Compliquex

Simplificar e aliviar os procedimentos burocráticos e a respectiva linguagem parece-me, em princípio, uma coisa positiva, até porque sempre achei que, em Portugal, se gostava muito de complicar. Há um ano e tal pediram-me que «traduzisse» um artigo da Constituição para que os jovens o pudessem perceber numa redacção mais clara – e, bolas, desculpem-me o palavreado, mas até eu tive dificuldades em compreendê-lo quando o li pela primeira vez. Um dia destes, pousando os olhos num anúncio publicado num jornal, verifiquei que o vício de complicar a prosa se mantinha. O título era este: «Subconcessão da Utilização Privativa do Domínio Público e das áreas Afectas à Concessão Dominial atribuída à Sociedade Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S.A.» Bem, claro que quem está interessado já sabe de tudo antes de ler o anúncio, mas, numa frase única, conseguimos ter as palavras «subconcessão» e «concessão», «domínio» e «dominial» (além de que temos «áreas» escrito com minúscula e «Afectas» com maiúscula, o que não percebi); e no corpo do anúncio propriamente dito, de dois parágrafos, lemos coisas como «a subconcessão de […] terreno que integra a concessão dominial concessionada à ENVC». Ui, entre tanta concessão acabei por ficar confusa. Não podiam aplicar aqui o Simplex, ou, pelo menos, escrever mais bonito? Num outro anúncio, posto por uma universidade, o título também era bem estranho: «Procedimento concursal comum para a celebração de um contrato de trabalho em funções públicas a termo resolutivo incerto.» Oh diabo, quem é que se lembrou desta formulação tão estranha para uma coisa, afinal, tão simples?

Comentários

  1. É precisamente contra estes alarves analfabrutos que eu me insurjo pois são precisamente estes que, por dá cá aquela palha, usam os coffee-breaks , os back-ground's , e demais alarvidades como as que aqui a MRP tem agora a gentileza de trazer a talhe de foice.

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    1. Ahahah!

      E tunga! Ó Severino, eu que sou muita culto e sábado, quando fiz o meu MBA (Master Business Administration - e toma lá para aprenderes) tive um professor de teorias do marketinkg que dizia que uma gravata espalhafatosa e umas bocas em inglês, eram fundamentais!
      Ahahah!

      Saudações kaluandas

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    2. Ó Pacheco fizeste-me lembrar aquele pateta/empreendedor/impulsionador que o Miguel Relvas queria contratar para o seu governo para motivar a juventude...ao que nós chegámos.

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  2. Apesar de tudo, bem simples comparado com descrições periciais para processos em tribunal...

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  3. Não é só na prosa prosaica que existem esses berloques linguísticos. Na prosa literária também abundam muitos ouropéis pernósticos que, depois de decapados, revelam cores ferrugentas.

    ABC

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  4. Ó Extraordinária Anfitriã:

    Nós, portugueses, adoramos retóricas e palavreado complicado... porque quanto mais impenetráveis ou herméticas forem as palavras, menos idéias transmitem, logo, quem faça delas uso alcandora-se a um nível de superioridade intelectual tão presumido quanto falso:
    - Quem as usa exibe-se e quem as lê, extasia-se com a erudição alheia.
    Mas, é disso que vive uma legião de sábios, de gente da cultura e de advogados, juízes... que de outro modo não teriam razão de existir. Por isso se perpetua esse estado das coisas e se cultiva o dito compliquês...

    As leis e a linguagem usada nos documentos e actos oficiais ou legais, são propositadamente ininteligíveis, para nos afastar e baralhar.
    Desse modo podem ser interpretadas e sobretudo usadas por quem delas vive, a seu contento...
    Acho eu...

    A propósito, esta conversa lembra-me a sebenta de Introdução à Metodologia das Ciências Sociais, do Prof. Pantoja Nazareth, que em tempos tive de empinar... era desesperante, ler um parágrafo inteiro e não perceber nem reter nada do que lia!
    Faz-me lembrar certas críticas, literárias ou de cinema, em determinados jornais e revistas... não se avalia nem explica coisa nenhuma, exibe-se "cultura"! E quanto mais complicado e tortuoso o discurso e a exposição das idéias, mais o autor se eleva e com ele quem o leia, assim como se fosse uma espécie de comunicação cabalística para iniciados.
    Já ouvi dizer que são masturbação intelectual! Perdoem-me a crueza da palavra.

