Contar a várias mãos

Há já vários anos que o editor Carlos da Veiga Ferreira – actualmente da Teodolito, mas ao leme da Teorema durante muitos anos – faz uma joint venture com a FNAC para a edição anual de um pequeno livro de contos (que este ano assinalou o 15.º aniversário da FNAC em Portugal), vendido ao preço simbólico de 4 € e cujas receitas revertem integralmente para a AMI. O Prazer da Leitura, assim se chama a pequena colectânea, é um livro quadrado de capa dura lançado quase sempre por ocasião do Dia Mundial do Livro, e pelas suas páginas já passaram muitos nomes de escritores. Mas há sempre autores que o editor descobre que ainda não convidou e, desta feita, salta à vista na capa o grande J. Rentes de Carvalho (que é, de resto, um talentoso contista) ao lado de três respeitáveis jornalistas – o também poeta Pedro Mexia, o também romancista Francisco Duarte Mangas e a também crítica literária Dóris Graça Dias – e ainda do ficcionista Sandro William Junqueira, de que aqui já falei a propósito do livro Um Piano para Cavalos Altos. A proposta é bastante variada e promete leituras para todos os gostos. E sempre se ajuda uma boa causa.

Comentários

  1. Apesar dos flops do seu presidente na política, reconheço que a AMI faz um bom trabalho, que estão super bem organizados e são, infelizmente, necessários em muito lugar. Sobretudo, como não se cansam de dizer os próprios, nas conferências em que dão conta das actividades da organização, cada vez mais em Portugal.
    Que o livro tenha muito êxito e as receitas aliviem quem mais precisa. Toca a comprar.
    E Boa Semana

    ResponderEliminar
  2. Os nomes apontados são um "selo" de garantia; já o não serão tanto (julgo eu) os Fernandos Nobres e Isabéis Jonet's deste país que fazem a caridade e, ao mesmo tempo, nos dizem que os portugueses vivem acima das suas possibilidades (atenção a quem a senhora se refere aos portugueses...). A caridade sempre foi uma porta aberta para os exploradores e o resto é conversa de ervanária...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há palavras e frases infelizes, que nem todos beneficiamos do dom da retórica. Mas há portugueses a viver acima das suas possibilidades sim: aqueles que nos exploram, aqueles que nos lançaram dentro deste buraco de dívida que eles fizeram e querem que nós paguemos. Isto, julgo, é viver acima das possibilidades. E é ainda ser desonesto - sou modesta a adjectivar -, mal formado, deliberadamente incompetente e assumidamente egoísta. De um egoísmo que pisa o que e quem calhar para sua satisfação. Que talvez se chame malvadez.
      E lá em cima, a cereja: são impunes; que, neles, até a punição sofre transferência: também nos cabe a nós (grande burro de carga é o povo).

      Não sou contra quem ajuda os mais necessitados. Antes aprecio quem sai do seu conforto e cria uma obra solidária. Admiro Isabel Jonet. O que não significa que a santifique. Os santos estão no céu, lugar que ninguém sabe se existe. E quem não erre...

      Eliminar
    2. Não tenho nada contra as pessoas que referiu ou contra as campanhas a que se dedicam, para as quais pontualmente contribuo. O que não aprecio é que o Estado se escude no trabalho que estas instituições fazem e deixe de cumprir o seu papel de regulação de desigualdades e de garantia de oportunidades a todos os cidadãos. É nesse caminho de retrocesso que vamos, parece que por questões económicas.

      Eliminar
    3. Inteiramente de acordo.

      Eliminar
  3. E que dizer do patriota CATROGA que bocejou e disse (mais ou menos isto) que os bons e verdadeiros portugueses devem à pátria, nesta altura do momento menos bom da nação, pelo menos 40 ou 50 horas de trabalho/semanais e, ao mesmo tempo, baixando o ordenado (evidentemente que não o dele, que já é tão baixo....)

    ResponderEliminar
  4. Não sei se já repararam que todos os bons e verdadeiros patriotas trazem (orgulhosamente) na lapela um emblema (agora diz-se pin) -a bandeira portuguesa

    ResponderEliminar
  5. Tenho os 3 últimos livros do «Prazer da Leitura», não consegui encontrar o de capa vermelha (de 2010), que tem um conto aqui da nossa Rosário.
    Da edição deste ano, o meu conto preferido é precisamente «O Papagaio»
    do J. Rentes de Carvalho.
    Os livros valem bem os 4 euros e ainda podemos ajudar uma boa causa, ficamos todos a ganhar, não é?
    A Fnac também costuma editar uns resumos de poesia a 21 de Março, para celebrar o Dia Mundial da Poesia.
    Boas leituras!
    Antonieta

    ResponderEliminar
  6. E é sempre bom ler contos, uma «fórmula» cada vez menos oferecida aos leitores.

    ResponderEliminar
  7. O livro deste ano já está na minha prateleira!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório