Ídolos

Na semana passada, na crónica diária que escreve para o Público, Miguel Esteves Cardoso dizia estar arrependido de não ter conhecido pessoalmente um dos seus ídolos – Samuel Beckett – com quem trocara correspondência e que se oferecera numa dessas cartas para um encontro ao vivo. Não teve coragem, mas, quando soube da morte do dramaturgo, teve uma pena imensa de não ter conversado com ele – e, por isso, incentivava os leitores a não cometerem o mesmo erro se tivessem oportunidade de estar com os respectivos ídolos. Para mim, infelizmente, já não vai dar – porque o escritor que mais admiro, aquele de quem amo cada verso (William Buttler Yeats, poeta irlandês que ganhou o Nobel nos anos 1930), já não está vivo há muito tempo, na verdade morreu muito antes de eu ter sequer nascido. Mesmo assim, sei, por experiência própria, que o convite de Miguel Esteves Cardoso não é isento de riscos, tanto mais que, como editora, tive oportunidade de conhecer pessoalmente muitos autores portugueses e estrangeiros em festivais literários e, em certos casos, quase teria preferido ter-me ficado pela leitura dos seus livros, tão antipáticos eram. Em todo o caso, conheço a excitação que pode provocar estar ao lado de um «grande», seja de que área for, e nunca me conseguirei esquecer da estranha sensação que foi viajar numa carruagem de metro em Londres com Paul McCartney – toda a gente a sussurrar, a apontar, a sorrir, e eu feita parva, a jurar a pés juntos que não, não podia ele. Tenho um amigo que viajou de avião ao longo de sete horas ao lado de uma grande actriz norte-americana e cometeu o mesmo erro; quando se levantou no fim da viagem, arranjou coragem para lhe dizer que ela era mesmo parecida com… Pois, com ela própria! Quando percebeu a oportunidade que perdeu, nunca mais se refez.

Comentários

  1. Uma vez, em meados dos anos 1990, viajei de Londres para York num comboio onde estava o Paul Theroux. Não é um ídolo - mas é o Theroux num comboio. Querem melhor?

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  2. Que bom nunca ter havido hipótese de me encontrar com Séneca, Horacio, Platão, Sófocles, Sócrates, Rosseau, Eça de Queiroz, Musil, Homero, que era cego e talvez nem existisse. Porreiro nunca me ter cruzado com contemporaneos entretanto mortos, Saul Bellow, Cardoso Pires: assim dos que eu gostava, ou poderia gostar (na verdade não me interessa muito) uns são difíceis de mais (Cormac Macharthy) outros demasiado fáceis (Gonçalo M. Tavares, a quem uma vez cedi lugar no metro, como se o homem estivesse grávido, ou com dificuldade em mexer-se).

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  3. Caso para dizer, Rosário, que perceber um ídolo é como ser sujeito ao olhar da medusa. Pois para mim ídolos, só mesmo Jesus, e mesmo assim quando for para o inferno em transição pelo céu, espero ao passar por ele na companhia de mais umas vítimas de bombistas suicidas, de mulheres apedrejadas , mutiladas e excisadas, de nados vivos deitados para o esgoto ... não observar este estar calçado com pés de barro.

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  4. Cidália Alves dos Santos26 de junho de 2013 às 01:59

    Há dias dirigi-me a Vila Nova de Cacela para assistir à apresentação de um livro, não pelo seu autor (que até é uma pessoa muito simpática e interessante), mas porque sabia que ia estar presente uma escritora que muito admiro. E lá fui eu, com o livro intruso dentro da mala, inventando discursos para poder aproximar-me e pedir-lhe uma simples dedicatória durante um evento em que não era a protagonista. Infelizmente, e pelo pior dos motivos, ela não pôde estar presente. Voltei para casa decepcionada e com o livro intruso sem sair da sua clandestinidade... Pelo menos, foi interessante conhecer o autor do livro que se apresentava...

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    1. Obrigada pela sua atenção. As razões não foram mesmo nada boas... Da próxima vez que estiver por perto, aviso. Um abraço.

