Tudo por causa de uma vírgula

Quando, por vezes, recuso originais e aponto os erros que neles encontrei (de inverosimilhança, estrutura, previsibilidade, incongruência), falo também, se for o caso, de uma ortografia que deixa muito a desejar e até de uma pontuação deficiente. Alguns autores já me têm respondido que isso da pontuação é irrelevante, pois corrige-se facilmente, e que sou um bocado exagerada ao mencioná-lo. É óbvio que nunca recusaria um bom livro por ter simplesmente as vírgulas mal postas, não me interpretem mal, mas acho que saber pontuar faz parte do saber escrever – e uma vírgula no sítio errado pode inclusivamente mudar todo o sentido de uma frase. Que o diga o presidente da Câmara de Leiria, que acaba de ser brindado com uma queixa-crime num caso que se prende com a recolha de lixo no concelho. É que, segundo leio na imprensa, a uma deliberação da câmara foi, no contrato que se lhe seguiu, acrescentada uma vírgula – só uma – que alterou tudo e obrigou o município a prolongar a concessão da recolha do lixo a uma determinada empresa por mais cinco anos, o que implica o dispêndio da módica quantia de… quinze milhões de euros! E ainda acham que a pontuação não tem importância?

Comentários

  1. Com uma vírgula tudo se resolve:
    Um homem tinha um cão e a mãe do homem era também o pai do cão.
    Desculpe, não resisti :)

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    1. Ainda demorei o suficiente para pensar que era burro! Está muito gira!

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    2. Ó Courinha e, neste caso, o burro sou eu; é que, confesso, ainda lá não cheguei.

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    3. Um homem tinha um cão e a mãe, do homem era também o pai do cão.

      Ou seja, o homem tinha 3 cães - pai, mãe e filho

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  2. Bom dia!

    Nesta como em outras matérias o que se mostra essencial...é o equilíbrio! :-)

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  3. Já agora, se me permitem, aproveito para tirar três dúvidas:

    1 - Pelos vistos, é correto usar a minúscula depois das reticências (no seu texto: «módica quantia de… quinze milhões de euros»). É que o "word" aponta como erro e eu fico insegura.

    2 - Também é correto usar minúscula depois de um ponto de interrogação, ou de exclamação, no discurso direto?
    Exemplo:
    - O quê? - perguntou Fulano (ou P grande?)

    3 - É correto usar uma vírgula depois do travessão?
    Exemplo:
    - Ontem - disse Cicrano -, quando ia para casa, etc.

    Obrigada pela atenção e desculpem qualquer coisinha ;)

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    1. Desculpe meter-me, mas está certo tudo o que propõe. O word é que embirra, sobretudo no segundo exemplo que dá, é mesmo uma irritação. Só seria maiúscula se o narrador não estivesse a dizer "quem disse e como". Por exemplo:
      – Estás a falar a sério? – Apanhada de surpresa, Maria não queria acreditar. – Diz-me a verdade.

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    2. Cristina, como diz a Margarida não vá na conversa do distinto senhor “palavra”.
      O único erro que detecto - salvo melhor e abalizado juízo - é, depois de "qualquer coisinha ;)", o raio do malvado do ponto e vírgula que deformou a expressão facial do pobre "emoticon" : )

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    3. Cristina, as reticências representam uma pausa ou uma ideia/frase que fica incompleta. Se for uma pausa (como é o caso desse exemplo, a palavra seguinte deve vir em minúsculas; se for for uma frase que fica incompleta, a próxima frase já tem de se iniciar com maiúsculas.
      Nos casos 2 e 3 está tudo correcto.
      Mas sobre a pontuação torna-se muito interessante reparar como ela evoluiu (e muito) ao longo dos últimos séculos. Até meados do século XIX, as vírgulas serviam sobretudo como «auxiliares de retórica» (a escrita ainda estava muito associada à oralidade, à leitura em voz alta); ou seja, nem sempre serviam para separação de orações (como hoje por regra sucede). Quando no ano passado fiz a edição científica de «O Estudante de Coimbra», de Guilherme Centazzi, originalmente publicado em 1840-41 (ainda com resquícios dessa «escola», tive necessariamente que fazer essas «correcções», se bem que em muitos casos tenha mantido o seu «estilo» de virgulação desde que não conflituasse com aquilo que são as normas actuais.

