Professores de Tróia
Como os professores estão nas parangonas nos jornais, é deles que hoje falarei. Na última Feira do Livro de Lisboa, veio ter comigo uma professora de Língua Portuguesa que se apresentou, entre outras coisas, como leitora deste blogue. Disse-me que sabia que eu não tinha simpatia pelo presente Acordo Ortográfico (AO) e entregou-me meia folha A4 com um texto em que se explicava sumariamente que as escolas vivem hoje um autêntico caos linguístico, coexistindo no ensino da língua portuguesa três grafias: a do português pré-AO, a do AO e ainda outra, que é uma mistela de ambas e em que tudo parece ser permitido. Os maiores prejudicados por esta situação serão, muito naturalmente, os alunos, que aprendem uma coisa num ano e outra noutro, vêem os pais escrever de forma distinta daquela em que estão a ser ensinados e são penalizados nas notas pelos erros que muitos pais e professores não acham sequer que sejam erros. Diz ainda a nota que os professores são os Cavalos de Tróia desta operação com a qual frequentemente não concordam, vendo-se obrigados a ir contra a sua consciência. Em suma, pelo futuro dos alunos, criaram o grupo Professores contra o AO no Facebook e pedem a quem os apoie que adira em http://www.facebook.com/groups/178207905663865/ ou siga o blogue Português de Facto (http://portuguesdefacto.wordpress.com/). Se quiserem dar a vossa opinião, os professores em causa (ou pela causa), agradecem.
CAOS LINGUÍSTICO - é o termo exacto, nem eu, às vezes, já sei se deverei escrever assim ou assado; é uma confusão tremenda pois uns são a favor e outros contra, logo já ninguém sabe a que horas anda. Atenção é que está mesmo criado um caos linguístico que, no futuro, poderá ter gravíssimas consequências na língua portuguesa.
ResponderEliminarMais grave ainda é eu no sábado ter lido no DIÁRIO DE NOTÍCIAS, sobre uma notícia de um assassinato num infantário, CRECHE escrito CRESCE (assim tal e qual cresce de crescer); DIÁRIO DE NOTÍCIAS atenção!
E em rodapé na TV - que calamidades, como é que esta gente há-de saber ler ou escrever.
Por força da minha profissão contacto com muitíssimos licenciados que não sabem compôr uma frase, acreditem, absolutamente incapazes...
Oh Severino e eu estou na mesma... Às tantas já nem sei se escrevo português ou que língua... Palavras que me soam mal, que me desaprendem por completo. E o pior é que os erros daí adjacentes são encarados com normalidade: Neste momento o AO serve de desculpa para tudo até para nos enlouquecer...
EliminarAbraço.
Carla Pais
Ó Severino, então não está a ver? “Cresce” é o local onde os miúdos estão a crescer. Tem lógica.
EliminarNão me dá jeito escrever segundo o actual AO, mas sei que isto passa com o tempo.
Quando eu era miúdo havia ainda muitas palavras que os meus pais e avós escreviam com ortografia antiga, e eu fui-me adaptando à do meu tempo.
Cresci na coexistência de três gerações com duas ortografias. Sem dramas.
Talvez, como recomendam aí abaixo o Artur Águas e o Paulo Oliveira, seja prudente irmos com calma, que isto acaba por se compor.
Entretanto, vamos dizendo aos miúdos: “creche e aparece!”
(Mas isto apenas oralmente, para não criar mais confusão…)
Não dá para acreditar no que se passa nas nossas escolas...é o caos. A pouca vergonha é de tal ordem que se assiste a coisas inacreditáveis... Srs professores que fogem do português como o diabo da cruz e diariamente se vêem a afixar trabalhos feitos pelos alunos...copiados na internet tudo abrasileirado errado e "gatafunhado" tudo igual, uma coisa ridícula. E os Srs professores nem se dão ao trabalho de corrigir ou tão pouco de não admitir...uma tristeza.
EliminarNós, portugueses, somos especialistas em ligar o complicador.
ResponderEliminarO AO é a ortografia do país âncora da língua portuguesa: o BRASIL com os seus 250 milhões de falantes. E não vale a pena andarem os reacionários a difundir a mentira de que o AO só entrará em vigor no Brasil em 2015; a verdade é que o AO foi aprovado há anos no Brasil e 2015 será o ano a partir do qual haverá tolerância zero no Brasil para quem escrever de outro modo.
O AO foi aprovado pelo governo português, felizmente todos os livros do ensino obrigatório já são escritos segundo o AO e todos os estudantes deviam ser avaliados ortograficamente com um único critério: escreverem segundo o AO.
Infelizmente, as gerações mais velhas (pelos vistos, professores incluídos) reacionariamente complicam a vida a todos, em particular aos jovens, com o seu apego conservador e a sua resistência à mudança.
Somos complicadores natos.
Amamos escrever letras que não são lidas !!!
Não temos salvação.
Que nos valha o BRASIL para que a língua portuguesa se salve e avance em direção ao futuro.
Como já não sou novo, arranjei um corretor e a coisa funciona sem caos nenhum. Aliás, dei-me ao trabalho de analisar o caos existente no texto de MRP, 128 palvras se bem contei, e encontrei dois acentos a mais em duas simples palavras: vêem e Tróia. Isto é um grande problema? E há por aí tanta outra causa onde se pode exercitar a consciência com mais proveito para todos, em particular a dos professores.
EliminarNão me parece Artur que, neste caso, tenha a ver com a ligação do complicómetro . Creio que tudo estará ligado aos mais altos interesses (quais??). O que eu não sabia é que o Brasil é o país âncora da língua portuguesa (as coisas que eu aprendo aqui...), então e Portugal é o país quê? Lá tou eu feito burro.
EliminarOs mais velhos complicam a vida aos mais novos??? mas os mais novos sabem escrever? sabem ler? que percentagem? sejamos intelectualmente honestos -que é algo muito difícil-!
Portugal contribui com 1/30 dos falantes de português. É muitíssimo mais provável que o português sobreviva graças ao Brasil do que a nós. Brasil cuja invenção é a obra suprema do génio português. A criação da mestiçagem é o nosso maior contributo para a Humanidade. E vão ser os mestiços que farão a língua perdurar, não os envelhecidos cidadãos deste país que é irrelevante no seu próprio continente.
EliminarÓ Artur mas olha que às vezes também coçamos onde não temos comichão.
EliminarTem graça: fiz logo o mesmo exercício que o Paulo Oliveira, talvez por deformação profissional.
EliminarAndamos há dois ou três anos a converter manuais para o acordo e não são assim tantas as palavras que mudam. Quanto à coexistência no mesmo nível letivo, se existir não devia porque há um calendário que foi definido pelo Ministério da Educação para a introdução do Novo Acordo Ortográfico, de forma a evitar isso mesmo. É claro que isto não evitou que por exemplo o meu filho começasse a ler sem o novo AO e agora tenha terminado o 1.º ciclo perfeitamente adaptado ao novo AO. Bem haja à professora que soube adaptar-se a isso (e também a novos programas e até às Metas Curriculares). Acredito que para professores que lecionem vários níveis de ensino, possa ser complicado, mas isso estará resolvido dentro de um ano, salvo erro, altura em que o novo AO será obrigatório em todos os níveis de ensino.
Hoje já estranho ler sem o novo AO. Ainda assim, escrever Egito e egípcios ou as regras dos hífenes ainda me causam confusão, mas tirando isso, acho mesmo que o novo AO simplifica imenso a nossa escrita.
Egito e egípcio vão-nos molestar tanto daqui a pouco quanto nos molestam agora lua e lunático (a propósito, ver uns palpites mais abaixo sobre as consoantes que caíram primeiro).
EliminarO que eu fico feliz pelos revolucionários da língua, acordistas modernaços. Não fossem eles e todos os acordos ortográficos ao longo dos séculos e ainda falávamos todos.... latim! bem-hajam. Ou bem-ajam. Ou benajam. Ou beiajaão.
EliminarAcho muito mal o Garcia Pereira, o Manuel Alegre e o Ricardo Araújo pereira serem reaccionários, por causa de pessoas como eles é que corremos o risco de não evoluirmos.
Agradeçamos, por outro lado, ao Cavaco Silva e ao Pedro Santana Lopes, verdadeiros camaradas da revolução linguística.
Errado. O Brasil não tem 250 milhões, mas uns 196,7 (fonte Wikipédia).
EliminarAlém disso, demografia é falso argumento. O Brasil não é âncora de nada em relação ao Português. A língua nasceu na Galiza. Como o Inglês nasceu na Grã-Bretanha e não nos EUA.
