Road novel mas não só

Francisco Camacho estreou-se na ficção com um romance notável intitulado Niassa, que convocou o aplauso da crítica e arrecadou o Prémio do PEN para Primeira Obra no ano em que foi lançado. Fez uma pausa algo demorada, mas regressa agora com uma road novel singular e fascinante que suspeito venha a ter um destino semelhante à anterior. Chama-se A Última Canção da Noite e traz à cena duas personagens masculinas inesquecíveis: o guitarrista britânico Jack Novak, que era a alma de uma banda de sucesso e despareceu na Roménia durante uma tournée em condições misteriosas, dando origem a muita especulação; e o crítico de música português caído em desgraça David Almodôvar, que foi vítima de uma acusação de plágio (de que não se conseguiu defender decentemente), do desemprego que essa circunstância acabou por provocar (era a estrela de uma agência de publicidade) e de uma história de amor que se interrompeu quando o romance começa – com a existência de uma carta deixada pela mulher com quem vivia, Vera, que constitui mais um desafio do que uma declaração de abandono. Os dois homens acabarão por juntar-se e tornar-se cúmplices durante uma viagem a Marrocos, na qual os leitores serão ajudados a desvendar os mistérios criados pelo romancista, com a promessa de grandes surpresas que passam até por uma guerra que encheu as parangonas dos jornais não faz muito tempo. E eu também prometo umas horas muito bem passadas com A Última Canção da Noite, um romance com diálogos admiráveis, muito cinematográfico, de que se podia fazer por acaso um grande filme. A ler, absolutamente.


 




Comentários

  1. A capa é bonita, e se o livro for tão bom como o resumo então não poderemos perder.
    Mas estou sempre a questionar-me: como é que arranjo espaço e tempo para ler tudo...eu bem gostava.
    A propósito qualquer dia teremos de falar aqui nos LIVROS QUE NÃO LEMOS, aqueles que comprámos e que continuam lá na prateleira a perguntar-nos - mas quando é que me lês...eu tenho lá alguns há uns bons anos na bicha (esqueceu-me, agora diz-se fila) para ler.
    Ainda ontem comprei numa feira de rua sete livros a €1 cada um (cinco daquele colecção do INDEPENDENTE de capa amarela-alguns excelentes) e 2 volumes das OBRAS COMPLETAS de Antero de Quental (CARTAS I e II) e já lá estão na bicha...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Belíssima ideia, Severino! Também tenho imensos livros imperdíveis aguardando vez. Todos desejosos de me virem para às mãos. Ou eu desejosa de lhes ir parar aos regaços... :)
      Penso que também foi sua a ideia de instituir-se um dia para " O que andamos a ler". Estou certa? Muito dinamizador, sim senhor! Apoio a ideia, portanto.

      Eliminar
    2. :)) estou solidária consigo, por acaso digo sempre bicha e logo me repreendem, "diz fila". Entendo que se as palavras ganham novas significações, ou elas se tornam moda, não significa que percam as antigas. Bicha tornou-se inestético. Mas gosto de contrariar.
      Não tenho livros em lista de espera:) é verdade que compro na medida do que posso ler. Sem investimentos futuros. Mas vou gosta de ler o que deixam para quando:))

      Eliminar
  2. Boa ideia Severino!
    Eu agora ando nas limpezas da Primavera (Prima quê?), ou seja, tirar os livros das prateleiras, limpá-los um por um e voltar a colocá-los, aproveitando para espreitar alguns.
    Até tenho vergonha de dizer quantos encontrei ainda por ler...
    Mas como dizia Borges: «Sei que vou morrer sem conseguir ler todos os livros que tenho, mas não consigo passar por uma livraria sem entrar e comprar mais alguns».
    E a Maria do Rosário não nos dá tréguas, quase todos os dias nos faz propostas irresistíveis!
    :)
    antonieta

    ResponderEliminar
  3. Bom dia,

    Já apontei o nome, fiquei curioso e com vontade de lhe dar uma oportunidade. A espreitar assim que possível.

    Severino, grande ideia a sua. Apoio a implementação desse tópico de conversa.