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    4. Pedro Almeida Vieira9 de julho de 2013 às 05:29

      Esqueci-me de assinar o comentário anterior. ;)
      Apareceu anónimo.

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    5. Ó Cristina, ainda não reparou que estes corretores "informáticos" são como a wikipédia ...às vezes acertam.
      O corretor, para quem sabe escrever, é o seu sexto sentido, quando escrevemos algo errado toca (cá dentro nu sexto sentido) uma campainha; é ou não é?

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    6. Muito obrigada a todos os que se ocuparam com as minhas dúvidas.


      Enfim, o Word não deixa de ser uma "máquina", sem sensibilidade para distinguir, por exemplo, entre uma ideia interrompida e uma frase incompleta. De qualquer maneira, não há dúvida de que é muito útil, só o poder apagar e tornar a escrever as vezes que se quiser, sem gastar papel nem ter de reescrever páginas inteiras (como calculo que sucedia antigamente) é ótimo.

      Já agora, e embora esteja correto, digo que não me agrada muito a vírgula depois do travessão. Acho melhor escrever:

      - Ontem, - disse Cicrano - quando ia para casa...
      ou
      - Ontem - disse Cicrano, - quando ia para casa...

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    7. Concordo consigo. A vírgula depois do travessão também mexe comigo. E eu uso tantos travessões na minha escrita diária.
      Cump.
      Rui Esteves

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    8. Peço desculpa de corrigir: deve dizer-se "pelo visto", não pelos vistos

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  4. Rosário mas essa era uma vírgula... flutuante! : )

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  5. Livra! Que história...
    Mas dá-me um jeitão. Como a Rosário, passo a vida a aconselhar que se escreva o melhor possível, nem sempre com um resultado simpático. Agora, deixar de o fazer, isso é que não.

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  6. António Luiz Pacheco9 de julho de 2013 às 06:41

    Eu ligo pouco ao corrector do word... que muitas vezes me aponta erros que não existem! Logo, espeto-lhe com "nova palavra" ou ignorar regra... as minhas professoras primárias sabiam muito mais do que ele... e estou desconfiado que ou é brazuca ou para lá caminha!!!!
    Afinal quem sabe aquilo que quer escrever sou eu e não esta estúpida máquina repetitiva...

    Saudações kaluandas!

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  7. Então e o nosso José Saramago? Imaginem-no, jovem e principiante escritor, a ser submetido ao crivo da nossa anfitriã. Perder-se-ia um Nobel?

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    1. Ou o Valter Hugo Mãe. Ai a mania de não usar maiúsculas a seguir ao final de uma frase. ;-) Afinal, o que é mais importante num escritor? O génio? Ou o estilo?

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    2. Eu acho que importante é a experiência de quem lê, o choquezinho no coração, os minutos contados até se voltar ao livro, o olhar demorado sobre a capa e o suspiro dedicado à última página. Se aprendemos? Melhor. Se tem estilo? Melhor. Se a virgula flutua com correcção? Melhor.

      A verdade é que "inverosimilhança, estrutura, previsibilidade, incongruência" só servem de critério a escritores vivos, a alma e a paixão depressa se encarregam de os atirar pela complacente janela do prazer de quem lê.

      Proust matou uma personagem que páginas mais tarde dança alegremente num bonito baile. Alguém conhece o "erro de Proust"? Pois não, de tão deliciados que nos encontramos com a recordação da madalena da tia Leonie.

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    3. Muito bem, João Courinha, muito bem.

