Telepatia

É francamente louvável o trabalho dos humoristas que, na rádio, nos jornais ou na televisão, têm de construir diariamente um texto com graça e substância – uma tarefa seguramente muito difícil, mesmo que a criação se traduza apenas em meia dúzia de linhas ou quatro vinhetas com balõezinhos. Obriga decerto a uma grande atenção à actualidade, a muito tempo a ler jornais de todo o mundo, implica espírito crítico e capacidade para a sátira, enfim, não é para qualquer um. Presumo que os humoristas tenham todos traços comuns, sejam afins em muita coisa, e que o mesmo clique os desperte quando ouvem uma história. E confirmei-o no sábado passado quando lia os jornais do dia e me apercebi de que, em dois diários diferentes, os cartoons não só se referiam ao mesmo assunto, como o abordavam exactamente da mesma forma. Aparentemente, um estudo recente mostrou que a maioria dos europeus acredita que o dinheiro vai desaparecer e ser substituído por outras formas de pagamento. Pois no Diário de Notícias José Bandeira, o criador de Cravo & Ferradura, afiançava que, quanto a isso, os Portugueses estavam muito à frente dos outros europeus, já que em Portugal «o dinheiro simplesmente não aparece e pronto»; no Público, Luís Afonso, o pai dessa tira deliciosa que é Bartoon, avançava que, efectivamente, «os Portugueses […] acreditam que o dinheiro já desapareceu». Parecia, em suma, que tinha havido uma espécie de telepatia.

Comentários

  1. embora este caso seja diferente, também há alguma falta de imaginação por aí.

    é comum fazerem-se capas de jornais iguais, com a mesma fotografia e textos quase gémeos (então na imprensa desportiva...).

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  2. António Luiz Pacheco27 de junho de 2013 às 03:27

    Ando um bocadinho afastado, mas não do humor!
    Eheheh!
    Para mim é uma componente da vida, e diário... se bem que me arrisque por vezes a ser tomado por maluco, mas não resisto exactamente a dizer uma coisa absurda nos lugares mais sérios e ocasiões formais... como reuniões e de modo a que fiquem sem saber se estou a falar a sério.
    Felizmente em África o riso é fácil e grátis e bem-visto, o humor é uma forma garantida de se estabelecer uma relação imediata de proximidade.
    Aqui há humoristas... até pus um no facebook, o impagável Dr. Martins, especialista em diversidade animal! Fabulosa a sua explicação de que cada animal não pode ser classificado como aéreo, aquático ou terrestre - isso é onde ele mora! O animal pode ser tudo isso... um cão a nadar é animal aquático! E vôa! Atira ele da varanda e vai ver ele voa... aterra rápido... mas voa!
    E tem tiques e expressões faciais engraçadíssimas!

    Modo geral o africano é bom actor... se os ouvissem a contar um caso, a dar explicações ou desculpas... a Tereza ganharia um Óscar na categoria de drama e o Jamba outro na comédia!

    Claro que, e como diz a Extraordinária Anfitriã, o humor tem o seu contexto e depende muito do meio envolvente!

    Quanto à telepatia, hum... se calhar é no que dá a fonte de inspiração serem os media, é a mesma... logo inspira as mesmas idéias. Será?
    É uma questão de imaginação...

    Ainda hoje de manhã, vendo o jardineiro com o seu ar grave e sério, ordenei que mantivesse o portão fechado para não entrarem mosquitos no quintal! Ficou por um bom bocado com um ar muito sério a olhar para mim, a pensar... e depois desmanchou-se num riso e bater de palmas infantil que me fez a mim rir! E fiquei mais bem disposto!

    Saudações Kaluandas

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  3. Sempre que me lembro de ouvir o Portugalex (antena 1 às 07,55h) é gargalhada garantida.
    São mesmo divertidos!
    Quanto às tiras de jornais, adorava a Pantufa Negra do Expresso, foi pena ter acabado.
    :)
    Antonieta

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    Respostas
    1. Caríssima Antonieta, também adoro o Portugalex ! E quando não se proporciona ouvi-los na rádio, faço-o na net . Que dois! Eles imitam tudo. Até os sons. São muito, muito bons.

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  4. A crer no que disse ontem RAP, para haver um bom texto é necessário que exista inclinação para o humor e muito trabalho sobre ela. Não sei por que concordo. Mas sim. Os humoristas fazem falta ao mundo da patetice. E noutros.

    Mas o sentido de humor, esse é que sim.

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