    Saudações kaluandas II

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    1. Completamente de acordo, caro Pacheco.
      Eu acho que alguns nem se deram ao trabalho de ler os livros de que estão a falar.
      Estão mesmo é a escrever para o próprio umbigo!

      Saudações
      Antonieta

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    2. Plenamente de acordo.
      É assim na linguagem usada na Administração Pública, é também nalguma literatura menor e nas famosas Ciência da Educação, também conhecidas como eduquês ".
      Na crítica -- literária, artes, cinema, teatro -- contam-se pelos dedos quem escreve para ser entendido.
      Nunca me esquecerei de um livro do J P Sartre, o Existencialismo é um Humanismo, prefaciado por Virgílio Ferreira, edição portuguesa dos anos 70, que tive numa cadeira da faculdade de Letras do Porto. Sartre utilizou 40 ou 50 páginas e escreveu de uma forma límpida, descomplicando o Existencialismo; já Virgílio Ferreira, num prefácio com cento e tal páginas, enreda-se na explicação e acaba por se perder. Intragável.
      De facto, escrever bem, com o mínimo de palavreado e usando termos simples -- é mesmo muito difícil.

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    3. É verdade que Sartre nos surge mais claro na obra. Mas não me parece que Vergílio se perca no comentário; nem ele era homem de se perder nas letras. De alguma forma é sempre mais fácil o primeiro pensamento que o segundo, sobre ele. O sujeito não consegue despir-se de si mesmo. No comentário estão sempre dois:) E Vergílio, por si mesmo, não é um escritor fácil.
      E pode crer que é um entendido sobre o existencialismo (prático e como teoria). Não apenas o de Sartre. Mas sobretudo. Difícil, sim; não intragável.
      Uma mente extraordinária.

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  5. Existe o http://portuguesclaro.pt/ com muito boas ideias sobre esse assunto.

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  6. Sobre esta matéria, apenas ocorre dizer que não há nada como realmente.
    Mas mais vale um homem, todavia nunca, do que sem comparação jamais em tempo algum.
    Não só, mas – ora essa é boa! – até mesmo porque enfim.
    Ora, nem sempre nos é dada a oportunidade de um procedimento concursal comum para a celebração de um contrato de trabalho em funções públicas a termo resolutivo incerto.
    Eu, porém, num caso destes não deixaria de dizer: – homessa!!

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  7. Pois-é... hoje estou bem-disposto, talvez porque amanhã completo 9 meses de exílio ininterrupto!

    Deixem-me apresentar-lhes esta pérola jornalística, que podia muito bem ter sido-mesmo, e onde o verbo usado é óbviamente copiado do que os jornais-mesmo usam...

    Ahahah! Adivinhem o autor....


    In jornal “ Diáriamente Notícias Mesmo do Huambo”:
    (Por Edivala Tákamoca)

    INSUCESSO ABELHÍSTICO: UM REDUNDANTE FRACASSO, A PRIMEIRA INTERVENÇÃO ABELHEIRA NESTA CIDADE!

    - Os técnicos abelhudos do PROMEL, baixando as antenas, assumiram hoje com tristeza mas firme convicção de continuidade no seu abelhal labor de desenvolver a apicultura abelheira nesta província e cidade capital, que falhou geométrica e redondamente a sua tentativa de capturação do enxame, cuja uma parte (constituída por abelhas) foi detectado e denunciado pelo também igualmente abelhudo ajudante de mecânico natural de Kapelongo de seu nome próprio Jamba (conhecido por mano Jamba), o qual convictamente afirmou a este jornal diário: “Abelha! Eu respeito muito!”, o qual enxame abelhalmente constituído por estes insectos, logo às primeiras horas da manhã como se encontrando zunidoramente pendurado e esvoaçante em volta de umas flores de um jovem frangipani plantado no jardim da sua (deles todos) residência, no Bairro de S. João desta cidade, capital da província com o mesmo nome.
    Acorrendo ao alarme, o Mestre-Abelhudo Alcobia, logo preparou com uma pouca de cera de abelha que precavidamente mantém a jeito, a caixa de uma impressora HP, com furos para isso mesmo, esta mesma no sentido de atrair e capturar, fixando-as, as abelhas exploradoras que iriam assim chamar o resto do enxame que traria consigo a rainha! Note-se que entre as abelhas funciona ao contrário de com a gente, a malta voa toda de um lado para o outro e a rainha se quer mel, tem de se fazer ao piso! Deve ser essa a razão de sermos uma república…
    O outro abelhoso, armado de máquina fotográfica, tentou a captura também mas em imagens, das cenas épicas e históricas desta primeira intervenção abelheira… que afinal se gorou, com a partida das ditas (abelhas), depois de um impasse e alguma expectativa (parecia o jogo Angola-África do Sul no CAN) onde elas investigaram com alguma insistência (ao contrário da selecção angolana) o que lhes foi astutamente apresentado pelo Abelho-Mestre Alcobia, tudo seguido e perante a curiosidade do guarda Celestino que aproveitou para deitar mão a algumas nêsperas da respectiva nespereira, sendo logo repreendido pelo fotógrafo-abelheiro que o intimou a não repetir o saque, sob pena de envolver a dita árvore dadora destes frutos com arame farpado!
    Os técnicos abelhistas estão agora a estudar a estranha e frustrante situação da recusa na acção de capturamento por parte dos cobiçados insectos (abelhas), que não encaixaram, literalmente! Aventando-se desde logo a hipótese de a caixa não ser do agrado destes himenópteros (abelhas) de constituição citadina urbana e por isso mais evoluídos… talvez se fosse da Apple elas se entusiasmassem mais – sugere o repórter!
    E concluíram filosóficamente: “Estas abelhas são umas cabras! Fica para a próxima”.
    É assim, de derrotas e insucessos, que se faz a história até à vitória final! Hélàs!





