Lobo com pele de cordeiro

Pessoa escreveu algures que só era um bom livro para crianças aquele que pudesse ser lido com prazer por adultos também. O livro de que hoje falarei pertence a uma colecção aparentemente juvenil (as ilustrações ajudam a vê-lo assim, bem como a editora que o publicou – a Planeta Tangerina – que é sobretudo conhecida pela edição de livros infantis), mas está longe de ser o que parece (daí o título do post) e deve ser lido por todos os adultos que gostem de uma história séria, profunda e contada com muita arte. Se virem, pois, um livro extremamente azul pousado na mesa das crianças de uma livraria (a autora até já anda de cabelos em pé por causa disso), por favor não passem a correr. Fiquem, folheiem e comprem, porque Irmão Lobo, de Carla Maia de Almeida (com ilustrações de António Jorge Gonçalves, que são boas, mas na verdade não fazem muita falta a não ser para, no final, nos mostrar uma casa em ruínas), é uma pérola sobre uma família típica e atípica – especialmente sobre Bolota, a filha mais nova (e mais nova também do que seria suposto na sua conjuntura), e o pai, uma grande personagem que se chama tão depressa Alce Negro como Homem do Gelo e é o companheiro desta miúda especial numa «expedição» que, desde o início, se pressente dramática, mas vai muito mais longe do que imaginámos. Não se pense, porém, que Irmão Lobo é uma aventura recheada de peripécias, como é apanágio dos livros juvenis; pelo contrário: trata-se de uma narrativa absolutamente actual sobre o desemprego e os seus efeitos numa família que já teve casa com jardim, cão da neve de olhos azuis e uma vida que, infelizmente, foi acabando (mais para uns do que para outros, mas para todos sem excepção). Sem lamechice nem pedagogia barata, este livro fala de coisas muito difíceis e muito importantes e, por isso, precisa de ser arrumado nas estantes (depois de lido, evidentemente) de toda a gente que se preocupa com o presente e com o que ele pode fazer ao futuro dos mais novos. Numa palavra: Maravilhoso.

Comentários

  1. Até fiquei a salivar com a descrição do livro - que é de resto um dom que a autora deste blog tem para com os seus leitores, deixá-los curiosos com as descrições com que nos brinda.

    É importante que se fale do assunto (desemprego, crise, contenção, poupança, rigor) até com as crianças... E o mais engraçado é que são elas por vezes que encaram a coisa com mais soberania... Temos muito a aprender com os miúdos - vai daí, talvez, o livro ser, aparentemente, para crianças mas imprescindível a adultos.

    Um abraço.

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    1. Carla, quando se põe o cursor do rato por cima de onde a Carla escreveu poupança, aparece um anúncio ao novo Iphone 5, acho que é a definição de ironia (estou a falar a sério).

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  2. Subscrevo inteiramente o comentário da Carla Pais.
    Aproveito para desejar a todos os «extraordinários» um belo fim de semana prolongado e boas leituras!
    Antonieta

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  3. No post anterior o Sr. Severino perguntou-me se o Tom Sharpe era bom. Na verdade nunca li nada dele, só prestei atenção à notícia da morte porque quando comecei a escrever no blog, mencionaram o sr. Tom Sharpe, por ser caustico. Agora não sei se era um caustico com propósito ou uma espécie de nabo como o Saramago. Não sei se tentava elucidar ou se na sua estupidez escrevia versões pornográficas da bíblia, num tosco desfazer dos argumentos daqueles que tentam quebrar a terrível folie a billion. Ja repararam que a maioria dos livros do Saramago se centram totalmente num, apenas um, "e se?". Não sei o que pensar disso, suspeito só que a sua avó tenha sido um camião. De qualquer forma, o Sr. Pacheco é a melhor pessoa para lhe falar do Tom Sharpe.

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    1. Ó João não quero acreditar no que li: o nabo do
      Saramago...Mas estamos armados em escritores ou quê?
      Reduzamo-nos à nossa insignificância.

      Passe o exagero, mas para mim - SARAMAGO é o melhor escritor português, depois de Camões!

