Começos

Cá estamos de volta ao blogue e ao trabalho – e espero que as vossas férias tenham sido boas e que todos cheguem cheios de força para comentar o que, a partir de agora, vos for servindo nestas minhas Horas Extraordinárias. E, como hoje é começo do mês, cumprindo o ritual de cada um dizer o que anda a ler, lembrei-me de aconselhar um romance de começos absolutamente genial que, lido uma vez, jamais se esquece. Trata-se, pois claro, de Se numa Noite de Inverno Um Viajante, do grande Italo Calvino, uma obra que nunca há-de estar ultrapassada, de tão moderna que continua a ser tantos anos após ter sido escrita. Um leitor compra um livro numa livraria (o romance que acabo de citar) e, assim que lê o princípio, fica com água na boca (como todos nós, se o lermos). Mas, por razões que aqui não se contarão, descobre que o segundo capítulo é, afinal, de um outro livro – um romance não menos fascinante, por certo, mas não aquele que esperava. Vai, obviamente, reclamar do sucedido (e querer ler os dois livros de fio a pavio, já agora) e conhece, na livraria, uma leitora a quem a mesma «tragédia» sucedeu, o que acaba por gerar uma paixoneta e muitas afinidades. Porém, à medida que ambos tentam recuperar a sequência do que leram, por mil enganos e conspirações inimagináveis, terão sempre na mão mais um começo de um novo romance, cada qual mais aliciante, que em vão desejarão continuar a ler. Com uma mão notável para escrever em estilos muito diferentes, do Japão à América Latina, passando pela Europa Central, este livro de Calvino é um caso sério da literatura de todos os tempos e lugares.

Comentários

  1. Olá Maria do Rosário!
    Espero que esteja recuperada das suas tendinites.
    Curiosamente, ando a ler «As Cidades Invisíveis» desse mesmo autor, pois ouvi, na rtp 2, o Nuno Camarneiro falar desse livro e fiquei com vontade de o reler.
    Este que a Rosário recomenda, também o tenho e já o li há imenso tempo, talvez o vá reler também.
    Também ando a ler «O Relatório de Brodie» do Borges, absolutamente magistral.
    Li muito em Agosto, muito mesmo, mas vou ficar por aqui.
    Bom regresso e boas leituras!
    :) Antonieta

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  2. "Pensei que o meu pai era Deus", de Paul Auster.

    Muito bom!

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    1. Mas, definitivamente, Paul Auster é muito bom (apesar de algumas vozes quererem -ainda não percebi porquê-diminuí-lo).

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  3. "Um Pinguim na Garagem", de Luís Caminha. Belíssimo.

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    1. Comprei o "Pinguim na Garagem" do Caminha para o levar para férias e esqueci-me dele em casa... Mas a sua mensagem vai fazer com que o leia em setembro. Obrigado !

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  4. Acabei de ler Um Amigo para o Inverno, de José Carlos Barros, finalista Leya 2012. Nota positiva. Ainda na estante dos premiados Leya, comecei a ler O Rasto do Jaguar. Estilos completamente diferentes.

    António Breda Carvalho

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    1. Ó Breda gostei muito de "O RASTO DO JAGUAR" foi uma grande surpresa.

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    2. Severino, no ponto em que estou, ainda não lhe apanhei bem o rasto.

      ABC

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    3. António Luiz Pacheco4 de setembro de 2013 às 07:46

      O rasto do jaguar... foi dos livros que mais gostei nos últimos anos!!!!

      Mas claro, tudo depende de cada um... e dos seus gostos...

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  5. Mais do que um começo, um recomeço. O que estou a ler? Um romance de um autor desconhecido, eheheh , o «Obstinação», um romance quase a negro e branco, a cinzento, mas que se lê como manteiga em pãozinho quente ... e porque a quem escreve nada como reler coisas vivas, um prontuário ortográfico de Magnus Bergstrom e Reis Neves com data de 1962, herança dos velhos dos meus velhos. E porque esvaziar casa de antepassados permite encontrar jóias... a Maria Moisés do Camilo Castelo Branco. Por fim, o Hotel Memória do João Tordo.

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  6. Ora viva meus Caríssimos Amigos

    De regresso e, neste longo intervalo, não consegui tragar um dos meus autores preferidos John Steinbeck ) - UM DIA DIFERENTE-não passei da página 60...bem me custou mas, tenho tanta coisa para ler que ainda porecisava de, pelo menos, um século de vida.

    Também não gostei de OUTRAS CORES do Ohran Pamuck que li todo (a custo), e como gosto deste autor...

    GONÇALO M. TAVARES sempre desconcertante APRENDER A REZAR NA ERA DA TÉCNICA, e finalmente magistral, surpreendente, uma maravilha que me deliciou A FILHA DO COVEIRO - Joyce Carol Oates-é destes livros que eu gosto que me apanham logo na primeira página pelos cabelos e só me largam na última frase depois de todos os piolhos estarem catados. A FILHA DO COVEIRO-recomendo-vos!

    Comecei há dois dias COMO LER UM ESCRITOR de John Freeman - lê-se...mas é curto!

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  7. Se numa Noite de Inverno Um Viajante - já ando para ler este livro há anos, mas vai sempre sendo o SEGUINTE

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  8. Bem-vinda, Maria do Rosário, à casa que é sua mas em que nos sentimos como se fosse nossa. Guardo das férias a memória, ainda fresca, de um livro que me deliciou: O Amante Bilingue, de Juan Marsé.

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  9. Li o Leviathan, do Paul Auster e comecei o Rio Homem, do André Gago. Tem tudo a ver.

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  10. Bom regresso e espero que as tendinites tenham partido para longe e para sempre.
    Há coincidências engraçadas nas nossas vidas! A Maria do Rosário fala no livro de Ítalo Calvino que eu estava a ler faz hoje quinze anos. Como é que eu me lembro? Porque o meu filho faz hoje quinze anos e Ítalo Calvino foi comigo na mala com os cueiros, as camisas de noite, as fraldas....Também destas coisas uma mãe não se esquece.
    Um bom conselho de leitura, sem dúvida. Sim, "Ítalo Calvino é um caso muito sério da literatura de todos os tempos e lugares."

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  11. Uma correcção : "este livro de Ítalo Calvino é um caso sério da literatura de todos os tempo e lugares."

    Um abraço.

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  12. Reli “Vícios e Virtudes”, Hélder Macedo, 2000.
    Um fascinante romance sobre a escrita de um romance.
    O autor é, ele próprio, personagem – ou, como li algures, disfarça-se de personagem.
    Entretanto, cria um outro personagem que também é escritor, e que imagina a construção deste romance de uma forma displicente, superficial, à base de clichés – abordagem de que o autor se esforça por se libertar.
    Partilhando connosco esse esforço, apresenta-nos uma metaficção que manipula as regras do romance histórico fazendo sucessivos bluffs com o que é verdadeiro e o que é falso, e baralha as regras da narrativa clássica fazendo batota com o plausível (o que poderia ter acontecido) e o possível (o que poderá vir a acontecer).
    A personagem central é Joana, que a certa altura adverte o autor: “Eu minto muito. Aviso sempre, mas nunca ninguém acredita”. E, noutro passo, esclarece-o: “Joana é gente, não é personagem. Não entra nesta história. Só se eu quiser.”
    E o autor admite que “(…) ela talvez esteja a fazer comigo (…) um jogo inventado por ela, de que só ela sabe as regras”.
    Ele admite, pois, que não tem certezas pré-concebidas quanto à narrativa em curso, e confessa-nos: “também partilho das legítimas curiosidades do leitor”.
    Joana é uma personagem em aberto. No fim do livro ficamos sem saber quem ela é, afinal.
    E muitas outras coisas ficamos sem saber, permanecem em aberto.
    O autor, resignado, remata assim: “De modo que agora o resto é isto. Perguntas sem respostas. Mas talvez também, com alguma sorte, algumas respostas a perguntas que não foram feitas. Ao sim disfarçado em não. Tempo condicional.”
    Cá está: a releitura trouxe-me algumas perguntas que não fizera na primeira leitura, e deixou-me novas respostas a perguntas por fazer.
    Este livro tem muito que se lhe diga.
    Fascinante.

    (De alguma forma este livro tem a ver com Ítalo Calvino, particularmente em “Se Numa Noite de Inverno…”, aqui recomendado por Maria do Rosário. Eu também recomendo e, do mesmo universo, acrescentaria por exemplo as “Ficções” de Borges)

    Associo-me, claro, à manifestação das boas-vindas a Maria do Rosário.
    Extensiva, evidentemente, ao regresso dos extraordinários companheiros.

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  13. Calvino sempre !

    A minha grande descoberta de férias foi "O Ano Sabático" do João Tordo.