Inform-se sobre línguas minoritárias, de pouco mais de meia dúzia de pessoas à escala mundial como o mirandês, o luxemburguês, o alsaciano, o veneziano, e outros dialectos. E línguas nacionais como o sueco. Todas elas línguas valorizadas por quem as usa!!! Só por falta de brio pelo que nos é próprio se podem dizer tais coisas, essa atitude bisonha de ter de pedir desculpa por existir.
Além disso, o que se fala no Brasil é centrífugo em relação ao Português, e a a própria natureza das coisas fará que se torne, já seja na oralidade, outra língua.
Converter o português escrito a um mínimo denominador comum pelo padrão brasileiro é outra asneira, sendo que a literacia e o alfabetismo portugueses são muito maiores do que os brasileiros. Logo, a força cultural, e da educação é que se deveriam impor, não a demografia nem o dinheiro (o logro do grande mercado que é o Brasil, face ao pequeno que é Portugal).
Eu, leitora assídua deste sitio, "reaccionária" e "mais velha", quero dizer, com o devido respeito por todos, que reaccionária é a prima!
ResponderEliminarCumprimentos
Ana Peixoto
Completamente de acordo Ana Peixoto!
ResponderEliminar«Amamos escrever letras que não são lidas». É de supor, portanto, que a criatura que assim pensa, e que não é «rea(c)cionário» nem «conservador» nem «complicador», escreve, por exemplo, «omem», «umanidade», «úmido», «umilde», «ino»...
ResponderEliminar... E que, insurgindo-se contra as «gerações mais velhas» que têm «resistência à mudança», mais não demonstra o seu carácter (ou falta dele...) totalitarista. Não devia ir para o Brasil mas sim para a Coreia do Norte. Onde poderia «avançar (em passo de ganso e com o braço direito levantado) em dire(c)ção ao futuro».
A todos os que reagiram ao "reacionário", por favor esclareçam-me um mistério: porque amam escrever letras que não lêem?
ResponderEliminar[é que já estou na meia-idade e não tenho tempo a esbanjar escrevendo consoantes inúteis]
Uma característica diferenciadora da nossa língua na sua caminhada desde o Latim face às do contexto ibérico próximo foi a queda de consoantes intervocálicas, na fala e na escrita, em muuuitas palavras. Olha se fosse agora!...
EliminarÓ Artur Águas, o Extraordinário comentador defende o novo acordo e tem o topete de escrever lêem em vez de leem? Quem é que faz confusão? Quem defende, tem de demonstrar que defende...
Eliminaraxo muto bein k s xcreva 100 letras inuteis. eu tãbem axo k tudo o k não é util devia ser xterminado. o ser umano seria muto maiz feliz se se descartaçe de tudu ké inutil. e não tou a a pençar só em letras.
EliminarMas também acrescento o seguinte: deve ser perfeitamente possível discutir (ou desconversar) este apaixonante assunto sem nos despentearmos demasiado, sem nos apelidarmos do que quer que seja uns aos outros. Eu pelo menos tento, certo de que há obviamente razões dos dois lados e seja qual for o resultado final (para mim é este, que mais cedo ou tarde evoluirá novamente), será sempre tão incoerente quanto o é, felizmente, a própria língua. Be cool!
ResponderEliminarUps! Só li o seu post depois de ter escrito o meu! :D
EliminarCoitadinhos dos professores... O cavalo de Troia... vejam bem! Uma profissão em que não se faz só o que se quer! Hoje em dia inventam qualquer coisa! Eu por exemplo, tenho um tractorista convicto em fazer herbicida na cabeceira da linhas, é assim que ele gosta, e eu calo-me, apesar de querer de outra forma. Porquê? Porque senão ele faz o movimento de tractoristas contra o herbicida só nas linhas. Epá tenham juízo e vejam que tudo flui numa direcção que se adivinha, têm pesadelos com o acordo ortográfico? Acordam a meio da noite todos suados? Não? Então façam um movimento qualquer que se aproveite, como trabalhar 40 horas, em prol do alunos, claro.
