Um rato pariu a montanha

Quando no mês passado acompanhei Nuno Camarneiro a uma sessão na Livro do Dia, em Torres Vedras, o proprietário ofereceu-nos a ambos, no fim da sessão, um livro que publicara (a livraria também se dedica à edição) intitulado Mister Mouse ou a Metafísica do Terreiro (do autor francês Philippe Delerm) que achava não ter tido o acolhimento da crítica e dos leitores que efectivamente merecia. Li-o de um fôlego (até porque tem poucas páginas) e achei-o realmente uma delícia. Mr Mouse, o protagonista, é (nem podia deixar de ser) um rato, um rato muito especial – e é a sua vida quotidiana, na companhia de Emily, a mulher, e dos ratinhos Morty e Jenny, os filhos, que nos é descrita na novela através de pequenos episódios coloridos e inteligentes. Mr Mouse tem uma quedazita para a metafísica, gosta de fumar cachimbo e de comprar no comércio tradicional, mas sobretudo de escrever uns textos autobiográficos que mostrou a um escritor conceituado que admira muito. E é também um pai babado (o que por vezes aborrece um bocadinho os filhotes). Pois bem: este rato do campo (vive numa vilazinha que parece simpática) é um pouco cada um de nós, com os seus dilemas, as suas dúvidas e as suas alegrias inconfessáveis. Um bonito texto que alguns adolescentes com queda para a filosofia também apreciarão.

Comentários

  1. A propósito de Torres Vedras, já que sobre o livro citado não me pronuncio porque me é totalmente desconhecido, não posso deixar de referenciar a excelente biblioteca que possui aquela linda cidade (não tem só cabeçudos).
    Aqui há tempos publiquei no meu blogue (é verdade também tenho um blogue, mas atenção que não é nenhum facebook , que não tenho- escrevo fundamentalmente para mim sobre os livros que leio e derivados) pois aqui há tempos escrevi sobre as bibliotecas que conheço umas muito boas, umas boas e algumas más, conheço algumas, isto por via da minha profissão "caixeiro viajante". Seria um bom tema para um próximo post aqui no nosso blogue - AS BIBLIOTECAS QUE CONHEÇO-.
    Um abraço para todos os leitores extraordinários.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Severino,

      Por acaso li esse teu post sobre as Bibliotecas que conheço e, digo-te francamente que, adorei!

      Um abraço,
      Carla Pais

      Eliminar
    2. a sério??? obrigado. Como é que chegaste ao blogue? (é que eu não o divulgo a ninguém)

      Eliminar
    3. Não sei exactamente como lá fui parar... Mas há uns tempos li um post, num blog que não conhecia, sobre as bibliotecas que conheço. Falava de uma data delas espalhadas em capitais Europeias e de outras de bairro, as tradicionais, como as antigas tabernas. Sei que adorei o post e francamente como falaste nisso, achei, no imediato, que fora aquele que li... Diz lá qual o endereço do teu blog. Vá! Não podes vir aqui espicaçar as pessoas e depois não nos deixares ler...
      (se não foi o teu post que li, perdoa-me tenho cá pra mim que tenha sido) Foi ou não?

      Eliminar
    4. Creio que sim.
      Até amanhã, vou matar o vício (vou até à Feira do Livro...ainda ontem à noite lá estive)

      Eliminar
  2. Ontem ao fim da tarde, no regresso de Santarém, estive na Feira do Livro.
    Apenas comprei 2 livros, um que me tinha sido emprestado por um amigo - A TRÉGUA de Mário Beneditti , que adorei. e quando gosto de um livro que me é emprestado compro-o sempre, porque quero tê-lo. Comprei também um livro de reflexões (muitas sobre livros) do Javier Marías "LITERATURA E FANTASMA".
    Queria comprar o nº. 1 da GRANTA mas não comprei porque € 18,00 me parece um preço demasiado exagerado, o Sr. Carlos Vaz Marques tá "armado" em novo rico...
    Não consegui encontrar os livros que tencionava comprar:
    ARGUS-Allain Villiers -sobre a pesca do bacalhau
    O PRETO DO CORAÇÃO BRANCO - Arthur Japin
    O DICIONÁRIO DOS LUGARES IMAGINÁRIOS-Alberto Manguel e Gianni Guadalupe (o atrasado mental da APEL que procurava no computador o livro (Alberto quê?perguntava ele? mas olhe que dicionários talvez na Porto Editora...), cada livro que lhe pedia arreganhava a carantonha como se lhe estivesse a pedir batatas porquinhas lá na mercearia, tristeza, não sabia nada de nada...)

