Língua dominante

O inglês domina sobre qualquer outra língua, é um facto, e por vezes encontro pessoas portuguesas que já só sabem dizer determinadas coisas em inglês. Nas empresas, quando se consulta um organograma, os cargos vêm todos com as siglas inglesas – e creio que as novas tecnologias, por causa dos gigantes Microsoft e afins, viciaram gerações inteiras na utilização da língua inglesa por tudo e por nada. Alguns vocábulos portugueses praticamente desapareceram do emprego corrente – lembro-me, por exemplo, de «quantia», que hoje passou a ser «soma» (por causa de «sum», naturalmente) e de «exemplar» (de um livro ou disco), que foi substituído por «cópia» (de «copy», claro), lendo-se frequentemente na imprensa que um livro vendeu milhões de cópias. Em todo o caso, para defender a minha dama, eu insisto em escrever e dizer muita coisa que sinto fugir dos dicionários – e estranhei por isso que, nas capas de dois romances nórdicos (um norueguês, outro islandês) recentemente publicados, os nomes dos prémios recebidos – que eram dos respectivos países – estivessem em inglês. Claro que não nasci ontem e sei que cá na terra não se encontra facilmente quem fale essas línguas e, portanto, calcule que a tradução foi feita a partir da versão inglesa. Mas porque não simplesmente «Prémio Literário da Crítica Norueguesa» em vez de «Norwegian Critics Literary Prize» ou «Prémio Literário da Islândia» em lugar de «Icelandic Literary Prize»?

Comentários

  1. do "ESTADO DE GUERRA" - Clara Ferreira Alves

    “Dantes não tínhamos liberdade mas tínhamos segurança e um certo amor à dignidade que se perdeu."
    No meu bairro toda a gente se conhecia, o merceeiro que vendia fiado, a capelista, o sapateiro, a padeira, não eram as lojas, eram as pessoas e toda a gente sabia o nome de toda a gente ..."
    A dignidade de que fala a excelente Clara Ferreira Alves até na língua portuguesa se está a perder!

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    1. E o próprio conceito de liberdade é muito elástico... ou rígido!

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  2. É uma questão de dignidade ou de globalidade?
    Não me choca a introdução de estrangeirismos, e percebo o porquê... aliás a língua portuguesa que se diz ser muito traiçoeira, tem a particularidade de ser pujante e fértil em sinónimos!!!
    Se bem que goste de continuar a usar palavras portuguesas, confesso que é mais prático dizer feed back que retroalimentação negativa... Eheheh!

    Agora uma pergunta - claro de traça literária:

    Traduzir um livro a partir de uma tradução, como por exemplo do sueco - inglês - português, não corre o risco de desvirtuar por completo o texto, no sentido e na forma, para não dizer no estilo?

    Saudações kaluandas

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    1. É negativa salvo seja, pois pode ser ou não. Mas porque não resposta ou reação? De todo o modo, não antipatizo com o fiodebeque.

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  3. Bom, um dos livros mencionados indirectamente é o "Paraíso e Inferno" da Cavalo de Ferro, que por acaso até foi traduzido por João Reis, um tradutor de línguas nórdicas, pelo que não me parece que a tradução tenha sido feita do inglês. De qualquer forma, o nome dos prémios nas suas línguas originais é imperceptível para nós e estes prémios são conhecidos internacionalmente pelo nome em inglês, pelo que a opção não me choca.

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  4. "soma" não me parece um bom exemplo. A sua etimologia é a palavra latina "summa". Em francês deu "somme". Em inglês deu "sum".

    PLFF

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    1. Tem razão, mas, como sempre usámos a palavra «soma» para nomear a operação de adição, e não para dizer «quantia», tenho a suspeita de que «soma» por «quantia» veio do «sum» inglês, ainda que o étimo seja latino. Outra que detesto é «sequela» por «sequel», já que «sequela» é efeito, e não seguimento (embora o efeito venha a seguir, evidentemente).

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  5. Claro que a nossa língua tem palavras lindíssimas para substituir "liderança", "perdedor" ou "ganhador", e outras que tais. Mas, nesta questão, penso que o mais sensato é preservar a nossa língua sem esquecermos que avançamos para um mundo bilingue: o indígena (como diria o Pulido Valente) tem toda a vantagem cultural e profissional em falar inglês, para além da sua língua local (e a nossa até está bem espalhada no planeta...).

