Desassossego
Essa palavra aí em cima, a servir de título ao post, tem muitos SS e remete logo para o nosso amado Bernardo Soares e o seu livro (com L maiúsculo, desculpem). Mas pode também ser apenas uma tradução de «Disquiet», que é, entre outras coisas, o nome de um programa literário internacional que todos os anos costuma trazer a Lisboa escritores norte-americanos para conhecerem a capital e a literatura portuguesa. A iniciativa, que se traduz numa espécie de universidade de Verão, concedendo bolsas a quase uma centena de jovens escritores, foi criada há três anos pela editora Dzanc Books e conta com a colaboração em Portugal do Centro Nacional de Cultura, local onde decorrem leituras e debates entre os escritores visitantes e os escritores residentes (neste ano, Gonçalo M. Tavares, João Tordo e Patrícia Reis). Mas este interessante intercâmbio não se fica pelos contactos e, pela primeira vez, inclui a tradução de um romance português nos Estados Unidos, tendo sido escolhido O Verdadeiro Ator, de Jacinto Lucas Pires, livro que elucida os leitores norte-americanos sobre a austeridade por que o nosso país está a passar, coisa que, para eles, segundo li, resulta remota e complexa. A obra será apresentada por um dos bolseiros, Brian Sousa, luso-descendente e vencedor de uma das bolsas. Pode ser que outros mais ou menos jovens escritores portugueses cheguem assim ao lado de lá do Atlântico.
Interessante iniciativa ! Fiquei curioso acerca do "Verdadeiro Ator", livro de que não tive ecos aquando do seu lançamento, distração minha seguramente. Será que alguém que tenha lido este romance do Jacinto Lucas Pires nos pode deixar aqui umas palavras sobre o mesmo?
ResponderEliminarCaro Artur,
EliminarLi a sinopse do romance no site do Editor (Livros Cotovia), que passo a transcrever, com a devida vénia: "O terceiro romance do escritor, músico e dramaturgo Jacinto Lucas Pires conta a história de uma personagem grotesca, o ator Américo Abril, confuso com os diversos papéis que desempenha na vida — pai cansado, artista sem inspiração, marido pisado e amante infeliz — e no cinema — onde encarna Paul Giamatti , o seu alter-ego. Em pano de fundo (em sintonia intrigante com o momento actual), Portugal em estado de alerta: "Não há nem um gesto, a mínima sugestão de violência. Só o peso da multidão portuguesa, de braços para baixo, corajosos ombros contra as portadas constitucionais. Nem uma palavra mais dura sequer, apenas uns milhares, um milhão, de almas usando o peso da maneira mais sóbria. Ombros, testas, coxas, imaginem. Começa." Numa escrita cinematográfica, Jacinto Lucas Pires volta a afirmar-se como uma das vozes mais bem articuladas da sua geração."
Convenceu-me ! Vou comprar o romance do Lucas Pires. E tu ?
Pensei que este texto vinha na sequência do de ontem (que só agora li e comentei) e o título fez-me logo pensar num itinerário de Pessoa. Uns primos brasileiros jantaram há um par de dias em minha casa, para nos conhecermos, no final da sua primeira estadia pela terra dos seus avós, e fiquei feliz por saber que foram à casa Fernando Pessoa! Mas também pensei que eu ainda não fui e fui sim ao Adamastor, logo depois de ler «O ano da morte de Ricardo Reis». Tal como fui ao rochedo onde Aquilino ia ver o pôr-do-sol...
ResponderEliminarVoltando ao tema do texto, as leituras e debates serão abertos ao público em geral?
Sim, são abertos ao público. A programação deve estar no site do Centro Nacional de Cultura.
EliminarNão sei se a literatura americana pela sua imensa diversidade não será a minha preferida...
ResponderEliminarAcho curioso que se interessem pela nossa literatura... se bem que ache a iniciativa muito louvável, isto a gente em os apanhando aí, tratamos-lhes da saúde... e depois querem voltar!
Recordo o que oAntonhy Bourdain gostou de Lisboa, se bem que ache o Lobo Antunes um bocadinho chato para o acompanhar às bifanas e imperiais...