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  5. Além das escolhas óbvias dos Proust, Joyce, Yeats, Corneille, Vitor Hugo (não o do circo), Balzac, Tolstoi, etc... Tinha imensa curiosidade em conhecer o Jean Arthur Rimbaud com 16 anos, devia ser qualquer coisas digna de ser vista. Quanto a Jesus: LOL (Pedro, este papa anda-te a dar a volta à mioleira).

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    1. Por acaso João, grande Francisco, grande Franciscano, eu que até acho que Deus só pode ser um astronauta extraterrestre. Mas também por acaso João, embora sejamos todos santos e pecadores, o Jesus que estava a pensar era aquele tipo com mau feitio, de guedelha comprida e a mascar chiclete. E depois de ver o Moisés a trepar esforçadamente a montanha nunca mais acreditei em ídolos ou bezerros de ouro, só consigo ver seres humanos ou não assim tão aparentados.
      O Extraordinário Rentes de Carvalho conta em baixo uma história engraçada e estou a lembrar-me… de um elevador na Amoreiras.
      Entra o Jô Soares e vira-se para a minha filha:
      «Linda menina!» diz ele querendo ser simpático e com a bonomia que lhe conhecemos.
      Eu, que estava distraído, e num dia com pouco mais de pecador e menos de santo, sem o ver, contraponho:
      «Minha filha!»
      O Jô olha para mim de baixo para cima dos meus mais de 190 cm e diz:
      Jô Prazer!»
      Ao que só consegui responder até baixo dos seus 165 cm, mas do largo dos seus 165 cm de diâmetro de pura simpatia e talento:
      «Pai da filha! O prazer é todo meu!»
      Ele há dias mesmo assim, de mensagens distorcidas, em que o transmissor não está em sintonia com o receptor!

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  6. Dos escritores que conheci (poucos),
    destacaria quatro que não me desiludiram absolutamente nada, antes pelo contrário: Eugénio de Andrade, Mia Couto, Inês Pedrosa e José Luís Peixoto.
    E isto porque tive oportunidade de conversar um pouco com eles para além da mera fila de autógrafos.
    Estou-me também a lembrar do Pedro Abrunhosa que quando veio dar um concerto aqui na cidade, resolveu aparecer no Grupo de Poesia da Elsa Ligeiro e acompanhar-nos na leitura de alguns poemas.
    Isto para não falar no fantástico ambiente dos concertos em Belgais, com a Maria João Pires a servir-nos uma malguinha de sopa no intervalo...
    Poucos mas bons!
    Antonieta

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  7. J. Rentes de Carvalho26 de junho de 2013 às 03:11

    Setembro de 1970. Estou em Lisboa a fazer um trabalho para a televisão holandesa, confortavelmente hospedado no Hotel Tivoli.
    Uma tarde, à espera do ascensor, vejo-me ao lado de Henry Fonda. Quero ser cortês e apanho um susto.
    - Welcome to Lisbon, Mr Fonda.
    - Thank you very much, Mr. Carvalho.
    Momentos antes, ao meu lado, ouvira o porteiro dizer o nome. Agora ria ele do alto dos seus quase dois metros, eu cá em baixo, de cara à banda com o inesperado gracejo.

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  8. O ano passado na Feira do Livro do Porto, encontro inesquecível com o autor de "Com os Holandeses", logo aqui acima deste meu comentário, a quem peço também para assinar o seu livro "A Sétima Onda" e que me responde, com o seu jovial e irónico sorriso, "esse eu não devia assinar, porque o editor nunca me pagou os direitos de autor". Mas claro que assinou e me esclareceu algumas das minhas curiosidades sobre os holandeses nomeadamente sobre a proverbial forretice desse povo. A ler sempre, o nosso patriarca literário.

