Figueira da Foz

Já aqui falei muitas vezes das Quintas de Leitura – um espectáculo magnífico organizado por João Gesta no Porto, no Teatro do Campo Alegre, que esgota assim que os bilhetes são postos à venda e conta com a colaboração de um poeta, de diseurs, de artistas e músicos. Mas estas, como descobri no ano passado, não são as únicas Quintas de Leitura que existem, pois outras há na Figueira da Foz todos os meses, que ocorrem depois do jantar e têm um autor por convidado na Biblioteca Municipal da cidade à beira-mar. Depois de algumas alterações forçadas mas aconselháveis (a primeira quinta que me marcaram acabou por revelar-se a véspera de um feriado e, portanto, o público iria provavelmente de fim-de-semana; e, na segunda, havia à mesma hora um espectáculo de bailado que era um sério concorrente), hoje estarei nas 5.as de leitura da Figueira da Foz, para falar da minha poesia a quem queira ouvir e responder a perguntas do público. Se estiver por lá, apareça.


 




Comentários

  1. Eu sei que está na moda (o que digo? sempre esteve: é uma forma de mostrarmos que ainda somos um povo do mundo, de descobridores de outros povos e outras línguas) o uso de estrangeirismos, e mesmo sabendo o quanto devemos a riqueza da nossa língua a esta ânsia de aglutinar novos termos vindos de fora, não evito um certo incómodo quando hoje ouço e leio o termo diseur...
    Bom, numa língua tão rica quanto a nossa, será necessário recorrermos, às vezes tão ostensivamente, aos estrangeirismos? Não teremos nós palavras suficientes e suficientemente capazes de classificarem a forma como dizemos e sentimos a poesia?
    Julgo que a genuinidade do nosso sentir «também» começa «nestas coisas» e num mundo cada vez mais global, deve ser no que dizemos e no que pensamos que devemos defender a nossa identidade...

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    1. Desde que não se exagere, e que a palavra e/ou expressão seja correctamente usada, não vejo onde está o mal...
      Ou será que devemos estar «orgulhosamente sós» outra vez?
      E que palavra propõe para a que a Rosário utilizou?
      Declamador? Dizedor?
      Sinceramente, prefiro diseur/diseuse.
      Antonieta

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    2. Apoiado. Conheci uma vez no Brasil um velhote, sertanejo e analfabeto, que me disse que a língua portuguesa era "muito bem explicada" porque segundo ele, quando era noite dizíamos boa noite e quando era dia dizíamos bom dia, ao contrário dos americanos que chamavam outras coisas ao que se estava mesmo a ver que era dia e era noite. Nunca esqueci, e arrisco dizer que o homem confundia significado e significante, se é que se podem aplicar aqui tais conceitos. No caso do leitor, que é o que é aquele que lê ou declama em voz alta, podemos obviamente dizer "diseur", passe o pleonasmo, mas o sertanejo não acharia tão bem explicado. Dito isto, diga-se também que "diseur" é uma linda palavra e que a Figueira é uma linda terra.

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    3. Peço desculpa, mas eis outra expressão redutora que me incomoda: orgulhosamente sós! Reminiscência de um tempo que vive em nós e que, como outros passados, é responsável pelo que somos. Até por um certo pudor; não obstante tão orgulhosamente declamarmos a nossa história. Pois é isso que fazemos: sempre tão poeticamente! Porque não, então, declamarmos também a nossa poesia?
      E prefiro orgulhosamente nós!

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    4. Dizedor, declamador, leitor, whatever ... (meti esta de propósito, ein !) Uma coisa é estarmos "orgulhosamente sós", outra coisa é transformarmos a nossa língua, sem necessidade, numa espécie de crioulo doutras, só para nos sentirmos acompanhados. Acho isto mais importante que as questões ortográficas. No entanto, que cada um diga como lhe dá na gana et vive la liberté!

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    5. Meu caro Emílio, a mim as palavras nunca me incomodam;
      o que me incomoda, por vezes, são as acções.
      :)
      Antonieta

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    6. Precisamente, PO!
      Sem exageros...why not? (eheheh)
      Boas leituras, boas declamações, whatever!
      Ok, ok, estou a exagerar...
      :)
      Antonieta

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    7. Subscrevo. Embora ultimamente tenha reduzido os estrangeirismos em tudo o que escrevo, não vejo que venha mal ao mundo (português) a sua utilização.
      Preocupa-me mais aqueles que são pela integridade e transparência, mas depois no seu pequeno cosmos são os primeiros detractores da mesma.
      Vivemos um tempo novo, um tempo avesso ao provincianismo, um tempo como diz o Boaventura Sousa Santos de Localismos Globalizados, Glocalismos , ... O local no global e o global no local.

      Como diz PO , viva a liberdade...e essa é que está em perigo quando "maduros", com uma estranha forma de concepção democrática, dizem que não se pode viver em democracia pondo tudo em causa.
      E nós aqui sabemos bem o que está verdadeiramente em causa...a falta de memória histórica e um sistema político caduco!

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    8. Não poderia estar mais de acordo :)

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    9. Ok, ok, obrigado. Já agora aproveito e esclareço que sou PO às vezes, for short (eh!) por preguiça.

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    10. Ó Emílio desde que as cuecas passaram a ser slipes, e desde que deixei de correr para passar a fazer jogging, desde que um conjunto passou a kit, desde que um intervalo para café passou a ser coffe-break , desde que um declamador passou a diseurs , desde que deixei de receber retorno para passar a receber feed back , desde que o pessoal passou a ser o staf e desde que deixei de ter uma pequena caminheta para passar a ter uma pick up , tornei-me um senhor com fair play daí merecermos ir à Figueira tomar um drink.

      Um abraço para todos os extraordinários e vive la vie

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    11. Mas ó meus amigos eu não renego os meus antepassados e desde que pequenino que oiço - antes só que mal acompanhado - qual é o mal? é só por ser politicamente incorrecto? sejamos práticos, realistas, sensatos, deixemo-nos de tretas! Não tenhamos medo das palavras!

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    12. E o que é o provincianismo?

      Será perguntar a 95% dos americanos onde fica Portugal e 80% dizer que nunca ouviu falar e os restantes 15% dizerem que Portugal fica em Espanha? será ir acampar para a porta da maternidade na cosmopolita London e estar três dias e três noites à espera do nascimento do príncipe ? será dormir 3 dias e 3 noites à porta do cinema (em Nova Iorque) à espera da estreia da 28º. saga da GUERRA DAS ESTRELAS? Será acampar durante uma semana à porta da FNAC lá o sítio (EUA) para comprar o último iPad? ou o último JKRowling? ou o último DAN BROWN?
      Ou provincianismo será dizer declamador em vez de diseurs ??? de fazer um intervalo para café em vez de coffee-break?????

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    13. Ora bolas. E como fica quem ainda diz pausa para café, retorno e o mais? retrógrado. Ah, pois é.

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    14. Também, também, Severino! Afinal somos todos provincianos à nossa medida...
      Ó Severino, deixe-me lá calçar aqui uns pezinhos de lã, para o nosso amigo não se exaltar.
      Olhe lá a tensão, Severino, que aqui os seus amigos querem-na sempre em 13/7, para evitar as taxas moderadoras impostas pela nova ideologia da globalização.
      Em vez de provincianismo também podemos chamar-lhe localismo não globalizado.
      E olhe que eu tinha um preconceito qualquer contra o Dan Brown até um dia que, sentado nesse tugúrio de globalismo localizado Fnac, me apercebi que nunca tinha lido nada do homem.
      «Diacho», pensei, «isto dos conceitos antecipados dá sempre mau resultado».
      Desde esse dia tornei-me um provinciano globalizado.

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    15. Oh my dear Severino, take it easy, keep it cool, don't worry be happy, pleeeease!!!
      Agora a sério, usemos os estrangeirismos se e quando nos apetecer, ou não os usemos se não quisermos, afinal são só palavras com o mesmo significado, não é?
      Aproveito para lhe desejar bom almoço e um dia muito feliz.
      :)
      Antonieta

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    16. Obrigada querida amiga extraordinária Antonieta.

      E já repararam como é bonita a Maria do Rosário Pedreira; aqueles olhos que estão a olhar para o mundo todo...que maravilha.

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  2. Hoje eu gostaria de estar na Figueira. A banhos. Ou. Mas por estar onde estou, num lugar que não junta árvores com desafogos de rio, não tem nome de flor e a poesia anda a monte, que seja tudo tão bem e a Rosário regresse de uma surpresa grata. Numa leveza de alma.

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  3. Como gostaria de estar hoje na Figueira!

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  4. Lá estarei. Eu e o António Canteiro. Até logo.

    António Breda Carvalho

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  5. Lamento não poder estar presente, pois teria a honra de, na cidade da minha juventude, conhecer pessoalmente Maria do Rosário e agradecer-lhe de viva voz o serviço que tem prestado.
    Provavelmente vai estar com o poeta e pintor António Augusto Menano, a quem deverei eternamente o apoio que nos deu, aos jovens contestatários dos anos 60 da Figueira da Foz, durante a primeira greve de estudantes do Liceu, no apoio ao suplemento “Onda Juvenil” do jornal Mar Alto, às nossas exposições de pintura no Casino e numa loja da Casa do Paço, etc.
    Ele não se lembrará de mim, porque eu não singrei nas artes como singraram os meus camaradas figueirenses Álvaro Cação Biscaia, António Viana, João de Azevedo.
    Mas estou em dívida para com ele.
    Estou em dívida para com ambos.

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  6. Apesar de hoje não ser o dia do que "ANDO A LER" mas já que estamos a falar de Bibliotecas deixem-me só contar aqui algo que considero curioso (e interessante para quem gosta de livros, como é o nosso caso); ontem fui a uma biblioteca e requisitei quatro livros, isto depois de os ter escolhido através do catálogo on-linne, o que quer dizer que só tive contacto físico com os mesmos quando a funcionária mos entregou e, nesta altura, disse-me -olhe que este livro é dos primeiros desta biblioteca e nunca foi requisitado, OS MELHORES CONTOS AMERICANOS uma selecção de João Gaspar Simões, de grandes escritores americanos (Hermann Melville, John Steinbeck, Ernest Hemingway, Erskine Caldwell, Nathaniel Hawthorne, Edgar Allan Poe, Sherwood Anderson, William Faulkner, Dorothy Parker e outros), uma edição de 1948 da PORTUGÁLIA e sabem com tradução de quem, pois é de FERNANDO PESSOA, esse mesmo...um livrinho velhinho, ratado, amarelento/rosado e com cheiro muito cheiro a livro, uma maravilha.

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