De um modo geral, eles ignoram quase tudo de Portugal... pelo menos nos meus contactos tanto ao tempo de trabalhar na Distribuição como da minha estadia na Univ. de Cornell, sempre assim foi. Na pesca submarina e na caça, pelo contrário conhecem bastante bem os Açores (com Z) e os caçadores profissionais portugueses que operam em África ou os que deixaram livros que ainda hoje são sucesso por lá (caso do falecido Mestre José Pardal), mas este último caso é evidentemente um nicho, e, na verdade tanto a nível de quadros superiores de empresas da área alimentar como na referida universidade nós somos uma coisa exótica de quem sabem vagamente bebemos vinho!
Bem vindos pois os americanos!
Saudações kaluandas!
Ó Pacheco não sei tão pouco se não continuarão convencidos que Portugal é uma província de Espanha?
ResponderEliminarEheheh! Tive um colega na universidade, que conhecia Portugal, pois fez a tropa na US Air Force, na base aérea das Lajes. E aos fins de semana ia de avião à capital... Madrid!!!!
EliminarAhahah!
Um grande abraço mwangolê ó Severino meu xará!
Ah... mas resta-nos uma consolação!
EliminarTenho bons amigos nas selecções de pesca submarina do Hawai e Tahiti, são uns grandes pontos, trazem sempre uma comitiva muito grande e fazem a festa como se imagina...
Todos conhecem Portugal de nome e sabem que os portugueses por lá andaram na caça da baleia, e na colonização, e sendo tocadores de ukelele, também sabem que foram os portugueses que o introduziram nas ilhas do Pacífico - o cavaquinho, embora depois adaptado ás suas melodias!
Lembro-me de uma cantiga muito bonita, com um refrão muito engraçado:
Mon ami pêcheur,
aime le poisson!
La mer est pas bon,
il reste à la maison!
Eheheh!
Entretanto estes macacos (que só sabem falar em mercados e em nasdak's) estão apostados em fechar Portugal - no próximo sábado fecha mais uma livraria (a centenária Sá da Costa nos Chiado)-; não só querem fechar Portugal como querem transformar o Chiado num shopping center... até dá ânsias...
EliminarTambém confesso que não sei apontar-lhes no mapa onde fica o Ohio, ou o Wyoming, nem tão-pouco sei se são para cima ou para leste... Nebraska talvez, mas e o Utah?
EliminarÓ Extraordinário Paulo Oliveira, olhe que isso não é desculpa... mas pelo menos você sabe onde ficam os EUA, mesmo que não distinga os estados?
EliminarPor acaso eu até sei onde ficam no mapa todos os estados dos EUA... e sou mesmo capaz de lhe dizer quais as producções e capitais!
Porque sou um fã dos EUA? Nada!
É que eu estudei geografia... posso ser uma traça literária, mas lá em geografia sou melhor que a média americana! Ó menos isso... eheheh!
E do que diz, deduzo que então o facto deles não falarem português, seria justificação para nós não falarmos inglês, por exemplo?
Sei e aposto que alguns não saberão onde é a Europa, mas onde eu queria chegar é que talvez não valha muito a pena sentirmo-nos demasiado diminuídos pela ignorância alheia, mesmo que a propósito de nós. Aposto que muitos também não saberão onde fica a França.
EliminarÉ provável que sim. Eu vivi durante 8 anos nos EUA, o que é tempo suficiente para conhecer algumas pessoas, e não conheci um único caso de alguém que não soubesse onde fica a europa (mas isto é a minha pequena experiência de apenas 8 anos, vale o que vale). Mas conheço (e isso nem preciso de apostar) muitos «extraordinários» europeus que não sabem, por exemplo, onde fica a polónia.
EliminarFico feliz pelo programa de traduções e espero que continue durante muito tempo. Só lamento que tenha começado por um livro escrito ao abrigo do acordo ortográfico.
ResponderEliminarPor mim até pode ser o melhor romance desde O Castelo do Kafka, mas há uns meses atrás enviei um e-mail ao autor para lhe dizer que, por causa deste livro, nunca leria nada dele. Infelizmente não recebi nenhuma resposta.