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    4. E então lá vai para a confusão! Caro Courinha e ainda não leste nada tão recheado desta previsível congruência e verosimilhança que te dou a ler infra , como um lençol mal passado, que já nem sei se é prefácio, se é sinopse, e que termina assim com uma nota do autor:
      «É este livro um livro normal? Não, não é! Mas também são normais os dias cinzentos (e suados) que vivemos?»
      «No nonsense que nos atordoa os dias, M. teve que se socorrer de todos os seus recursos para impedir uma tragédia de dimensões épicas, evitando que Lisboa se tornasse na cidade dos mártires, ao nível de um 9/11. Utilizou todos os utensílios modernos e, porque mais vale estar mal acompanhado do que só, enviou um SOS pelo canal do LivroDasFronhas , outro pelo TeleCelular , outro ainda pelo TwistTer e por fim um anúncio nas páginas do ÓExpresso . E até publicou no DiárioDoQueResTaDaPiolheiraPública , não voluntariamente, mas por obrigação governamental.
      Que a esta altura no liberal retângulo , já ninguém se assoava sem um dicionário enciclopédico de leis, decretos - leis, portarias, decretos regulamentares, leis - quadro, leis – ordinária,
      “Se eram ordinárias porque é que se deixavam sair”, pensava A. como se as leis e quejandos tivessem vida própria e para quem as leis “tinham de ter a classe de um cavalheiro”: leis extraordinárias, diretivas , regulamentos, decisões, pareceres, recomendações e regulações que se agarravam às calças e casacos como pelo de cão, espinha de regulador, cuspo de redator , nódoa de comendador, borboto e baba de DonoDaPolis . E que se enfiavam, sem darmos por isso, Nos Bolsos Dos Casacos Dos Homens, Nas Carteiras De Pele Ligeiramente Maceradas Dos Precários, Nas Bolsinhas Das Malinhas De Senhora, Nas Grávidas A Quem Era Negado A Maternidade, No Meio Dos Dentes Cariados Da Classe Média, No Custe O Que Custar Que Ouvia Austin Em Sonhos Tornados Pesadelos E Ao Som De Marchas Patrióticas Partidárias De Antigas Juventudes Imaturas E QuePodiamCustar Guerras Civis Familiares, Violência Indomesticada, Crianças Mal Nutridas, Competência Inativa , Corpos A Flutuar Esvaziados Das Pontes, Corpos Esmigalhados Nas Vias, Corpos Distorcidos Por Envenenamento, Corpos Esmagados Em Dias De Cinquenta Por Cento De Rebajas , Consumidores Guerrilheiros a quem era apenas permitido ranger as esqueléticas na arena dos grandes mercados, tudo isto depois de, definitivamente enterrado o SimpleSex e Enterrado o ContratoDoEstadoLigeiramenteSocial , um emergir de uma apologética do liberalismo só nos dentes, como dizia o Nunes Deram Lhe Asas Para Voar - e que voou enquanto Não Aterrou E Enterrou Os Totós Dos Empreendedores. Desta vez tudo por obrigação, ViaCtt . Ao Nunes Deram Lhe Asas Para Voar como ao Fernão Capelo Gaivota. E como ela Foram Livres Foram Livres Para Voar… até Um Dia…»
      Mas, lá mais para a frente conto-vos a estória » toda desde o início.
      Saudações Kalisboas , Courinha , meu Xará opp’s , queria dizer, António Luiz ! e restantes Extraordinários!

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    5. Isto realmente mais ficou a parecer a revolta dos exclusos! (felizmente de alguns, não todos!) Mas verdade se diga que só a chancela que me vai ao bolso só para editar esta enormidade acima, vai lançar mais de 700 pequenos Proust este ano. Isto fora o resto que não é zero, mas muito mais zeros! Estaremos a chegar ao maravilhoso mundo novo (eu quero!) em que há mais autores que personagens?

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    6. Eu gostei, quem escreveu isso?

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    7. João, então ficas na lista para desembolsares brevemente 12 Verosimilhanças, nem que te tenha de ir buscar de charette .

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    8. Não me importo, se bem que gostar de um texto não é o mesmo que gostar de um livro que, caso seja integralmente nesse estilo, é aborrecido nas horas. O efeito "choque" acaba por se diluir.

