O que ando a ler

Já não sei se foi García Márquez se Vargas Llosa quem disse que Juan Carlos Onetti foi prejudicado por ter nascido no Uruguai, um país a que se prestava pouca atenção, sobretudo em termos culturais. Segundo um desses dois autores, Onetti foi um dos maiores da literatura latino-americana e teria merecido ser mais conhecido, aplaudido e premiado internacionalmente, sobretudo enquanto foi vivo. Um dos livros que comprei este ano na Feira do Livro de Lisboa foi justamente Os Adeuses, de Onetti, e acabei-o ontem. A história é a de um ex-jogador de basquetebol famoso que chega a uma terra de bons ares para se curar de uma tuberculose. O seu estatuto (ou a sua recusa em admitir a doença) permite-lhe ficar ao longo de meses num hotel – e não no sanatório – e alugar até uma pequena casa (a casita das portuguesas, curiosamente) e deslocar-se pela cidade de fato elegante, visitando frequentemente a venda (cujo proprietário é o narrador), onde recolhe a sua correspondência: cartas com letra azul e desenhada da suposta mulher, cartas dactilografadas em envelopes pardos da suposta amante. Estas duas mulheres visitá-lo-ão na sua convalescença, a mais velha permanecendo no hotel, a mais nova na casa alugada. As más-línguas terão, pois, com que se entreter – e é especialmente pela voz de um enfermeiro do hospital e de uma criada do hotel que o narrador toma conhecimento das andanças e do estado de saúde do protagonista, embora o seu sentido de observação seja já bastante apurado e não precise de grande ajuda. E, no entanto, apesar dos cuidados que o jogador parece pôr naquelas visitas femininas alternadas, não é impossível que elas coincidam e, claro, tudo pode acontecer. Uma escrita sublime, um enredo fascinante, uma espécie de tristeza que subjaz a cada frase, fazem desta novela uma das melhores que li nos últimos tempos. A tradução é de Hélia Correia.

Comentários

  1. Com uma apresentação destas despertou-me mesmo a curiosidade. Mais um autor a descobrir.
    Eu acabei ontem o «Como ler um escritor» do John Freeman, director da Granta.
    São 55 resumos de entrevistas que ele fez a outros tantos escritores, uns muito conhecidos por cá, outros nem tanto, mas todos muito interessantes.
    Agora vou para as crónicas do Manuel António Pina, quase 700 páginas de boa escrita.
    :)
    Antonieta

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    1. "Como ler um escritor" que tal, gostaste Antonieta? comprei este livro recentemente e estou com alguma curiosidade.

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  2. “DENTRO DO SEGREDO” de José Luís Peixoto – livro de viagens? Livro de…? Não sei como descrever esta confusão do autor. Depois de ter gostado imenso do “LIVRO” este é uma autêntica desilusão, considerações completamente deslocadas, não consegue transmitir nada sobre o país, nada sobre as terras por onde passa, nada sobre as pessoas que conhece um absoluto zero.Um livro tão cinzento como certamente será o país em causa. Uma desilusão da primeira à última página.
    Entretanto, recomecei “O COMPLEXO DE PORTNOY” de Philp Roth, que da primeira vez li talvez de esguelha. Este não engana.

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    1. Como é subjectivo o gosto! não gostei de "O Complexo de Portnoy" e nem senti nada do que afirma em relação a "Dentro do segredo". Mas também é verdade que tenho um carinho todo especial pela escrita de José Luís Peixoto a quem, considero um pouco como Cesário, um camponês que se passeia pela cidade. E isso me liga a ele. Indissoluvelmente. E é provável que influencie.

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    2. Beatriz - "O COMPLEXO DE PORTNOY" atenção que eu sou suspeito - sou um fanático da escrita de ROTH.

      Realmente "DENTRO DO SEGREDO" foi uma absoluta desilusão, depois de tanto ter gostado d "O LIVRO".

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  3. Já ando com o Juan Carlos Onetti debaixo de olho há uns tempos, e depois deste relato será concerteza um dos próximos que tentarei ler.
    Se escrever tão bem como o seu compatriota Mário Beneditti (não deixem de ler "A TRÉGUA"), então é excelente.

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  4. Relatório e Contas / Junho

    1 – Num dos relatórios anteriores referi que começara a ler “O Olho de Hertzog”, João Paulo Borges Coelho, Prémio Leya 2009.
    Deu para perceber que, para quem, como eu, não tem a vivência de Moçambique, este livro não é fácil.
    Outros afazeres meteram-se pelo meio, fui interrompendo / retomando / interrompendo a leitura.
    A própria estrutura da narrativa é complexa, propícia às interrupções – mas deixando sempre o bichinho da expectativa. Propícia às retomas.
    Outros livros, outros pretextos, outras interrupções.
    João Albasini, personagem fascinante, havia-me feito dobrar os cantinhos das páginas onde comparece – e eu retomava o livro, relia as páginas assinaladas, passava os olhos pelas outras já lidas, ia por ali adiante até onde tinha o marcador, e desbravava mais algumas, à procura do Albasini nos meandros da complexa narrativa.
    Lá para meio do livro há um episódio em que o personagem principal (não é o Albasini), olhando-se no espelho, é confrontado com esta pergunta, escrita com baton no vidro: “Onde está aquilo que procuramos?”
    Ora bem – a meio do livro, é justamente esta a pergunta que o leitor faz.
    Entretanto – nem de propósito – por essa altura havia eu interrompido “O Olho…” para explorar “E Agora, José?”, e andava por ali à procura desta frase de Cardoso Pires: “O que importa está ausente mas real”.
    Levei a empreitada de Cardoso Pires até ao fim (conforme aqui dei conta em relatório anterior), mas fiquei com esta combinação debaixo de olho: em “… Hertzog”, “Onde está aquilo que procuramos?” / em “O Delfim”, “O que importa está ausente mas real”.
    Posso agora dizer que, de certo modo, é esta difícil mas aliciante combinação que J. P. Borges Coelho leva até às últimas páginas deste livro.
    Calhou-me bem esta combinação.
    Recomendo, pois, que leiam (ou releiam) este livro nessa perspectiva: o que procuramos está ausente mas real.

    2 – (Às vezes fico a pensar que, por uma razão misteriosa, os livros têm todos a ver uns com os outros…)

    3 – Há dias, quando vi aqui a notícia da apresentação do novo livro de José Carlos Barros, fui vasculhar as prateleiras à procura do seu anterior “O Prazer e o Tédio” (2009). Na mesma pilha, logo por cima deste, estava “Regresso Por um Rio” (1987) de Francisco José Viegas. Fiquei ali uns momentos com eles na mão, a vasculhar na memória procurando a razão por que tinha arrumado os dois livros juntos. Depois sentei-me a desfolhá-los, e fez-se-me luz. Existem várias razões para a associação: desde logo porque foi Viegas o editor e prefaciador do livro de Barros; também porque são ambos praticamente conterrâneos, da zona do Douro / Trás-os-Montes; principalmente porque ambos os livros são regressos a essas origens, regressos por um rio…
    Depois, nas páginas em que tinha dobrado os cantinhos, encontro outros pormenores de afinidade: em ambos existe uma Catarina…
    A de Viegas diz a certo passo: “Quem reconhece a verdade do invisível, reconhece a verdade do mundo”.
    Vinte e dois anos depois, Barros relata-nos o que lhe aconselha uma das suas personagens: “De Catarina, portanto, se um dia decidir dar a público esta história, conte o pouco que sabe de ciência certa e deixe que sejam os leitores, com base nas suas experiências e vivências próprias, a preencher os intervalos (…)”
    Gostava de me alongar sobre isto, mas o limite dos caracteres e da paciência da Assembleia Extraordinária, moderam-me os ímpetos.
    Abreviando: podia neste caso aplicar-se também aquela combinação “Onde está aquilo que procuramos?” / “O que importa está ausente mas real”.