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  8. Extraordinária Maria do Rosário,

    Já viu que hoje está em destaque no Pedro Correia do DO?
    Mais do que merecido, na minha modesta opinião!

    :) Antonieta

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  9. Portugal está horrivelmente manietado pela peste do LINGUAJAR JURÍDICO.

    É confuso, verborreico, pleonástico e críptico.

    Temos leis repetidas e muitíssimo mal escritas, temos regulamentações desnecessárias (a não ser para enriquecer advogados e juristas), temos procedimentos jurídicos incompreensíveis...

    Temos uma constituição mais de oito vezes mais longa do que a dos E. U. A. !!!!

    Estamos encarcerados em leis, leizinhas e leizões!

    Necessário seria refazer já todas as leis e códigos legais deste país mas essa tarefa teria que ser realizada só por cidadãos sem (de)formação jurídica.

    Por exemplo, por cientistas que estão habituados a serem concisos nos seus artigos publicados internacionalmente.

    Portugal precisa de se libertar da praga jurídica que nos sufoca.

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    1. E tunga! Outro... belo tiro, Extraordinário Artur!

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    2. Ora bem, caro Artur Águas!
      Quando leio um texto desses juristecos só me apetece rir, tão mau é o seu latim. Mas eu creio que é de propósito: arranjaram um linguajar críptico e mal construído para só se entenderem entre eles e ganharem dinheiro a traduzirem-no para o leigo, em consultas cujo preço nunca está tabelado, e que é sempre uma "bela" surpresa, ou para se safarem quando é preciso.
      Quem diz juristecos diz legisladorecos, que a laia é e os objectivos são os mesmos.

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    3. Estamos de acordo ! Mas como desfazer este novelo jurídico que nos oprime e estupidifica ?

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  10. Caríssima Anfitriã,

    Ainda há dias critiquei (talvez demasiado bruscamente) a escrita do Dr.? Miguel Relvas.

    Aparentemente, parece ser um mal transversal. E aí me incluo, pois não me acho diferente ou melhor do que outros.

    No entanto, não sou figura pública ou de poder como esse Senhor. Os meus erros morrem comigo (e sinto-me feliz por isso).

    Não me vou mais adiantar nesta parte. Destaco apenas a sua COMPREENSÃO HUMANA naquilo que se pode tornar uma desgraça para esta cidade e região onde vivo, e um erro absurdo para o País.

    Perdoe-me esta gratidão que lhe demonstro,
    mas... Cada vez gosto mais de si.

    O Vianense Vítor Ferreira


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    1. A gratidão vem da referência aos ENVC, onde tenho alguns amigos que lá trabalham ou trabalharam.

      Fica explicado.

      Um abraço

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    2. Mas em contrapartida, vive numa cidade muito agradável, com um belo património histórico e, junto ao rio, com um conjunto de edifícios desenhados pela excelsa tríade da arquitetura portuguesa contemporânea (Távora, Siza, Souto Moura).
      Nenhuma outra cidade do m undo tem um conjunto tão harmonioso como Viano do Castelo ! E então, o "Pompidouzinho" (Siza dixit) do Souto Moura é lindíssimo !
      Dêmos graças a Deus pela obra dos portugueses magníficos e esqueçamos os desconcertos que os vis nos legam.

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  11. Pois eu desenvolvo a acção de ter opinião sobre este tema fazendo uso dos recursos que o cérebro disponibiliza através de um complexo processo que possibilita a descodificação e posterior compreensão de estímulos e mensagens, acabando por aceitar e admitir que a utilização de termos e palavreado que não atingem o destinatário em cerca de noventa e nove vírgula nove dos casos faz parte de uma estratégia em que, alardeando domínio e conhecimentos linguísticos, se passa uma imagem de empenho e eficiência.
    Era para dizer, no início, que neste país de engenheiros ficava mal não se dar valor a esta vertente de engenharia da palavra. Mas, atentando aos exemplos atrás expostos, com fornecimento de oportunidades de leitura a candidatos interessados no envolvimento da apreensão da mensagem, creio que teria sido injusto!

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    1. Ésságora!
      O qu'é que tem contra os engenheiros? Hein!
      Ist'é mas'é um país de dótores!

      Eheheh!

      Um abraço kaluanda!

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  12. Usam palavras tão caras e não sabem por vezes o sentido claro das coisas simples. Enredámo-nos na linguagem que criámos para simplificar e agilizar a comunicação Mas quem sabe, presos dentro da estranheza das frases vivamos disso mesmo, baba que escorre, e a comunicação já nem interesse. Que é triste despojar assim as palavras da luz que lhes pertence. Seriam janelas abertas; e ficam persiana corrida.
    BFS

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  13. Nesta linha vocabular, gosto especialmente do "procedimento concursal", muito frequente nos anúncios publicados nos nossos jornais. E "percepciono" com alguma dificuldade certas mensagens que "recepciono" mas não consigo "contratualizar".

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  14. Ist'é que vai aqui uma açorda, hein!
    Eheheh!

    Sempre quero ver quantos comentários vamos reunir até ao fim do dia...

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  15. Já não vinha aqui há uns dias e deliciei-me agora com os textos e comentários atrasados. O que se pode fazer com a organização de letras em palavras e das palavras em texto é realmente magnífico! Como a Maria do Rosário dizia na sua entrevista: pode parecer que está tudo dito e inventado, mas não. O mundo e a vida têm sempre novidades para nós. Assim estejamos recetivos para isso.

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  16. Maria do Rosário desculpar-me-á o abuso de caracteres, mas, a propósito do tema que nos propõe hoje, não resisto a dar-vos a conhecer esta extraordinária Memória Descritiva de um projecto de arquitectura:

    «O piso de chegada à casa, normalmente, é adjectivado de nobre. Esta área é francamente intervencionada no seu interior. Aqui, a dificuldade, foi manter a coesão diferenciada de funções. Numa lógica pessoana, como ponto de partida para o desafio da intervenção, sublinharíamos a ideia de que, por hipótese, nada é, tudo de outra. Espaço de jantar, íntimo, de descanso, de preparação de refeições e de articulações verticais, para comunicação física entre espaços distintos, só se encontram condicionados pelo envelope que define poliedricamente a caixa. Articularam-se funções, estruturando-se um esquema de compromissos a fim de se fixarem as exigências. A cobertura, tudo unifica, sendo as paredes de pedra o limite da arquitectura interior. Ainda de referir a suite construída no desvão da cobertura. Com certeza, o eternizar de uma utopia pelo jogo da intimidade. Nesta arquitectura, a disciplina, remeteu-se à atribuição de funções. Articulação híbrida, lúdica, fundamental e íntima. Espaços bem definidos para uma multipersonalidade de usos.
    No exterior, uma mancha verde envolve todo o suporte. As árvores existentes, são preservadas. Não se quarta o horizonte com elementos artificiais que descaracterizem o conjunto. O terreno é consolidado assim como a memória.
    A demanda conceptual, partiu da sinergia de todas as opiniões com o fito de fixar um projecto. Todos participaram. E este, é, aquele que se submete à prova de fogo do vermos, com o andar do tempo, se respondeu ou não aos sonhos que por ele se projectaram.»

    Que tal?
    Isto…não há nada como realmente.
    Eu, num caso destes, sublinharia “a ideia de que, por hipótese, nada é, tudo de outra”. Álvaro de Campos, porém, na mesma lógica heteronímico-pessoana, não deixaria de dizer: – “Homessa!!”

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