Poeta da voz

Recentemente, comemorou-se o centenário do nascimento do actor João Villaret. Os extraordinários leitores deste blogue que são da minha geração ou mais velhos não deixarão de recordar o grande declamador de poesia que era – eu fiquei necessariamente marcada pela sua forma generosa de dizer os outros (e a minha recordação mais firme prende-se com José Régio, poeta de que nem gosto assim tanto, mas isso parecia nem importar, de tal forma aquela voz e forma de dizer eram cativantes). Passava-se tudo num pequeno ecrã de televisão a preto e branco: acompanhado pelo seu irmão Carlos ao piano, Villaret lia magistralmente textos de poetas portugueses – Botto, Sá-Carneiro, Pessoa, Camões, Guerra Junqueiro, entre muitos outros; essas leituras foram gravadas em vídeo com o título um pouco coxo de «Vídeos RTP» e vendidas em cassette. Sendo 2013 o centenário de Villaret, mereciam agora uma edição em DVD para os que apenas ouviram falar deste homem, mas não puderam vê-lo e ouvi-lo, poderem tomar contacto com a sua voz e representação. A jornalista Maria Augusta Silva recupera, no link abaixo, uma das «exibições» do grande diseur, que morreu com apenas 48 anos.


 


http://www.casaldasletras.com/maria_Arte_plural.html

Comentários

  1. Ainda agora estava a ver o Fanha , ontem, na livraria «Arquivo» a lançar o que parece a sua poesia reunida.
    Com a crise do material, o verdadeiramente essencial reemerge.
    Começam a ver-se coisas antes despercebidas!
    E nessa medida todos somos responsáveis por más opções e omissões dos últimos anos.
    Grande poeta e declamador também o Fanha que não nos desmerece de outros que devem também ser lembrados como o Mário Viegas, ...

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  2. António Luiz Pacheco24 de maio de 2013 às 02:16

    Villaret, para mim não declamava... dizia cantando, de uma forma que foi única.

    Recordo outros declamadores de grande qualidade como José Fanha (sim) e Ary dos Santos, mas nenhum tem (ou teve( aquela musicalidade na voz como ele tinham ou sabia fazer!

    Ele cantava uma história, dizendo-a...
    Como um cantor de blues... ou como Rui Veloso e Jorge Palma conseguem dizer ao correr da música que os acompanha.

    Mas ele é sem dúvida inigualável no género.
    Tocam os sinos, na torre da igreja... por Villaret!

    Saudações e saudades cá do Planalto Central

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  3. Como o Pedro Sande já referiu, o José Fanha é um grande declamador tal como o foi o Mário Viegas mas efectivamente creio que João Villaret, será o mestre, tenho uma vaga, muita vaga, muito ténue recordação de o ver na Televisão a declamar, creio que num programa seu aos domingos à tarde (a minha mãe via sempre), tal como não perdia um programa do Pedro Homem de Mello e, eu ainda quase a gatinhar, mas o som da sua voz rouca (quase cavernosa) ficou cá - Povo que lavas na rio - que recordação...estes sim grandes portugueses, mas actualmente as audiências vão para os Zézés Camarinhas, Big Brother's (com o Mister ED à cabeça), e as audiências sempre em cima...eles nem sabem nem sonham...que tristeza, é a Globalização em marcha...as play list , os coffee-breaks e por aí fora... para quem não sabe Mister ED -o Cavalo que fala também foi uma série americana que passava na TV, nos anos 60, ao sábado à tarde e é actualmente a mãe dos Big Broter's ...é o que temos, mais os Gouchas e a sua partenaire e mais uns quantos cozinheiros que escrevem livros...é Portugal na CEE...

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  4. Esquecia-me do Zé Cabra que foi Disco de Platina, no país em que à porta da Universidade uma estação de rádio pergunta a um estudante do 4º. ano quando foi o 25 de Abril e ele... moita carrasco, quem foi o Otelo Saraiva de Carvalho e ele moita carrasco...quem escreveu OS MAIAS (ah essa sei) e ele foi O MESTRE SILVA...

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    1. melhor- O CHEFE SILVA e sei que até foi publicado em fascículos pela TVGuia (comprávamos ao fim de semana para ver a programação da semana, lembro-me bem).

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  5. Concordo tanto convosco... Portugal na CEE, com tudo o que implica essa globalização, é também uma morte lenta das suas raízes... Hoje tudo se importa até a "cultura" alheia. Refiro-me, claro está aos reality shows, que dominam atenções...

    Um abraço e um sorriso aos poetas Portugueses.

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  6. Ó meu doce professor de português que em tão boa hora levaste para a aula a cassete do Villaret e o teu gravador portátil para que a turma da noite ouvisse. E nós cansados do trabalho, alguns ainda sem jantar. E a mim a poesia caiu-me na fraqueza e até julgo que achei mais bonito por isso. E todos com cara de quem comeu um doce. Era Fernando Pessoa, "O Sino da Minha Aldeia". E gostámos tanto que, na aula seguinte trouxeste o Cântico Negro e eu que até já tinha jantado, tive um baque ainda maior. Tão à largura que deste por isso e troçaste-me. É que o Villaret ocupou-me a noite.

    Nos dias em que estou átona, a voz do Villaret é um bálsamo. Que muitos o comprem. O peçam. O procurem. E os professores não se esqueçam que a poesia é oral e tem que se dar a comer na porcelana mais fina :))
    BFS

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  7. era realmente único.

    como único também foi o Mário Viegas, já em tempos de liberdade.

    a poesia nesse tempo fingia não rimar com azia e era presença habitual na televisão...

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    1. Como tem razão. É que não basta estar disponível na net e nos livros. Falta a vermelho na caderneta para a TV que os não divulga, se faz surda a tanta gente boa que existe a educar-nos a alma.
      E isto num país de poetas. E sol. E mar. Não pode

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  8. Também nasci nos anos cinquenta e recordo todos esses programas a preto e branco com alguma saudade.
    Tenho o cd «Fernando Pessoa por João Villaret», sabe bem ouvir de vez em quando.
    Ontem na 2, às 16h, passou um programa dedicado ao Eduardo Lourenço que adorei ver. Era uma visita a São Pedro de Rio Seco, Guarda, Salamanca, acompanhado do Pedro Mexia, Gonçalo M. Tavares e Hélia Correia, entre outros. Foi mesmo interessante, mas porquê passá-lo às quatro da tarde? Para ninguém ver?
    Passando aos livros, hoje fui à cidade comprar o primeiro número da Granta Portugal.
    Mesmo sem descontos nem perfume dos Jacarandás (e o que eu gosto de jacarandás!), comprei os Contos Capitais e também o livro do Bruno Vieira Amaral, seguindo o conselho da nossa Extraordinária MRP.
    Leitura para o fim de semana é, portanto, coisa que não me falta...
    Saudações Beirãs!
    Antonieta

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  9. Boas compras, Antonieta.

    BFS e Boas Leituras

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  10. Foi com muito agrado que assisti na Biblioteca da Amadora a uma evocacao do saudoso Joao Vilaret.
    Um grupo de jograis que recriou de forma soberba o ambiente deste magnifico diseur.Tao bons que os apelidei de um Quarteto de Cordas.

    Obrigado por lembrar Joao Vilaret tao esquecido por este povo.

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  11. Obrigada Severino, um óptimo fim de semana para si também!
    Acabei de ler o conto da nossa Rosário,
    que achei deliciosamente macabro!
    :)
    Antonieta

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  12. Para mim incontornável a sua interpretação da Tabacaria :)

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  13. Maria do Rosário,
    Está na Comuna um espectáculo de homenagem ao João Villaret, por ocasião do centenário do seu nascimento, imperdível.
    Encenado pelo Carlos Paulo e tão bom, tão bom, tão bom, que até faz pena que tão pouca gente vá ver.
    Recomendo. Muito.
    São cerca de 60 minutos, custa 5 euros, é divertido, simples, leve e sublimemente interpretado. Às sextas e sábados por mais um par de fins de semana.

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