido em português original, enredos tão bem construídos, surpreendentes e narradas com uma escrita tão fluente e elegante.
      Gostos !
      Estou a imaginar a Beatriz a ler Maria Velho da Costa ou Proust e a deliciar-se com a escrita destes autores, coisa impossível de comigo acontecer. Limitações minhas...
      Viva a diferença de gostos em literatura !
      Quanto mais diversa for, mias viva será !

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    6. Não sou nada extraordinária, mas pode:) A concordância é uma forma de relação que até nem é difícil. E existe mesmo:)

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    7. Ah, ah, ah, Artur...nunca li esses dois. Não consegui ler o Ulisses de James Joyce, apesar de várias tentativas. E nem julgo que haja na minha escrita algum indício de que seja muito viajada em livros.
      Sou fã de João Tordo. O Garoto tem aquela imaginação delirante e prolífica, escreve bem - continuo na minha, há-de melhorar mais. Julgo que me falta ler um livro, que até terá sido o primeiro.

      Ora bolas: estava brincando e levou à séria a minha provocação acerca da campanha. Assim não vale.

      E concordemos: viva a diferença de gostos em literatura

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    8. Cara Beatriz,

      Peço-lhe desculpa pela minha errada (e um tanto empertigada) interpretação do seu texto: afinal estamos em bastante consonância de gostos literários ! Já dizia o Eduardo Prado Coelho que um dos defeitos dos portugueses é reconhecerem mal a ironia quando presente em textos escritos (quando ela é transmitida presencialmente em linguagem oral, então acho que somos, pelo contrário, muito finos em percebê-la).

      Foi "um pequeno equívoco sem importância" (título do primeiro conto que dá título a uma das recolhas de contos do Tabucchi editada em livro de bolso, em que este é de longe o melhor conto e talvez o único que é verdadeiramente satisfatório).

      Junto os meus aos seus votos para que o João Tordo, com o tempo, se torne cada vez melhor escritor. Seremos os beneficiários disso ! Que o homem pratica a sua arte, disso não há dúvida, já que está com um ritmo de produção de quase um livro por ano. E se a prática ajuda a proximidade da perfeição, também trabalhando tanto quanto ele o faz isso seguramente aumentará a possibilidade de a sua musa, quando o visitar, o encontrar de caneta ou computador na mão.

      Abraço,
      Artur Águas

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  5. Entendo perfeitamente o que foi referido, mas penso que não seja um problema derivado da questão tecnológica. Esta apenas conferiu uma leitura mais rápida de um problema endémico e transversal à escala global. Cada vez temos mais informação, mas cada vez temos menos conhecimento. Obviamente não processamos toda a informação disponibilizada diariamente, não existe reflexão, o know-how é cada vez mais wikipédico , o conhecimento sólido a tornar-se líquido, pegando no termo usado por Bauman . Também as relações humanas estão mais líquidas, inconsistentes e inconsequentes. Os vínculos sociais pelos quais construíamos os alicerces das relações humanas, estão a ficar em desuso, agora estamos conectados, ou não. Qualquer dia dependemos da largura de banda do acesso à internet (obviamente exagero, ou não). A revolução tecnológica é apenas um espelho para o qual olhamos e não gostamos do que vemos. Nunca será a causa, apenas uma das consequências.

    Miguel

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  6. Este é daqueles temas em que vale a pena ouvir os Extraordinários... e por isso me reduzo à minha insignificância... não comento!

    Gosto de ler Clara Ferreira Alves a quem chamei uma vez "uma mulher e pêras!" , mesmo não concordando com ela, a sua argumentação esclarecida ensina-nos sempre!

    Comungo em absoluto do que aqui se disse, também não temo nem as mudanças (não fosse eu Aquário) nem o fim do nosso Mundo.

    Saudações kaluandas e continuem p.f.

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    1. Ó Pacheco, também eu sou Aquário e não temo as mudanças e tento até acompanhá-las.

      De vez em quando falo no meu blogue KONTESTU-dos livros que ANDO A LER e foi precisamente sobre o "ESTADO DE GUERRA" desta excelente e acutilante jornalista que o fiz ontem; estou a terminar e tenho gostado muito do livro.

      São retratos tão fiéis daquilo que a minha geração pensa (porque o viveu),o que não acontecerá naturalmente às gerações mais novas.

      Que posso eu fazer para parar os realty-shows e outras baboseiras e estupidezes que alimentam esta gente que em vez de jardins frequenta centros comerciais, que em vez de livros gosta de tablets e iPad's.