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  9. António Luiz Pacheco26 de junho de 2013 às 03:29

    Ídolos? Ora… fazem falta, precisamos deles, ainda que não o queiramos assumir! É humano… e acho que estimulam o que de melhor temos em nós, ainda que com pés de barro (eles…) porque para mim o ídolo é isso mesmo, é o que idealizo e vale por isso!
    Tenho-os tido e ainda tenho, claro…
    Dentro do nosso pequeno Mundo, e daquilo que fazemos ou gostamos, eles aparecem sempre e até de modo espontâneo, o que é sinal de que estamos abertos e fazemos parte de algo. Um eremita ou um náufrago (da vida ou do mar), um santo… esses creio que não os terão nem precisam deles|
    Alguns desses ídolos conheci-os e confesso não ter tido decepções, talvez porque sejam “idolozinhos”, à minha medida e da minha insignificância, se bem que para mim sejam grandes… tive a felicidade de conhecer e me relacionar com o Mestre José Pardal, um caçador africano de renome Mundial, celebrado autor de dois livros extraordinários, editados em várias línguas – ele terá sido um dos maiores e dos últimos caçadores de elefantes contemporâneos. Isso para citar um, também escritor e porque de literatura falamos. O mestre Pardal (oferecia-me um estalo cada vez que o tratava por senhor), foi ainda e além de tudo o mais um grande Homem e português, desses que tanto apeitam as cargas da vida como as dos grandes “cambacos” (grande elefante solitário), e portanto uma autêntica fonte de inspiração.
    A outros, como Miguel Torga não tive a oportunidade de conhecer… mas tenho caçado com antigos companheiros seus pelos sítios que pisou e onde aposto que terá tremido com o saltar das perdizes. Oiço-lhes falar dele, até parece que o sinto a ele…
    Gostaria de ter conhecido Henrique Galvão, a despeito do seu mau-feitio, pois também me fascina… e Hemingway claro, Aquilino e Bulhão Pato com tem teria certamente ido dar uns tiros, depois fazer um petisco e beber uns copos a contar mentiras!
    Gostava muito de ter conhecido António Gedeão cujo fascínio pela vida que consigo entrever da sua poesia (logo eu que nem sou leitor de poesia) e terei de me ficar pela amizade da sua filha Cristina (está aí minha cara?) que sinto como que sendo um bocado ele na forma serena de também entender a vida.
    Ah… ídolos… fazem-nos falta sim! E é bom conhecê-los - calma meu caro Severino não te ourices, não estou a falar de um programa televisivo… eheheh!

    Saudações Kaluandas!!!

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    1. Obrigado Pacheco por te teres lembrado de mim.

      Os ÍDOLOS não me chateiam tanto, o que me chateia são estes reallty shows (não sei se é assim que se escreve), em que o Mr Edd o Cavalo que Fala (só os mais velhos se lembrarão desta série televisiva ) dá asas ao seu histerismo naquela bosta que é esse intragável Big Brother ; e que me dizem àquela coisa que entra naquele programa dos saltos prá piscina (aquela puta do Castelo Branco, não sei se é uma puta se é uma coisa, aquilo não é nada), obviamente que não posso com estas inenarráveis coisas... Mas atenção só digo que são inenarráveis porque já vi (mais do que uma vez).

      Conheci José Gomes Ferreira todo desgrenhado e despenteado mas uma simpatia fantástica.

      José Cardoso Pires , era eu ainda um puto e quando saía do trabalho passava, ao fim da tarde, pelo Chiado e entrava na Bertrand e meti conversa com o José Cardoso Pires simpático mas não muito falador.

      Manuel da Fonseca, uma simpatia que me respondeu quando lhe perguntei (no eléctrico) se estava a escrever algum livro (tinha acabado de ler "ALDEIA NOVA"), hoje já escrevi dois, respondeu ele a rir ...

      Miguel Esteves Cardoso nada simpático (há dias assim...)

      MIA COUTO (assim mesmo em maiúsculas) um SENHOR.

      Gostava muito de ter o prazer de conhecer pessoalmente esse magnífico escritor que só descobri há 2/3 anos com o magnífico "COM OS HOLANDESES"

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  10. Eu gostava muito de conhecer o próprio Miguel Esteves Cardoso. Embora seja conhecido como cronista, gosto mais dele como romancista.

