A estatística da felicidade
Já aqui vos falei do novo romance de David Machado, intitulado Índice Médio de Felicidade. Nele, abrindo os capítulos, temos alguns números interessantes, deixando bem à vista que os países com bom nível de vida, onde as pessoas não são carenciadas, apresentam um índice médio de felicidade superior ao de outros onde há fome e dificuldades – a Suíça, por exemplo, tem um índice médio de felicidade de 8 (a tabela é de 0 a 10 e os dados de 2012) enquanto o Congo ou a Costa do Marfim se ficam pelos 4,4. Mas não é só o conforto material que conta, o mood colectivo deve ser bastante determinante, porque a soalheira Costa Rica supera a Suíça com um índice médio de felicidade de 8,5, apesar de ser um país com muitas carências, enquanto Portugal, mais bisonho mas, em todo o caso, mais desenvolvido, só consegue uns míseros 5,7 (que, segundo leio no jornal, baixou para 5,1 em 2013). O número encontra-se mediante a resposta à pergunta «De 0 a 10, quão satisfeito se sente com a vida no seu todo?» e fizemo-la a pessoas de várias idades no vídeo cujo link vai abaixo. Ou era porque tinham vindo de férias uns dias antes ou porque já tinham lido o romance de David Machado e estavam contentes, a verdade é que é caso para dizer que nem pareciam portuguesas…
http://www.youtube.com/watch?v=jiNqG1ZJYCI&feature=youtu.be
https://www.facebook.com/photo.php?v=10151926252184863&set=vb.599855346731646&type=2&theater
Interessante. Têm mesmo um ar feliz. Julgo que não equacionaram senão, talvez, o seu bem estar pessoal. Não têm ar de desempregados ou carentes, há uma maioria de bem alimentados prováveis,…Ou a felicidade é ao momento e estarão apenas contentes de tanto livro a rodeá-los.
ResponderEliminarAlém disso, conside-se que nós portugueses temos aquele fatalismo optimista do “Ainda tivemos sorte, podia ser pior”. E portanto, oito, nove, dez... Amei os pormenores da vírgula, 8,8 faz a diferença.
A amostra não é significativa:), mas contribui para a nossa felicidade, ou pelo menos bem estar, olhar gente tão de sorriso convicto. Se aplicarmos a nós mesmos…convenço-me que percorremos a totalidade dos números com vírgulas até às milésimas. Ainda não descobri isso de ser feliz. Mas talvez que, quando não penso nisso e me entregue ao que faço, o seja. Assim uma espécie de infância apaixonada que se instala de vez em quando. Que a felicidade pode ser mortal se se mantém por muito tempo:). Num certo grau, de topo - há diferenças de grau -, é senhora exigente que se espalha pelo todo de cada um e, de certa forma, noto agora mesmo, o domina. Bom, já derivei para o êxtase e santa Teresa de Ávila. Por exemplo. Que há outros. Mais terrenos.
Interessante... eu diria que somos todos felizes nem que seja por instantes: - Um instante aqui e outro ali, por pequenas coisas que acontecem, vemos ou experimentamos ao longo do dia. E o inverso...
ResponderEliminarAcho que ser feliz é uma questão de estar atento a esses detalhes e valorizá-los, retê-los mas sobretudo procurá-los.
Nunca me preocupei em saber se sou ou não feliz, limito-me a procurar as coisas que me fazem feliz.
Há quem chame a isso egoísmo, mas ainda ontem deixei um sabonete "Lux" novinho e inteirinho na casa de banho das empregadas, à tarde estava meio-gasto... sei que fez a felicidade delas e portanto também a minha - por 60 kwanzas.
Fazer os outros felizes é uma forma de felicidade...parece e é uma frase-feita mas é verdade!
Saudações kaluandas!
É isso mesmo, António Luiz Pacheco - e a felicidade do protagonista do livro também passa por aí, por fazer o bem aos outros.
