Balzac para totós

Uma noite destas apanhei, num canal qualquer, completamente por acaso, uma adaptação cinematográfica de Os Miseráveis, com Uma Thurman, Liam Neeson e Geoffrey Rush, que fiquei a ver (e era bastante mazinha, por sinal). Mas isso lembrou-me um livro genial que foi publicado em Portugal há muitos anos, Balzac e a Costureirinha Chinesa, de Dai Sijie (um chinês residente em França que escreve em francês), que deve ser muito difícil de encontrar nos tempos que correm mas que merecia seriamente ser republicado. Conta os destinos de dois adolescentes chineses durante a Revolução Cultural (tempos de Mao – e maus, portanto) que são «castigados» pelas suas origens intelectuais (filhos de médicos e engenheiros) e enviados para o interior da China para trabalharem no campo. Aí conhecem, porém, uma jovem costureirinha de alfaiate muito atraente mas quase analfabeta que resolvem ensinar a ler. E como? Nada mais, nada menos do que com a ajuda de um monte de livros de Honoré de Balzac que descobrem por acaso (e nunca o revelam a ninguém) numa velha arca de uma casa abandonada. Os dois rapazes cultos apaixonam-se pela discípula e hão-de disputá-la com o chamariz da literatura. Ignoram, porém, que, no momento em que ela se tornar igualmente ilustrada, decidirá pela sua própria cabeça… Parece que fizeram um filme deste livro delicioso, mas não o vi, embora ele tenha sido mostrado no Instituto Franco-Português há uns dois anos. Tomara que não seja tão mau com a adaptação d’Os Miseráveis que vi a semana passada…

Comentários

  1. Quando, de vez em quando, mudo os meus livros de sítio (um costume meu de tempos a tempos) "tropeço" neste pequeno livrinho (de cor azul e uma capa bem viva, creio que tem uma menina com um cesto nas mãos) e a que nunca passei muito "cartão" estava até convencido que seria um livro (menor) do Balzac , e nem me lembro de alguma vez o ter folheado; obviamente que este "Balzac e a Costureirinha Chinesa" de Dai Sijie, que me foi oferecido por um amigo há muitos anos, vai merecer a minha leitura dentro de dias, depois do próximo que irei começar a ler hoje (OS PORTUGUESES de Barry Hatton).

    "OS MISERÁVEIS"-talvez o livro que me "ensinou" e me catequisou para a leitura; li-o em oito volumes - inesquecível (já vi um filme mas não a versão aqui apontada e muito muito fraquinho, como são normalmente más e inferiores as versões dos grandes livros).

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    1. "Balzac e a Costureirinha Chinesa" de Dai Sijie, o nº. 19 da Colecção TUDO FICÇÃO da Editora Terramar, foi-me oferecido no princípio do século, creio que ainda nem o desfolhei...

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  2. Em associação livre recordei-me do "Mulheres que lêem são perigosas"... :)

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    1. "MULHERES QUE LÊEM SÃO PERIGOSAS" Bela edição do CL que gosto imenso de ler aos fins das tardes quentes de Verão (é verdade, gosto mesmo).
      A propósito, Marylin Monroe era uma mulher perigosa (ói se era...) e parece que lia, lia muito; ainda no passado sábado fui ao Centro Cultural de Cascais ver uma interessante exposição (MADE IN HOLYWWOD) e lá está uma foto dos anos 50 da Marylin com um livro ao lado.
      Ainda sobre mulheres, tenho lá em casa um livro (sempre a olhar para mim) que se chama "BLONDIE" da Joyce Carol Oates - será que estará relacionado com a MMonroe? alguém já leu?

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    2. Não conheço o "Blondie" da JCO. Mas fiquei curiosa...

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  3. António Luiz Pacheco3 de julho de 2013 às 03:01

    Vou discordar (parcialmente) do A. Severino!
    O que é Extraordinário... ele e este facto!

    Os filmes baseados em "grandes livros", não são assim tão maus, e cito como exemplo o Grande Gatesby de que ainda há dias se falava.

    O que se passa, na minha opinião de traça e espero bem não levar aí já uma dundumzada, é que os tais grandes livros são muito difíceis de adaptar ao cinema... não será? Justamente porque colocar em imagens e representar tudo o que um grande livro transmite, é obra!!!!

    Já vi versões cinematográficas que fazem sobressair determinados aspectos do livro em que se baseiam e nem sempre aquelas que mais me agradaram... daí que posso achar um mau filme e outra pessoa achar bom. Acontece!

    Já uma série, me parece bem mais fácil, porque não condensando tanto quanto o cinema permite que haja um outro desenvolver da história... lembro-me de ter visto em jovem, um excelente Guerra e Paz, p.e.!

    Também depende muito do realizador e da nossa própria interpretação daquilo que lemos, da forma como o absorvemos e até como idealizamos os personagens... não sei se me consigo explicar?

    Penso aliás que é essa a diferença (e a vantagem) do livro sobre o cinema:
    - No cinema não há muito campo para imaginar, é o que vemos e ali está, na imagem!
    - No livro, temos essa liberdade de poder ir "realizando" o nosso filme á medida que vamos apreendendo, imaginando também nós mesmos!

    Todavia e se me permite a nossa Extraordinária anfitriã, no segimento do seu raciocínio que me parece muito bem observado, me atreveria a dar esta achega: As versões cinematográficas são muitas vezes o ponto de partida para uma leitura ou no mínimo, para se ter uma idéia das obras e dos autores, divulgando ambos!

    Assim uma espécie de literatura para tótós...

    Saudações kaluandas!

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    1. É caso para dizer que há imagens que valem por mil palavras, mas há palavras que não têm imagens possíveis. E é tão boa a liberdade de criarmos as nossas imagens a partir delas!

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  4. Confesso que até gostei da adaptação dos "Miseráveis" de que a nossa anfitriã fala. Sem ser um filme excelente, pareceu-me que as interpretações serviam razoavelmente bem os personagens. O Rush estava particularmente bem (mas quando não está?). O que achei fraquíssimo (com exceção da monumental cena inicial do Jean Valjean nos trabalhos forçados) foi a adaptação cinematográfica do musical que passou no ano passado nos cinemas.
    Tenho que procurar o livro chinês, que desconhecia.
    Obrigado pela eloquente sugestão !

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  5. Ó Pacheco não sei se os filmes serão um ponto de partida para a leitura porque conheço muito boa gente que gosta de cinema e não lê nada de nada, não sendo para eles nem ponto de partida nem ponto de chegada; ainda no sábado fui a casa de um amigo cinéfilo e olhei e nem um livro vi, perguntei, não não gosto de ler, não tenho tempo...e uma casa sem livros é um pequeno inferno habitado por aqueles que não sabem, e que não sabem que não sabem.
    Como se pode viver sem livros, sem tudo o que os livros nos oferecem... eis um enigma que não consigo resolver.
    Ajuda-me ó Pacheco...anda Pacheco...

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    1. António Luiz Pacheco3 de julho de 2013 às 05:01

      Tens agora muita razão ó Severino meu xará!
      Creio que quase sempre os amantes do cinema lêem, pois na verdade me parece indossolúvel o cinema da literatura, pois esta é capaz de ser a base da 7ª arte... será?

      (Hum... o que eu gostava de ouvir o Extraordinário Pedro Sande dissertar sobre o tema...).

      Um amante do cinema que não lê parece-me uma pequena aberração...

      No entanto e para te tranquilizar, sei de muito boa gente que partiu das versões cinematográficas para a leitura dos livros ou dos autores do filme de que gostaram... imagina que foi assim que, por exemplo, eu mesmo descobri Tolkien há muitos anos quando da primeira versão em desenho animado de "O Hobbit", ali pelos finais dos anos 70 ou início de 80 - filme esse que eu não vi aliás, mas me despertou a curiosidade.

      Um abraço

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    2. Oh, António Luiz , ainda estava a limpar as lágrimas da revisão do meu «5 Consentimentos»: MANIPULAÇÃO, MISTIFICAÇÃO… E OS MAIS QUE INJUSTIÇADAMENTE CARREGO, quando fui confrontado com este apelo impossível de não aceitar, com igual desfaça… à dos políticos.
      Com o seu inigualável e inapelável chamamento, grande «leão» dos planaltos da terra dos Bundos, obrigado, António Luiz , meu xará mas já por cá passo.
      Vou ali rapidamente mudar o meu nome para António Pedro de Sande e aconselhar o grande Soba Pedro Passos e o Kimbanda Paulo das feiras a fazer o mesmo, para o nosso Xará Soba puder ainda chamar aleivosamente o grande Kimbanda Portas de… Xará parceiro.
      Saudações Kalisboas da terra da grande tribo dos luso desbundas , onde todas as cenas se passam.
      P.S. Este filme aqui, como saberá meu Xará nunca desmerecerá do livro de memórias futuro que só de páginas consta já vai em dezenas de milhar, que o nosso xará Paulo carrega ali às necessidades até ao esquentamento - valha-nos a nós e a ele a penicilina - as Canoe e as Fujitsu da terra dos Shoguns .