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  11. graças ao jornalismo tive a oportunidade de conhecer muita gente de várias áreas da sociedade.

    da minha experiência pessoal, posso dizer que os escritores até são das pessoas mais reservadas e simples, com menos tiques de vedetismo (salvo as excepções da ordem, claro...).

    o lugar onde existem mais "ídolos com pés de barro" é mesmo no futebol.

    é uma autêntica desilusão.

    hoje, às nove da manhã, enquanto cortava o cabelo, percebi mais uma vez isso (até escrevi no meu blogue sobre este encontro fortuito na barbearia com um "velho ídolo do pontapé na bola") ...

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    1. Jogadores de futebol? que pena que eu tenho de gostar tanto de futebol...uns autênticos atrasados mentais, nem dá para comentar.

      E quando eles ao fim da noite chegam a um país estrangeiro, noite cerrada, os emigrantes que fizeram não sei quantos Kms para os ver (outros atrasados mentais - não generalizo) e os jogadores de futebol entram de óculos escuros e phones nos ouvidos (será para não serem reconhecidos?) e nem olham para os emigrantes...uma autêntica pérola!

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    2. é verdade, Severino.

      não têm noção do que representam socialmente.

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  12. Durante muito tempo pensei que gostaria de me encontrar com John Steinbeck por quem nutro uma profunda devoção. Tendo lido toda a sua obra várias vezes e alguma em várias línguas, como o o homem já não era vivo, decidi-me a ler todas as biografias disponíveis. Um erro monumental. Não porque me tivesse desiludido minimamente quanto às expectativas que tinha quanto à sua grandeza moral. Mas sim por uma enorme tristeza. Como poderia um Homem tão Grande não ter sido completamente feliz. Finalmente, é uma estupidez monumental querer saber a vida de quem amamos sem perceber que o amamos por aquilo que ele quis que merecesse ser sabido (sobre ele e sobre a Vida).

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    1. Emmanuel - JOHN STEINBECK - absolutamente fantástico - eu vi, no livro "A LESTE DO PARAÍSO" um cágado a subir um passeio, eu vi!

      Vi um agricultor cair dum pessegueiro e partir uma perna , eu vi!

      Fantástico!

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  13. Magnífica definição de «livro e escrita» no seu tempo contado de ontem.
    Thank you Mr. Carvalho!
    :)
    Antonieta

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  14. Eu, pelo contrário, tenho um completo pudor em abordar celebridades ou simples figuras públicas, a menos que as conheça pessoalmente. Sou mesmo do género de passar fingindo não os reconhecer. Não obstante, abordei JRicardo Pedro e MRP na penúltima Feira do Livro motivado por uma troca de comentários aqui mesmo, que depois teve seguimento em mais um par de mails interessantes com JRP . Foi completamente fugaz, mas agradável.

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    1. Recordei entretanto: há bem uma dúzia de anos entrei desabrido sem ninguém cumprimentar no wc da estação de serviço da A1 em Leiria, sentido descendente, e quem se aliviava no urinol à direita do meu, quem? Pois o grande Mário de Carvalho, de olhar vagamente fixo no azulejo a dois palmos do seu nariz, talvez congeminando os dois coronéis. Como pude quase esquecer?

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  15. Noite de trabalho durante os Censos de 2011:

    Conheci e falei com Luandino Vieira durante mais de uma hora. Falamos de livros, de autores, de Eurípides e Vergílio... tergiversamos um pouco sobre Faulkner e... em tudo isso, pareceu-me um homem muito humilde, talvez um pouco... desiludido (pura impressão que pode bem estar errada) com a vida, mas, de uma simpatia e paciência profundas.

    Escusado será dizer que a papelada dos censos ficou para outro dia...