      Mas a vida é mesmo assim, a mudança é constante, e não se pode parar o vento com as mãos. E o futuro, infelizmente, não serão, penso eu, os livros em papel, não serão os jardins, não será a cultura. O futuro poderão ser os livros em tablets, os centro comerciais, essa estupidez que são os facebooks (onde toda a gente se desnuda, repito toda a gente, mesmo os que digam que só quem quer).

      O meu avô falava (a seu tempo) e se calhar pensava como eu pensarei agora (com as devidas adaptações), daí...

      Viva o facebook, viva o iPad, viva o livro na tablet, viva A CASA DOS SEGREDOS,viva o Mr. ED (o cavalo que fala-e ela já ronda aí...), é o que dá dinheiro então deem-lhe essa marmelada, mas dessa não trincarei!

      Mas quem é que disse que agora toda a gente sabe ler? pois atrevo-me a dizer que pouca gente sabe ler muito menos escrever! (desculpem a presunção mas é assim sem tirar nem pôr -eu é que estarei fora do contexto-acredito).

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    2. Ahahah! Logo vi... tinhas de ser aquário...
      É a nossa era!
      E não falo do imortal tema de West Side Story!
      Lembras-te?

      Um abraço!

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    3. Claro que me lembro, e estou a ver o Bernestein de cabelos ao vento com a batuta na mão...

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    4. Amigo ALP, seria West Side Story ou Hair...?

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    5. Essa agora... isto devo a ficar estar cafrealizado!
      Não me lemdro... nem tenho a certeza se o tema Aquarius era da peça Hair ou da ópera WSS... hum... e agora?
      Acudam e esclareçam-me!
      Ó cruel dúvida...

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    6. Era do Hair, Extraordinário e Aquário Pacheco.
      Do West Side Story, recordo os temas Maria, Tonight ou Somewhere, por exemplo.
      :-)
      Antonieta

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    7. Obrigado cara amiga!
      Isto um gajo querer armar-se em culto e fazer citaçõeses é no que dá...

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    8. Quando falei em AQUÁRIO referia-me ao signo e não à música de HAIR.

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  7. Não sou nada de saudosismos. O que passou é passado e não se perdeu... Sinto-o incorporado em mim. Os extraordinários que comentaram já disseram tudo. A massificação trás angústia mas carrega também maior justiça e igualdade. A igualdade é perniciosa quando não é de partida. No meu cantinho já se escreve mais do que aquilo que se lê. Não sou nada de me fixar num autor, gosto de diversidade e arrisco-me a dizer que é isso que «o meu povo quer!» Até porque sou contra a ditadura do gosto. O gosto não existe como absoluto: todo o dia se transfigura. Hoje é isto, mas amanhã já é outra coisa. Hoje é dureza, amanhã leveza. Hoje apetece-me ler Antony Beevor na sua caminhada pela guerra civil de Espanha, amanhã Proust , no dia anterior foi Eça e o Padre...mas neste dia assim cinzento, Proust chateia-me, Saramago só me apetecia com vírgulas, apetece mesmo é a Patrícia Highsmith em "jogo da vida" ou o Rodrigo dos Santos fazendo do jornalismo…intriga! Percebo o drama da Rosário num tempo já não de cultura mas de culturas. O talento não é agora um homem ou uma mulher… mas um objecto temporário de uso. Num tempo novo destes deve-se continuar a procurar o talento ou o objecto. O objecto que apetece em determinado momento, o objecto que é rapidamente incorporado no próximo objecto. O talento é uma abstracção. Um sonho que já não tem lugar no mundo plural, massificado e instantâneo…mas também profunda e profusamente diferenciado. Hoje todos somos escritores em qualquer momento, assim o queiramos. O que nos divide é a dimensão do universo que nos escuta. O que nos distinguirá será a paixão que pomos em cada momento e a longa duração do tempo desses momentos. Na curta duração eu sou um homem diferente, muito diferente do homem de longa duração.
    Sempre escrevi como um louco. Dois meses por obra sem depuração! Nem percebo quem demora três anos para escrever uma obra, porque ao fim de três anos essa obra já não será a mesma da escrita há três anos. Ou talvez perceba! Vem devidamente burilada, acamada, …depurada!
    Mas será esse um escritor ou um criador? Um técnico da escrita que não cria… entretece, tão simplesmente, pacientemente? A procura terá assim de ser cada vez mais focada na capacidade criativa e na diferença e não na semelhança do certinho, do arrumadinho, mas onde a chama já há muito perdeu o pavio. A semelhança esgota, estiola, aborrece, morre num nicho apenas, dos muitos nichos a quem hoje apetece Sartre, amanhã Nietzsche, depois Harold Robbins e antes Truman Capote.
    A diversidade vive, a semelhança mata!