    Confesso a minha falta: nunca antes tinha lido nenhum livro do Tordo e foi preciso a minha mulher comprar este romance para que eu possa hoje dizer que o Tordo passou para mim a ser escritor de quem procurarei todos os romances anteriormente publicados.

    Neste livro, o Tordo mostra a rara capacidade de criar novos mundos humanos que me fez descobrir sensações novas e insuspeitadas. Absolutamente fascinante seguir os percursos catastróficos, mas coerentes, de Hugo e do seu desdobramento, as duas personagens principais deste grande livro que, para além de nos deleitar com uma superior qualidade estética da escrita, nos oferece um argumento de extrema originalidade.

    Pelo menos tão intenso e absorvente quanto qualquer livro do Auster !

    A Maria do Rosário deve continuar muito orgulhosa, como já o confessou aqui, de ser a editora do João Tordo !

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  14. Li «O Sonho do Celta» do Vargas Llosa, que me levou a reler «O Coração das Trevas» do Conrad, que me levou a rever o «Apocalipse Now» do Coppola que, finalmente, me levou a «Os Anéis de Saturno» do W. G. Sebald, onde navego agora.
    Porque isto está tudo ligado!
    Clara

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  15. olá, bom regresso.
    pois eu durante as curtas férias li as quarenta histórias do donald barthelme (provavelmente um dos melhores livros de contos curtos de sempre) e ando a ler a magistral biografia de edward hopper, escrita por gail levin - e que bem merecia uma tradução portuguesa (sim, eu sei, não teria leitores suficientes...)

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  16. Folgo em sabê-la, de novo, por aqui. Já tínhamos saudades suas, e das suas Extraordinárias sugestões. Confesso que fiquei presa ao livro que refere. Fantástico enredo. Vou espreitá-lo, seguramente. Só li um livro do Calvino e, embora não desgostasse, não me arrebatou a alma. Mas é sempre a velha história: terá sido o livro, ou a altura em que o li? Não sei. Nada como esclarecer a dúvida. E parece-me ser esta a altura e o livro ideais.

    Acabei de ler um livro fantástico que me surpreendeu muito. Trata-se do "O da Joana" do Valério Romão. Já tinha lido - no blog da nossa Extraordinária Vespinha - umas notas muito positivas sobre o "Autismo", primeiro livro deste autor, e o conto publicado na Granta . Tinha, por isso, expetativas elevadas. Mas mesmo assim foi uma enorme surpresa. O livro é belíssimo, apesar de muito duro. Surpreendeu-me a maturidade na escrita mas, sobretudo, a imensa sensibilidade do seu autor. Não é um livro fácil na medida que cria no leitor inquietação e angustia. Mas é soberbo a descrever a dor psíquica. Eu li-o em pouco mais de 24h e quando terminei fiquei sentada, com o livro nas mãos a digeri-lo e a recompor-me. Apanha-se uma valente abanão.

    Hoje vou começar o "O rio do tempo" do norueguês Per Petterson . Mas ainda é cedo para opinar... :)

    Dos livros que li nas férias gostaria de referir um que considero magnífico. Trata-se de "O Anão" do Pär Lagerkvist . Aborda a perversidade e maldade humanas. Soberbo! E imperdível, a meu ver.

    .

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    1. Não sei se vou a tempo, já passaram 5 anos, mas desculpem-me, "expectativas" é assim que se escreve, com "c", mesmo com o novo Acordo Ortográfico.

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  17. Ando a ler As cidades invisíveis do Calvino e Nove contos do Salinger. Deliciei-me recentemente com O amante bilingue e mais ainda com Rabos de lagartixa, que descobri aqui, nesta extraordinária sala de leituras. E li Goa ou o guardião da aurora, de Richard Zimler, autor novo para mim . Gostei muito! Bom recomeço!

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  18. On The Road, Jack Kerouac (Editora Brasiliense, Tradução de Eduardo Bueno e Antônio Bivar, São paulo, 1984)

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  19. Viagens de Viagens, por A. Tabucchi.
    Bom recomeço!
    Marta

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  20. Que saudades que tinha do «Horas Extraordinárias»...

    Regresso de férias e começo com «História da Minha Vida I», Giacomo Casanova.

    Em férias li Eça de Queirós, Ana Margarida de Carvalho, Teolinda Gersão, Teresa Lopes Vieira, Miguel Torga e Niccolò Ammaniti.

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