    Lá está: às vezes fico a pensar que, por uma sensata razão que apenas intuímos, os livros têm todos a ver uns com os outros…

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    1. Os livros têm todos a ver uns com os outros. As questões a que respondem ou por que perguntam são as mesmas. E são as nossas. Deve ser por isso que nos interessam. Também. Que o escritor ultrapassa largamente a mera interpretação pessoal.
      Andei lendo umas conversas escritas de Marguerite Yourcenar e o processo de criação das suas "Memórias de Adriano", por exemplo, dá que pensar. No caso desta obra, e porque se referia a um personagem que existiu, houve um lento apossar progressivo da personalidade através de tudo que é vestígio. Foi um renascer do homem no todo possível, a criação nas balizas da realidade. E esta preocupação de rigor chega, na autora, a ser tocante. A mim que sou leitora não muito lesta, comove-me a atenta preocupação de não haver fuga da criação para o campo do devaneio e a noção de que uma obra como aquela tem de ser de maturidade ainda que tenha começado na casa dos vinte. Enfim, julgo presente uma espécie de dever para com o leitor. Que apenas se pressente se nisso pensamos; não está aos gritos pelo livro fora e nem sequer na conversa sobre ele.

      A isto, além de evidente qualidade, chamo trabalhar com respeito e enorme delicadeza

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  5. Haruki Murakami, Em Busca do Carneiro Selvagem (Casa das Letras)

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  6. Cidália Alves dos Santos1 de julho de 2013 às 03:00

    Publicada pela Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes: http://www.cervantesvirtual.com/obra/carta-a-cortazar/

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  7. Ando a (tentar) ler Guerra e Paz, numa versão de bolso (em 5 livros) antiga que comprei barata na Feira, com uma tradução que me deixa aqui e ali desconfiado, mas lá vou progredindo no meio dos arrevesados nomes de condes e condessas, e restantes parentes e amigos, meu problema de sempre com a literatura russa. Deve dar para o verão todo, mas é bem feito porque deveria tê-lo lido há muito. Para esmoer, tenho acompanhado com um conjunto de ensaios Os Passos de Pessoa, de David Mourão Ferreira, saltando deste para os poemas aí referidos que assim vou lendo aos tombos, maravilhando-me sempre com muitas das interpretações e com os relacionamentos que são estabelecidos com outros poemas e poetas.

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  8. acabei de ler, "Fonte da Telha", um romance neo-realista de Alexandre Cabral, publicado em 1949.

    li-o por curiosidade, geográfica e temática.

    não é um grande livro, mas mostra-nos como era a Fonte da Telha desses tempos, uma aldeia de pescadores, quase sanzonal (muitos "fugiam" do Inverno à beira-mar)...

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  9. A Pirâmide de Fogo, de Arthur Machem; presentemente estou perto do fim da Corja Maldita, de Pedro Almeida Vieira.

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  10. Comecei a ler «A Confissão da Leoa», de Mia Couto. E acabei de ler «O animal moribundo», de Philip Roth, o livro que me emprestaram para descobrir o autor. Por várias vezes pensei em desistir, tal era a repulsa que o sexagenário me causava, sobretudo quando descrevia que todos os anos elegia uma nova aluna para sua amante. Mas fui ficando, atraída pela escrita, impecável e límpida, pelo desconforto, pela descoberta do que viria a seguir. E não me arrependi. Um livro muito cru de um autor que me pareceu muito corajoso. E com Cuba pelo meio.

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    1. Anabela continua com Philip Roth e vais ver que não te arrependes. Não conheço ninguém que descreva tão bem o ser humano, nomeadamente os pervertidos, como ele.

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    2. Anabela,
      Gosto muito de alguns livros do Roth. De outros nem tanto. O Animal Moribundo ficou no limbo até ter descoberto que havia o filme.
      Curiosamente achei-o melhor do que o livro (o que é raro). Veja-o porque vale muito a pena. Chama-se Elegia e é com o Ben Kingsley e a Pelelople Cruz.

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  11. Consegui comprar, em segunda mão, um livro fascinante e há muito esgotado entre nós: "Bela do Senhor", de Albert Cohen. Fascinante! Uma das obras-primas do século XX, a merecer reedição urgente.

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    1. Já aqui o disse por duas vezes, "Bela do senhor" é o livro "da minha vida", enfim, se assim se pode dizer. Seguramente, dos livros que mais me transtornaram. Fico mesmo satisfeita que o tenha lido.
      Isabel

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    2. Obrigado, Isabel De facto, "Bela do Senhor" é um livro para a vida!

