Moda e literatura
Leio na página oficial da S, L, M, XL - Fashion and Design Week, a acontecer em Santo Tirso até amanhã, uma frase deliciosa de Oscar Wilde, que diz que «a moda é tão horrivelmente feia que a temos de mudar duas vezes por ano». Parece, porém, que este certame vai cruzar a moda com várias áreas menos «horrivelmente feias» da arte e da vida, entre elas, a gastronomia e a literatura. Um dos meus autores, Paulo Moreiras – que, além de bom escritor, é também um bom garfo e um estudioso-curioso da gastronomia (tendo escrito deliciosos opúsculos sobre o tremoço e a morcela, por exemplo) – vai intervir amanhã às 18h30 numa sessão sob o título «Na Ponta da Língua» e debruçar-se-á sobre o erótico na doçaria conventual, sessão que também contará com a presença da poetisa Rosa Alice Branco, que é a curadora da Literatura neste festival. Hoje ainda estará também numa mesa, a falar de modas e mitos da literatura, com Vasco Graça Moura, Maria Bochicchio e Paulo Cunha e Silva. Se estiver perto de Santo Tirso, vá-lhes fazer companhia e não se arrependerá, o mais provável é sair de lá de água na boca (para ler e comer). Mais informações no link abaixo.
Bom dia,
ResponderEliminarGosto muito dos romances do Paulo Moreiras. O primeiro que li, "A demanda de D. Fuas Bragatela" é uma obra-prima! Sempre que posso, recomendo-o. Não descansei enquanto não li os outros dois.
Sei que ele também escreveu vários "elogios": à ginga, ao tremoço e outros.
Já que mencionou estes trabalhos, deixo a pergunta: é possível encontrar à venda esses textos? Tinha muita curiosidade em lê-los.
Não sei se fará sentido agrupá-los num livro, eu cá por mim ia chamar-lhe um figo!
Cumprimentos a todos,
Rui Miguel Almeida
PS: a citação de Oscar Wilde é genial. Ele e Woody Allen são os reis das frases fantásticas e com enorme humor.
Estamos a trabalhar no projecto de reunir todos esses pequenos textos, sim. Não sei ainda é quando vão sair.
EliminarObrigada pelo interesse.
Como somos amigos de facebook, já tinha recebido essa informação... e é mesmo coisa do Paulo Moreiras!!!!
ResponderEliminarTem um notável e fino sentido de humor.
Sou fã do seu estilo e forma de escrever, gostando bastante dos seus livros.
Não pretendo ofender ninguém, mas... eu cá desconfio sempre de quem não goste de comer!!!!
Ahahah!
Ainda ontem na Confraria da Camama, o meu amigo Alberto (morcão de gema!) fez um arroz de pica-no-chão de cabidela, acompanhado com verde tinto, que nem lhes conto!!!! O galo e o sangue congelados vieram daí... trazidos pelo Pedro Serino, um valente empreiteiro de Famalicão nosso vizinho, assim como o verdasco da Coop. de Valpaços!
Saudações kaluandas!
Ó Pacheco
ResponderEliminarMas quem é que não gosta de comer?
Mas há os que vivem para comer e os que comem para viver!
Já Vargas Llosa dizia que (e pode aplicar-se aos portugueses que praticamente só sabem falar em comida) pois dizia VL que actualmente, em vez de discutirmos ideias, discutimos comida.
A gastronomia é quase com uma nova filosofia, e quase todos os dias novos Chiefs (éassim que se diz) publicam livros...
Ah! Meu Extraordinário António Severino... mas gastronomia é mesmo uma filosofia... e olha que eu sou exemplo de um profissional da comida!!!!
EliminarAlém de agricultor, cozinheiro amador e glutão, tenho sempre trabalhado na fileira alimentar!
E digo-te mais: sou decididamente um epicurista!
Um grande e saboroso abraço!
Ó Pacheco
EliminarÉ que para além de agricultor, cozinheiro amador e glutão, és ainda um grande leitor o que muito me apraz (há quanto tempo não ouvias esta palavra demodé (e esta hein...))
Amigo Pacheco quando te for visitar prepara aí um borregito com batata porquinha assadinha no forno ...
Com licença da Nossa Extraordinária Anfitriã, que doravante passarei a designar por NEA, e para os Extraordinários Tertulianos aqui do Horas Extraaordinárias, vou passar a "colar" uma coisa que encontrei por aí e acho que se encaixa neste nosso tema de conversa como uma talisca de queijo da Ilha num tassalho de marmelada! Aposto mesmo que o referido Paulo Moreiras se vai rever nesta posta:
ResponderEliminarEpicurismo é um sistema filosófico, que prega a procura dos prazeres moderados para atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo, com a ausência de sofrimento corporal pelo conhecimento do funcionamento do mundo e da limitação dos desejos. Já quando os desejos são exacerbados podem ser fonte de perturbações constantes, dificultando o encontro da felicidade que é manter a saúde do corpo e a serenidade do espírito.
Epicurismo é um sistema da filosofia criado por um filósofo ateniense chamado Epicuro de Samos no século IV a.C. Existem vários fundamentos básicos do Epicurismo, porém, se distingue o desejo para encontrar a felicidade, buscar a saúde da alma, lembrando que o sentido da vida é o prazer, objetivo imediato de cada ação humana considerando sem sentido as angústias em relação à morte, e a preocupação com o destino.
No Epicurismo o prazer deve ser sereno e calmo. Os seguidores do Epicurismo são chamados de epicuristas, e seu seguidor deve procurar evitar a dor e as perturbações, levar uma vida longe das multidões, porém não solitário, dos luxos excessivos, se colocando em harmonia com a natureza e desfrutando da paz. Outro valor defendido pelo Epicurismo e seus defensores é a amizade. A amizade traz uma grande felicidade para as pessoas já que a convivência ocasiona uma troca sempre saudável de pensamentos e opiniões enriquecendo as relações.
Um Epicurista não busca a fama das celebridades, nem o poder, busca sim os prazeres dos sentidos conforme as prioridades de cada indivíduo, por exemplo, comidas especiais se o prazer de comer é indispensável, tirar um sono no horário da tarde pelo simples prazer de dormir, etc. Se os prazeres forem gozados junto dos amigos se tornará mais importante.
Segundo Epicuro, o criador do Epicurismo, as pessoas não podem viver de forma agradável se não forem prudentes, gentis com os outros e justas em suas atitudes e pensamentos sem viver prazerosamente. As virtudes então devem ser praticadas como garantia dos prazeres.
Saudações epicuristas!