    ResponderEliminar
  3. Este ano ainda não fui à feira da Leya e da Porto Editora, há alguma novidade?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Amigo João Courinha novidade haveria se o teu segundo livro já tivesse sido lançado.
      Agora a falar a sério, gostei muito do teu primeiro livro, a prometer muito muito - para quando o 2º.? Quando vou à feira, para além de já saber o que vou comprar (levo apontado como se fosse ao supermercado) nunca vou à procura de novidades, vou sempre à procura de "raridades", aqueles livros que às vezes encontramos nas prateleiras em saldos, certamente por desconhecimento do vendedor, e que por vezes são excelentes.É que novidades em literatura cheira-me ao 525 (José Rodrigues dos Santos), a Dan Brown e a outras "linhas de produção" similares...
      No Saldanha, em Lisboa, aqui há uns 10/15 anos, talvez nem tanto, havia um vendedor de livros (o Açoriano -debaixo das arcadas dum prédio -tipo túnel- ao lado da sapataria, para quem conheceu) que fazia o preço consoante o semblante do comprador quando este pegava no livro; curiosamente não lgava à vestimenta da vítima.

      Eliminar
    2. Esta do João Courinha - Feira da LeYa e da Porto Editora tá muito bem metida...

      Eliminar
    3. João, por acaso até há lá outras "barraquinhas" mais antigas. E é um facto que uns se conseguem modernizar, outros não. Gosto das novas estruturas que permitem pensarmos estar numa rua de livrarias e não numa barraca de feira onde atiramos a um peluche qualquer para receber um prémio. A feira da totalidade dos nossos amigos, os de aqui, deste lugar, é todos os dias nas livrarias, mas vale bem a pena rever «velhos amigos» guardados em armazéns escuros e que vão à rua anualmente à espera de serem adotados .

      Eliminar
    4. Já mandei o segundo livro para varias editoras, mas como só vendi até agora 500 do primeiro, não sei se me safo!!

      Eliminar
  4. Esse Mister Mouse fez-me lembrar o «Firmin» do Sam Savage, que também li de um fôlego, em Julho de 2009.
    É a história de um rato que adora livros, e não só...
    A Rosa Montero, que muito aprecio, diz assim na contracapa: «Firmin foi um acontecimento na minha vida de leitora, um desses raros encontros com uma personagem inesquecível».
    A Planeta diz na capa: «Uma história para todos aqueles que sentem paixão pelos livros».
    E eu digo que, embora seja um «cat lover», adoro ratos de biblioteca eheheh!
    Boas leituras!
    Antonieta

    ps: Extraordinário Severino, diga lá qual é o seu blogue, todos queremos ler sobre bibliotecas, e não só...

    ResponderEliminar
  5. Sou fanática do Philippe Delerm há anos! Devo ter quase tudo o que ele publicou--mas esse ainda não!! Vou já procurá-lo.
    Além de ser um excelente escritor (a todos os deprimidos eu dou sempre "La première gorgée de bière"..) é pai do Vincent Delerm, um dos intérpretes da nova canção francesa...e muito bom!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O Delerm foi uma das razões porque entrei no mundo da edição. Tinha lido tudo o que dele chegava a Portugal e aproveitei uma viagem a França para trazer mais umas raridades. Quando comecei a pensar fazer uma editora, o Delerm estava na lista das prioridades. Cheguei a tentar telefonar para casa dele, mas só consegui falar com um amigo, que me disse que, apesar de ele não gostar muito de sair do seu "ninho" teria muito gosto a ser editado em Portugal. Tive que esperar a chegada da Livrododia para, finalmente, cumprir esse sonho. O Mister Mouse não é o melhor livro dele, mas era aquele que me parecia poder encontrar mais público por cá. Tive o prazer de, para além de editar, participar da tradução do livro, dando-lhe a musicalidade que a escrita do Delerm tem (e que não havia sido respeitada noutras traduções). Já foi em 2007! Apesar de todo este tempo passado e de a minha vida ter agora muito pouco que ver com edições, fico muito contente por este livro continuar a ser lido e descoberto pelos verdadeiros leitores para quem foi feito. Obrigado, Rosário!

      Eliminar
  6. Um rato que escreve textos autobiográficos hein

    ResponderEliminar
  7. Este Extraordinário blogue conduz-me a autores que eu provavelmente nunca alcançaria. Cá vou recolhendo os preciosos dados que me faculta. E então no que respeita a novos autores portugueses...

    Mas nos que tenho lido - magníficos, imaginativos, empolgantes até - fico todavia exasperado com a sintaxe e a pobreza vocabular. Para compensar esses aspetos vejo-me forçado a mergulhar num Aquilino, num Camilo ou num (mais próximo) Saramago.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Um sentimento que às vezes partilho, um pós modernismo muito avant - garde que sabe a pouco!

      Eliminar

Enviar um comentário