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  12. A curiosidade para ler Onetti é tremenda. E já tenho a vida breve dependurada no armário prestes a ser lido. As tentativas acabaram por não ser concretizadas por questões gráficas de uma das melhores editoras de Portugal (Relógio Água) cujo espaçamento entre linhas exige um esforço ocular incompatível com uma leitura em transportes públicos até mesmo na serenidade de uma cadeira.
    É um desgaste incompreensível e que encontra apenas paralelo nos livros de bolso e que esses têm uma dimensão reduzida e um custo económico condizente com essa situação.

    Em relação às leituras, acabei hoje de ler o diário inédito do Vergílio Ferreira. Aconselho.

    Estou com o Severino, a trégua do Benedetti é sublime.

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    1. Ainda bem que fala nessas questões gráficas que nos dificultam a leitura. Creio que já em tempos referi aqui essa mesma preocupação. Somos desafiados a relatar aqui o que andamos a ler, entusiasmamo-nos com os conteúdos dos livros que lemos – mas sabe deus o esforço que, para muitos (cada vez mais) de nós, é decifrar o que está escrito.
      E se fosse apenas o espaçamento entre linhas… Quantas vezes a paginação e a encadernação nos dificultam a leitura das partes das páginas mais chegadas à lombada…
      E se fosse apenas nos livros… O caso é que esta dificuldade ocorre em muitos outros documentos. Já devem ter reparado na quantidade de vezes que, na caixa multibanco, é pedido socorro à pessoa que está na fila de espera para nos decifrar os algarismos dos códigos para pagar a conta do telefone, da luz, etc. Se repararem, em muitos documentos oficiais – p. ex. o cartão de cidadão, o livrete do carro, etc – não obstante a abundância de espaço, as letrinhas e os algarismos são microscópicos. Isto para não falar nas instruções e advertências que constam nas embalagens de produtos de consumo, muitas vezes tratadas graficamente da maneira mais descuidada…
      Isto é falta de consideração pelas pessoas.
      Em suma: do mesmo modo que existe legislação obrigando à existência de facilidades para a acessibilidade aos edifícios (rampas, etc), também devia haver regulação da acessibilidade à leitura…
      … que é para que bata certo “o que ando a ler” com o que realmente está escrito naquilo que leio, ora essa!

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    2. Raul: já leste CONTA CORRENTE? Magníficos, se gostaste do "DIÁRIO INÉDITO", não poderás deixar de ler CONTA CORRENTE (são oito volumes absolutamente imperdíveis, cinco de capa amarela e três de capa verde escura).

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    3. A TRÉGUA do Benetti é arrebatadora.

      PLFF

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  13. Lavoura Arcaica - Raduan Nassar. Mas não ando a lê-lo, faço-o deitado. Deitado sobre a areia da praia. Está aí um mini verão de assombro e, se for como os outros, não deve faltar muito para terminar.

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  14. Subscrevo inteiramente o que dizem Raul Queirós e Joaquim Jordão relativamente ao formato da letra dos livros de algumas editoras.
    Lamentavelmente é uma das razões para a escolha dos livros que compro (já que não posso comprar tudo o que quero), mas para quê comprar um livro que depois não consigo ler?
    Alguns dos que tenho em «lista de espera» devem-se precisamente a esse facto...
    Além da sabedoria (ahahah) a idade também traz a vista cansada.
    Pensem nisso senhores editores!
    Antonieta

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  15. Olá Severino,
    Gostei bastante, comecei por ler sobre os escritores que já conhecia, depois passei para os desconhecidos.
    É um daqueles livros que se pode ler sem ser de seguida.
    Também lá está o teu adorado Roth!
    Boas leituras!
    Antonieta

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    1. Antonieta: Já leste "ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS"? do Corman Mcarthy? atenção a este escritor - pesadão/toneladas, mas que escritor.

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  16. Como o prometido é "de vidro", parti para Teatro de Sabbath.
    Em relação a Onetti, devo dizer que gostei de O estaleiro e adorei A vida breve. Um homem que julgo não ter feito o secundário a escrever assim é obra e prova mais do que suficiente para desacreditar alguns intelectuais académicos.

    Boas leituras!

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