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    1. Gostei particularmente daquilo que diz sobre ser hoje um, amanhã outro... também de o gosto ser uma coisa indefinível.

      Mas fixei-me na questão do tempo que se leva a escrever, essa a parte que mais me faz pensar, sobretudo quando diz que ao fim de 3 anos a obra já não será a mesma de quando se iniciou!
      E como seria quando se escrevia à mão e máquina, sem delete e copy etc????

      Espero bem que a NEA pegue nesta outra pontinha deste fio do nosso imenso novelo e a traga aí um dia como tema!

      Um abraço Extraordinário Pedro! E fique por Oeiras que você merece-a! Ahahah!

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    2. Ó Pacheco sobre o tempo e o livro, aí está mais um da fábrica (o 575); e o II volume já vem a caminho...

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    3. Ahaha ! estou de partida António Luiz ! Vou-me expatriar brevemente. Para qualquer lugar. Até para a terra do N'gola se precisarem aí de um Oeirense pouco à frente. Oeiras está muito à frente para mim...quero-a ver por um canudo, mas não pelo da carregueira ...e olha a escola agora acrescentada com a escola da carregueira ...

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    4. Caro Pedro,
      Um escritor é menos criador (ou deixa de o ser!) se demorar 3 anos em vez de 2 meses? Confesso que não percebo...

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  8. Não sei pôr o bonequinho ... mas aplaudo!

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  9. Vai sempre haver muita gente que lê. Aliás, é um facto que o número de pessoas que lêem aumenta. Então não se publicam muitos mais livros do que há 50 anos atrás? Eu acho que o número de pessoas que lêem aumenta como o número de pessoas que não lêem, porque a população aumenta, é um facto. Portanto, não há que ter medo!

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  10. Confesso duas coisa:
    1 - Não li o texto da CFA e discordo, a maior parte das vezes, dela. Aliás a escrita dela não me extasia.
    2 - Gosto e sempre gostei da Maria do Rosário Pedreira. Não terei sido a primeira mas decerto fui das primeiras a postar poesia sua na net, lá para os longínquos anos de 2000 e tal, e escrita palavra a palavra do livro para o ecrã.

    Existem, actualmente, bons escritores, quase anónimos das editoras, porque essas, só conhecem o poder do dinheiro e dos conhecimentos sociais. Quem está na berlinda televisiva ou social, tenha muito dinheiro para editar, tantas vezes, maus livros, é que é reconhecido editorialmente.

    Posto isto, lamento decepcioná-la mas, garantidamente, CFA não de minha preferência.

    Um abraço.

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  11. Eu sou dos que não desgosta do nariz empinado da moça (!) lá no tal programa: para ela, as coisas são assim porque são assim. Curiosamente, neste fim de semana, a propósito do nosso campeão de vendas locutor de televisão, e do seu livro sobre Calouste Gulbenkian, discorre no Expresso entre Literatura e entretenimento cascando mansamente no autor. Gostei de ler mas não fiquei convencido, já que me entretenho todos os dias, sem remorso, com inequívoca Literatura.

    E o cedro, afinal é cédro ou cêdro , ou é ambas as coisas?!

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    1. Não sendo embora da área da silvicultura e tão pouco linguista, em português de Portugal diz-se cédro! Cêdro nunca ouvi...

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    2. Obrigado, amigo António. Parece que tenho de me convencer, pois investiguei e nem como regionalismo cêdro passa. Que Natália me perdoe.

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    3. Ó Paulo, deixe lá isso. Aquela combinação que você "ouviu" no poema de Natália - cedro / segredo / arvoredo - está bem observada, foi isso que ela pretendeu, independentemente desse preciosismo de o acento ser agudo ou circunflexo.
      Um abraço.

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  12. Será que ninguém leu a belíssima novela curta que a Clara Ferreira Alves escreveu como uma das várias sequências de "Os Maias" (todas interessantes!) que o Expresso publicou este passado Agosto ?
    É que disse para mi próprio: que excelente romancista se tem perdido nesta excelente jornalista !
    Nesse livrinho, a Clara Ferreira Alves imagina a última geração dos Maias (se me recordo bem, é mesmo intitulada a sua novela como "O Último dos Maias" ou parecido). Trata-se de um Maia que pertencente a uma geração que nos seria contemporânea, pelo menos contemporânea aos mais velhos de nós. Na sua juventude salazarista ou marcelista, este último Maia, filho único, depois de vários choques com um pai e uma mãe conservadores, ter-se-ia tornado primeiro num semimarginal e depois, recebida a herança pela inesperada morte do pai, num ocioso hedonista, confirmando o caminho de vida já escolhido pelo Carlos Eduardo. Viveu pela Europa e fixou-se em Nápoles porque Lisboa não lhe perdoava as inclinações da carne que viriam a abolir a perpetuação da linhagem familiar. É um retrato de um Portugal burguês, submisso, decadente e abúlico que atravessa o final da ditadura.
    Espero que o Expresso um destes dias reúna essas novelas de vários autores num único volume (se se esquecerem de juntar a novela [?] do G. M. Tavares, pouco se perderá...).
    São uma bela homenagem ao Eça !

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    1. Concordo perfeitamente! Um prazer ler a sua novela, para mim a melhor. A que gostei menos, muito menos foi s do José Luís Peixoto, que desilusão!!!\

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    2. De acordo, também não me fascinou particularmente a novela do José Luís Peixoto, mesmo sendo, ao que me recordo, a primeira novela da da série do "Expresso", ou seja, aquela que continua a narrativa da célebre corridinha na Rampa de Santos de Carlos e Ega atrás do americano. A favor do Peixoto, confesso que lhe reconheci nesta pequena novela um esforço para empregar um estilo queiroziano, o que achei interessante. Deste conjunto, a novela que não consegui ler de todo, e achei mesmo que não tinha nada a ver com "Os Maias", foi a do GM Tavares.

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    3. A novela do Gonçalo M. Tavares era tão estranha, tão estranha que me fascinou (como quando se vai ver um filme de ficção científica)e por isso terminei a sua leitura; a do José Luís Peixoto nem consegui terminar e olhe que gosto muito do "Nenhum olhar" e "Livro".
      Mas volto a dizer a novela que mais prazer me deu foi de facto a da Clara Ferreira Alves.
      Isabel

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    4. Cara Isabel, invejo a sua resistência (que eu não tenho) para chegar ao fim de textos difíceis como esse do G M Tavares que seria inspirado nos Maias (eu não dei por isso).

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    5. Caro Artur,
      Em medalhas, eu daria a de ouro à Clara, a de prata ao Rentes de Carvalho e a de bronze ao Agualusa.
      Para os outros, menções honrosas.
      Ficaram aquém do que eu esperava, excepto a Clara Ferreira Alves, que excedeu, e muito, as minhas expectativas.
      :-)
      Antonieta

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  13. da CFA concordando ou discordando às vezes, o que sobressai dela é um espírito provinciano cheio de rococós, sempre com o estrangeiro

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  14. gosto de muita coisa que a Clara escreve (embora seja um pouco repetitiva...).

    é culta, corajosa e escreve bem.

    em relação à crónica, não estou tão optimista como a grande parte dos "extraordinários".

    a velocidade dos nossos dias é inimiga da literatura.

    este tempo quer (e já está) roubar-nos "tempo" para pensar e refletir, coisas que também são dos livros.

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  15. O n.º de pessoas que se ocupa de entretenimento é hoje muito maior que há umas dezenas de anos (os meios que se oferecem são muitos, variados e, para muita gente, irresistíveis, com a televisão à cabeça). O n.º dos que se ocupam de literatura também é maior, ainda que as taxas de crescimento não sejam comparáveis. Estou convicto de que o aumento de leitores é garantia de que a prática da leitura não está em risco.
    Interrompi a leitura da Acabadora Michela Murgia ) porque a voz de Maria do Rosário entrou de súbito em minha casa através da Antena 2. Eram 17 h, "um pombo morto no quintal [...] as asas vão reclamando outros voos noutros céus". Em ambas morte e amor. Coincidência comovente.

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  16. No advento da rádio também se disse que as pessoas iriam deixar de ir a concertos.

    No advento da televisão alguém também disse que a rádio estava com os dias contados.

    Até agora... Ainda não vi nada do que foi predestinado.

    Abraços

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    1. Hum... Video kill the radio star!

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  17. Tenho um amigo inglês (coincidentemente ex-professor universitário e, portanto, alguém que vê, e viu, de muito perto a "desculturização" das gerações) que diz muito acertadamente: "I'm glad I'll die when I'm going to die". Perto dos seus 70s fica contente por saber que os dias da sua vida natural se esgotarão antes de poder ver maiores desgraças. Penso como ele, ainda que com décadas de atraso. Começa a ser insuportável a inexistência de referenciais culturais comuns e a falta de interesse pelo polimento intelectual. Insuportável...

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