    Outra nota:

    A minha mulher viu, em Braga, já nos idos do outono de 2006, um homem sentado na esplanada do café Viana em Braga (lendo talvez o Washington Post?). Pareceu-lhe familiar a sua cara e ficou minutos a olhá-lo embasbacada. A certa altura, ele sorriu e acenou, e ela, reconhecendo-o, assustou-se e fugiu a sete pés.

    Até hoje, jura pela alma que era o Robert de Niro.

    Vá lá! São experiências de vida. Aquela gente existe mesmo!

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    1. Perdoem-me a gralha ao nomear a cidade por duas vezes.

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  16. Ao ver uma cara conhecida, tenho tendência, num primeiro momento, a pensar: "olha, é mesmo parecido com fulano!" Antes de me aperceber que é ele mesmo.

    A mim, só me calham jogadores de futebol e atores. Uma vez, no aeroporto Francisco Sá Carneiro, vi alguém que me "fez lembrar" o jogador Fernando Couto. E uma outra vez, "alguém parecido" com o João Vieira Pinto (ainda jogador), voou comigo (quero dizer: no mesmo avião) de Lisboa para o Porto. Li, depois, que, nesse mesmo dia, João Vieira Pinto tinha estado em Madrid, a fim de receber um prémio. Foi no início dos anos 1990. E, numa outra vez, de regresso à Alemanha, eu e o meu marido demos, no aeroporto de Lisboa, com a equipa do Benfica em peso (do tempo do Nuno Gomes e do Rui Costa).

    Em 1996, de visita a Londres, um dos membros dos Take That cruzou-se connosco, em Chelsea. Não sei como se chama, era um que costumava usar aquelas trancinhas no cabelo, mais típicas dos negros. Eu e o meu marido ficámos embasbacados a olhar para ele, que nos sorriu. Pareceu-nos bem simpático.
    Ainda nessa visita, estava eu, na rua, à espera do meu marido, que não havia maneira de sair de um certo estabelecimento, quando vi um homem baixinho a acenar a um táxi. Pensei: "aquele parece mesmo o Tom Cruise!" De repente, pensei que podia ser mesmo ele, mas não tive ocasião de confirmar, pois, entretanto, já se enfiara dentro do táxi. Mais tarde, vim a saber que o episódio se passou na altura em que ele e Nicole Kidman viveram em Londres, a fim de participarem no filme "Eyes Wide Shut", do falecido Stanley Kubrick.

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    1. E esqueci-me de outro ator. Desculpem lá, mas já agora:

      Nos meus primeiros tempos em Hamburgo, ia eu de bicicleta, a passar em frente aos estúdios da estação televisiva NDR (a componente norte da ARD, o primeiro canal alemão). Ia a sair um carro do parque de estacionamento dos estúdios. Apesar de ter prioridade, em casos destes, tento o contacto visual com o/a condutor/a e, se chegar à conclusão de que ele/ela não se apercebe de mim, até paro, pois, num choque entre uma bicicleta e um carro, já se sabe...
      Apesar de o condutor em questão se ter comportado de maneira exemplar, travando, para me deixar passar, eu quase caí abaixo da bicicleta, quando me apercebi que havia tido um contacto visual com o Klaus-Maria Brandauer!

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  17. Todo o Homem tem o seu Ídolo, seja ele real ou não - acreditar nele faz com exista realmente. Conhecer o Ídolo é dos maiores riscos se que podem cometer na vida - a pensar na desilusão que muitos têm quando criaram a imagem de uma personalidade que em nada coincide com a realidade -, mas também podem ser das fortunas e momentos que nos podem marcar para o resto da vida. É complicado, mas nem por isso desistimos dos nossos Ídolos.

    Eu tive a oportunidade de conhecer Inês Pedrosa numa apresentação do seu último livro; tive a oportunidade de lhe fazer questões e ela teve a frontalidade de as responder; tive a vontade de lhe pedir que autografasse um livro e ela concedeu com a maior simplicidade. Fiquei ainda mais curioso pela sua obra.

    Outros partiram e que não tive a oportunidade de conhecer como Saramago; outros continuam por cá, mas será difícil conhecer ou ter a oportunidade como Simone de Oliveira.

    Enfim... a vida é mesmo assim.

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  18. Em 97, numa das minhas idas a Coimbra, encontrei o John Malkovich a passear nos Claustros da Igreja de Santa Cruz, com a mulher e as duas filhotas.
    Eu sabia que ele tinha cá negócios e que vinha muito a Lisboa, mas não estava nada à espera de o ver a fazer turismo em Coimbra.
    Não tive coragem de dizer nada, afinal ele estava a passear com a família, embora eles tivessem sorrido para mim quandos nos cruzámos, provavelmente pensando «esta parvalhota conheceu-me e agora não diz nada».
    Antonieta

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  19. Cara Maria do Rosário,

    Por coincidência, um dos meus maiores ídolos (por vários motivos, mas como dizia a outra, "isso agora não interessa nada") é um enorme apaixonado por YEATS. Tanto que gravou um álbum só com músicas que escreveu sobre poemas dele.

    O álbum chama-se "an appointment with Mr Yeats"

    Muito antes disso, gravou uma música, incluída num dos álbuns da minha vida, sobre o poema "the stolen child".

    Tenho dúvidas que o álbum que menciono acima seja a sua "praia", mas acredito que goste desta maravilha:

    http://www.youtube.com/watch?v=Jg-oJKYIinQ

    Há uns anos viajei pela irlanda e estive em vários locais "yeats related", no oeste da irlanda, um paraíso na terra. recomendo vivamente, caso não conheça.

    Rui Miguel Almeida

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    1. PS: não perdi a primeira oportunidade que tive de conhecer o meu ídolo. Foi em Lisboa, em 2000. Hoje em dia tratamo-nos pelo nome, trocamos ocasionais emails e uma ida a um concerto já implica um get together, antes ou depois. A próxima vez será em Cascais, em Setembro. Mal posso esperar!

      Rui Miguel Almeida

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  20. Extraordinária Antonieta

    Essa da malguinha de sopa servida por Maria João Pires em Belgais também aconteceu comigo. Foi num dia de música norueguesa em que ficamos a conhecer José Gomes Ferreira como compositor.

    O pior é que a invasão do Iraque estava pronta a arrancar e ela que tanto lutou contra isso, inclusivè nessa noite.

    Saudações.

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  21. Era eu um jovem estudante de Arquitectura, fui a Milão com dois colegas mais velhos (já formados) e conheci pessoalmente o Arq. Aldo Rossi – ao tempo o nosso grande ídolo.
    O atelier de Rossi era no último andar – o 4º? – de um belo edifício construído, salvo erro, no séc. XVII.
    Ele estava sozinho naquele momento, talvez a meio da tarde, rabiscava os seus magníficos desenhos, uma garrafa de whisky e um copo sobre a mesa de trabalho. Recebeu-nos cordialmente (um dos meus colegas fora seu aluno e colaborador), mas manteve-se sentado.
    Eu já havia estado anteriormente na Itália, e, além disso, no curso estudávamos bastante por livros italianos, de modo que não me foi difícil participar na conversa. Durante esta, eu, atrevidote, referi que havia reparado na concepção da escada que acabáramos de subir até ali.
    O caso é que o edifício tinha sido concebido de maneira assaz inteligente: a distância entre os pisos ia diminuindo à medida que se subia, e a escada começava por ter degraus altos e estreitos, que iam ficando mais baixos e largos à medida que se avançava de um piso para o superior. O esforço de subir ia sendo compensado pela suavidade.
    Não estou bem certo do que vou dizer a seguir. Ele levantou-se, veio até mim, deu-me uma palmadinha no ombro, e fomos até ao patamar, ele de copo na mão. A luz que vinha da magnífica claraboia permitia-nos ter uma visão clara do desenvolvimento da escada. Ele, apoiado no cotovelo sobre a balaustrada, beberricou mais um pouco e ficou contemplativo, acenando que sim com a cabeça. Voltámos para dentro, e ele anunciou aos meus amigos que eu tinha sido a primeira pessoa a ter a iniciativa de falhar-lhe daquele subtil pormenor da escada inteligente. Depois desenrolou umas cópias do levantamento arquitectónico do edifício, nas quais se viam apontamentos a lápis assinalando aqueles pormenores da concepção da escada. A mão livre abraçando-me queria dizer que ele – e, finalmente, mais alguém, no caso eu – tínhamos reparado naquela particularidade.
    Mas isto sou eu a relatar agora, mais de quarenta anos passados a fantasiar aquele episódio – sendo certo que foi a partir daquele momento que venci os meus preconceitos relativamente ao whisky, com o qual, embora titubeante, agora mesmo lhe brindo, onde quer que ele esteja.