    Boa semana a todos,

    Rui Miguel Almeida

    ResponderEliminar
  4. Pelo resumo presumo que seja daqueles que me prendem em poucas horas, e quando vou a ver: ups já foi devorado.
    Vou começar a ler A sombra do vento de Carlos Ruiz Zafón e ainda ando a ressacar o rapaz do pijama às riscas que li, numa tarde, pela segunda vez depois de ver o filme...

    Um abraço e que tempo não nos falte, mesmo faltando...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Dois grandes livros, mas "O RAPAZ DO PIJAMA ÀS RISCAS" gostei imenso do livro não tanto do filme...como normalmente acontece.
      Só me lembro dum filme que gostei tanto como do livro "O LEITOR" de Bernhard Schlink

      Eliminar
  5. Recordo-me perfeitamente do "Niassa" embora não o tenha lido: não conhecia o autor e outros livros intrometeram-se. Vou tentar não passar novamente por cima deste. A ler, portanto.

    ResponderEliminar
  6. António Luiz Pacheco20 de maio de 2013 às 03:17

    Li "Niassa" (e como não...).
    É o meu género de livro mas atrevo-me a dizer que não é de todo o género de livro da grande maioria dos nossos Extraordinários... pelo que aqui vou percebendo.

    Gostei, mas não o achei assim tão fantástico... é original pelo tema isso sim, quero dizer entre os nossos escritores cuja escola do sucesso parece ser escrever sempre com toneladas de carga psicológica, urbana e depressiva ou deprimente...
    Este é um romance de busca e uma espécie de regresso, ligeiro, com alguma cor local e exotismo que se lê bem, na praia ou férias... coisa desse género. Não tem a carga de cultura nem de nos afundar em pensamentos profundos tão na moda.
    É um relato... bem escrito e que se lê de uma assentada, como quem bebe uma imperial!
    Vou ler este com curiosidade, pois promete pela descrição, e, creio que faz parte também daquilo que eu gosto de ler.

    Saudações do Planalto Central

    ResponderEliminar
  7. Olá Carla,
    Aquele final faz-nos ficar com um nó na garganta, não é?
    Eu acho que até chorei, fez-me lembrar tanto «A Escolha de Sofia».
    Falando em livros para ler, comprei há uma semana o novo do John Boyne, que se chama «A Coisa Terrível que Aconteceu a Barnaby Brocket» e é sobre um rapazinho diferente dos outros.
    Esse do Zafón li-o em 2004, aquando da primeira edição, e gostei imenso.
    :)
    antonieta

    ResponderEliminar
  8. Considera a anfitriã que este livro merecia uma divulgação/realização cinematográfica. Vindo esta opinião de quem vem, estou em crer que o merece.
    Confesso que ainda não o li, embora já tenha lido "Niassa".
    Aproveito este ensejo para confirmar tudo o que disse em comentário anterior ao livro da Ana Margarida de Carvalho e reforçar a ideia de que é um livro a adpatar ao cinema. E quanto antes. Acabei de ler a segunda metade e fiquei deveras impressionado com ele, apesar de dois pequeníssimos lapsos históricos que encontrei. Confesso-vos que fiquei tentado a ler algumas partes ao som da música do Zeca Afonso, especialmente o "Maio Maduro Maio". Vale a pena juntar as duas artes, porque se interligam e complementam.
    Relativamente ao Extraordinário Severino e à sua ideia pregerina de se confidenciar o que se não lê, coloco, da minha parte, algumas reticências. No meu caso, ainda que custe, leio sempre todas as obras, ainda que o sacrifício faça de mim um tolo por apostar nesse princípio; no caso de outrem, suponho que uma obra inacabada de leitura poderá ser recuperada e concluída posteriormente.
    Custou-me ler na íntegra o premiado de 2012 da LeYa, mas li-o. Tenho para mim que uma das metades dos livros pode compensar a outra. É esta a minha opinião, sem querer, como é óbvio, tecer qualquer oposição à iniciativa do Severeino, que é um leitor de referência.

    ResponderEliminar
  9. António Luiz Pacheco21 de maio de 2013 às 01:15

    Já agora, outro comentário de traça literária:
    Road novel...
    É curioso, mas acho que tanto se aplica ao conteúdo ... enfim a novela do itinerante ou de um itinerário, como ao leitor, pois que se lê em viagem...
    É um termo deveras interessante por largo, ou estarei a divagar?

    Saudações itinerantes do Planalto Central

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório