O que ando a ler

Para além de andar a ler, também ando a tentar livrar-me de umas tendinites estuporadas com uma fisioterapia que tem um lado doloroso (a massagem, o exercício, as ondas de choque) e um lado entediante: o ficar ligada a umas maquinetas às meias horas, sentada numa cadeira sem fazer nada. Percebi que, mesmo que apenas com uma mão, conseguia ir passando páginas e ler um livro não muito longo em duas sessões. O último que foi comigo chama-se Tudo É e não É e assina-o Manuel Alegre, com quem o protagonista – o escritor António Valadares – tem algumas afinidades: desde logo, o facto de escrever, mas também alguma da matéria com que sonha. O sonho é, de resto, o grande tema deste romance, que nos traz um Valadares queixando-se a um amigo psiquiatra de ter sonhos recorrentes e algo obsessivos, sonhos que terminam quase sempre com o recepcionista de um hotel a telefonar-lhe para o quarto, dizendo-lhe que se despache, pois o autocarro vai partir (para onde, não sabemos – nem ele); mas o escritor perdeu o casaco, tem a mala por fazer e invariavelmente chega tarde demais. Do pedido do psiquiatra para que passe esses sonhos a escrito, nasce uma narrativa deliciosa, crítica e bem-humorada, na qual às tantas o sonho é matéria de ficção (ou já só ficção) e parece sonhar-se o que se deseja, e não o que o sonho quer que se sonhe, sobretudo quando o aparecimento em sonhos de uma mulher misteriosa é quiçá o reflexo da mulher que Valadares deixou um dia à sua espera quando teve de fugir para não ser preso. Com alguns pontos de contacto com Engano, de Philip Roth, de que falei aqui no blogue no mês passado, este romance muito actual vale bem a pena (e faz, obviamente, esquecer o tédio de qualquer fisioterapia).

Comentários

  1. Por falar em Philip Roth ,

    "Não tomava banho porque venerava todos os seres vivos, inclusive os parasitas. Não se lavava para não fazer mal à água. Não andava a pé depois de escurecer, mesmo dentro do quarto, com medo de calcar um ser vivo qualquer.....",

    vou na pág. 221 e esta é a filha do Sueco, a personagem, tão real, deste excelente "PASTORAL AMERICANA".

    As personagens tão reais que Philip Roth já me apresentou.

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    1. Grande livro! Do que li de Roth (falta-me muito, é verdade), foi o que mais me impressionou. Em breve conto ir ao teatro de Sabbath.

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    2. Do Philip Roth, o livro verdadeiramente revolucionário e obra-prima absoluta, aquele que rasgou um novo universo do "stream of conscience" humano é o Portnoy (mas provavelmente, para ser compreendido na totalidade, terá que ser lido em inglês e por quem conheça a calão americano). Há nesse livro um universo de vida interior que eclode na adolescência e da puberdade masculina nunca antes revelado na literatura. O Complexo de Portnoy deu um novo mundo ao mundo da interioridade humana. Será uma vertente abjecta da interioridade masculina, mas que existe, existe, em particular naquela faixa etária da vida do homem. Depois esbate-se.

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    3. Caro Artur, muito obrigado pelas considerações que aqui tece (e vai tecendo nas outras caixas de comentários). Li O Complexo de Portnoy e encontrei-lhe essa vertente abjecta de que fala e uma abordagem arrojada da puberdade. Mas confesso que não fiquei deslumbrado. Talvez tenha perdido muito com a tradução, como faz entender, talvez não tenha ido pela ordem de leitura certa, mas achei Pastoral Americana uma coisa menos abjecta e, no entanto, mais visceral.

      Cumprimentos e boas leituras!

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    4. O "Pastoral Americana" é um grande livro sem qualquer dúvida. Reconheço-lhe maior fôlego que ao Portnoy mas não posso deixar de achar este mais radical e criativo. É por isso que a Literatura é maravilhosa: todos podemos enriquecer-nos discordando !

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    5. Caro Amigo Extraordinário Carriço - do Philip Roth somente não gostei de TRAIÇÕES (ou na altura não o compreendi, há alturas...). "O TEATRO DE SABBATH " é um autêntico murro no estômago, é o retrato do indivíduo mais escabroso que me foi dado a conhecer (e há tipos assim), é um livro do caraças...Roth é, a par de Corman McCarthy , o escritor americano vivo de que mais gosto (Corman MCarthy só morreu há um ano é como se ainda estivesse vivo), já li praticamente toda obra de Roth , creio que, dos livros traduzidos em Portugal, apenas me faltará ler O COMPLEXO DE PORTNOY , e talvez o que mais gostei foi INDIGNAÇÃO, mas todos os outros me deliciaram. Arrebatador este escritor!

