Byron e os cães mortos

O senhor Coetzee não ganhou seguramente o Nobel – nem muitos outros prémios literários – por acaso. É um autor sul-africano notável, que entre outros romances escreveu Desgraça, no qual um académico branco, mulherengo e apreciador de Byron assedia Melanie, uma das suas alunas mulatas; a rapariga apresenta queixa (movida pelo namorado e pelos pais, mais do que por vontade própria) e David, não tentando defender-se sequer de um acto que seria capaz de repetir (respondeu a um impulso, eis como define a situação), acaba por ser expulso da universidade. Sem nada que fazer, resolve visitar Lucy no interior do país – a filha neo-hippie que deixou a Cidade do Cabo para se tornar proprietária de uma pequena parcela de terreno e vive de vender flores no mercado e guardar cães nas férias dos donos (mas muitas vezes é apenas de abandono que se trata e os animais ficam com ela). O reencontro entre pai e filha é franco e agradável e, embora os seus hábitos sejam diametralmente opostos e o professor gostasse mais de uma Lucy menos «campónia», a verdade é que acaba por se adaptar àquele ermo, ocupando os dias com trabalho braçal, o libreto de uma ópera sobre Byron e o apoio a uma clínica veterinária onde aprende a consolar os cães que vão ser abatidos (na maioria dos casos, porque os donos são pobres e não os podem manter). Porém, quando a sua vida estava a ganhar um novo rumo (ele até tinha ido para a cama com uma mulher da sua idade – e feia), um ataque violento à casa vira tudo do avesso e tem consequências devastadoras para Lucy e o seu futuro naquele lugar. Mas ela recusa-se a sair dali, doa a quem doer. Este é um livro sobre a África do Sul pós-apartheid, sobre as atrocidades e as feridas abertas de uma sociedade eminentemente racista. Duro, seco e desassombrado, fala dos que parecem conseguir adaptar-se ao inadaptável – como os cães cheiram a morte, mas se oferecem ao carrasco para uma última festinha. A não perder.

Comentários

  1. Bom dia,

    Esta coisa dos gostos tem mesmo muito que se lhe diga! Li este livro há uns anos (o único que li do autor) e acabei-o a custo, não me prendeu. Obviamente, não está aqui minimamente em causa o seu valor literário. Apenas e só uma questão de (mau) gosto pessoal. Aconteceu-me o mesmo com "O coração das trevas" de Konrad, dei comigo a pensar: "ainda bem que tem poucas páginas".

    Já li GRANDES livros por recomendações suas, mas neste "Desgraça" estamos (saudavelmente!) em desacordo.

    Cumprimentos a todos,

    Rui Miguel Almeida

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    1. Realmente o que são os gostos... eu gostei d' "O coração das trevas". E não o digo para contrariar!

      Os gostos são afinal compostos, como químicos ou equações... não acham?

      Terei gostado porquê?
      Pelo deleite da leitura como se fosse um Eça?
      Ou, pelo interesse que tenho por determinados temas... como é o caso.

      E afinal, outros livros de que gostei, seguem ou foram buscar alguma inspiração a este "Coração das trevas", pelo que me atrevo a dizer que será essencial tanto para um bibliografia de Konrad, como para quem se interessa pelo tema que serve de base ao romance. Cito a título de exemplo e porque me ocorrem imediatamente, os casos de "Eliminem todas as bestas" (Sven Lyndqvist) e "O sonho do celta", que no primeiro caso duvido fosse do agrado da maioria Extraordinária, e no segundo já vimos que a muito poucos agradou.

      Mas é isso que compõe em boa parte o fascínio da humanidade: A diversidade de idéias!
      Ela é que permite a diversidade de escritores.
      Não acham?

      Saudações kaluandas!

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    2. Eu gostei muito do «Sonho do Celta».
      Desconhecia completamente a personagem biografada, bem como a sua ligação ao Conrad.
      Gostei muito da parte do Rio Congo e também da selva amazónica, que me fez lembrar «A Selva», do Ferreira de Castro, um escritor que foi em tempos o nosso mais traduzido e de quem já ninguém se lembra.
      Antonieta

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    3. Tem toda a razão a Antonieta em invocar este vergonhoso esquecimento.
      Ferreira de Castro é dos maiores escritores portugueses e A SELVA dos grandes livros de sempre.

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    4. Antonieta já leste "A LÃ E A NEVE"? grande livro - o BIGORNA é um personagem inesquecível (creio que se chamava o bigorna, mas já o li há tanto tempo...)

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    5. Li tudo do Ferreira de Castro, o meu pai tinha a obra completa deste autor, acho que alguns até li cedo de mais.
      E Os Emigrantes?
      E A Volta ao Mundo?
      E ninguém fala nele!
      Antonieta

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    6. Isto a conversa é como as cerejas...

      Gostei muito de ler Ferreira de Castro!
      "A selva" e "Terra Fria", sobretudo... "Volta ao Mundo". Li-o em rapaz, teria uns 12 anos, pois o dizer "selva" era-me irressistível, assim como a capa!
      Concordo com o que dizem ambas e duas, as Extraordinárias: há um esquecimento injusto de um grande escritor (enfim... de mais um...).
      Foi por ele e pelo que me despertou que depois vim a conhecer Erico Veríssmo, José Mauro de Vasconcellos e claro Jorge Amado, este o último.

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    7. Ó amigo Pacheco - quem é que não leu "O MEU PÉ DE LARANJA LIMA"...e não chorou

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    8. Lembra, lembra!
      "A Selva" é, salvo erro, o livro de um escritor português mais vendido de sempre no estrangeiro e continua a ser editado pelo mundo fora...

      PLFF

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    9. Os livros de Ferreira de Castro têm, julgo, edições recentes. Pelo menos estão à venda nas livrarias.

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    10. Manuel Alberto Valente12 de setembro de 2013 às 09:55

      É verdade, Paulo Oliveira, a Cavalo de Ferro está a reeditar a obra de Ferreira de Castro. Ainda só está disponível, que eu saiba, o romance "Os Emigrantes".

      MAnuel Alberto Valente

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    11. Que bom!
      Uma bela oportunidade para quem não conhece este extraordinário escritor.
      :) Antonieta

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    12. Bem , há quem diga que gostos não se discutem. Tudo é discutível, claro. Mas não gostar de Coração nas Trevas, acho difícil. Quanto ao Coetze , se bem me lembro , a tal mulher , a filha, era mais qualquer coisa do que o que aqui se diz. Quando tiver tempo volto lá. O Coetze teria de percorrer muitas milhas para chegar ao Conrad . Ainda bem que há gostos para tudo.

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    13. Curioso Carrilho, tenho esse livro, aliás tenho até 3 ou 4 exemplares há muitos anos e, aqui há cerca de 3/4 meses resolvi, ao fim de tantos anos, pegar-lhe e não me prendeu absolutamente nada, mas mesmo nada, pelo que até resolvi, à pág. 35 (+ ou -) largá-lo com a intenção de, numa próxima ocasião, lhe dar uma outra oportunidade, mas o que é certo é que não me agarrou nem por um cabelinho sequer...tanto assim que o deslarguei ".

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    14. e a capa é um espectáculo!

      muito bom gosto.

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    15. Os livros são como as pessoas, ASeverino "deus dá o frio conforme a roupa " e outros aforismos do género explicam-no.

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  2. Gosto bastante de Coetzee!
    E pelo que descreve, tenho a certeza de que gostarei deste, se bem que me pareça à partida que ele vai buscar "cenas" ou idéias a outros romances dele-mesmo.
    Mas tudo bem, pois gosto muito tanto da escrita dele quanto das suas histórias... e não me parece que seja motivo para não continuar a gostar.

    Saudações kaluandas

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  3. É bom relembrar esse grande livro que é o "Desgraça" do Coetzee, um escritor que escreve belissimamente e com uma simplicidade que dispensa andar, aqui e acolá, a piscar de olho ao leitor chamando-lhe a atenção para a sua capacidade de exibir altos malabarismos literários. Foi com "Desgraça" que descobri e fiquei deslumbrado com o Coetzee. É um grande livro sobre a hipocrisia, a violência inaudita e o sofrimento silencioso.

