A arte de entrevistar

Há jornalistas que fazem um pouco o que calha e outros que fazem quase tudo, mas há alguns jornalistas portugueses que são sobretudo conhecidos pelas suas entrevistas, como é o caso, por exemplo, de Carlos Vaz Marques, um notável entrevistador da TSF que há anos conduz um programa chamado Pessoal e Transmissível, Ana Sousa Dias, que se tornou conhecida num programa de televisão chamado Por Outro Lado, que nos trouxe personalidades fascinantes (nunca esqueci da entrevista a Aldina Duarte, bem como a de uma freira missionária em Moçambique), ou ainda de Anabela Mota Ribeiro, que há anos e anos se dedica a entrevistar pessoas interessantes de variadíssimas áreas, muitas das quais para revistas semanais dos principais jornais portugueses (uma das últimas entrevistas, bastante badalada por causa do presumível insulto a Cavaco Silva, foi a Miguel Sousa Tavares). Infelizmente, como os jornais vão quase sempre parar ao lixo ou à reciclagem e não temos o hábito de gravar estes programas da rádio e da televisão, é muito raro podermos reler, rever ou re-ouvir peças fascinantes. Excepto no caso de Anabela Mota Ribeiro, que teve agora a belíssima ideia de reunir os seus trabalhos num site para quem lá quiser ir ler e consultar. Para o visitar, basta carregar na ligação que está aí do lado direito, entre outros Amigos dos Livros. Pode ser que um dia os outros dois jornalistas façam o mesmo.

Comentários

  1. Obrigada pela dica, Maria do Rosário, vou já lá espreitar.
    Eu tenho um livro da Anabela Mota Ribeiro, de 2003, da Dom Quixote, que se chama «O Sonho de um Curioso».
    Do Carlos Vaz Marques tenho o livro com cd «Vozes do Brasil no Pessoal e Transmissível» da Tinta da China.
    Tenho saudades dos programas da Ana Sousa Dias e da Maria João Seixas...
    Agora só temos o Bairro Alto, vamos ver até quando.
    :)antonieta

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  2. Olá, pode-se ouvir o pessoal e transmissível em podcast. ;)

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  3. os três exemplos são do melhor que há no nosso país.

    excelente ideia a da Anabela.

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  4. O jornalista que faz o Bairro Alto, José Fialho Gouveia, sabe ouvir e dá espaço ao entrevistado. Melhor, vai-o puxando para espaços que sabe que existem nele e são interessantes.

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  5. A Anabela Mota Ribeiro é uma mulher inteligente e que foi muito bela (todos envelhecemos...) tendo sabido cativar, por sagaz uso de ambos os seus genuínos predicados, um público fiel às suas atividades jornalísticas. O único senão é adicionar com demasiada frequência alguma "psicanálise de bolso" às suas interpretações e perguntas aos entrevistados. Ser psicanalista demora muito tempo de prática clínica e desgosta-me aqueles que aligeiram aquilo que é sério, profundo e requer espessura profissional. Ana Sousa Dias e Carlos Vaz Marques não deitam o mesmo suor intelectual (ou pseudopsicanalítico) e por isso qualquer deles cria ambientes coloquiais para mim bem mais agradáveis. E, já agora, acrescento o Luís Caetano que quase diariamente faz belas entrevistas literárias na Rádio Clássica pelas 19.45. E este tem um mérito adicional em relação a todos os outros atrás citados: é um diseur de altíssimo gabarito.

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  6. Olá Artur,
    Eu costumo ouvir a Última Edição na Antena 2 à meia-noite, mas esse horário que refere é bem mais simpático.
    Vou mudar!
    :) antonieta

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  7. Olá Beatriz,
    Subscrevo inteiramente o que diz sobre o José Fialho Gouveia.
    O Bairro Alto de amanhã é com uma nova escritora, que eu ainda não conheço, a Marlene Ferraz.
    A não perder, portanto!
    :) antonieta

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