EliminarSem dúvida António Luiz: os infelizes são aqueles que ainda não perceberam que a sua felicidade é fazer os outros felizes. Agora...quanto maridos felizes você fez nesse dia ainda por cima a cheirar a... estrela!
EliminarEheheh!
EliminarÓ Extraordinário Pedro Sande... a Rosinha, a Adriana e a Delfina devem ter perfumado o "chapa" todo, à ida para casa!
Só a Delfina (22 anos e 1 filho) "tem marrido" (é militar no aeroporto), as outras nem por isso. Eu, no interesse da minha pituitária, instituí além do sabonete o fornecimento de um desodorizante por mês, e ofereci à Delfina um creme corporal com aroma a rosas, recomendando-lhe que pedisse ao marido para lho aplicar - isto com muitas risadas delas! Já prometi um creme às outras também, SE arranjarem marido... ficaram de ir procurar!
Estes instantes diários, algo infantis e até patetas, fazem parte da tal felicidade... pelo menos "a gente rimos".
E afinal é tão simples...
Um abraço
Agora mesmo "a gente rimos" ao lê-lo. Obrigada por partilhar connosco esses pequenos episódios do quotidiano- uma delícia!
EliminarIsabel
Uma simplicidade, inocência e a alegria das coisas simples que parece ter-se perdido há muito na Europa.
EliminarQue saudades de África... nós os que por aqui ficamos neste ambiente claustrofóbico, regulado, mesquinho, de onde até a felicidade (e a leveza... e a facilidade dos grandes espaços) parece andar cada vez mais arredada.
Estando a felicidade em discussão, não resisto a sugerir a leitura, ou a sua repetição, de Onde Está a Felicidade, de Camilo, e O Estrangeiro, de Camus.
ResponderEliminarFelicidades ao Nuno Camarneiro e ao seu novo romance, e à nossa anfitriã, que ainda há dias vi na televisão e muito apreciei. Espero que as férias lhe tenham curado as mazelas e as dores que a atormentavam.
Onde se lê Nuno Camarneiro, deve, obviamente, ler-se David Machado. Sou um troca-tintas com os nomes, além disso vi-os juntos, em Leiria, com o Tordo e a Rosário, no exacto momento em que nascia o meu neto mais novo...
EliminarNão gostei do "romance" Deixem Falar as Pedras,
ResponderEliminartão fraquinho que nem as pedras se safaram. O rapazote não sabe escrever.
Este Índice Médio de Felicidade tem uma temática desinteressante e descabida. Questiono-me até quais serão as "Cunhas" deste rapaz? Por onde me mexi só li críticas benévolas em relação aos seus frutos. Será possível? Estarei a endoidecer, deixando passar este novo Dostoievsky? Pois pois, já me esquecia, Branquinho da Fonseca! Vá-se lá perceber os prémios e seus meandros.
ORA NEM DE PROPÓSITO E ABUSANDO DA VOSSA PACIÊNCIA:
ResponderEliminarHuambo Natal de 2012
NATAL AFRICANO – Os geradores de felicidade…
Hum… devo ter sido picado por uma abelha cheia de mel e néctar, com pólen de pinheiro natalício… só pode!
Acto 1º - O gerador, o Jamba e a Alemanha:
Ontem, o mano Jamba (Bandido? Nada! Eu sou da Igreja!) pregou-me uma seca de 4 horas no Mercado da Alemanha… só por si o local e a aventura, as personagens (anteontem mataram-só um senhor para lhe roubar-só o dinheiro!). Bom, se eu não matei o Jamba, foi milagre… ia comprar um gerador para levar em casa e pediu-me se ia com ele, para o trazer depois na carinha. Mas afinal não tinha dinheiro, ontem havia muito negócio e eles estavam a se forrar… os 10.000 apreçados uns dias antes, ontem teriam de ser 14.000. Ora o mano Jamba ganha 45.000 (não é mal, no seu dizer) como ajudante de mecânico. Manda uma parte em casa e bebe o resto (comida, come a nossa…), ia pagar 3.000 do machibombo para Kapelongo, pelo que não tinha dinheiro para tudo.