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  22. Olá amalivros!

    Então estivemos ambos lá, foi em Fev/03 no concerto da Escandinávia.
    Maria João Pires, Ricardo Castro (fantásticos naquela peça a quatro mãos, lembra-se?) e Luís Lucas na narração.
    Recordo tbém O Concerto do Solstício, dedicado ao Japão, em 21/06/03, já realizado ao ar livre e que terminou ao luar, só que não houve Blue Moon nesse ano.
    Crianças e cães circulavam por ali à vontade, e até se podia ouvir um ou outro coaxar das rãs vindo do pátio das laranjeiras.
    Eram sábados mágicos, sempre às 16h, e onde não raro «tropeçávamos» em gente famosa, assim do género do Prof. António Damásio, nada de Josés Castelo Branco por ali...
    Era bom mas acabou, nós gostamos mesmo de correr com os nossos melhores.
    :)
    Antonieta

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  23. Olá Rui Miguel Almeida,

    «I saw the crescent
    You saw the whole of the moon!»

    1985, This is the Sea, Waterboys, Mike Scott.
    Esta música está ligada a um dos melhores momentos da minha vida.
    Como tbém gosto muito do Yeats fiquei com curiosidade de conhecer o álbum que refere.
    :)
    Antonieta


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    1. Bom dia Antonieta,

      Sou um enorme fã de Mike Scott. O album do Yeats é o mais recente, procure as músicas no youtube que facilmente encontra. A sonoridade é diferente daquela pela qual os waterboys são reconhecidos. Espero que goste!

      Beijinho para si,

      Rui Miguel Almeida

      PS: se quiser reviver "the whole of the moon" e outros clássicos ao vivo, reserve o dia 7 de Setembro, em Cascais.

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  24. Também eu amo cada letra, cada palavra, cada linha que escreveu W. B. Yeats, mas esse longínquo nunca o poderia ter conhecido.
    Contudo, "grandes" tenho conhecido, falado, convivido com muito grandes, a começar pela própria Maria do Rosário Pedreira e outros portugueses em várias áreas que considero - muito grandes - a não ser que o meu conceito de "muito grande" esteja errado, que não me parece que esteja.
    Não estando errado, a pessoa "muito grande" e em várias vertentes (científica, literária,fotográfica, etc, etc, etc) que mais intimamente conheci foi meu pai Rómulo de Carvalho. Mas também conheci Rod Stewart num saguão de um prédio, em Londres. E espero que John Banville me visite para jantar cá em casa um dia destes pois o maior amigo dele de toda a vida é meu amigo e vizinho (também irlandês) e já me prometeu que o traria cá.

    Cristina Carvalho

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  25. Certamente haveria muit@s outr@s mas João Aguiar era especial.

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  26. ... e eu ali a vê-la, no dia em que Aldina Duarte cantou no CCB, nos ''dias da música'' e, cheiinha de vergonha, não lhe disse quanto admiro a sua poesia, a cantada e a outra. Coisas!! Mas, talvez prefira assim. Actualmente há um exagero nesse aproximar aos ídolos, e eu sou antiga. Fico-me no meu papel de consumidora. E não gosto nada de me misturar com os admiradores que nunca leram uma linha dos autores que adulam! Olhe, continue a escrever para eu ler, que já é muito bom!

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