Escritores no Porto
Como se sabe, este ano não se realizará a Feira do Livro do Porto pela primeira vez em várias décadas. O argumento de Rui Rio de que não tem porque ajudar os editores cai por terra imediatamente se pensarmos que os ajudou desde que ocupa as funções que ocupa – a menos que esteja a assumir a sua incompetência nos anos anteriores, mas não creio. De qualquer modo, os escritores existem para lá da Feira do Livro do Porto e sabem que devem à Invicta a sua participação. Assim, sob a liderança de Luís Miguel Rocha e com a especial colaboração de Manuel Jorge Marmelo, valter hugo mãe e Miguel Miranda, decidiram juntar-se e oferecer na Praça da Liberdade leituras, tertúlias e sessões várias para não frustrar o público leitor da segunda cidade do País. O grupo Não há feira, mas há escritores conta com o contributo de muitos nomes da literatura nacional, nem todos oriundos do Porto, seja de forma presencial, seja através de textos escritos para o efeito. As sessões decorrem a partir das 17h00 dos sábados 22 e 29 de Junho. E ainda existe um blogue onde os que não podem ir, mas se sentem naturalmente indignados com o vazio, escrevem o que pensam sobre a matéria. Custe o que custar ao senhor Rio, vai haver escritores no local onde se costuma realizar a feira – e estão de parabéns sobretudo os que se lembraram da iniciativa. Para eles, o meu extraordinário abraço.
Que crime, que vilania, que incrível estrebuchar de dentes. Estava eu a ler o Ortigão e os seus conselhos a um jovem poeta «poça, lá porque passei temporalmente dos 40, não deixo de ser jovem…ou não?» que dizia que «Em Portugal há honestos empregados públicos, probos negociantes, pacíficos chefes de família, discretos bebedores de chá com leite e do palhete Colares destemperado com água do Arsenal, que seguiram o género de Baudelaire …» quando senão, «Como porém Baudelaire era corrupto e eles não são corruptos, como Baudelaire era um dândi e eles não são dândis, como Baudelaire viveu no boulevard dos italianos e eles vivem na rua dos Bacalhoeiros…», e mesmo, quando senão, a página se virou e lá fui parar à massa de matar ratos: «Ó Lemos! Ó afamado livreiro! Como tu és especial… O teu estabelecimento comercial não é simplesmente uma loja; é um método, é um sistema…»
ResponderEliminarAh, ok! Isto compreendemos nós! O sistema!
Mas continua o amigo Ramalho: «Mas não! agora reparamos que possuis também a massa de matar ratos!»
OK! Agora já nos situamos. E termina o compincha Ramalho: «Logo que a pátria te pague esse tributo de gratidão e respeito, avisa, que queremos ir aí pelo primeiro paquete, antes de tudo para te adorar, e em seguida para travarmos relações com o “lindo romance” Teresinha ou a menina dos 800$000 réis.»
tenho acompanhado esta movimentação positiva dos escritores no blogue do Manuel Jorge Marmelo (Teatro Anatómico).
ResponderEliminare é uma vergonha o que Rui Rio pensa da Cultura e dos livros em particular. (prefere carros, fazem mais barulho e gastam mais aos 100 mas são menos incómodos...).
Considero esta iniciativa tão boa e meritória que sou da opinião que deveriam mantê-la, mesmo quando a Câmara do Porto ganhar juízo (Rui Rio sairá este ano) e a feira voltar a realizar-se; obviamente com outro nome e eventualmente noutros moldes (porventura encontros com leitores em cafés/bares da cidade, um bocado à semelhança do que fez José Luis Peixoto, igualmente na sequência desta decisão de Rui Rio).
ResponderEliminarEspero que os leitores apareçam, bons escritores é coisa que não falta no cartaz.
Bom fim-de-semana a todos,
Rui Miguel Almeida
Mas a feira do Porto não era paga? As Editoras não tinham que dar dinheiro pela sua casinha?
ResponderEliminarSim, a inscrição é sempre paga. Mas o local era dado pela Câmara, bem como um apoio financeiro, pois, como a maioria das editoras é de Lisboa, o pagamento de deslocações, estadias e refeições aos funcionários que vendem os livros ultrapassa as receitas (na Feira do Porto vende-se muito, mas muito menos, do que na de Lisboa).
EliminarPara além da resposta da Rosário que diz praticamente tudo, o problema é sempre o mesmo. Um país com um governo de «criançolas», que ainda não percebeu (ou não faz perceber) um princípio básico de bom senso. Sem rendimento disponível não há mercado interno e sem mercado interno não há rendimento disponível...nem receitas fiscais, nem ajustamento, nem pagamento de dívida... Mas «dos loucos e dos ignaros não rezará a história!»
EliminarExcelente medida, mas... cuidado! Não vá o "artista" invocar que "são proibidos ajuntamentos com mais de duas pessoas" e exigir autorização do governo civil!!!!!
ResponderEliminarÊxito na iniciativa.
Carlos Reys
E, curiosamente, o Rui Rio até me parece um tipo honesto.
EliminarSerá que, por cada um pavilhão com livros, houver dois com coiratos RR não autorizará?
Quanto a haver escritores mas não haver Feira não tem nada a ver o cu com as calças, quem gosta de livros gosta é de os ver, de lhes mexer, de os olhar, de os procurar (os livros, claro) e até porque sempre achei aquelas conversas dos escritores conversa de ervanária e, na grande maioria das vezes "chata comapotassa "...aquelas leituras feitas pelos escritores parecem-me bacocas e desinteressantes (não estou obviamente a generalizar) mas é o juízo que faço das que tenho presenciado.
Mas é interessante saber quem escreve, ainda que não aumente nem diminua o gosto do leitor:)
EliminarNão viu o filme Words? começa com a sessão de leitura de um escritor sobre o seu último romance. Nele, o público é vasto e parece interessado. Certo, não é em Portugal.
Já ouvi escritores a lerem bocados dos seus livros e também não apreciei grandemente. Mas alguém ler para mim, em voz alta, uma história, a começá-la do princípio, já não me acontece há bastos anos. E se ler a sua história? Melhora. Julgo.
Parabéns aos escritores que organizam e participam dos encontros no Porto.
E BFS
Honesto espero que seja, mas há nele qualquer coisa que não cola... Parece ter aversão a teatros (e a livros?) mas, curiosamente, já o vimos tomar posições públicas desalinhadas com a sua hierarquia partidária nalgumas causas fraturantes, como agora se diz.
EliminarE da APEL que dizer?
ResponderEliminarA obrigação é só da Câmara?
E os grandes grupos editoriais? que papel?
Acho que já respondi acima.
Eliminar"E ainda existe um blogue onde os que não podem ir (...)", alguém me pode dar o link desse blog!?! obrigada
ResponderEliminarGRocha
ResponderEliminarA APEL não deveria ter negociado com a Câmara de Gaia (pelo menos para este ano)?