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    6. Caro Severino, concordo quando afirma que o Cormac McCarthy é um dos grandes escritores vivos. Mas, ao contrário do que escreveu no seu comentário, não tenho conhecimento que o escritor tenha falecido.

      Miguel

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  2. A versão final do Diário de Anne Frank, por ler algures uma notícia, vinda dos EU, que os pais não queriam que o livro fosse dado na escola por trazer cenas íntimas... Ora fiquei curiosa quanto a esta preocupação de pais, mais a mais, nos tempos que correm onde os miúdos têm acesso a uma vasta gama de pornografia sem ser em livro... Enfim!

    Tenho logo a seguir o Engano e a Sombra do Vento... No meio disto tudo vou dando uma espreitadela à Poesia Reunida da anfitriã, que me chegou a semana passada de Portugal... Digam lá se não ando bem acompanhada?

    Quanto à tendinite, as melhoras Maria do Rosário.

    Um abraço Carla Pais

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    1. A SOMBRA DO VENTO - que grande livro!

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    2. Devo dizer que ontem, por curiosidade, desfolhei as primeiras páginas de Engano, de Roth, e quando dei por mim já estou na 80... Parei obrigatoriamente o Diário de Anne Frank... Estou completamente viciada no diálogo daqueles dois! É de facto um escritor e pêras...ufa!

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  3. Relatório e contas / Maio

    «O que importa está ausente mas real» – Num dos últimos relatórios referi de passagem que andava à procura desta frase de Cardoso Pires, escondida algures numa página de “E Agora, José?”
    Este livro é uma compilação de escritos do José dos anos 60/70, textos de vária natureza e matéria diversa.
    Pois bem: reencontrei a frase no texto “Memória Descritiva”, o mais fascinante do livro.
    Este texto é um valioso guia de leitura – talvez melhor: de decifração – de “O Delfim”.
    José propõe-se aqui “repensar num tempo segundo” essa sua obra, esmiuçando o trabalho do escritor que é o personagem-narrador do livro, aquele que andou pela Gafeira a tentar escrevê-lo “por minha conta”, diz Cardoso Pires.

    Li “O Delfim” era ainda jovem, aí pelos anos 70.
    Mais tarde calhei de topar com a tal frase, «O que importa está ausente mas real», citada, salvo erro, por Eduardo Prado Coelho num artigo a propósito de “E Agora, José?”.
    Fui então ler este, e logo a “Memória Descritiva” me fez agendar a obrigatória releitura de “O Delfim”.
    Mas fui adiando, a vários pretextos, até um quase esquecimento.
    A obrigação, porém, sobrevivia no meu subconsciente, que lentamente cultivava a expectativa, a antecipação do fascínio que a releitura me reservava.
    De facto, dizem-me esta e outras experiências, é na dimensão subconsciente que aquilo que importa está ausente mas real…
    Estava escrito na agenda do destino:– há pouco tempo, ao (des)arrumar uma prateleira de livros saltou-me para o colo “E Agora, José?”.
    De modo que, fascinado com a releitura da “Memória Descritiva”, fui finalmente cumprir o mandamento de José e, “num tempo segundo”, li por uma segunda primeira vez “O Delfim”.

    Contas:

    Apenas sou capaz de dizer que esta foi uma experiência pessoal que, tenho a certeza, me engrandeceu.
    Não tenho capacidade para dissertar sobre a obra em si. Fascina-me tanto que tenho a certeza de que está lá ainda muita coisa para eu descobrir.
    Por isso vo-la recomendo vivamente.
    Recapitulo-vos o método: ler “O Delfim” – pausa – ler a “Memória Descritiva” – pausa – reler a “Memória Descritiva” e, logo de seguida, reler “O Delfim”.

    Por mim, vou alongar uma nova pausa. Depois tenciono repetir.

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    1. Sendo "O Delfim" um dos meus livros favoritos, não só do Cardoso Pires mas de toda a literatura portuguesa do século XX, vou agora procurar o texto "Memória Descritiva". Obrigado pela sugestão !

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  4. Li recentemente com algum prazer (confesso que não excessivo) o livro que parece ser, pelo menos parcialmente, de memórias de infância do Manuel Alegre: "O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua". A elegância e a leveza do estilo literário do Manuel Alegre prosador resulta sempre numa "hora extraordinária". Não é humano esperar que a escrita novelística do Manuel Alegre tenha sempre a tensão dramática do seu "Alma". "Tudo É não É" é livro que ainda não li mas é bem oportuna a sua comparação com "Engano", livro já antigo do Roth, em que o protagonista também é um escritor. Claro que devem existir enormes diferenças entre os dois romances. Logo à partida, o Manuel Alegre não teve a ousadia do Roth de dar o seu próprio nome ao personagem principal (o que também é raro no americano). E, imagino, os sonhos do Valadares serão de conteúdo menos explicitamente erótico do que as conversas de antes e depois do sexo entre o Philip Roth personagem de "Engano" e a sua amante londrina. Quanto a sonhos, reli recentemente as fantasias do António Tabucchi de sonhos de escritores célebres desde a antiguidade a Freud ("Sonhos de Sonhos"). São peças curtas, nem todas de uma imaginação totalmente imprevisível, mas tem alguns sonhos inesquecíveis, nomeadamente o do Fernando Pessoa em que em Tabucchi imagina quem foi o mestre de Caeiro, sendo este, como é sabido, o mestre de todos os outros heterónimos major do poeta; mesmo bem apanhado pelo Tabucchi !
    E, claro, aqui ficam os meus votos para que a fisioterapia resolva rapidamente as tendinites da nossa generosa anfitriã.

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  5. Geoff Dyer, Yoga para Pessoas Que Não Estão Para Fazer Yoga (Quetzal)

    (as melhoras para a tendinite)

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    1. E que tal ? A crítica do Público foi entusiástica sobre este livro e autor. Gostava de ouvir a sua opinião, ainda que seja apenas sobre as páginas iniciais da obra.

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    2. é um livro interessante, com um humor muito irónico, e uma perspectiva muito desalinhada, nomeadamente em relação ao que conhecemos de mais habitual na literatura de viagnes.
      pelas criticas do Público estava à espera de melhor, de qualquer coisa que fosse mais surpreendente e sedutora.
      mas recomendo: lê-se bem e depressa, é inteligente e divertido.

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    3. Caro Miguel,
      Obrigado pela sua análise crítica ! Baseado nas suas palavras o que vou fazer é sentar-me numa livraria a ler duas ou três páginas do meio do romance antes de tomar uma decisão de compra. Os tempos não estão para se comprar livros que depois não lemos. Abraço.

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  6. Quase a acabar de ler "Um Pinguim na Garagem", de Luís Caminha, que comprei com outros no megalómano stand da Leya da Feira do Livro. Uma escrita originalíssima que me cativou logo de início. Li quase a eito e estou a esconder o último capitulo tanto quanto posso. Não quero dar este livro por acabado.

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    1. Cara Ana, porquê uma escrita originalíssima? Pode ajudar-nos a perceber isso ? Obrigado. [nunca li nada do autor e estou curioso]

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    2. Amigo Artur,

      Fiquei agradavelmente surpresa com este autor por causa da beleza da sua escrita.
      Achei o tema muito original porque. Embora o tema da clonagem já tenha sido abordado em vários livros da literatura, nunca o vi sob este ponto de vista das memórias de um homem que só tarde na vida descobre que é um clone e começa então a juntar, de um modo que se aprofunda de capítulo a capítulo, todos os fragmentos da sua vida.
      Mas a maior originalidade está na escrita. Ao contrário de muitos dos novos autores, Luís Caminha não tem medo da sintaxe e as suas frases têm o tamanho de que as ideias precisam. Não sei se me estou a explicar bem... Além disso, tem uma capacidade invulgar de alterar a ordem comum das frases sem as tornar incompreensíveis, sempre com um sentido melódico e rítmico, e com imagens inesperadas que, creio eu, pelos comentários que aqui o meu amigo tem deixado, lhe agradarão.
      Bem, mas tudo isto não importava nada sem emoção. E senti em cada frase uma enorme emoção, como se o narrador fosse o próprio autor e estivesse a falar dos fracassos e sucessos da sua vida.

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    3. As minhas desculpas pelas gralhas... Nomeadamente, "porque, embora..." em vez de "porque. Embora..."...

