A portuguesa
Falei aqui dela antes de existir e temo mesmo que tenha deixado de existir temporariamente agora, que volto a dedicar-lhe um post. Falo da Granta, essa revista que é um livro assinado por muita gente e tem já edições em várias línguas e vários países. Mais especificamente da portuguesa, dirigida por Carlos Vaz Marques e publicada com a chancela da Tinta-da-China. O número de estreia, lançado no início da Feira do Livro de Lisboa, tem o Eu como tema central e é sobre ele que discorrem muitos autores portugueses e estrangeiros. O eu, segundo o director da revista, é o ponto de partida literário por excelência. E excelente é também o primeiro texto desta revista literária, da autoria de Dulce Maria Cardoso, que se joga entre a ficção e as memórias e anda muito rente à filosofia. A fazerem-lhe companhia nas páginas que se seguem Saul Bellow, o Nobel turco Ohran Pamuk, Valter Hugo Mãe ou Hélia Correia, a par de nomes menos sonantes, como os de Valério Romão ou Ricardo Dias Felner. Há ainda outros, claro, mas a revista está aí para ser descoberta por quem gosta de ler e também das fotografias de Daniel Blaufuks, cujo «eu» se reflecte curiosamente quase sempre em coisas alheias. Dizem-me que esgotou – mas, se for verdade, espero que a reeditem em breve.
A Granta é de facto uma revista que vale a pena ler mas atendendo ao mercado e às dificuldades financeiras das famílias, muito me surpreendeu o preço... Esgotou? Ainda bem é sinal que o poder de compra de alguns ainda resiste.
ResponderEliminarPena tenho que a cultura ainda seja um bem tão caro de adquirir...
Um abraço,
Estava a ver que nunca mais falava da Granta! Isto porque eu costumava comentar entre amigos que a Rosário era a Granta Portuguesa, tal era e é o seu talento e/ou dom para descobrir novos escritores.
ResponderEliminarTenho aqui à frente a Granta 7 (1983) com os «Best of Young British Novelists», e ponho aqui só alguns nomes desta lista de 20: Ian McEwan, Julian Barnes, William Boyd, Martin Amis, Kazuo Ishiguro, Salmon Rushdie, Pat Barker. Tudo jovens escritores que se confirmaram ao longo dos anos, tal como as suas apostas na ficção nacional.
Quanto à nossa Granta, acho que está muito boa e esta consegui comprar logo quando saíu, embora me custasse convencer o «livreiro» que a Granta era uma revista em formato de livro, pois ele insistia em dizer que não vendia revistas.
Falei-lhe na Colóquio da Gulbenkian, mas também não sabia o que era.
À tarde telefonou-me a dizer que afinal
tinha recebido mas que era um livro...
E lá fiz 35kms para a ir buscar.
Mas valeu a pena!
Pena também não ser como a edição inglesa que sai com as estações do ano.
Saudações Beirãs.
Antonieta
Ó Caríssima extraordinária Antonieta e, na minha opinião, o livreiro tem toda a razão, a Granta não é uma revista é um livro, por mais que todos os "sabedores" deste mundo lhe chamem revista (sejam eles donde forem) ou então as coisas mudaram de nome; a Granta é um livro de contos - a LER é uma revista de livros - chamemos as coisas pelos nomes!
EliminarPois é Carla também tenho pena que os livros estejam tão caros e acredite que prescindo de muitas coisas (cabeleireira, roupas, passeios, etc.) para poder comprar alguns livros.
ResponderEliminarAs 4 salas de cinema fecharam em Janeiro...
Consegui comprar a Granta com 20% desconto numa Happy Hour da livraria, mas te-la-ia comprado na mesma, tal era a expectativa.
Espero poder comprar a nr. 2 mas não garanto, a minha reforma é das bem pequenas.
Boas Leituras!
Antonieta
Ó caríssimo e extraordinário Severino, a Granta é a edição portuguesa de uma revista literária inglesa, já centenária, chamada Granta Magazine of New Writing (desculpe lá o inglês mas neste caso tem mesmo que ser).
ResponderEliminarSe espreitar a nossa Granta verá que não é só uma revista de contos, também tem poesia e fotografia, e a prosa não tem que ser necessarimente um conto, pode ser um crónica, por exemplo.
Outros exemplos de revistas literárias que parecem livros: A Colóquio Letras da Gulbenkian, a Textos e Pretextos, a Relâmpago, a revista O Escritor...
Mas não fique zangado comigo ok?
:)
Antonieta
A Colóquio é uma revista (não tenho dúvidas) sempre o foi, embora em forma de livro -é o que eu entendo e o meu entendimento é que vale (para mim)!
