Rei da poesia

 Tenho andado com tanto que fazer que até me esqueci de avisar que, pela segunda vez na história, o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana foi atribuído a um português. A única portuguesa que antecedeu o premiado deste ano foi Sophia (que tinha nome de rainha, pelos vistos) e agora o galardão vai para Nuno Júdice, com mais de quarenta anos de livros publicados, entre poesia, ensaio e ficção (o mais recente romance do autor, Implosão, está, de resto, a dar que falar por pôr o dedo na ferida dos tempos que vivemos). Nuno Júdice, já se sabe, é um dos mais consagrados poetas nacionais, um dos mais traduzidos e já premiado internacionalmente várias vezes. Mas desta feita o júri tinha nada mais nada menos do que 18 membros (parece que Lobo Antunes estava entre eles) e elogiou a sua poesia depurada e «o modo como nela se compromete o classicismo, o imaginário e o real» (estou a citar de http://casaldasletras.com, onde poderão encontrar também uma longa entrevista com o poeta laureado). Parabéns, pois, Nuno Júdice, e continue a escrever!

Comentários

  1. Infelizmente, tenho alguma dificuldade em expressar-me quando falamos de poesia, tudo o que vá além do poeta popular Pedro Homem de Mello, confesso que sou um absoluto e total zero à esquerda, mas como tenho este vício de vir aqui todos os dias aproveito para felicitar o Nuno Júdice por este prémio internacional que premeia as nossas letras. Já agora, e creio que não virá a despropósito, também deixo aqui a minha grande admiração por esse enorme escritor também agora premiado (com o Prémio Camões) - o grande, grande MIA COUTO.

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  2. Muitas linhas poderiam ser estendidas sobre a poesia do Nuno Júdice, mas tenho que expiar o meu erro do dia anterior, para contribuir para um média razoável que mo expie e salve o dia. Parabéns ao Nuno.

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    1. Ia-me ficar por aqui mas face à ausência dos meus colegas de «horas extraordinárias» resolvi fazer mesmo isso e usar um contingente curto dos colegas (é que a poesia está em minoria apesar da Rosário):

      OLHAR SERENO

      Perdeu-se o olhar das coisas simples. O cansaço descansa no olhar sereno!

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  3. Parabéns a Nuno Júdice de que só conheço um ou outro poema. Lamento-me por um escritor ganhar um prémio e o conhecer tão mal. Pobreza minha que tanto devo à Poesia.

    E também a Mia Couto de quem sou fã em toda a linha que exista e venha a.

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  4. Para mim, e desculpem a minha provável insensibilidade, os poemas do Nuno Júdice são interessantes curtas peças de prosa, mas não são poesia. Até os leio com gosto, mas só em surdina porque a sua sonoridade é monótona. Falta-lhes ritmo e música, sobretudo música como a que está presente no Pina, já para não falar na musicalíssima Sophia, recordada no post pela Maria do Rosário Pedreira, que é também senhora de uma lira bem afinada. Em conclusão: tenho mesmo que desfolhar o romance do Júdice porque sempre achei que a sua poesia era escrita por um bom prosador. Pode vir a ser uma excelente surpresa !

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    1. Cem por cento de acordo, caro Artur Águas. Senti, aliás, isso que diz com o "Viagem à Índia", do Gonçalo M. Tavares, que é tudo menos poesia embora se faça passar por poesia. Isto apesar de serem ambos grandes prosadores.
      Aliás, de alguma poesia moderna tenho dificuldade em perceber quais os critérios para a mudança de verso. Parece que se escreveu tudo a eito e depois se partiu, sem qualquer critério e, perdoem-me a sinceridade, sem qualquer gosto. Muitas vezes soa mal. Alguma dela é produto de cabeças pensadoras, outra nem por isso...

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    2. Obrigado pelo seu post ! É bom saber que há outros que sentem como nós (é que quando a nossa sensibilidade é minoritária, se fica na dúvida se não somos bichos estranhos ou amputados de capacidades de que todos os outros usufruem).

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  5. Então para quem não conhece a poesia de Nuno Júdice, aqui fica um exemplo do que lhe flui da alma e dos dedos;

    "Sair de casa, digo, ir ao teu encontro e dizer-te aquilo que
    noutro tempo nunca ousei dizer-te: "O amor..."
    Ou então, saberás tu que o amor nem sempre
    pode ser dito como se diz que vai chover,
    ou que o cansaço da vida é um sentimento incómodo,
    e até frequente, nos dias que correm?
    Mas os teus olhos talvez me dêem um sinal: como se para além deles se abrisse um descampado, o deserto inóspito das sensações.
    "Voltarei a ver-te?".
    O essencial nunca está nas respostas, que dizem a verdade ou o seu contrário. São os teus olhos que me interessam (...)."

    Quanto a mim, admiro bastante o que escreve, por isso ficam os parabéns.
    Abraço

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