      Para mim, claro, vale o que vale - eu não sou escritor muito, muito longe disso, sou um modesto e simples leitor, apenas com alguns milhões de quilómetros lidos.

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    2. Oh Senhor Severino, então agora a leitura é a metro?! O segundo melhor escritor depois de Camões?! Só Fernando Pessoa podia dar apoio escolar ao Saramago... "Perdoe-lhes pai porque sabem o que fazem" é só mais um spin off escrito por centenas de escritores, não é nenhuma maravilha, nem quer dizer nada de especial. Mais uma coisa Sr. Severino, se eu não escrevesse podia ter opinião e agora que escrevo estou "armado"? Isso não é muito justo! Your move!

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    3. Já agora, se me der o seu mail, eu envio-lhe o PDF do segundo livro, acho que ainda demora muito tempo a sair! Abrc

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    4. Boa resposta João Courinha, eu não faria melhor.

      Gostei!

      Um abraço e bom fim de semana

      E, por favor, não me trates por Senhor, então se eu te trato por João - pensas que eu sou algum latifundiário, ou quê...

      Por acaso é curioso que aqui neste blogue, apesar de eu tratar toda a gente por tu todos (ou quase todos) me tratam por Senhor. Curioso? a que se deverá este fenómeno?

      E deixa-te de inglesismos porque não estamos propriamente na CEE...

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  4. Pai,nao lhes perdoes porque sabem o que fazem.

    Jose Saramago in O Ano da Morte de Ricardo Reis,pag. 305.

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    1. Muito apropriada citação !

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    2. O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS é um livro absolutamente divinal. Uma coisa espantosa! Quem não leu, não pode, de modo nenhum, deixar de ler.

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  5. É por isto que Saramago, além dos livros, foi o que foi... Sempre será alvo de controversas, opiniões e discussões mais ou menos acaloradas... O "se" talvez seja propositado... O "se" obriga-nos a pensar e a reflectir. Um dos seus propósitos enquanto escritor. Adoro Saramago e respeito quem não aprecia ou NÃO GOSTA, mas que ele é pró em incendiar discórdias, lá isso é... Veja-se o exemplo destes nossos extraordinários.

    Bom fim de semana: Amantes e não amantes de Saramago

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  6. «Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada» a não ser uma grande leitora, a metro ou ao quilómetro, como preferirem...
    À parte isso, se me pedissem para escolher dois escritores, só mesmo dois, escolhia o Pessoa e o Saramago!
    E acho que muitos dos que dizem não gostar de Saramago nem sequer se deram ao trabalho de o ler...
    Não sabem o que perdem!
    Mas isto é só a opinião de uma «maria ninguém».
    :)
    Antonieta

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  7. Ó Pacheco que me dizes, daí do Planalto, do Tom Sharpe? vale a pena? mas atenção que para valer a pena terá de ser mais irónico do Alexandre O'Neill - um espanto, mais uma pérola esquecida das nossas letras. Uma imaginação do outro mundo!

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  8. Um bocadinho de Ironia...

    (...)
    "- Adaptar-me a quê?
    - Então… ao país, às pessoas, à comida, à cultura, a tudo... Isto aqui é um pouco diferente de Cabo Verde. Isto é a Europa. Bom, mesmo falida continua a ser a Europa. As pessoas tentam matar-se mas é a Europa, compreendes? A Europa de hoje, onde tudo é diferente e, no fundo, acho que tudo permanece igual. Como se um dia nos tivessem dado a provar o sabor de uma Europa deliciosa e depois nos roubassem o prato da mesa… Talvez estivéssemos a comer muito, não sei. Tenho cá para mim que a Europa não quer ver as pessoas gordas." (...)

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  9. Bem, se os meus queridos amigos me dão licença de ser mais uma vez um «pain in the ass» e porque fechei na página “sem” um livrinho de poemas, cai vai o que eu vejo como um…

    43. LOBO COM PELE DE CORDEIRO
    07-06-2013

    E do desespero e do desassossego
    Saiu o seu melhor filho.

    Um filho feito na dor
    De uma representação mágica
    Um filho feito no amor platónico,

    Inexistente,

    Um jogo de sedução
    De poder,

    Uma espécie de castigo
    Gemido na pretensão,
    Na teimosia
    Na obsessão
    De querer amar

    Não sendo amada

    (Não o carnal
    Que é coisa pequena
    Neste jogo do amor).

    Um amor de percalços
    De artista das palavras
    De glutão
    De sentimentos

    De manipulador
    De paixões,
    De aproveitador
    De embaraços,

    De tempos confusos
    Verbos lanzudos
    E ranhosos

    E turvos

    De uma turbidez
    Que atormenta

    De um sacana bastardo
    Armado em
    Doce Dom Juan
    Ou palavroso
    Casanova

    Criador de uma ilusão
    De uma imagem

    Raptor de futuros

    Como esta europa,
    Indolor,
    Que nos tira
    O fino fio de esparguete
    Da boca.

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  10. Caríssimos Extraordinários,

    Eu bem sei que esta sala também serve para trocarem pontos de vista e se fazerem ouvir, mas, neste caso, sinto que Irmão Lobo vos passou ao lado e já vão em Saramago. Por favor, não deixem de ler a pérola.
    Agora, se quiserem, continuem a discutir.

    A anfitriã

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    1. Rosário, o problema é mesmo esse; é que não é fácil acompanhar o ritmo diabólico da edição. Mas o irmão Lobo está já devidamente identificado seja nesta ficção da Carla Maia de Almeida, seja nesta narrativa cruel da actualidade onde os lobos andam todos à solta.

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  11. "Pois há. É pena. Sobretudo porque não tem nada a ver com o que a Maria do Rosário Pedreira escreveu sobre o meu livro, rigorosamente nada. Não digo isto por despeito, que tenho as costas largas, mas pela triste constatação (como se fosse preciso) de que algumas pessoas só se ouvem a si próprias e entram na casa dos outros com os pés todos enlameados e sem se preocuparem com isso." Carla Maia de Almeida, autora de "Irmão Lobo" no Facebook. Peço imensas desculpas por ter falado de outro tema, mas, na verdade, antes de ler o seu livro ou de oferecer ao meu filho não tinha muita coisa a dizer sobre ele, nem tão pouco acho que alguém deixou de falar sobre o livro por existirem três ou quatro entradas não relacionadas no blog. Já a expressão "entrar com os pés enlameados", que de resto agradou à anfitriã, parece-me no mínimo exagerada e cheia de raiva para alguém que escreve para crianças. Foi a última vez que escrevi aqui, alguns vão ficar contentes, outros se calhar não, é que eu vivo num monte e sei bem a desgraça que é entrar em casa com os pés enlameados! Adeus amigos! (Vou continuar a ler os posts, obviamente)

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    1. Acho incrível o que aqui aconteceu! Há muito tempo que não comento, mas hoje não resisto.

      Quantas vezes os comentários, neste espaço, divergem do assunto do post? Já aconteceu inúmeras vezes e é a primeira vez que a nossa anfitriã se refere ao assunto!
      Quanto às palavras da autora no FB, concordo inteiramente com o Courinha. Esta é a prova de que, neste espaço, apesar de extraordinário, há dois pesos e duas medidas, há filhos e enteados.

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    2. Olhe que não. Se assim fosse, eu não tinha sugerido que continuassem a discussão. Gosto muito de os ter cá, acredite, a falarem do que quiserem. De contrário, moderaria os comentários. Só quis que não se esquecessem do assunto principal, porque na verdade é uma pena se perderem o livro. E mais: não fui ao Facebook depois de fazer o link do blogue senão agora, onde li uma frase do Courinha que mereceu a resposta da autora do livro, apelando à «sangria»... Um abraço para si.

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    3. Sobrinho postiço, não amue, que não vale a pena.

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    4. Cara Maria do Rosário,

      Agi impulsiva mais uma vez, mas essa coisa de o Courinha dizer que não mais comentaria pôs-me um pouco irritada, pois ele é um comentador assíduo, que muito contribui para a animação desta “sala”. E pareceu-me que a Rosário não hesitava em “sacrificar” um dos seus mais fiéis seguidores, apenas para proteger uma escritora que teria ficado amuada, por os comentadores não se limitarem ao seu livro. Já constatei que não foi bem assim. O problema é que eu, à semelhança da Antonieta, não tenho Facebook e nunca leio o que por lá se passa.

      Como alguém aqui já disse, as conversas são como as cerejas e é mesmo isso que torna um blogue interessante. Por outro lado, não duvido da qualidade do livro de Carla Maia de Almeida, o juízo da Maria do Rosário é garantia suficiente, e desejo o maior sucesso à escritora.

      Um abraço também para si.

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  12. Ui ui!... Que grande açorda aqui se fez !

    Começou-se com o "Irmão Lobo" e logo desabou para o meu o pai é melhor que o teu... O meu escritor é melhor que o teu!... E aí por diante.

    Vá lá! Perdoem-me a deriva politicamente correcta mas, não consigo deixar de repetir que sou um leitor promiscuo: hoje Vergílio... amanhã Eurípedes.

    Depende do momento e do estado de espírito...

    Agora será a vez do politicamente perverso:

    Em vez de luta de pintainhos prefiro um boa luta de Galos... Wagner contra Brahms, Vargas Llosa Vs Garcia Marquez, Neo Realistas Vs Surrealistas... etc, etc.

    Uns dão a sua opinião e outros caem-lhe em cima como cães (lobos) a um osso. E o resultado? Alguém diz que não escreve mais aqui. Deixem-se de criancices!...

    E, sinceramente... no comentário da nossa Anfitriã não li razão para tanta sanha.

    Opiniões valem o valem... As minhas valem tanto como a de outros.

    P.S. O meu pai é mais forte que o vosso! Ai é, é!



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    1. E peço perdão por demasiadas vezes divergir do assunto em questão.

      Mas, os comentários assim o ditam.

      Abraços!... e, repito, O meu pai é o maior! A sério!

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  13. Já tomei os comprimidos e limpei um canteiro de Dálias, tenho as mãos inchadas das urtigas, mas já estou menos amuado. Também limpei a sola dos sapatos na aresta de um degrau, não estão impecáveis, ligeiramente empoeirados.

    Abaixo deixo uma sinopse do livro sobre o qual versa o post, está muito bem escrito pelo amigo Rufino:

    A falência de uma família, sobrecarregada com dívidas e castigada pelo desemprego, é dramática. Quando a mesma família é composta por um filho adolescente, uma filha quase adolescente e uma menina ainda criança, além do pai e da mãe, então o dramatismo intensifica-se.
    Carla Maia de Almeida (n. 1969, Matosinhos), no seu 6º livro, utiliza este cenário tão contemporâneo na construção de uma narrativa que incomoda e contraria o comodismo do leitor. Ao contrário do que se possa supor, “Irmão Lobo”, editado pela Editora Planeta Tangerina, não é um livro infantil. “Irmão Lobo” é um livro sobre o amargo mundo dos adultos visto através da perspectiva fantasista e doce de uma criança.
    “Bolota”, a filha mais nova, conta a lenta destruição da sua família, utilizando, para tal, dois tempos paralelos (passado próximo e passado mais distante) que virão, perto do fim do livro, a juntar-se. Os diferentes tempos são bem geridos pela autora, pois esta estratégia clarifica acções e intensifica os aspectos emocionais. Se tal não bastasse, a produção gráfica do livro denota o cuidado em ajudar o leitor na descodificação do enredo: páginas azuis para o passado mais recente; páginas brancas para o passado mais distante.
    O facto de ser uma menina que se debate com sentido dos acontecimentos atribui maior complexidade emocional à história.
    “Tenho 15 anos e estou a um passo de começar a minha vida, mas ainda não tive tempo de compreender tudo o que me aconteceu até agora” pág. 11
    Será com ela que o leitor chegará ao fim do que a própria denomina de “Grande Travessia no Deserto da Morte”. Durante esse trajecto, o leitor assiste à morte do mito e ao triste desaparecimento da ingenuidade. Lentamente, Bolota vai desmantelando a fantasia, tão bem demonstrada pelas alcunhas que atribui a cada estado anímico de cada membro da família, até ter de enfrentar a realidade tapada pela teatralidade.
    “As outras famílias colecionavam festas de aniversários, fotografias de Natais felizes, férias no Algarve, eletrodomésticos, que faziam tudo e cartões de desconto do hipermercado. Nós colecionávamos alcunhas. E créditos bancários. Eram as únicas maneiras de mantermos o nosso teatro a funcionar” pág. 21
    Nesse “teatro”, o pai é, para “Bolota”, o chefe da “tribo”, a quem ela chama de “Alce Negro”. O pai representa a força moral, a coragem e o sonho. Ele é capaz de vencer todas as dificuldades, apesar do alheamento adolescente dos irmãos e do frio pessimismo da mãe.
    O território da família vai diminuindo conforme se mudam para apartamentos cada vez mais pequenos, mas Bolota mantém a idolatria pelo pai. Ele é o líder da tribo. Até cair.
    E é aqui que Malik, o husky que vive com a família, ganha importância fulcral no livro.
    Quando Malik, o “Irmão Lobo”, ladra a “Alce Negro” e este recua com medo, a queda do mito inicia-se. A partir desta ocasião, as circunstâncias vão sendo clarificadas e afastadas da perspectiva romântica. O fim já havia começado, mas só nesse momento “Bolota” ganha consciência disso.
    A prosa de “Irmão Lobo” sugere mais do que aquilo que mostra. A autora deixa na penumbra o que cabe ao leitor descobrir.
    É, de facto, um jogo de luz e sombra muito bem ilustrado por António Jorge Gonçalves.
    Carla Maia de Almeida, autora já publicada no Brasil, Holanda e Colômbia, apresenta um livro muito diferente do anterior, “Onde Moram as Casas” (Caminho, 2012). “Irmão Lobo” mostra que o maior drama pode residir nas coisas mais simples, ou nas pessoas que lhe são mais próximas.
    Depressa o leitor chegará à conclusão de que nada é o que parece.
    “Irmão Lobo” é lobo com pele de cordeiro.

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    1. Gosto imenso de dálias. E já agora, para divergirmos todos do assunto, conto uma história. Num poema, escrevi uma vez num verso "... Dálias, jacintos..." E um amigo que sempre me ajuda a rever os meus textos disse-me que lhe lembrava um grande crítico infelizmente já desaparecido porque a mãe se chamava Dália e o pai Jacinto... Então, para não pensarem que era para agradar ao tal crítico, tirei os jacintos, mas deixei as dálias. Bom fim-de-semana.

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    2. Rosário, por amor de deus, não o devia ter feito.
      É que deixou o homem órfão de pai!

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  14. O que eu acho é que as palavras são como as cerejas, e como estamos no tempo delas...
    Mas já fui lá fora limpar as botas, e agora vou voltar a entrar, desta vez em meias, à oriental.
    Não conheço o livro nem a autora, vou tentar espreitar o livro quando for à Bertrand.
    Como não tenho FB não li nada, apenas fiquei um pouco triste, mas deve ser da chuva que está neste momento a cair!
    Mas gostei de ver que o extraordinário Courinha regressou.
    :)
    antonieta

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  15. Acabo de ouvir a entrevista da Carla Maia de Almeida,feita pelo Luis Caetano na Ant2.
    Sera quase impossivel deixar de ler este livro,depois de a ouvir comenta-lo.
    Que doce de mulher!

    Obrigado Maria do Rosario.

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    1. Agridoce! (desculpem, um dos comprimidos deve ter-me caído das mãos)

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  16. Trabalho numa biblioteca (na sala infanto-juvenil) e lamento a quantidade de livros de péssima qualidade que me passam pelas mãos.

    Despertou a minha curiosidade. Sem dúvida, vou procurar o livro.

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