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    9. E vejam lá o que dá uma vírgula nas mãos de um presidente de câmara! E se fosse outro instrumento ou mesmo um ponto e uma vírgula? Há entre nós quem explique isso bonitinho e tintin por tintin !
      E sobre a temática em apreço percebo que não seja fácil. Para autores, putativos autores, editores e editoras, até para os leitores. Assim uma espécie de últimos lençóis curtos no economato de um grande manicómio. E ainda por cima quando lá chegam alguns (quando chegam) para serem distribuídos por todos, já forram as casas de praia de alguns (não foi qualquer coisa deste tipo que aconteceu para não haver feira do livro do OPorto ? carago )

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    10. Estás a ver, João, como não é fácil agradar a todos? :)

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    11. Mas não, João, isto é só o intróito... ou será que é a sinopse? :)

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    12. Não sabia que eras editor! E se o autor vem aqui e vê isto?! Estás "in a world of trouble"!

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    13. Realmente que confusão! És tu o autor?

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    14. Não! Estás a ver o efeito distorção de que nos fala a percepção neuro linguística (PNL)?
      Não! Sou um autor não comprometido, e não editor, embora quase que para lá caminhe(menos). :)

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    15. A Agustina fá-lo constantemente: personagens que haviam morrido aparecem como se nada tivesse acontecido, as suas histórias de vida mudam sem aviso, passam de solteiras a casadas sem qualquer explicação. E a Agustina não está morta.
      Diz ela que tem toda a lógica que assim seja, que o livro se engane tanto quanto nos enganamos nós, que troque tantos dados quantos nós trocámos.

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    16. No caso do Proust, pelo que dizem as pessoas que o estudaram, foi mesmo um engano. Como era um bocado gabarolas, se fosse um abracadabra literário, com certeza o tinha vindo afirmar. Que eu saiba nunca o fez.

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    17. E viva a liberdade de criação literária!

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    18. Bem observado, José Diogo.
      A narrativa literária não tem de ser necessariamente linear, tipo papinha toda feita para o leitor, sem obstáculos onde ele possa tropeçar, onde se sinta desafiado, onde tenha de usar a sua imaginação, exercitar o seu sentido crítico. Isso seria estabelecer limites insuportáveis à Literatura – e menorizar os leitores.
      Aliás, a vida real (a dos leitores, e também dos analfabetos) não é linear – ainda agora vimos, por exemplo, que uma decisão irrevogável, afinal…
      São vários os autores que exploram esta dimensão. Ainda há poucos dias aqui se falou no suíço Walser, que, segundo Maria do Rosário, “consegue escrever uma coisa e o seu contrário sem que isso nos pareça estranho, antes louvável e original”. Cá entre nós, assim de repente ocorre-me Helder Macedo, particularmente em “Vícios e Virtudes”, que reli nestes últimos dias e estou ainda a re-reler, fascinado pela magistral complexidade. Mas haverá mais, certamente.
      Nada é linear – se fosse, a vida seria um aborrecimento, não haveria lugar para a ciência nem para a imaginação, a Humanidade não teria saído da cepa torta.
      Ainda bem que inventámos a vírgula, e que uma simples vírgula continua a poder fazer toda a diferença.

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    19. Extraordinário JJ

      Compreendo o seu ponto de vista relativamente às falhas que se encontram nos livros. Presumo que não haja um único livro impoluto - um único - desde o mais conceituado autor ao mais anónimo escrevinhador. Não sirva este pressuposto para dizer que os livros devem ser escritos ao talante do autor, é certo, mas sem qualquer cuidado, como se os leitores andassem à cata de erros, à semelhança daqueles que procuram as 7 diferenças, entre dois desenhos aparentemente iguais, no jornal Correio da Manhã.
      Um livro é uma obra que se tornará póstuma, muito ou pouco conhecida e reconhecida. É como a estátua de um escultor que deixe uma mão com seis dedos ou o polegar tão comprido como o indicador.
      Há-de concordar que há muitos livros: uns que pontuam bem e são uma "seca", sem interesse algum; outros, mal ordenados e com as vírgulas omissas ou fora do sítio, mas cuja narrativa é aliciante; poucos, infelizmente poucos, conseguem juntar as duas artes da escrita.

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  8. Até a 6 meses atrás eu achava que não tinha problemas com a vírgula... Na verdade, nem imaginava!
    Até que, a professora de Língua Portuguesa da minha faculdade de Educação Artística, disse-me que eu as usava demais. Comecei a prestar atenção e concordei com ela. Só que agora deu um nó em minha cabeça e um certo trauma, que já não sei mais quando devo ou não usa-la.
    Detalhe: As aulas que tive não foram suficientes para que eu solucionasse o mistério rsrsrsrs Vou refazer a disciplina este semestre.

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  9. Ó Severino, ponha a vírgula na mãe!
    :)
    Antonieta

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    1. Caríssima Antonieta

      A seguir à mãe deve ser colocado um ponto e vírgula ou um ponto final. Em "do homem", coloca-se a vírgula.
      Assim,
      Um homem tinha um cão e a mãe; do homem, era também o pai do cão.
      Este texto caiu num exame de admissão a determinado pessoal da Função Pública.

      Sobre as vírgulas e a restante pontuação, confesso que não me importo de ler ou de deixar escapar nesta caixa de comentários, porque os textos são por nós publicados, tantas e tantas vezes sem revisão. No entanto, numa obra literária, a pontuação deve ser aprimorada segundo as regras ou, como em alguns casos de escrevinhadores pátrios, sem esse quindim.
      O livro que mais trabalho me deu a corrigir - e fi-lo porque se tratava do filho de um amigo - foi uma tese de doutoramento em Matemática. Às tantas, eu já não sabia se a pontuação ia ou não estragar as fórmulas e o conteúdo temático e técnico.

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    2. Jocamartinho Não há aí um d a mais. Do homem ou o homem?

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    3. Não pode ser com duas vírgulas?

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    4. Claro que deve ser aprimorada. E o mais possível. Mas não deve é um autor ser excluído por ter falhado uma vírgula! Ou duas!

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  10. Desculpe o atrevimento: como hei-de proceder para lhe fazer chegar um original?
    Muito obrigado.
    José Cipriano Catarino

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    1. Estranho a Rosário não ter respondido ao José Catarino, mesmo quando o seu assunto surge em ponto de interrogação e não sobre as vírgulas em questão.
      Desculpe, Rosário, ter chamado a atenção para este pormenor, pois não é seu hábito deixar um escritor na expectativa de uma resposta, quando este se dirige a alguém , como a Rosário, que é uma conceituada editora.
      Ora, não tendo eu a obrigação de uma resposta, mas tendo observado que o José Catarino se encontra identificado e pretende enviar um original para apreciação, sendo ele da idade da Rosário (o que é sinal de maturidade e experiência de vida), afigura-se que deve enviar os textos para a LeYa, ao cuidado da Maria do Rosário Pedreira.
      Aponto isto porque ela não é pessoa de recusar a leitura de uma obra em proposição e não vá esta - vou brincar um pouco, perdoem-me - que vem do Entroncamento, como li no perfil do José Catarino, apresentar-se como novo fenómeno literário.
      Boa sorte para o José Cipriano Catarino.

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    2. Jose_catarino@sapo.pt10 de julho de 2013 às 15:30

      Reconheço que me precipitei, o que, aliás, me acontece frequentemente, apesar da idade. Enfim, é a paixão da escrita, sempre bem viva, o desejo de que o meu último romance, terminado há mais de um ano, saia a enfrentar o mundo. Coitado, merecia outro autor, que soubesse mover-se nos meandros sociais.
      Muito obrigado pelo apoio. Não sonho ser um fenómeno literário, apenas que os meus livros possam ombrear com os outros, como acredito que merecem. Mas eu sou suspeito, daí o apelo à Rosário.

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  11. Caríssimo Jocamartinho,

    Eu limitei-me a fazer o que era pedido, ou seja, com apenas uma vírgula dar sentido à frase.
    Não sou especialista em pontuação, embora me preocupe em escrever o mais corre(c)tamente possível.
    E não conhecia a frase...
    :)
    Antonieta

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  12. Eu gosto é do ponto-e-vírgula.

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  13. Aplausos para os «extraordinários» José Diogo e Joaquim Jordão.
    Subscrevo inteiramente!
    :)
    Antonieta

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