ResponderEliminarMeu caro, lamento dizer-lhe que não sabe do que fala, pelo que é melhor informar-se primeiro. Por exemplo, lendo isto:
Eliminarhttp://jose-catarino.blogspot.pt/2013/06/da-luta-dos-professores.html?m=0
Um abraço
JCC
Bem. Como não sei se alguém vai ler o blog, permitam-me que copie para aqui a verdadeira odisseia física dos professores que envergonha qualquer mineiro, o trabalho mental extenuante que faz corar o consultor, as horas de trabalho quase infinitas que ao médico só podem arrancar uma vénia, e o confronto com seres de índole instável que só o guarda prisional pode entender:
Eliminar"A profissão de professor, aparentemente invejada por alguns, nunca foi de vida fácil. Quando eu estava no activo, costumava dizer que devia ser a única em que só se pode mijar de 90 em 90 minutos. Das poucas que exige concentração total durante hora e meia, para logo, após intervalo minúsculo que mal dá para mudar de sala e ir às sanitárias, voltar ao mesmo. Um olho no burro, outro no cigano. A antecipar problemas, a tentar atalhá-los na origem, antes que pequena fagulha se transforme em incêndio dificilmente controlável. E, simultaneamente, a tentar ensinar algo que reputamos importante. Interpretar um poema, por exemplo.
Trabalha-se por prazer quando as turmas são boas, quando os alunos querem aprender e questionam o professor, exigem dele entrega total. Pelo que sairá exausto, vazio, para descontrair e recarregar após breves minutos de disparates na sala de professores -- para nova sessão. Que pode ser com turma mediana. Daquelas que não se porta mal, apenas se está nas tintas para o que o professor diz. Ou uma da más, talvez com alunos embriagados, alguns aparentemente drogados, outros a provocarem zaragata, com os colegas, com o próprio professor. Talvez façam concursos de peidos, e interrompam constantemente o professor a queixar-se do mau cheiro, a querer abrir janelas para que a arruaça de fora e a de dentro se confundam numa só.
(Dei por mim a desabafar: era professor de Português com formação em literatura e especialização em linguística, hoje trabalho como segurança. Sem os meios necessários e suficientes para impor a disciplina. Talvez por me saberem karateka, nunca me agrediram, embora, por vezes, pouco tenha faltado.)
E o resto. A burocracia estúpida, inútil, ridícula. A roubar tempo, muito tempo, escasso para aquilo que deveria ser o cerne da profissão: o trabalho com os alunos. Os pais, quantas vezes sobrecarregados com problemas, não raro a pedirem ajuda para se tentarem entender com os filhos. A desabafarem os seus dramas pessoais, conjugais, familiares, profissionais. Os avós, que tentam educar, na falta de pais que o façam, os netos. Angústias, sofrimentos alheios que levamos connosco para casa, agravados pelo desespero de pouco podermos fazer para ajudar quem precisa -- o avô cuja neta anda na má vida, o pai cujo negócio avizinha a falência, a mãe desempregada, aquela cuja filha adolescente engravidou...
Os conselhos de turma, As reuniões de grupo e de departamento, de clubes, de projectos. O serviço de exames. O trabalho de corrector, com prazos exíguos, grandes exigências, pressão enorme. E o resto. Tanto, tão fastidioso, que poderia ficar toda a noite a descrevê-lo.
Mas o pior está para vir. Ameaça de desemprego, precariedade, leccionação simultânea em várias escolas. Aumento brutal de horário, sem ter em conta que o trabalho do professor na escola é a parte visível do icebergue. De longe a menor.
Não surpreende, portanto, que os colegas queiram lutar. Se eu estivesse no activo, fá-lo-ia, mesmo sabendo que ia perder. Mais uma vez por culpa dos sindicatos, incapazes de definir uma estratégia de luta que vise a vitória e não a propaganda. Ou porque querem os professores revoltados, descontentes, para os poderem usar quando lhes convém -- ou aos partidos de que são correia de transmissão"
Tenho uma lágriminha no canto do olho, só me ocorre dizer "Oh... the humanity!"
O trabalho do professor não pretende envergonhar os mineiros, nem fazer corar os consultores, nem arrancar vénias aos médicos, nem conseguir a compreensão dos guardas prisionais — os as lágrimas do João Courinha. Pretende educar-lhes os filhos, ajudá-los a aprenderem o suficiente para poderem enfrentar a vida e as suas dificuldades.
EliminarSuponho, aliás, que mineiros, consultores, médicos, guardas prisionais, o João Courinha — terão frequentado a escola e não hesitarão em reconhecer o muito que devem aos seus professores, sem os quais talvez nem soubessem escrever.