Isto é assim: Nós, os parvos que andamos por esse Mundo, sabemos que não o conseguiremos endireitar nunca, e até contribuímos para ele andar torto… sejamos francos! Mas afinal, se pudermos dar uma mãozinha aos que estão por perto, pode ser que um dia mais tarde e quando chegar aquela hora (a minha já foi adiada por 3 vezes, isto se calhar alguém ou algo determinou que ainda teria de subsidiar uns quantos geradores…) pode ser que seja tido em conta tanto os Jambas quanto os outros que não nomeio, e as coisas se equilibrem…
Resultado: Lá dei 4.000 quanzas ao Jamba… é o seu Natal! E, afinal também o meu…
Acto 2º - A mana Tereza, matrículas dos inumeráveis filhos e outro gerador…
O pior em sermos parvos, é que reincidimos! É fatal…
A nossa diligente, expedita e asseadíssima Tereza, especialista em ter filhos e dar-me cabo da roupa, hoje veio ter comigo com aquele olhar de cão vira-lata que nos dá vontade de lhes dar tudo o que possuímos, perguntar se o engº Salgado me havia dito do seu salário… Não! Ele foi de férias na segunda, com a engª Elizabete e não sei de salário nenhum… Ou seja, esqueceram-se ou deram a desculpa, sei lá eu! A Tereza ganha 22.000 quanzas para estragar roupa, lavar o chão com detergente da loiça ou da roupa, partir loiça, sacudir o pó de um lado para outro, fingir que faz camas, e outras tarefas domésticas do estilo. Como teve dois filhos doentes e que pagar matrículas (tem 6 filhos…), pediu 12.000 quanzas à engª Elizabete e o salário seria portanto de 10.000. Não tive coragem para dizer que teria de esperar o regresso dos responsáveis pela casa, e lá lhe dei o dinheiro, entretanto deve ter passado aqui por cima o Menino Jesus nos treinos para a noite de Natal, e algum anjinho terá deixado cair um pouco de pózes aqui por cima… pimba, toma lá 5.000 para o teu Natal! Hííí… brigada chefe! Vou comprar um gerador!!!!
Deve ser ou tradição de Natal no Huambo ou então uma epidemia…
Acto 3º - O guarda Celestino e a dura realidade…
Bom, então vi o guarda Celestino sentado ali no muro, naquele jeito de quem dorme em pé e não vigia nada a não ser as moças que passam, e afinal perdido por 9 perdido por 11, ó Celestino toma lá para o teu Natal… uma verdinha (2.000 quanzas). Sorriso aberto e mãos postas naquele gesto que aqui se usa de quem recebe, até me senti o Gulbenkian! Olha lá… não me digas que vais comprar um gerador? Sorriso mais aberto ainda, “não chefe! Vou beber-mesmo!” Ok!!! De volta à verdade das coisas… a bebida também é geradora de felicidade, à sua maneira, por isso continuamos dentro do tal espírito gerador de satisfação!
Peço imensa desculpa...
ResponderEliminarNão se repetiirá!
Não se atreva a ameaçar-nos! Pode e deve continuar a partilhar essas histórias connosco!
EliminarNão foi uma ameaça... não me entenda mal!
EliminarFoi mesmo para prevenir alguma coisa...
Mas creio que lhe devo a explicação:
Uma pessoa, que aqui vem e também ao facebook, mandou-me uma mensagem pessoal a criticar-me por exibicionismo e um escritor frustrado...
Na dúvida, achei por bem pedir desculpas...
Um abraço cá de Nuanda!
Haverá sempre quem não concorde connosco, então não se preocupe... e na verdade também só lê quem quer e o que quer...e eu quero.
EliminarUm abraço cá de Lisboa
Isabel