    É que o lusitano deve tirar partido de ter mais apetência para ser um razoável bilingue do que a maioria dos europeus (com exceção, claro, dos holandeses e dos escandinavos). O nosso óbvio prazer em falar inglês com estrangeiros, aliado à nossa hospitalidade e ao modo doce de nos relacionarmos, faz de nós uma das tribos de mais humanizado convívio neste nosso mundo globalizado.

    Por isso, não me ofende nada uma banda escrita em inglês na capa de um livro português. Ou seja, em separado, sem hibridação linguística. Por outro lado, já não gosto nada da amálgama de português e inglês que se ouve na fala coloquial brasileira.

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  6. Os anglicismos estão, de facto, em todo o lado, na Alemanha, ainda mais do que em Portugal (o que provoca reações de protesto, claro). Já quase nenhum alemão diz "Ich bin glücklich" (estou feliz), mas "ich bin happy". O telemóvel é "handy" (nem sei onde foram buscar esta palavra, que nem os povos de expressão inglesa utilizam para o efeito), as bilheteiras nas estações alemãs são "ticket counter", os saldos são "sales" (numa tradução, aliás , incorreta), para já não falar de outras palavras mais internacionais como "manager" e "management".

    Mas, meus amigos (permitam que os trate assim), até a França, tão alérgica a vocábulos ingleses, até a França se rendeu! Quando passamos em França, nas viagens para e de Portugal, os locutores da rádio passam a vida a falar do "l'weekend": "pour l'weekend", "c'est l'weekend" e coisas assim!

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  7. A propósito de o inglês ser a língua dominante, ocorre-me referir “O May be man”, um texto que Mia Couto publicou num jornal moçambicano aqui há um ou dois anos, e que circulou muito na altura.

    Quem por acaso não cruzou com esta assertiva dissecação da corrupção, vale a pena procurar e ler.

    A título de amostra, transcrevo-vos o primeiro parágrafo:

    « O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Simplesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio. A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”.»

    Por mim, já estou c’móoutro: Isto, hoje em dia, nos business é assim, quem não souber línguas não se safa …

    O que nos vale é que o Mia Couto vai reinventando a língua portuguesa.

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  8. A (óbvia) vantagem cultural e profissional em falar inglês, não tem nada a ver com o facto de, por dá cá aquela palha, encaixar (quando e apenas e só por presunção) estrangeirismos.

    Eu, que sou um figadal adversário do assunto, não sendo contudo um fundamentalista, não me choca, e até concordo com o PACHECO (anda Pacheco) que o feed back até jeito, e até se encaixa na frase que na circunstância pede a palavra.

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  9. Hoje mesmo pensei sobre o que levaria algumas pessoas (portuguesas e sobretudo mulheres jovens) a tratarem-se pelos diminutivos ingleses dos seus nomes (Joan, Susy, Mary, Lili) e não cheguei a nenhuma conclusão. Nas empresas, usar inglesismos em gestão e marketing (cá está um que não se consegue evitar) parece uma moda que veio para ficar.
    E, já agora, feedback deve ser escrita numa só palavra. Lembro-me de a ter aprendido nas aulas de Ecologia no 8.º ano.

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    1. Obrigado Anabela!

      Por isso nada mais se me adequa do que o lema que escolhi para encimar o meu blogue: Cada pessoa que conheço sabe pelo menos uma coisa que desconheço.

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    2. Desconhecia isso:) as mulheres da minha terra são todas Marias, Susanas, Joanas...bom há algumas raparigas Suzys (mesmo Suzy), e conheço uma velhota a quem sempre conheci por Lili, mas a TV des-havia quando lhe deram o diminutivo, os ingleses estavam longe demais - a Inglaterra era noutro planeta - e julgo que seja apenas português; as Leonildes são lilis, locas, lolós, lius...e talvez outros nomes pequenos que a ternura inventa.