Estamos a chegar onde eu pretendia. Isto é uma espécie de intrincada teia onde todos são de alguma forma precários (por favor não mencionem carros de alta cilindrada). A minha ex-mulher é Procuradora, todos os anos muda de comarca e não se queixa, porque só pode estar onde é precisa, eu sou agricultor e hoje fico acordado a noite toda porque estou a regar as amendoeiras e tenho que adubar, e por aí em diante, em todas as actividades. O problema começa com a conversa dos direitos adquiridos, que se deviam chamar direitos arrendados, arrendados enquanto houver forma de pagar a renda. Pode-se ouvir falar a miríade de comentadores que nos tentam infestar diariamente, mas a verdade é que, até há coisa de uma década, tinhamos tudo e mais alguma coisa "adquirida" porque uns desgraçados do outro lado do mundo, comiam sola de sapato e porradas nos cornos. Felizmente esses desgraçados já comem melhor e como essa borboleta bateu as asas na Asia o senhor em Portugal trabalha 40 horas! (não me leve a mal, mas gosto de me expressar assim)
EliminarIdeias interessantes, embora fujam ao tema do post e me desagrade discuti-las em casa alheia. Aparentemente, temos muito em comum: a escrita, a agricultura, pouco apreço pelo convencional...
EliminarNão percebi a frase final. Se o senhor sou eu - Zé para os amigos - não trabalho 40 horas porque estou aposentado. Pior ainda, não é?
Naa, o "senhor" referia-se aos professores! Já estou a levar outra vez com a da casa alheia! Ao menos hoje é relacionado com o post! Sabia que
Eliminarás vezes entro aqui na casa com as botas enlameadas? Mas enfim. Qual é a sua agricultura? Também gosta de jardinagem?
João Courinha, permita-me dizer-lhe mas a sua ironia é deliciosa.
EliminarFaço agricultura variada, de subsistência-- é tudo para consumo próprio, das famílias das minhas filhas e da minha (somos 10 pessoas de apetite, até agora), de outros familiares e amigos. Um pouco de quase tudo: vinho, batatas, feijão, milho, horta abundante... Aprecio e cultivo flores e plantas ornamentais, mas não faço jardinagem. Quero, aliás, começar a misturar tudo, à antiga. Hoje colhi alhos e cebolas, pêssegos, alperces, pêras "de água", mondei e apliquei canas no feijão verde...
EliminarRecomendo vivamente a leitura de Vogais e Consoantes Politicamente Invorrectas, de Pedro Correia. Depois pode-se discutir, tomando partido a favor ou contra o AO, apoiando ou rebatendo as posições bem fundamentadas do autor.
ResponderEliminarIncorrectas
EliminarSobre os AO’s entre Portugal e Brasil, aconselho os Extraordinários defensores do actual Aborto Ortográfico a lerem o Volume I da actualização da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Julgo que o autor deste Verbete, apesar de verberar esses acordos, foi um dos que participou no mais recente. Sobre o de 1945, diz ele: “Nesta questão da Ortografia, tem-se falado bastante naquilo em que Portugal transigiu para satisfazer os Brasileiros e no que estes tiveram de aceitar a fim de contentar-nos. Muitos portugueses acham que a nossa ortografia, tal como está, é vexatória para a Nação, e os Brasileiros, claro, são de opinião contrária, e por isso não respeitam o Acordo.”
ResponderEliminarIsto em 1945! Tal como agora, onde os portuguesitos “cumprem” o Aborto e os brasileiros mangam com ele.
Faça-se uma actualização linguística, como já se fez nas esdrúxulas e ditongos crescentes, mas tenha-se em atenção a escrita e a fala do Povo Português: Marimbo-me (perdoem-me a expressão) para a estatística que dá a Portugal um trinta avos do português falado pelo Mundo. Quero perguntar a esta gente o que significa isso para o nosso déficit? Quantos livros impressos em Portugal ou escritos por autores portugueses são editados nos restantes vinte e nove trinta avos?
Quem quiser ficar de cócoras, fique. Com esta trapalhada do Aborto eu não alinho, principalmente porque ainda não cheguei a entender a razão de algumas alterações ridículas e inócuas em termos de linguagem escrita (e não estou a referir as consoantes mudas, embora uma delas transforme um facto em fato e gravata).
Infelizmente tenho visto muitos dos que querem “cumprir” o AO a escreverem deficientemente dentro e fora do AO – será que é culturalmente correcto e “fica bem” ser um aluno aplicado e aceitar todos os ditames dos forjadores de línguas?