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    3. António Luiz Pacheco3 de julho de 2013 às 16:28

      Tou à espera!

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  6. Ó Pacheco

    Realmente os filmes do Tolkien são talvez dos únicos filmes que serão melhores que os livros.
    SeverinoXará

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  7. O que significará Xará?

    "BLONDIE" da Joyce Carol Oates?

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    1. "BLONDIE" da Joyce Carol Oates - alguém leu?

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    2. António Luiz Pacheco3 de julho de 2013 às 05:36

      Xará é um termo africano que se usa em relação à pessoa que tem o mesmo nome que nós!

      Como somos ambos António, és o meu xará!!!

      Fica bem, estamos juntos, iá!

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  8. Houve alguém que disse que se o Balzac soubesse escrever, seria o melhor escritor de sempre, já não me lembro quem foi. Desde que me lembro que tento encontrar uma tradução da Comédia Humana (todos os livros) mas acho que não anda por aí nenhuma. Que me recorde só li a Prima Bette, o Papa Goriot e uma sátira sobre funcionários públicos, à excepção do último são livros realmente dignos de se perpetuarem como obras de arte.

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    1. Ó Courinha o Balzac só escrevia bem após uma boa refeição o que acontecia três vezes ao dia...

      Um àparte e passe a publicidade, mas porque é de toda a justiça - para quem não saiba o João Miguel Courinha (O J M Courinha para as lides literárias) já escreveu um grande livro "FREDERICO GARCIA OU INEXISTÊNCIA INACABADA" (o seu primeiro que vale a pena ler).

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    2. Obrigado! (a dona Ana B. não gostou, ela é má!). Vou-lhe contar um segredo Sr. Severino, já tomo ansióliticos há tanto tempo que não me lembro de quase nada do romance, é mesmo verdade. Mais grave ainda, agora, no segundo romance, há uma parte em que precisava de descrever a decoração de um trono e assim o fiz, utilizei uma história de Persefone, agora, quando fiz a revisão do livro, não fazia ideia do que aquilo se tratava, tive que ir pesquisar outra vez. Agora, como tenho muita tendência em trabalhar sobre emoções que me marcam muito, tenho medo de me estar a repetir a cada livro que passa. É uma desgraça.

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    3. Nunca me perdoaste, Courinha ...
      Mas eu nunca disse que não tinha gostado do livro. Disse que o livro estaria a precisar de uma boa revisão e que se notava a falta de um bom editor. Apenas isso. Não deturpes a coisas... ai, ai, ai

      Pronto, posso até não ter gostado muito do livro, mas gosto muito de ti! :) Agora diz lá se isto não é mais importante... :)

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    4. Ai ai! A tua sorte é pores fotos de gaijas boas no facebook e teres gostado do segundo livro! Senão!! Beijinhos.

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    5. João Courinha
      Atenção que estou na lista para a leitura do 2º livro!!! Conto lê-lo a partir de finais de Setembro (tive de adiar o que tinha em mãos hélas...).
      Quanto à ana b. oh João, isto já só vai com o cajado!!!Beijinhos.
      Isabel

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    6. Acho que a Ana já está para além da taxa de sucesso do cajado! Mas a Isabel leu o primeiro? Não leia! Só a segunda edicão que foi revista! Senão tenho que comprar um cajado maior!

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    7. Desfolhei-o somente, entretanto já me tinha dito para não o ler e eu sou muito obediente!!! Poupe lá uns trocos e não compre o cajado maior! Beijinhos
      Isabel

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    8. Espero que o tenho folheado e não desfolhado que isso fazia imenso lixo e era um bocado ofensivo! Hahahaha!

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    9. Courinha então eu não comecei a ler O COMPLEXO DE PORTNOY , como se fosse a primeira vez que o lia, e já o tinha lido há cerca de um ano, acabei por relê-lo todo, claro. Eu esqueço-me muito depressa dos temas dos livros, salvo raras excepções.

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  9. Há uma edição portuguesa da Comédia Humana, mas julgo que a editora já encerrou. Não estou em casa, não posso garantir, mas creio que era a Civilização. Aos poucos fui reunindo os volumes que a compõem, talvez me falte apenas o "César Birotteau ".
    Gosto tanto que chego a vê-la como um monumento.

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