    Já agora, a propósito de Coetzee, é indispensável ler esse originalíssimo livro que é o seu romance "Verão", saído há coisa de uns dois anos, em que ele inventa a sua própria morte e aquilo que um biógrafo vai descobrindo sobre si próprio entrevistando várias pessoas que partilharam a sua vida familiar, íntima e profissional. É um autorretrato, distorcido por um personagem criado pelo Coetzee (o seu futuro biógrafo) e que é fascinante por nos revelar a vida de um escritor que, a acreditar no tal biógrafo, teve uma vida muito problemática antes de se tornar famoso. O biógrafo é variadas vezes implacável com as fraquezas do ser humano onde vive o escritor. Romance metaliterário no seu melhor, com cada capítulo escrito em estilo diferente revelando o virtuosismo do autor.

    Tenho debaixo de olho o volume de cartas trocadas entre Coetzee e Auster, dois dos meus escritores favoritos, assim como o seu recentemente lançado "A Infância de Jesus" que, ao que presumi a crítica inglesa, é uma alegoria e, portanto, um livro na linha do Coetzee de "Esperando os Bárbaros".

    De qualquer modo o Coetzee, no que me diz respeito, vai ter que esperar um par de meses até que eu satisfaça a minha descoberta deste verão (confesso que tardia): João Tordo. Deslumbrei-me com "O Ano Sabático" e estou a gostar muito do "Anatomia dos Mártires". Dizem-me amigos meus que o "Hotel Memória" é o seu melhor livro. Fui à FNAC procurá-lo e, para espanto meu, informaram-me que está esgotado e que o autor não permite a sua reedição porque o editor não lhe paga um cêntimo por cada exemplar vendido desse seu romance ! Será verdade? É que me custa a crer que se possa fazer isso a um escritor.


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    1. Há tantas coisas que se fazem a um escritor, caro Artur...

      João Tordo foi, para mim, uma boa surpresa. Comecei a ler o "Bom Inverno" há dias e fiquei encantada, logo nas primeiras páginas (o que não aconteceu com o "trio" do Prémio LeYa 2012, que acabei de ler - vencedor e duas finalistas - apesar de ter apreciado, não me encantaram). Não sei se ainda mudarei a opinião, mas, mesmo que o enredo me desiluda (repito que estou no início), não penso que mude de opinião quanto ao admirável estilo. Gosto, pronto!

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    2. É isso mesmo: um estilo que, independentemente do que está a narrar, nos diz que estamos a ler um grande ESCRITOR. Dizem-me que "O Bom Inverno" não será o livro do Tordo com o enredo mais interessante, mas eu estou certo que o lerei nesta minha obsessão por um novo escritor que acabo de descobrir porque o estilo, dizia Saramago, é pelo menos 70% de um romance.

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    3. Também descobri o Coetzee com o Desgraça, em 1999, quando este livro venceu o Booker Prize.
      O livro é triste e deprimente, mas gostei do estilo, e tenho pena de não ter visto o filme que tem John Malkovich como protagonista.
      Quanto ao Tordo, que muito aprecio, recomendaria o «Três Vidas». Foi o primeiro livro que li e continua a ser o meu favorito.
      Boas Leituras!
      Antonieta

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    4. A editora desse livro declarou insolvência há uns meses. Mas, antes disso, pôs todos os livros à venda a 2 euros ou pouco mais, sem ter pago o que devia aos autores. Foi por essa razão que João Tordo fez esse pedido. Futuramente, o livro será reeditado pela D. Quixote, embora ainda não vos possa dar uma previsão da data de lançamento.

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    5. Estamos em plena consonância, cara Antonieta: ambos descobrimos o Coetzee com "Desgraça", também perdi, com pena, o filme com o Malkovich e tenho já em casa o "Três Vidas ", à espera que acabe de ler o "Anatomia dos Mártires".

