Contar histórias

Quando os autores portugueses têm livros traduzidos noutras línguas, as editoras estrangeiras enviam-lhes exemplares que eles guardam religiosamente e lhes servem, entre outras coisas, para oferecer a confrades em encontros literários internacionais, melhor se dando a conhecer. Mas não é fácil encontrar esses livros à venda em livrarias portuguesas – e os turistas não têm muitas hipóteses de comprar traduções de autores portugueses quando nos visitam. Ou, melhor, não tinham – porque dois amigos com boas ideias resolveram criar um negócio que dá pelo nome de Tell a Story e reúne todas as condições para correr bem, uma vez que Lisboa recebe turistas todo o ano. Trata-se de vender numa carrinha azul, alegre como uma carrinha de gelados, decorada com estantes e expositores, a obra de autores de cá em variadíssimas línguas – francês, inglês, alemão, neerlandês… A carrinha, que anda atrás dos turistas numa ideia de «desassossego» a homenagear Pessoa – possivelmente o autor mais procurado –, estaciona em locais frequentados por estrangeiros e oferece uma panóplia de títulos e histórias numa acção de promoção da nossa literatura. Até agora, os franceses são quem mais compra, mas todos vão ver as histórias que há para contar. Uma bonita e útil iniciativa.

Comentários

  1. Felicito-os; que bela idéia e desejo-lhes os maiores êxitos que estou em crer irão ter. Realmente há situações que parecem impossíveis até que alguém as faça acontecer.

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  2. Iniciativa interessante e inovadora, sem dúvida. Mas eu, que na minha oficina de tradutor sou vizinho de uma livraria, numa zona de Lisboa onde há hotéis por todos os lados, bem vejo os turistas que entram à procura de livros em língua estrangeira! E tenho para mim que são os turistas que procuram os livros que contam, mais do que os ranchos de excursionistas que enxameiam a zona dos Jerónimos e só "vêem" o que diligentemente registam nos seus telemóveis, máquinas fotográficas e câmaras de vídeo, para mais tarde recordar o que nunca viram de facto.

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    1. para mais tarde recordar o que nunca viram de facto - mas que verdade! mas que poder de observação, e é que é exactamente assim extraordinário Francisco.

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  3. Em França as casas são ninhos pequenos que guardam as famílias, não as deixando dispersar muito da vista, no entanto existe sempre um canto destinado ao repouso dos livros - de crianças e adultos. Não me espanta por isso que sejam os franceses que mais compram.
    A ideia é naturalmente brilhante e concordo em absoluto com a afirmação do amigo Severino. A Literatura tem sempre forma de voar, nem que seja através de uma carrinha azul...

    Um abraço.

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  4. Que bela e criativa iniciativa ! Estamos a tornar-nos cada vez mais um país de turistas, o que é lindo ! Até o meu Porto, que tinha uma paisagem humana tão homogénea há uma década atrás, agora se apresenta como uma cidade cosmopolita.

    E sejamos francos: este incremento turístico nas grandes cidades portuguesas deve-se em primeiro lugar às empresas de aviação low-cost, sobretudo Ryanair e Easyjet. Confesso que a notícia fresca de que a Ryanair vai começar a voar a partir de Lisboa me assusta: faço anualmente 4/5 escapadelas de fim de semana a cidades europeias pela Ryanair e o mais provável é que venham a diminuir estes voos quando começarem em Lisboa.

    Desejo que a iniciativa da carrinha dos livros traduzidos tenha muito sucesso e não só em Lisboa !

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    1. Efectivamente Tell a Story (gosto muito do nome, sinceramente) poderá já começar a expandir-se para a bela cidade do Porto, onde fui tão feliz e onde fui tão bem tratado (quando lá trabalhei , alguns anos); é uma gente espectacular e a quemfica tão bem esta linda e excelente ideia!

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    2. E, já agora, no Funchal que tantos turistas tem !

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    3. Deste modo TELL A STORY tem tudo para crescer e se multiplicar

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  5. Eu já tinha visto uma reportagem na tv e achei realmente uma ideia feliz.
    Se estivesse em Lisboa, gostaria de ver essa carrinha «ao vivo e a cores», ainda que seja destinada a turistas estrangeiros.
    Longa vida e sucesso para este projecto!
    Antonieta

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    1. É giríssima, a carrinha, tem um ar retro delicioso... Foi um excelente projeto , sem dúvida.
      Beijinhos

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  6. é de facto uma excelente ideia.

    espero que seja um sucesso, por todas as razões.

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  7. Como nós, portugueses somos bons a sonhar !
    Concretizar, é outra história.

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    1. Mesmo a propósito (este GEDEÃO tornado quase lugar comum) - O SONHO COMANDA A VIDA.

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    2. Certo ! Mas infelizmente raramente comanda a economia (sobretudo a nacional). E a "Tell a Story" só vingará se a economia a tornar viável.

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  8. Boa idéia!

    E... que façam sucesso.

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  9. Embora correndo o risco de ser completamente Dupondtiano, direi mesmo mais: Rica idéia!

    Porque não me parece que seja fácil levar as editoras estrangeiras a traduzir e a distribuir literatura portuguesa...
    O segredo, diria eu e se mo permitem, reside naquilo que vão traduzir, que terá de ser muito bem escolhido, tanto na facilidade da leitura quanto na "alma" portuguesa, pois julgo que será isso que procuram os turistas... e os temas da história, da antropologia cultural, toponímia, um pouco de geografia... a par, evidentemente, de
    poesia e textos literários, de histórias simples das pessoas... creio que além de Pessoa, Gedeão e Camões (entre outros) teriam sucesso pela sua "globalidade", se é que me faço entender... pois julgo que qualquer turista entende coisas como:

    Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo....
    Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
    Porque eu sou do tamanho do que vejo
    E não do tamanho da minha altura...

    Ou: Moldei as chaves do Mundo,
    que outros chamaram seu.
    mas quem mergulhou, no fundo
    do sonho, esse fui eu!

    E claro:
    Amor é fogo que arde sem se ver;
    É ferida que dói e não se sente;
    É um contentamento descontente;
    É dor que desatina sem doer;

    Dos outros, lembro assim de memória:

    Se uma gaivota viesse
    Trazer-me o céu de lisboa
    No desenho que fizesse,
    Nesse céu onde o olhar
    É uma asa que não voa,
    Esmorece e cai no mar.

    Que me dizem? Tal está o atrevimento da traça...

    Saudações kaluandasl

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