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    4. Cara Ana,
      Fico-lhe encarecidamente grato por ter escrito uma opinião crítica tão objetiva sobre este novo livro. Depois do que escreveu, nem irei "provar" o romance do Caminha (a tal regra de ler a página 99 antes de tomar uma decisão), mas comprá-lo de imediato. Realmente é uma bela ideia a de um clone (já hoje uma possibilidade real !), e de o próprio só o saber tarde na vida. Aliciante ! E ainda para mais servido, como a Ana o explica, por um estilo original e sem ser rebarbativamente complexo.
      Adoro este blog pelos livros que li e que me teriam escapado se não fosse a leitura de sugestões e extraordinários textos como o seu.
      Obrigado !

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    5. Amigo Artur,

      De repente fiquei com receio de estar a aconselhá-lo mal. Enfim, gostos são gostos e até pode não gostar do estilo deste autor. Por isso tomei a liberdade de transcrever precisamente a página 99 do "Um Pinguim na Garagem" (que corresponde a um fim de capítulo) para que não gaste dinheiro desnecessariamente, se for esse o caso.

      "Mas, na verdade, o que aconteceu? A mínima discussão, o assomar de uma diferença sem importância, um telefonema indiscreto, a lida da casa, a facilidade do riso, a merda dos cães, a atenção aos outros, tantas, tantas coisas a justificarem o «olha, se calhar é melhor acabarmos com isto»... Na paz do nosso jardim foram crescendo ervas daninha. Com palavras as regámos e fizemos crescer, com palavras cortámos todas as flores para que elas pudessem crescer mais ainda. Nada estava mal senão a procura obstinada do que estava mal. Creio mesmo que havia palavras entre essas ervas daninhas. Sobretudo na parte que me competia tratar e que cheguei a negligenciar totalmente, com as minhas repetidas e prolongadas ausências, enquanto me embrenhava em procuras inúteis sob os escombros da memória.

      «As arestas da mágoa serão boleadas pelo tempo mas ela não esquecerá. Será mais uma que apenas lembrará.»

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    6. Cara Ana,
      Muito obrigado de novo (não sei como agradecer-lhe...) o ter tido o cuidado adicional de transcrever a página 99 do "Um Pinguim na Garagem". É um belo texto ! Não tenho qualquer dúvida que irei ler com prazer este romance. Quando o tiver lido (não vai ser já, já, porque estou a meio de outros livros) prometo que lhe direi o que senti ao lê-lo. Desejo-lhe grandes leituras !

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  7. Mente sã em corpo são...

    As leituras têm o condão de fazer com que o tempo passe, mas as boas leituras fazem com que este pare...

    Caríssima Senhora, desejo-lhe as rápidas melhoras.

    Abraço a todos os extraordinários que aqui passam.

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  8. Para variar ando a escrever mais do que a ler. Por isso deixo aqui um excerto:
    «Um diálogo interminável com a sua “joaninha”!»
    Desta vez sentei-me no cadeirão vermelho, ou grená, ou lá que raio de cor era aquela, que ladeava a cama. Puxei uma mesinha colocada ao seu lado e estiquei as pernas. E isto depois de, com três dedos em pinça, ter levantado com cuidado o livro caído em cima do morto, como se o não quisesse incomodar.
    «Desculpa, old chap ” – disse em surdina, surripiando-lhe o livro aberto - Mas já não precisas disto!»
    Antes de recomeçar, onde o tinha interrompido, ainda li uma outra nota das caídas, repousadas agora novamente dentro da pasta e guardada junto a mim. Havia ali novos indícios para a compreensão da história do morto.»


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    1. Livro policial !

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    2. Por acaso não, Artur, embora aquele old chap » o possa fazer parecer.
      Um romance entre o drama e a comédia, com componente psicológica aqui pouco percetível - de que sou adepto e dando um sentido mais «escorreito» - conselho avisado de uma amiga.
      E de facto nos livros atuais há que dar mais trama e vida aos romances, retirando-lhes alguma carga do «eu» que faz alguns dos extraordinários reclamarem; como o terminado há pouco, passado no espaço temporal do excelente livro da Cristina Drios, embora mais centrado na ação e menos num desenvolvimento e enquadramento mais psicológico.
      A Cristina antecipou-se embora sejam «produtos» diferentes na confecção.
      Um abraço

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    3. Caro Pedro Almeida Sande, obrigado pelo seu esclarecimento e cá ficamos à espera do seu livro ! E que tenha tanto ou mais êxito do que está a ter o livro da Cristina Drios.

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  9. Ando a ler «D. Sebastião e o Vidente», Deana Barroqueiro.

    Ontem fui à Feira do Livro de Lisboa, trouxe comigo «Que Importa a Fúria do Mar», Ana Margarida de Carvalho, a Granta » e «O Rebate», de J. Rentes de Carvalho. Apetece-me pegar em todos...

    Permitam-me uma partilha. Há uns tempos, quando aqui disse estar a ler J. Rentes de Carvalho, houve alguém que teceu um elogio ao escritor. Ontem, pude confirmá-lo. O escritor esteve na Feira do Livro. Quando me dirigi a ele, recebeu-me com tanta simpatia... Saí de lá de «coração cheio»!

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    1. Eu que me deslumbrei com "Entre os Holandeses", também fui conversar com o Rentes de Carvalho na Feira do Livro do Porto do ano passado. Concordo com a Carina: é um homem de uma simpatia inexcedível e parecia estar genuinamente à espera de conversar com os seus leitores. Que energia e que belo sorriso ! O Rentes confirma a regra do Saramago: em Portugal pode-se vir a ser um grande escritor depois dos sessenta anos. Eles dão esperança ao nosso envelhecimento...

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    2. Cara Carina Leal, muito obrigada pela escolha do meu D. Sebastião e o Vidente para leitura. Gostaria imenso de saber a sua opinião sobre o livro (quer a favor, quer contra). Poderia escrever-me quando terminar? Ficar-lhe-ia muito grata. A opinião dos leitores ajuda-me a corrigir defeitos e vícios de escrita.
      Um grande abraço
      Deana Barroqueiro

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    3. Cara Deana,

      Desculpe a demora. Terminei o seu «D. Sebastião e o Vidente» na terça-feira. Tinha-o comigo há uns tempos. Demorei a pegar-lhe apenas por «estranhar» o romance histórico e, agora que descobri quer o livro, quer a autora, devo dizer que adorei.
      São mais de 600 páginas de história e muita criatividade. Adorei a sua escrita e tudo aquilo que, através dela, quis partilhar connosco. Considero muito positiva a intervenção de um narrador que, volta e meia, interpela o leitor. Simpatizei com Miguel. D. Sebastião cativou-me.
      Momentos houve em que me foi difícil largar o livro! Obrigada por ele!

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    4. Muito obrigada, querida Carina,por ter acedido ao meu pedido de dar-me a sua opinião de leitora. Fico-lhe muito grata também pelas suas palavras tão gentis e, sobretudo, por ter gostado do meu livro! Dá.me sempre uma grande alegria saber que o meu leitor teve prazer em ler qualquer das minhas obras. Bem haja!
      Um grande abraço
      Deana Barroqueiro

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  10. «Já então a raposa era o caçador», de Herta Müller.
    Estou a meio e a começar a entranhá-lo, depois de o ter estranhado bastante.
    Votos de boas melhoras para si!

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    1. Quanto à Herta, ainda não passei da estranheza. Preciso de recomeçar com mais fôlego do que das vezes anteriores.

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    2. Fujo da Herta como fujo do actual António Lobo Antunes...que grandes secas, absolutamente ilegíveis, direi mesmo incompreensíveis...

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    3. E leu o quê da Herta?!
      A Herta é BRILHANTE. Mas "primeiro estranha-se, depois entranha-se".


      PLFF

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  11. Neste momento ando a ler «Viagens e Outras Viagens» do Antonio Tabucchi, que vou alternando com os «Contos Capitais» e a Granta.
    Ultimamente li «Como é Linda a Puta da Vida» do MEC, «O Testamento de Maria» do Colm Tóibín (estreei-me com este escritor e gostei imenso) e «A Última Canção da Noite» do Francisco Camacho.
    Tenho o livro da Ana Margarida Carvalho em lista de espera, talvez vá a seguir...
    Quero comprar o da Cristina Drios, pois gostei imenso de a ver no Bairro Alto e fiquei com vontade de a conhecer como escritora. Como pessoa, gostei das suas gargalhadas contagiantes e do seu sentido de humor inteligente.
    E que inveja (saudável) das viagens que já fez!
    Boas leituras para todos e, para a Maria do Rosário, que as estuporadas tendinites desapareçam rapidamente.
    Antonieta

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  12. Ando a ler o Evangelho de S. João. A ver se me converto, mas está cada vez mais difîcil. Falando a sério, seduz-me o discurso alucinado, repetitivo, do evangelista, o único que terá conhecido Jesus e dele traça um retrato egocêntrico e maçador.