Estava para aqui a enviar um texto acordado-ortografado » quando repentinamente me apercebeu, eu, um apóstata do AO já convertido, estar a interromper o início da minha página 107 do meu novo livro com um de cinco títulos possíveis para já - chame-se-lhe «A arte da...». E para confirmar que este AO até pode ser quase benigno, introduzi-o para confirmação, só como tira - teimas, já que desconfiava da resposta, num conversor:
ResponderEliminarA “Velha” fora levada quase às costas pela irmã e sobrinhos a um passeio pelas faldas do Douro. Andava preocupada comigo e não se queria afastar, mais a mais encerrada num vagão barca, rodeada de água por todos os lados e com serviço cinco estrelas: de um rio lindo, mas a que faltava a emoção dos rápidos e das cataratas.
Como habitualmente, naquele hábito que gera costume, a velha já se aparte de mim sem uma despedida, vida de médico sempre em prontidão, vida de médico feita na solidão dos doentes e dos necessitados de um afago. E a mulher? Pois, já sabia que assim iria ser: «Vida de médico!»
A história de Paulo, o morto, está cada vez mais confusa na minha cabeça. Esse absoluto que nos devora, não parece querer fazer tréguas comigo.
Procuro em vão o “Livro” pela secretária. Nada! Aborreço-me, como sempre, com esta mania absurda por parte da Irene, a empregada, de querer colocar todas as coisas no lugar como se a ordem das coisas pudesse ser resolvida encostando lombadas com lombadas, capas com capas – «Sim! O estado de esgotamento da minha livralhada, já obriga a estacionamento em segunda e terceira fila: Maldito tráfego!»
PAS
E, ops , antes e depois do AO, o texto está… igual! Muita paz e amor, amigos extraordinários, que há coisas hoje bem mais importantes: a fome que por aí grassa... e não só de pão... também de afeto ... ou será que é afecto? Bem, sigamos...
P.S. Aquele PAS deve ser lido como «PAZ»! Abraço e beijinhos a todos e todas...
EliminarCansei da história do AO. Nem é nem deixa de ser. Decidam de uma vez. Ao menos isso, façam. O caso já está para lá do bem e do mal. O nim é que não. É que temos de continuar a escrever.
ResponderEliminarVivam Todos... vou comentar atrasado aqui da terra dos kaluandas
ResponderEliminarLi a correr e com pouco tempo (é pena pois não o merecem nem o tema nem as intervenções) mas, não sou nem a favor nem contra... admito que já não escrevo "cãis", nem "pae", ou "lectras" e nem "pharmacia" ou "chimico". Todavia li muito livro com esta grafia e nunca me atrapalhou nem fez dar mais erros na escola!
Mas, faz-me muita confusão escrever Egito!!!! Ou fato (roupa) ou espetador (que assiste ao espetáculo?) ... ai isso faz, e não porque seja relapso à mudança, mas porque são palavras que fazem sentido diferente consoante sejam escritas!
E mais... eu digo espeCtador... como digo EGipto ou faCto e digo redaCção... talvez tenha de ser ensinado também a falar...
Pergunto ao Extraordinário (ou deveria escrever Estraordinário?) Artur Águas, (na minha terra lá no Bairro seria Artur Áugas), se temos um acordo ortográfico ou segundo a sua aversão ás letras que não diz, um acordo otográfico? Hum?
Imagine-se... escrever riu, ou tiu, ou espalho, ou joalho, ou Puarto ou Vuilar de Puerdeizes, pom-e, bão, prexicho, tchiamar, ou chiá com turruadas, cuapetaneia, pêto, pêito, môce... Ahahah! E ainda bebé,bêbê,presedente, présidentchi...
Lembro que a língua-âncora antes do português foi o latim... aliás em boa parte da Europa. E que há mestiços (mulatos) noutras partes do Mundo e não só no Brazil... a língua que se fala em Angola sendo português não é pronunciada como tal!!! E ainda, que para mim o AO é uma cedência excessiva ao novo capitalismo da cultura brasileira, sim!
Não tenho receio de ser português e de me assumir como tal, nem de respeitar a língua que aprendi a falar na escola e não na televisão, a das novelas. Quando li Jorge Amado pela primeira vez já tinha lido Eça, Camilo, Júlio Diniz, Aquilino e Torga. Lamento mas estes instalaram-se primeiro no meu disco rígido e vou ter dificuldade em o limpar e formatar com nova versão de um idioma... é que pela lógica de que os brasileiros são mais, acabaremos então todos a falar um castelhano abrasileirado que vigora na Faculdade de Ciências Agrárias da Chianga, Universidade Agostinho Neto... onde me arrepiei durante os dois dias em que assisti à Conferência Internacional sobre Manio e Conservação das Florestas, onde espanhóis, brasileiros, cubanos, búlgaros e italianos fizeram comunicações tais que tive receio de ver Luiz Vaz romper pela sala de montante em punho! Pobres estudantes a ter de ler e estudar em sebentas assim redigidas!
O único português a fazer uma comunicação (aliás muito aplaudida e seleccionada pela comissão científica para publicação em resvistas e sites da especialidade) foi esta vossa já conhecida e desprezível traça!
Saudações Kaluandas!
Grande confusão aí vai, parece-me, entre ortografia e fonética. No entanto, é verdade que se influenciam e, por isso, António afeiçoou-se a dizer, se bem percebi, Egípeto em vez de Egito . Não é caso, no entanto, para se sentir agora perdido no deserto (ou no Planalto Central). Tal como "antes" escrevíamos consoantes que não dizíamos, nada impede agora que, quem queira, diga, nem que seja por simples objeção de consciência, consoantes que não se escrevem: o Egípeto é ópetimo ! Eu entendo. Só não entendo é essa do Português falado em Angola não ser pronunciado como tal. Então é como quê?
EliminarConfusão nenhuma!!!! O acordo ortográfico a mim soa-me a otográfico! Pois porque em "Lesboa" há uma elite cultural que de fato diz Egito, como diz que muitos espetadores saíram antes do "primáiro" ato... e se no caso das reticências é por afectação, nos demais pronunciam mesmo assim, e, por isso aceitam a nova redação. Eu não digo Egipeto e sim "Egípto", como digo "fácto" ou "ácto". Porquê? Sei lá eu... mas sei que é diferente de fato ou ato...
EliminarTenho a sensação que há uma qualquer ligação efectiva destes factos.
Quanto ao que disse sobre o português que se fala em Angola... bem... oiça a RTP África! Quando ouvir o repórter "dezer" " o presedênte da república" (e não presidente da répública); ou "bebés", em vez de bébés e por aí fora, vai perceber o que eu disse.
Um abraço Kaluanda!!!
Também não sou lesboeta , apesar de habitar e trabalhar nas cercanias. Na minha zona, na Lusitânia Central, todos chamam Puedro ao Pedro, mas todos escrevemos Pedro e nunca verifiquei especiais angústias por causa disso. Também gosto da maneira muito própria como os angolanos alongam e / ou fecham as vogais: é a pronúncia deles e ainda bem que é diferente. Por isso, sou a favor dum acordo global para a ortografia, este ou outro, se for melhor, mas vai ser sempre difícil agradar a todos. Nunca percebi bem porque, mais consoante, menos consoante, um acordo causa tanta revolta. Esta tem, no entanto, um aspeto positivo: quer dizer que quase não há analfabetos e todos têm opinião. Em 1911 não era assim e lá se foi a pharmácia num instante. Abraço.
EliminarMeus Caros e Extraordinários Interlocutores:
Eliminar1- Reafirmo a minha dúvida, por ignorância, em aceitar ou recusar o AO!
2- É claro que aquilo que disse foi sobretudo ironizando.
3- Não tenho qualquer problema em aceitar novas palavras ou grafias!
4- Não tenho mesmo nada contra as diferentes formas de pronunciar... é até interessante e são uma riqueza!!!
5- Aceito de boa mente o que seja normalizar ou facilite a comunicação!
6- Tenho porém dificuldade em aceitar que sem que eu perceba exactamente porquê (eu digo o C) se passem as escrever da mesma maneira palavras completamente diferentes como facto/fato ou espectador/espetador e por aí fora... Isso é que não entra no meu duro bestunto de barrão! E parece-me coisa de simplificar ou nivelar de mais... lá porque no Brazil se diz assim... pois temo que em em breve seja obrigado a dizer ou a usar o termo "colheitadeira" para ceifeira, ou a usar o termo "gradeamento" para gradagem...
Bom fim de semana!
Os brasucas dirão gradagem e nós gradeamento, presumo que dois significantes na nossa língua para o mesmo significado, mas isso nada terá a ver, julgo, com o assunto do AO, nem este obriga a nenhuma pronúncia ou variante. É apenas uma norma de escrita. Essa é a grande confusão, parece-me, e nenhum acordo nos obrigará a falar como os brasileiros, como os micaelenses ou ao contrário. Bom fim de semana.
EliminarPois... continuamos sintonizados em comprimentos de onda diferentes.
EliminarResumindo, apesar dos "ses" e das dúvidas não me parece não me parece bem escrever-se "o espetador viu o personagem espetar...", ou "eu ato o sapato no primeiro ato"; " o usar fato é de fato irrelevante", etc.
Mas tenho a certeza de que toda gente percebeu isso...
Bom fim de semana!
Boa tarde, Maria do Rosário.
ResponderEliminarQueria, primeiro, agradecer a simpatia com que me recebeu quando a abordei na FL. Foi um prazer a breve troca de impressões sobre esta coisa que teima em não nos deixar ensinar o Português e nos perturba a todos os níveis, quer na interpretação e análises de textos quer numa coisa tão simples quanto a descodificação do sentido de palavras contaminadas por esta "doença desortográfica."
Em segundo lugar agradeço a divulgação desta causa que une tantos e tantos no seu blogue. Como eu sempre digo, todos não somos demais.
Um abraço reconhecido.
ana
(só uma pequena correcção que em nada altera o sentido do seu texto: sou professora de Português e não de Língua Portuguesa...)
Tanto barulho por nada !!! Logo no título do blogue Português de faCto... escolheram a palavra faCto com o C assinalado... Má escolha, que esta palavra é das que não mudam com o AO! FaCto, como contaCto, por exemplo, continuam a ter o ''C'', porque em Portugal o mesmo se pronuncia. Em tempo de transição é natural que haja alguma confusão. Também no tempo da minha mãe (mãi) e do meu pai (pae) as houve ! Temos de nos render às evidências - e os milhões de falantes e escreventes do português é que hão de ditar as normas ... Nós temos de nos habituar, que remédio!? Quantos milhares de euros estão já gastos em livros escolares novos? Querem que se deitem fora?
ResponderEliminarApoiado, Luísa. Não sou grande adepta do acordo ortográfico mas vejo muitas vezes este ser criticado sempre com o 'facto' na ordem do dia. Não percebo bem, porque desde o princípio que se sabe que 'facto' continuará a ser 'facto'. Pois se o 'c' se pronuncia... Por outro lado, o 'espectador', para quem quiser, pode continuar a ser 'espectador', pois é admitida dupla grafia (assim como acontece para a palavra 'olfacto'). Eu não pronuncio o 'c' de espectador, mas obviamente, mesmo que um dia venha a escrever segundo o acordo, utilizá-lo-ei.
EliminarNão gosto muito da nova ortografia mas não bato com a cabeça na parede por causa dela. Do que não gosto é que me venham dizer que a língua se tornou mais transparente. Isso é mentira. Por exemplo, não era tão mais próximo da oralidade quando se escrevia "pára" e "para", distinguindo o 'a' aberto do 'a' fechado? É que não somos brasileiros...
A propósito: ver aqui uma pequena história da evolução da escrita e dos métodos de ensino da escrita e leitura. Deveríamos ainda escrever 'orthographia' como no séc XVI (capa de Ortografia da Língua Portuguesa, de 1576)ou 'occidental' como no séc XVIII (capa de Nova Escola para aprender a ler ..., de 1772)? http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2012/06/ensino-primario.html
EliminarSugiro que vejam, porque é muito interessante para ajudar a formar opiniões sobre esta polémica.
Sim, tem razão, Maria Luísa, no fundo sou uma grande ignorante. Por isso é que o país está assim, com professores de português (imagine-se) como eu!
EliminarO mundo evolui é com pessoas cultas e informadas como a Maria Luísa, para quem o faCto de o "C" do título aparecer de forma graficamente diferente não quer dizer nada.
E claro que o que está escrito em "sobre" é perfeitamente irrelevante:
"Sobre
Português de faCto : utilitário, quotidiano, prosaico, informativo, prosa corrida, objectivo, denotativo, normal e temporal…
Português de fato: literário, trabalhado, engalanado, criativo, conotativo, estético, subjectivo, poético, atemporal…
Porque, de facto ou de fato, “da minha língua vê-se o mar” e “a minha Pátria é a língua portuguesa”. SEMPRE."
http :/ portuguesdefacto.wordpress.com about /
Se precisar de explicações de português posso falar com una colegas de Português que são muito progressistas e usam o AO, pelo menos o conceito de metáfora penso que lhe conseguirão explicar).
(leia-se "umas colegas" e não "una colegas")
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