EliminarDa Granta (livro de contos, pelo menos o nº. 1, chamemos as coisas pelos nomes), já li os contos da Dulce Maria Cardoso (que bom), Valério Romão (uma surpresa, que maravilha), Saul Bellow (excelente), Hélia Correia (um conto um pouco estrambólico como a Hélia...), Ricardo Felner (come-se...tem a ver com o tema), Fernando Pessoa (este não é conto, é + uma selecção poética e foi o único que não me disse nada de nada, apenas curiosos e valiosos os manuscritos mostrados), Ryszard Kapuscinski excelente-sobre África, pela 1ª. vez alguém escreve que os pretos são mais racistas que os brancos) e Afonso Cruz (dele, já li melhor). Quanto às fotos do Daniel Blaufuks ??? serão naturezas mortas? será publicidade à fruta portuguesa? alguém me explica porque é que aquilo é bom??? o que é que aquelas fotos dizem?? a mim nada de nada, mas certamente sou eu que sou um grunho (estou sempre a "massacrar-me" porque leio aqui coisas que estão absolutamente nas antípodas do que eu penso -logo, se esta gente extraordinária é tudo gente culta e sabedora, logo só poderei concluir que sou um absoluto ignorante e sou eu que não entendo...ontem era o Deus HH , hoje chamam livro a uma revista)...
ResponderEliminarNão me levem a mal este meu mau feitio mas preciso de entender as coisas para as poder efectivamente desfrutar.
Ok Severino fico contente que tenha gostado do livro de contos, eu gostei da revista!
ResponderEliminarMas o nome também não interessa nada, o que interessa é termos gostado.
Boas Leituras!
:) Antonieta
Ó Querida e extraordinária Antonieta é esta minha mania que tenho de pensar sempre com a minha cabeça e ver sempre com os meus olhos.
EliminarJá sei que não lê poesia, mas não resisto a transcrever a parte final do poema «Impressão Digital» do António Gedeão (sim, aquele da Pedra Filosofal, aposto que se não leu já ouviu: Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida, etc. e tal).
ResponderEliminar«Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.
Portanto, querido e extraordinário Severino:
Vê um livro? É um livro!!!
E com esta me vou, que eu não tenho net ilimitada e o meu plafond está a acabar...
See you tomorrow! (ahahah)
Antonieta
E tenho o livro lá em casa, à tarde já o vou folhear.
EliminarEsgotou, de facto, Rosário. Aliás, já esgotou segunda vez e a terceira fornada está a ser distribuída esta semana pelas livrarias: já ultrapassámos os 5 mil exemplares. Em todo o caso, quem não a encontrar sempre encomendá-la ou assiná-la. Tornando-se assinante beneficia de um desconto de 25%. As informações necessárias e a ficha de inscrição podem ser encontradas aqui: http://www.tintadachina.pt/granta/books.php?tcsid=197c3023b9dc72e7cad21b988457c94b
ResponderEliminarObrigado pela referência.
Ó Carlos Vaz Marques (que voz), € 18 é muita fruta (que fica por comer).
EliminarÉ um preço exagerado, diria mesmo só para elites (endinheiradas).
Errata: por lapso, falta a palavra \"pode\" no meu comentário anterior. A frase correcta é: \"quem não a encontrar [pode] sempre encomendá-la ou assiná-la\". As minhas desculpas.
ResponderEliminarPois. A Granta foi uma opção até lhe saber o preço. A cultura vende-se cara. Nunca foi para todos, mas é pena que não possa constituir-se como opção universal.
ResponderEliminarTalvez haja um céu de livros à nossa espera, com prateleiras pejadas e nuvens fofinhas de algodão em rama, onde sentemos o espírito para leitura descontraída.
E Bom Dia
onde se pode adquirir a granta?
ResponderEliminarhttp://www.tintadachina.pt/granta/books.php
Eliminarafinal a crise não chegou a literatura.
ResponderEliminarespero que o Gaspar não se aperceba, senão aumenta o IVA. :)
Olá Luís, poeta e guardador das margens do Tejo!
ResponderEliminarNão diga isso nem a brincar, já pensou se ele vem aqui dar uma espreitadela ao Horas?
Quanto à crise, é tudo uma questão de opções...
Eu tenho amigos que todos os dias compram um (ou mais) jornais desportivos. E ainda por cima fumam que nem umas chaminés. Ora isso dá para comprar várias Grantas.
Idem aspas para as amigas que vão fazer as nails ou alisar o cabelo.
Ficam giras que se farta e claro que não lhes sobra dinheiro para comprar Grantas.
Repare que eu não estou a criticar, longe disso, cada um deve gastar o seu dinheiro extra naquilo que lhe dá mais prazer, estou só a dizer que é tudo uma questão de opções!
Tenho visitado o seu Largo mas não consigo abrir a caixa de comentários.
Esperemos então que Mr. G. não apareça por aqui.
Abraço
Antonieta
olá, Antonieta.
Eliminarfiz este comentário, porque não acho normal o que aconteceu com o novo livro de Herberto Helder e agora com a Granta.
o Gaspar é mais futebol, ainda anda a carpir mágoas com o Benfica. :)