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    1. Porque não começar (e acabar) pelo evangelho de Marcos ? Aquele que foi escrito menos tempo após a morte de de Cristo e que começa com o batismo de Jesus pelo seu mentor, João Batista, rabi mor dos Essénios. Nada de nascimento de uma virgem, nem criança prodígio a dar lições aos sacerdotes do templo, dogmas só mais tarde adicionados à doutrina. Só a vida pública do novo profeta, a cruz, o túmulo vazio e a instrução dos discípulos que se julgavam seguidores de uma quimera e se tornam em convictos divulgadores da nova fé.

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    2. Já li e reli. Na verdade, estou a reler A Bíblia, não de fio a pavio, obviamente. Obra fabulosa do ponto de vista literário, muito inspiradora, não sei se capaz de induzir fé em quem não a tem, mas susceptível de a fazer perder àquele que porventura a tenha e a leia sem ideias pré-concebidas...
      Muito obrigado pela sugestão. De facto, dos 4 é João quem escreve pior.

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    3. Ontem à noite - leio sobretudo à noite - retomei o Evangelho de S. Marcos, tendo em conta as suas indicações. De facto, ler tendo em conta o contexto é muito mais esclarecedor, pelo menos quando estão em causa textos muito antigos.
      Ignorava tudo o que me disse. Mais uma vez, muito obrigado.

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    4. Caro José Catarino, obrigado pela sua resposta ao meu comentário ao seu post. Obviamente que textos bíblicos estão sujeitos a gostos muito diferentes e poderia ter acontecido que as minhas palavras fossem completamente inoportunas. Ainda bem que assim não aconteceu.

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  13. "parece sonhar-se o que se deseja, e não o que o sonho quer que se sonhe" - quer-me parecer que nunca se sonha o que o sonho quer que se sonhe, mas, sim, sempre, o que se deseja (ou o que se necessita de sonhar, mesmo que seja mau).

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  14. A prosa poética de Manuel Alegre deixa-me embevecida.

    Bem sei que as melhoras não são rápidas - não é uma dor de cabeça - mas a Rosário vai melhorar. Que seja em breve

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  15. Pelo que nos refere Maria do Rosário, palpita-me que, entre este “Tudo É e não É” de Manuel Alegre (que não li), e “O Delfim” de Cardoso Pires, existem algumas afinidades, se calhar interessantes.
    Em ambos o protagonista é um escritor que está a escrever o que lemos, e em ambos é relevante “o facto de escrever, mas também alguma da matéria com que sonha”.

    Talvez que – a não ser que a tendinite afecte alguma das mãos – Maria do Rosário consiga, durante a fisioterapia, ter um livro em cada mão, e verificar essas afinidades.

    Talvez este exercício contribua para esclarecer os pontos de contacto, não apenas com “Engano”, de Philip Roth, que lhe ocorreu, mas também com “O Delfim” – e, principalmente, contribua para acelerar a cura da tendinite.

    Oxalá. São os meus votos.

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  16. Caro José Catarino,
    Já que anda a ler os evangelhos talvez ache interessante a leitura de «O Testamento de Maria» do Colm Tóibín.
    É uma «short novel» que relata a história de Maria, 20 anos depois da crucificação de seu filho Jesus.
    O livro causou alguma polémica aquando da sua saída em 2012, dando posteriormente origem a uma peça que estreou em Abril deste ano na Broadway.
    É uma nova perspectiva desta história tantas vezes escrita e contada.
    Fica a sugestão...
    :)
    Antonieta

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    1. Muito obrigado. Esta tarde vou a Lisboa, procuro o livro.

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  17. Olá Severino,

    Tenho dois livros da Herta em lista de espera...
    Já comecei ambos mas não me conseguiram agarrar.
    Mas hei-de tentar novamente, o meu mal (ou o meu bem) é ter muitos para ler...
    :)
    Antonieta

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  18. Não pude evitar a comparação de "Tudo o que Tenho Trago Comigo" (Herta Müller) com "Sem Destino" (Imre Kertész), ambos nobelitados. Talvez sejam os demónios que a atual Alemanha desperta em mim que provocaram isto, mas a verdade é que fiquei fascinado com Kertész e achei que Müller estava a branquear o fascismo romeno.

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  19. O Miguel tem razão, o Cormac McCarthy ainda está vivo, penso que nasceu em 1933.
    A propósito de adaptações, gostei bastante do filme «A Estrada», baseado no livro homónimo.
    Antonieta

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