      E todos os filhos têm nomes pequenos, como dizia Eugénio

      "Tua mãe dava-te nomes pequenos, como se a maré os trouxesse com os caramujos. Ela queria chamar-te afluente-de-Junho, púrpura-onde-a-noite-se-lava, branca-vertente-do-trigo, tudo isto apenas numa sílaba."
      Eugénio de Andrade, Memória de outro rio

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  10. Lembro-me quando era pequenino e ia com o meu pai ao futebol.
    Figueiró tinha adeptos fervorosos e bem humorados, que falavam um bocado mal da mãe do senhor árbitro, que se chamava quase sempre Gatuno...
    E cada Domingo de futebol era sempre um acontecimento, sobretudo quando a equipa de Figueiró marcava um golo: havia uma súbita romaria de figueiroenses ao bar, feito de tábuas e coberto com ramos de eucaliptos, para festejar o golo da equipa do coração com um copo de vinho. Às vezes (raramente), Figueiró marcava seis ou sete golos, e alguns figueiroenses já iam para casa a cambalear.
    Uma goleada de Figueiró era uma festa e uma excelente receita para o bar do clube.
    Mas, desses jogos épicos, havia uma palavra que corria de boca em boca: o "obsaite".
    «O golo deles foi em obsaite»; «o árbitro (que se chamava Gatuno) não viu o obsaite»; e, pior do que tudo, «o Gatuno anulou um golo a Figueiró por causa do obsaite.»
    Durante anos, eu só conhecia o obsaite.
    Quando cresci, percebi que o obsaite era o "offside", que os comentadores da TV referiam nos poucos jogos que passavam no ecrã a preto e branco.
    Estava descoberto o mistério. Obsaite era uma palavra torta, talvez marreca.
    Um dia, começaram a falar em "fora de jogo". O que soava a coisa estranha.
    Ainda hoje, não sei se a expressão pegou, pois o meu pai ainda contesta os golos que são marcados em "obsaite".
    E eu deixo-o falar do obsaite.
    Se lhe explicasse o que significa, talvez destruísse uma parte das boas recordações dos dias em que íamos ao futebol. Pai e filho, descobrindo as maravilhas que fazemos com as palavras estrangeiras.
    A minha doce mãe, no seu português cheio de coisas novas, diz-me muitas vezes que foi ao supermercado comprar "Ai-Stick".
    Talvez seja Ice Tea.
    Acho que ela traduz o inglês como gosta que ele seja.

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    1. Eheheh!

      Este é dos meus...

      Um abraço... kaluanda (tem de ser)!

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    2. Um abraço, António.
      Tudo de bom!

      P,S.: acho extraordinárias as coisas que escreve aqui no blogue. Fico sempre melhor com a vida. São pequenas crónicas imperdíveis. E os diálogos que leio aqui neste espaço são bálsamo para este beirão de trás da serra. A MRP merecia uma condecoração, por todas as maravilhas que nascem neste blogue. Bem-haja a todos!

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    3. Ó Rui, claro que quem se chamaria gatuno seria o marido da mãe do árbitro, que tinha, obviamente, transmitido o apelido ao filho ...

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    4. Hummm....na minha terra o dono do carrocel chamava-se Nupaleão.

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  11. Apreciei os textos virem seguidos. Da Irlanda e do inglesismo que se alarga a cada dia como um virus (?). É uma pena sentir nos comentários uma resistência de alguns na defesa deste estrangeirismo... Este inglesismo ganhou utilidade quotidiana nos sistemas informáticos, mas são os sistemas de informação que o difundem, impondo a sua cultura e aniquilando as outras, num fenómeno sem precendentes históricos. Estamos num período em que existe a cultura inglesa e as culturas locais (dificilmente comunicáveis entre si). Quando foi a última música francesa que ouvimos no rádio, por exemplo? (Ah...não conta a rádio memória!) O que é hoje o prémio príncipe das Asturias, Médicis ou Goncourt? Que protagonismo merecem realmente hoje em dia este livros nos país estrangeiros? É a qualidade dos seus autores, livros significativamente inferior à do Booker Prize?

    Ahhh, como havia tanto por dizer e até ridicularizar, rir... como por exemplo a publicidade em inglês para um público-alvo português.Não se aperceberem que muitos dos portugueses nascidos antes de 1970 aprenderem francês na escola e a mensagem publicitária a eles se assemelhar a um enigma... ? E que a nossa língua é das mais antigas e a quinta falada em todo o mundo, à frente do francês por exemplo, e que temos de ser nós a zelar por elas. Não irão os ingleses fazê-lo por nós.

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  12. Apreciei os textos virem seguidos. Da Irlanda e do inglesismo que se alarga a cada dia em Portugal como um virus...(?). É uma pena sentir nos comentários uma resistência de alguns na defesa deste estrangeirismo. Este inglesismo ganhou utilidade quotidiana nos sistemas informáticos, mas são os sistemas de informação que o difundem impondo a sua cultura e aniquilando as outras, num fenómeno sem precendentes históricos. Estamos num período em que existe a cultura inglesa e as culturas locais (dificilmente comunicáveis entre si). Quando foi a última música francesa que ouvimos no rádio, por exemplo? (Ah...não conta a rádio memória!) O que é hoje o prémio príncipe das Asturias, Médicis ou Goncourt? Que protagonismo merecem realmente hoje em dia, estes livros, nos países estrangeiros? É a qualidade dos seus autores e dos livros significativamente inferior à do Booker Prize?

    Ahhh, como havia tanto por dizer e até ridicularizar e rir, como por exemplo a publicidade em inglês para um público-alvo português. Não se aperceberem que muitos dos portugueses nascidos antes de 1970 aprenderem francês na escola como língua estrangeira principal e a mensagem publicitária a eles se assemelhar a um enigma... ? E que a nossa língua é das mais antigas e a quinta mais falada em todo o mundo, à frente do francês, por exemplo, e que temos de ser nós a zelar por ela porque não irão os ingleses fazê-lo por nós...

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    1. E bis!!!

      Concordo inteiramente com a sua análise e opinião.
      Curisosamente sou práticamente bi-lingue... com francês. Um dia contarei porquê...

      Abraço

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  13. E se trancrevem uma língua estrangeira, por que não deixar no original norueguês? Não seria mais coerente?

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  14. Parece-me que no geral se tem vindo a usar o inglês para adicionar um je ne sais quoi fictício a qualquer língua original (português, alemão, francês, castelhano) em publicidade e afins. Mas se me falarem em termos técnicos da minha área profissional em português, sei que levo mais tempo do que o normal a processar a informação que me transmitem. Isto, porque tudo o que aprendi, lendo ou ouvindo, foi maioritariamente em inglês. Os livros que estavam disponíveis em português, vinham do Brasil e eram-me quase sempre desaconselhados. Habituei-me ao inglês sem questionar se me estava a moldar a outra língua e a admitir estrangeirismos, mas a assumir que este novo vocabulário era parte da minha língua alargada.

    O site betterthanenglish.com mostra o reverso da medalha e explica como expressões de outras línguas encontram o seu caminho para o quotidiano na língua inglesa; schadenfreude é uma delas, não há equivalente em inglês para a palavra alemã, que é praticamente um conceito. Isto acontece no dia-a-dia a nível pessoal, mas também no mundo editorial. Recentemente, numa conferência, uma editora (publisher, aqui está um termo que em português me parece problemático) de livros infantis confessou o desajuste da tradução do texto original francês para inglês. Não que não houvesse uma tradução directa da palavra (que estava sozinha na página e tinha bastante peso), mas porque em inglês essa palavra jamais se usaria sem o apoio de uma outra, logo, a intenção do texto foi modificada.

    Sobre a tradução do nome dos prémios penso que o português deveria ter sido usado, pois o Prémio Nobel não é mais prémio por se chamar Nobel Prize. É o je ne sais quoi fictício, uma palermice de marketing (olha outra).

    O bom de tudo isto é que alargamos o nosso vocabulário e ao fim de um certo tempo voltamos à nossa língua original. A cada palavra que aprendo noutra língua sei mais sobre outra cultura, mas sei também mais sobre português. A viver em Inglaterra e com amigos de todas as partes, é só fazer as contas. :)

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  15. Bem, a colocação do nome do prémio em inglês é uma opção do editor, que nada tem a ver com a tradução em si (o tradutor só vê a capa e a indicação quando o livro é lançado no mercado). Pela minha parte, posso dizer que se um dos livros referidos era, de facto, o «Paraíso e Inferno», foi traduzido por mim do Islandês. Quanto ao livro norueguês, não sei qual seja, para ser sincero. Mas é fácil determinar de que língua foi traduzido através da leitura do livro.
    Em Portugal associa-se o uso do nome em inglês a um maior reconhecimento do público. Se isso acontece ou não, não sei.
    E o uso de traduções a partir de versões que não as originais não corresponde sempre a falta de tradutores, mas à opção de certos editores pelo mais fácil. O não conhecimento da existência de certos tradutores não implica a sua inexistência. Mas, claro, nem todos lerão os currículos que lhes enviam. :)

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