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    6. Uff !
      Muito obrigado, Maria do Rosário, pelo seu esclarecimento !
      [estava com medo que fosse uma decisão à Herberto Hélder do Tordo]
      Está tudo explicado e fico feliz por saber que em breve poderei comprar o "Hotel Memória" de que tenho ouvido tantas referências encomiásticas da boca de gente cujas recomendações respeito.
      É caso para dizer: escritor sofre...

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    7. Bom, eu confesso que dou muita importância ao enredo. Este início do "Bom Inverno" agrada-me também pela forma como João Tordo avança devagar, com coisas aparentemente normais, inofensivas, mas onde já se adivinha alguma "bomba". Gosto muito de um desenvolvimento desse tipo e menos de livros que fazem explodir a "bomba" logo no início, antes sequer de sabermos de que se trata. Estou a adorar a caracterização do escritor hipocondríaco, cheio de queixas psicossomáticas e toda aquela prostração, de quem já não tem pachorra para o mundo... Um mimo!

      Gostos, admito. Mas também o estilo claro e simples, sem grandes poesias e, ao mesmo tempo, tão cuidado me agrada.

      Claro que não sei se é sempre assim, é a primeira vez que o estou a ler. Mas também tenho o "Ano Sabático".

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    8. Depois da sua apreciação crítica do "Bom Inverno", cara Cristina, fiquei convencido a lê-lo, o que farei após terminar a minha leitura atual da "Anatomia dos Mártires". Por isso, muito obrigado por ter tido o cuidado de me ter enviado as suas palavras sobre o livro do João Tordo.

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  4. Fiquei logo preso por este escritor após ter lido "A VIDA E A MORTE DE MICHAEL K" um livro excelente em que o sul-africano Michael K, negro e pobre, perde a mãe e passa a viver como um andarilho, num país convulsionado pela guerra civil. Aos poucos, o protagonista vai-se desligando dos elementos que o ligam ao mundo. Esse processo de animalização pode ser o único refúgio numa época marcada pela barbárie. Também gostei muito de "À ESPERA DOS BÁRBAROS", adorei este excelente "DESGRAÇA" e também não desprezei "O HOMEM LENTO".
    É como a MRP diz não se é Nobel por acaso, talvez só o inesquecível e famigerado SOUSA LARA (que belo e adequado ministro da educação para o Passos) não concorde com esta minha afirmação!

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    1. Ora aqui está um livro do Coetzee que eu desconhecia !
      Não há como o amigo Severino para me fazer ler livros extraordinários.
      Obrigado !
      (guardo sempre as suas listas de livros interessantes que generosamente nos vai aqui oferecendo periodicamente)

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    2. Obrigado Artur pela tuas palavras, mas nem sempre é assim. Aqui há tempos recomendei a um amigo um livro (para mim) absolutamente imortal, que me deixou de rastos enquanto o ia lendo (há muitos anos) e ele a páginas tantas largou-o e nunca mais acedeu aos meus conselhos literários (também não é alguém que afinal goste de livros). O livro de que falo é O PROCESSO do Kafka . Este foi talvez dos livros que, quando o li, me marcou quase letra a letra.

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    3. Tenho que confessar que para mim "O Processo" do Kafka foi um livro em que não entrei à primeira. Entrei e desisti. E só voltei a ele, com outra vontade e sucesso, depois de ver o magnífico filme do Orson Wells. O cinema nem sempre me mata a literatura, embora já o tenha feito em alguns casos: sei, por exemplo, que morrerei sem ler "Os Miseráveis" por já ter visto vários filmes baseados nessa obra-prima que tanto fascinou a geração dos meus avós.

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    4. "OS MISERÁVEIS" - quem goste de ler está proibido de não ler este monumento eterno do GIGANTE VICTOR HUGO, e também terá obrigatoriamente de ler "O HOMEM QUE RI" (Ursus era um homem Homo era um urso).

      "OS MISERÁVEIS" - foi o livro que primeiramente me fez ler à luz da lanterna (oito volumes da MINERVA)

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    5. Ah ! Os pequenos livros da Minerva da minha juventude, que saudades de ler edição em quatro volumes do "Conde de Monte Cristo" nos meus anos de adolescente...
      Quanto a "Os Miseráveis", vamos a ver se a vida a tanto me chega. Pegarei primeiro no "Homem que Ri", mais curto e com o aliciante de desconhecer por completo o seu enredo.
      Obrigado pela sugestão !

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  5. Este "A VIDA E A MORTE DE MICHAEL K" é um dos livros da excelente colecção que o jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS lançou aqui há cerca de uns dez anos, denominada PRÉMIO NOBEL (não sei se conhecem?), creio que são trinta e tal excelentes livros (de capa dura-preta) e a um preço muito acessível, e todos autores nobelizados, excelentes livros tem esta colecção que, felizmente, comprei na totalidade (não sei de cOr quantos livros serão).

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  6. A propósito - alguém faz o favor de me ensinar

    Não sei de cor -

    COR escreve-se assim?

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    1. De cor, efectivamente. É assim mesmo «cor», de «coração».

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    2. Sinceramente, muito obrigado Maria do Rosário pela explicação (é que não tinha a certeza quando queria dizer de cor - eu sei de cor- faltava-me ali o acento agudo no o daí a minha hesitação).

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    3. Todos sabemos que o Severino detesta galicismos e anglicanismos, mas não resisto a dizer-lhe que em francês se diz PAR COEUR e em inglês BY HEART.
      Não sei porque nós não dizemos DE CORAÇÃO...
      :) Antonieta

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    4. Olá, Antonieta.

      "De cor" é portuguesíssimo porque a palavra "cor" ainda se usava na Idade Média. Vem do latim "cor", que quer dizer coração (daí o "coeur" francês). A palavra, isolada, ainda surge em muitas canções trovadorescas mas é daquelas que se foram perdendo. "Coração" vem do mesmíssimo latim ("coratione") mas é um aumentativo de "cor" (qualquer coisa como coração grande).

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    5. Olá Ana,

      E obrigada pela explicação.
      Se bem que eu estava mesmo era a brincar com o Severino, que não gosta nada que usemos estrangeirismos.
      Boas Leituras!
      :) Antonieta

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    6. Sabes Antonieta eu não os detesto o que detesto são os pavões que os usam a eito, às vezes tão inoportunamente...para não dizer tão ignorantemente, é isso é que eu detesto, acredita.

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  7. Este foi um livro que devorei...

    Grande escolha. Grande autor.

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  8. Para quem gosta de Coetzee, e também de Auster, sugiro a leitura de "Here and Now", uma interessantíssima troca de correspondência entre os dois escritores e amigos.

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    1. Ora aqui está uma sugestão bem interessante, vou tentar encontrar.
      Obrigada, Francisco!
      :) Antonieta

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    2. Ainda não foi publicado em português, pois não, Francisco?Sabes quando?

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    3. Não, Severino, não sei quando nem se.

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    4. Severino, acabei de o encomendar na Fnac.
      Fica em 12,60€ com o desconto do cartão, mais os portes claro, mas isso são os custos da interioridade, já que estou a viver muito longe da minha aldeia, aquela dos sinos do Pessoa (por acaso bem perto da Fnac).
      Não dá mesmo para leres em inglês?
      O que é preciso é começar...
      :) Antonieta

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    5. Na Amazon UK, em segunda mão mas anunciado como "brande new", há um por menos de 3 libras, mais portes de correio. Em tempos de crise...

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    6. "brand new", claro!

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    7. Por experiências anteriores, a dificuldade é superior ao prazer, por isso só leio em português (tenho tanta coisa para ler, que todos os segundos são preciosos).

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  9. Com todos estes livros até agora aqui trazidos pelos ilustres Extraordinários, e os mais que ainda hão-de vir até ao fim do dia, já se fazia uma daquelas bibliotecas-da-cidadania, a que me referi no comentário ao post de ontem, para ilustrar os nossos desempregados, reformados e demais depenados…

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  10. 47 comentários - confirma-se - o que nós gostamos mesmo é de livros!

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